You'll float too 🎈
🎈 Assisti It: a coisa na semana passada e ainda não consegui tirar essa história espetacular da minha cabeça. Não li o livro, nem assisti ao telefilme de 1990, com Tim Curry no papel de Pennywise, o palhaço dançarino, por isso fui ao cinema despida de qualquer expectativa ou preconceito. E tive uma experiência incrível relacionada não só a terror como também amizade, crescimento, bullying, abuso e união.
🎈 Em abril do ano passado fiz uma ilustra para comemorar o aniversário do blog, de uma menina com um balão atado aos cabelos. O papel amarelo e a composição da figura me lembraram tanto o filme, que cheguei a repostar a imagem nas redes sociais. Mas It merecia mais, por isso, decidi fazer uma fanart (e só faço quando realmente gosto muito de algo) de Pennywise gender bender (gênero trocado).
🎈 Eu não andava muito disposta a postar no blog, nem a terminar alguns trabalhos pendentes e estudar anatomia; até mesmo o Inktober está atrasado no meu cronograma por falta de motivação. Mas essa palhacinha me deu muito fôlego para continuar, além de ter alegrado um dia chuvoso e cinzento. Não tirei fotos do processo porque foquei e em menos de uma hora já havia acabado. Foi bom sentir novamente o cheirinho do álcool das Copics, mais um motivo para me animar para o próximo mês.
Materiais utilizados
🎈 Papel Copic n.6;
🎈 Marcadores Copic, Bic Marking, Posca e Faber-Castell;
🎈 Canetinha com glitter Giotto.
🎈 Na história criada por Stephen King, It assume a forma de seu maior medo. No caso das crianças do Clube dos Perdedores, ele se manifesta através de doenças, traumas e abusos, além do palhaço. Enquanto artista, professora e pesquisadora da área de artes, dados os acontecimentos dos últimos dias, meu maior medo toma a forma da censura. Já me manifestei nas minhas redes pessoais, mas cabe o registro aqui: quando aplaudimos o fechamento de exposições por não concordar com a arte ali exposta, sem procurar entendê-la ou contextualizá-la, falhamos enquanto sociedade. Hoje foi uma ação pontual, amanhã será o museu como um todo, depois serão nossos blogs e sites. E isso é muito perigoso e deve ser amplamente debatido por todos.
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Autorretrato ❤ #meettheartist2017
O tema de agosto do projeto Girls Artist Gang é meet the artist (conheça a artista), em homenagem ao Dia do Artista, que comemora-se amanhã, 24 de agosto. Eu já havia feito essa tag em 2015, e em vídeo no ano passado, para o Girls Video Lab. Aproveitei também para atualizar meu autorretrato, pois o último que fiz e gostei foi em 2014. Ao final do post, você pode conferir a imagem completa, mas antes, quero mostrar mais desse retrato aquarelado, que significa muito para mim.
Acredito que, além de ser um dos temas mais recorrentes na história da arte, o autorretrato é também um dos maiores desafios para qualquer artista. Ao contrário do que se possa imaginar, não é uma questão que se resume à verossimilhança. Ano passado assisti a uma palestra do Hiro, no Iconic, e ele tocou nesse assunto: muitas vezes olhamos para aqueles retratos ultra realistas de celebridades, encontrados aos montes pela internet, mas a única emoção que o desenho passa está na expressão fotográfica da figura, e não na arte em si. É o tipo de trabalho que achamos bonito, mas que não prende a nossa atenção por muito tempo (não estou criticando quem faz esse tipo de arte, ok?).
Eu venho adiando a participação nessa tag desde o início do ano, quando ela bombou novamente, justamente porque não queria me desenhar. Mas fui me sentindo confiante para encarar o desafio, com toda a bagagem que eu não tinha alguns anos atrás. E não me refiro só à parte técnica de execução, mas também a tudo em mim que, no passado, foi motivo de vergonha e que, hoje, abraço da melhor maneira possível, como parte integrante daquilo que sou: minhas olheiras, meu nariz calejado dos óculos, dentre tantos detalhes que me tornam quem eu sou.
