Lidiane Dutra
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Esmeralda 💚


Resolvi aproveitar o feriadão de Páscoa para voltar à ativa e dar andamento aos rascunhos que postei aqui anteriormente. Um deles serviu para que eu pudesse treinar algo que deixo bastante de lado nas minhas ilustrações: estampas. Tenho medo de pecar pelo excesso e produzir algo que não fique agradável ao olhar do espectador. Uma artista que tem me ajudado bastante a quebrar essa barreira é a Brunna Mancuso. Os trabalhos dela trazem muita informação, mas o resultado final é leve e com uma composição muito equilibrada. Por isso decidi reunir aquarela, estudo de estampas e também o teste definitivo do meu novo scanner na mesma ilustra, sem medo de ser feliz. 


Quem me acompanha já conhece o processo: após passar o risco a limpo no papel para aquarela (utilizei o Arches grana fina), começo a marcar os valores com lápis 4B.


Geralmente começo pelo rosto, mas como o foco desse trabalho é a estampa, decidi resolver tudo o que envolvia a roupa, cabelo e fundo, primeiramente, para depois pensar na pele e acabamentos. Embora na foto usada como referência a modelo estivesse com um casaco, só aproveitei mesmo o formato da gola. Os ornamentos e estampa saíram de imaginação, a partir de algumas fotos de papoulas e da já famigerada lua crescente. Também optei por payne's grey e magenta por serem cores fáceis de se harmonizar com as outras.


A inclusão da joia no pescoço e brincos também foi outro desafio, pois a cada momento eu pensava que estava fazendo um grande carnaval incompreensível. Mas respirei fundo e tratei de pensar nisso tudo como o estudo que realmente é, e na aprendizagem que fica pelo processo de criação. E a melhor parte, claro, é retirar a fita crepe das bordas. Já falei sobre essa fita azul aqui. O resultado:


Materiais utilizados

- Papel para aquarela Arches grana fina, 100% algodão, 300g;
- Aquarelas Cotman e Sennelier;
- Pinceis pelo sintético Keramik;
- Lápis de cor metálico e supersoft Faber-Castell;
- Multiliner Sakura e caneta gel dourada e prata.



Sobre meu estudo de estampa: achei o resultado ok, para quem está mais acostumada com fundos minimalistas e personagens "nuas" foi um progresso. Mas reconheço que ainda tenho que melhorar muito a composição e as escalas. Curti voltar a me dedicar um dia todo ao estudo de uma pintura, sem me preocupar com planos de aula ou boletos vencendo, então só por isso já valeu demais. E não pretendo parar por aí :)

Sobre o scanner: durante toda minha vida utilizei os scanners da HP e talvez estivesse acostumada demais com a multifuncional antiga (já sabia todos os estouros e zonas em que o vidro estava arranhado e precisava de correção), por isso estranhei muito o equipamento novo (Canon Pixma G3100). A impressão que tenho é que a imagem fica com uma película de transparência que tira a nitidez e as cores vão do desmaio total ao BERRO. Para se ter uma ideia, sempre digitalizei em 300 dpi, e essa ilustra precisei colocar 600 dpi para que ficasse com o nível de qualidade que gosto (e mesmo assim não senti que ficou como trabalhos anteriores, digitalizados na multifuncional velhinha). Aparentemente não há nenhum problema técnico com o equipamento, pode ser BIOS, pode ser costume, pode ser alguma configuração entre ele e o PS, então quem tiver alguma dica, por favor deixe nos comentários! 

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Processo criativo

Na prancheta #7


Até me espantei quando foi a última vez que publiquei algo da série Na prancheta: há dois anos atrás. É tempo demais, mas nunca tão tarde que não possa retomar, não é mesmo? Ainda mais agora, que estou passando por uma fase de mudanças e reajustando minha rotina para encaixar a docência e a ilustração em seus devidos lugares. Quero escrever sobre como tenho planejados as aulas, algo que já contei neste post. Mas hoje é dia de mostrar o que ando produzindo, e também aproveitar para testar meu scanner novo (é uma multifuncional Canon G3100). Vamos lá?