Escolhi trabalhar no papel Arches grano fino, um dos melhores para aquarela que já usei. A base do desenho é neutra, ou seja, fiz de memória, genericamente, e só depois de todas as áreas do rosto demarcadas, comecei a me olhar no espelho para ver as peculiaridades. A pintura seguiu tudo o que já estou acostumada a fazer, mas tomei o cuidado para representar as olheiras como as manchas que são, e não como dois círculos roxos chapados ao redor dos olhos. O segredo foi inserir várias camadas de tinta ocre, e finalizar com lápis de cor marrom claro. E SIM, eu me coloco demais nas minhas ilustrações, mas faço isso de maneira muito mais inconsciente do que se possa imaginar. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Arches grano fino, 300g, 100% algodão;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Multiliner Copic;
- Lápis de cor Polycolor;
- Guache branco e marcador dourado para os detalhes.
Vários elementos presentes no meu dicionário de códigos e símbolos estão reunidos nesse autorretrato, como o crescente na testa, os cílios longuíssimos e - aquilo que não poderia faltar - a galáxia, meu universo particular de criações. A montagem da tag completa ficou assim:
Depois dessa experiência, risquei mais um medo da minha lista: o de retratar a mim mesma. Certamente isso também me ajudará a ilustrar outras pessoas, e se você se interessou por um retrato personalizado, é só mandar um e-mail para lidiane@lidydutra.com.
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Como faço para expor meu trabalho?
Esta postagem ia demorar um pouco mais para sair, mas como muita gente pediu e recebi mensagens com todo tipo de dúvida, resolvi sistematizar algumas dicas que me ajudaram até aqui a expor meus trabalhos. Já vou deixar bem sinalizado agora que a minha experiência se resume à uma cidade do interior do RS, e não a um grande centro, como São Paulo, por exemplo. Então o que se aplica aqui, pode não ser igual ao que rola em outros lugares.
Breve histórico acadêmico
Eu comecei a expor ainda na faculdade. Logo no primeiro ano, participei da mostra cultural que acontecia em paralelo com a mostra de produção universitária. E até o final da graduação foi assim. Sempre que havia semana acadêmica, atividades complementares, palestras, qualquer oportunidade de mostrar o que fazia, eu aproveitava. Em 2007, inclusive, participei da etapa regional do Salão SESI Descobrindo Talentos, e todas as vezes que ministrei aulas, cursos e oficinas, incentivava meus alunos a expor.
Começando a selecionar
Assim que saí da faculdade e comecei a investir no trabalho como ilustradora freelancer, continuei com essa mentalidade de expor em qualquer lugar que me oferecesse oportunidade, o que me fez entrar em muitas roubadas. Aqui em Rio Grande, existe uma coisa que apelidei de cultura do varal: a pessoa junta uma meia dúzia de trabalhos e monta um varal com cordinha e pregador de roupa, literalmente em qualquer lugar. Não importa se vai sujar, se vai bater um vento e levar tudo, se vai ficar feio. Isso começou a me incomodar profundamente, pois mesmo que eu creia que a arte deve ser acessível e estar em todos os lugares, por quê diabos tem que ser de qualquer jeito? Então, depois de alguns estresses, passei a recusar convites de última hora para montar exposições em locais que não garantiriam a integridade mínima dos meus trabalhos. Em outras palavras, comecei a selecionar. E, ao contrário do que se possa imaginar, isso não é ser metida: é ter respeito pelo que se faz, e mostrar aos outros como deve ser o tratamento correto com a arte.