Todas as imagens desse post são os estudos "crus", portanto, se tiver alguma coisa torta ou fora de lugar, calma... ainda será arrumada na arte final. A imagem que abre é um estudo que fiz depois de algumas semanas sem treinar diariamente. Fiz alguns aquecimentos só com as formas geométricas e depois peguei uma foto para referência. Acima, um dos estudos que comecei a fazer em agosto do ano passado e estou trabalhando bem lentamente de verdade, pois quero fazer um cenário. Talvez vire uma série, pois os dois rascunhos abaixo têm o mesmo propósito:


Esse estudo também foi iniciado em agosto passado. Fiquei muito contente com as proporções e esse pézinho aí hehehe. Abaixo, foi feito semana passada, depois de alguns aquecimentos lá do CroquisCafe (mas peguei outra foto para referência). Ele está mais rascunhado porque ainda não resolvi o rosto nem a posição das mãos, mas fiquei feliz por não me sentir tão enferrujada quanto pensava estar:


Por fim, esse estudo é mais para que vocês vejam como vou me situando no rosto para construir os elementos da figura final. Esse já é o segundo (ou terceiro?) risco para a mesma ilustra, eu testo muito até chegar numa posição satisfatória/correta, então é comum que cada trabalho tenha, no mínimo, uns cinco riscos anteriores. É legal ver o quanto a figura vai se movimentando no próprio papel, até adquirir a forma final.


Sobre os materiais que uso para os rascunhos, nenhuma novidade: folha sulfite comum e também algumas folhas de um sketchbook da Canson antigo, cuja capa mofou, e lápis 2B ou lapiseira 0.7. Neste post tem uma lista com bancos de imagem para figura humana que eu sempre recorro quando preciso de referências. Espero que tenham curtido meu processo e esse retorno tímido ao blog e ao mundo da ilustração. 

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Retrato de Rita Lobato

Ano passado fui convidada pelo Zé Roberto Graúna (que já havia cuidado da exposição Elas por Elas - as atletas brasileiras por nossas artistas, de 2016) para uma exposição em Campinas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. A ideia era retratar uma mulher de destaque na história do Brasil, e eu escolhi homenagear minha conterrânea, a médica Rita Lobato. E como o 8 de março está próximo e o tema de março do Girls Artist Gang é mulheres que mudaram o mundo, resolvi unir as três coisas. Abaixo, uma pequena biografia de Rita:

Rita Lobato Velho Lopes (Rio Grande, 7 de junho de 1866 — Rio Pardo, 6 de janeiro de 1954) foi a primeira mulher a exercer a Medicina no Brasil. Frequentou o curso secundário em Pelotas e demonstrou, desde cedo, vocação para a Medicina. Mas, apesar de um decreto imperial de 1879 autorizar às mulheres a frequentar os cursos das faculdades e obter um título acadêmico, os preconceitos da época, que relegavam às mulheres a uma função doméstica, falavam mais forte.
Rita matriculou-se inicialmente na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a Faculdade de Medicina de Salvador, na Bahia. Determinada em obter o título de médica, venceu a hostilidade inicial dos colegas e professores, conquistando aos poucos sua simpatia, até receber do corpo docente da tradicional faculdade baiana as maiores considerações. Em 1887, tornou-se a primeira mulher brasileira e a segunda latino-americana a obter diploma de médica, após defender tese sobre a operação cesariana.
Após a formatura, retornou ao Rio Grande do Sul, onde casou com Antônio Maria Amaro Freitas, com quem teve uma única filha, Isis. Clinicou em Porto Alegre durante algum tempo, mas acabou por se radicar em Rio Pardo, onde exerceu a profissão de 1910 a 1925. Foi eleita vereadora pelo Partido Libertador em 1935 e exerceu seu mandato até a implantação do Estado Novo em 1937, que fechou as câmaras municipais. Passou o restante de sua vida na Estância de Capivari, em Rio Pardo. Faleceu aos 87 anos de idade. (Fonte: Wikipedia)

Materiais utilizados: papel para aquarela Hahnemühle, e meus materiais de arte favoritos. A ilustração foi elaborada em tons de sépia pois não encontrei fotografias em cor para utilizar como referência.

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