Dicas a partir da minha experiência
1. Tenha algo concreto para expor, sejam conjuntos de ilustrações, séries temáticas, retrospectiva dos últimos anos, comissionados por tema/assunto ou encomenda específica para o local. Mulheres (2015) foi feita exclusivamente para a ocasião, enquanto Elementais (2017) foi uma seleção dos últimos dois anos de produção. Busque unidade;
2. Mantenha suas redes sociais ativas, organizadas e atualizadas, assim, é mais fácil encontrar você e ter o primeiro contato com seu trabalho. Uma dica que dou é ter o mesmo username para as redes principais (você me encontra como lidydutra em praticamente todos os lugares);
3. Mantenha um e-mail profissional e link para o portfólio atualizado e organizado. Muitos lugares fazem o primeiro contato por rede social, mas toda a tratativa é formalizada por e-mail, e é de bom tom você ter uma assinatura no rodapé, com link para seu site. Neste vídeo a Sula e a Ale dão dicas sobre montagem de portfólio;
4. Tenha contatos na imprensa local, centros culturais e museus. Fique de olho em editais de seleção, curadoria e ocupação e, periodicamente, mande um release para esses locais sobre seus projetos e interesse em firmar parceria. Também é legal fazer parte de grupos de artistas no Facebook, que promovem exposições e atividades periódicas. Ano passado, participei de uma exposição no Rio de Janeiro, por conta do grupo Elas por Elas - as desenhistas brasileiras;
5. Após reservar o espaço, defina como será sua exposição: duração em dias ou semanas, originais ou reproduções, divulgação, valores das obras, contrapartidas do local (molduras, cavaletes, limpeza, segurança...). Tenha todas as conversas registradas, tire fotos e catalogue as obras e, se possível, faça contrato. Já passei pelo incômodo de ter trabalhos extraviados e foi o registro fotográfico que me possibilitou recuperá-los;
6. Deixe suas informações de contato, compra e tudo o que for relevante em legendas de destaque, ao lado das obras. E se prepare para uma enxurrada de perguntas via redes sociais, acontece;
7. Cuide da divulgação pessoalmente. Mesmo que o espaço envie press release, não conte só com isso. Dê atenção para quem visita e marca em fotos ou manda mensagens parabenizando, é um cuidado e carinho com o público. Elementais foi toda divulgada no boca-a-boca e pelas minhas redes, pois a imprensa não publicou o release enviado pelo shopping. Mas a audiência fez a exposição acontecer;
8. Não terceirize aquilo que você pode cuidar sozinho como, por exemplo, montagem e desmontagem. Problemas acontecem e, se você estiver por perto na hora certa, pode contorná-los. Também é bom fazer uma visita semanal ao local, para ver se está tudo bem, limpinho e arrumado do jeito que você deixou;
9. Fazer coquetel de abertura não é mais uma obrigação. Cheguei a discutir bastante sobre isso, e muita gente endossou que não estaria lá pela comida, mas sim por mim. A abertura de Catrinas (2012) foi cheia de gostosuras ou travessuras, com doces e decoração de Halloween, um dia mágico que ficou na minha memória. Mas para Elementais, não senti essa necessidade, por ser num shopping, durante a semana, com muitas pessoas queridas não podendo se deslocar até lá. E caso for fazer coquetel, veja no que o lugar pode ajudar, não arque com tudo sozinho;
10. Não deixe que a frustração sobre algo que deu errado anteriormente tire a sua vontade de expor. Se eu fosse contar todos os percalços de Elementais, vocês chorariam litros. Mas a recepção ao meu trabalho, o público, o apoio dos amigos e da família, me levantaram para seguir adiante, e acabou dando certo. Como já falei acima, problemas acontecem, e nós vamos nos fortalecendo a cada queda, para não cometer o mesmo erro lá na frente, ou saber o risco que se corre ao firmar determinadas parceiras. É um processo de interação muito legal com o público, e uma grande oportunidade de venda.
Resumindo
- Seja seletivo;
- Tenha unidade no seu trabalho;
- Seja profissional na hora de se apresentar;
- Conduza pessoalmente os processos;
- Aprenda com as experiências positivas e negativas.
Tentei contemplar tudo o que já aconteceu comigo, e espero ter ajudado quem está com medo ou dúvidas sobre montar uma exposição. Se você ainda não se sente pronto para dar esse passo sozinho, comece coletivamente, buscando outras pessoas com os mesmos interesses para compartilhar as responsabilidades que envolvem o processo. E se você ainda tem alguma dúvida, deixe nos comentários, que tentarei responder.
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*Photo by Juan Di Nella on Unsplash
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