Lidiane Dutra
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Portfólio Processo criativo

Dicionário Mor n. 01

 



Depois de muitas ilustrações digitais, retornei ao meu amado lápis de cor para o último trabalho de 2023 e primeira postagem de 2024. Para este ano, quero utilizar minhas técnicas favoritas, que são o lápis de cor, a aquarela e agora também o digital, para expressar diferentes tempos e espaços da minha vida e arte. Quero tirar mais projetos guardados do papel, e seguir com meus estudos, dentro do possível que posso estabelecer na minha rotina docente.


No início do ano passado, fizemos uma faxina na escola, e um dos materiais que seriam descartados era um antigo dicionário, acredito que da década de 1970, daqueles volumes que também são ilustrados e com verbetes mais extensos do que um dicionário comum, desses pequenos que costumamos usar. Só que vi uma possibilidade de criação naquelas páginas e peguei algumas, inspirada por artistas que ilustram sobre livros antigos e partituras musicais. Demorou, mas consegui dar o pontapé inicial, e pretendo dar sequência até completar as páginas que peguei.





Para este trabalho, usei somente lápis de cor (Staedtler e Faber-Castell). Fiz a figura da moça segurando costelas-de-adão sobre a página com o verbete "selva". Quero tomar esse cuidado, de sempre ilustrar algo que está relacionado a algum verbete da página em questão.


Na foto acima, a nova visão da minha área de trabalho, aproveitei a limpeza de final de ano para virar completamente minha mesa de frente para a janela. Agora, posso olhar para o pôr do sol, sinto meus pensamentos voando para fora da casa e tomando forma em outros lugares.




Que 2024 seja cheio de bons momentos. Que eles sejam regra no dia-a-dia e não um pequeno respiro em meio à uma rotina que tratora os nossos sonhos. Que seja um ano de arte, dignidade e respeito ao sensível, ao que nos torna humanos. ✨
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Arte Digital Portfólio Projetos

Calendário do Advento: Krampus

 

Dia 01

A cada ano que passa, a tradição alemã do calendário do advento cresce mais em terras brasileiras. Basicamente, é um calendário para contagem regressiva até o Natal. Os mais tradicionais são 24 dias, e a cada dia é "revelado" um presente (pode ser uma mensagem, uma foto, um produto de beleza, um doce, etc.). Algumas pessoas fazem calendários de 12 dias, 10 dias... o que vale é esse fator surpresa de ir revelando algo até a noite de Natal.


Eu conheci essa tradição através dos calendários de beleza, que as blogueiras gringas gostam de mostrar. Ao longo do ano, fui acompanhando alguns vídeos sobre o assunto e, assim que acabei o Inktober, fiquei com vontade de fazer o meu próprio calendário do advento. Essa ideia surgiu pelo meu interesse em desenvolver um projeto de final de ano que gerasse engajamento nas redes sociais, através do compartilhamento diário de ilustrações, e também como uma forma de aprimorar minha técnica em desenho digital, criando uma rotina de trabalho que me permitiu explorar vários recursos do Infinite Painter, programa que estou usando para desenhar digitalmente. Estudar digital tem sido meu foco desde agosto, e após outubro senti que poderia melhorar ainda mais, para finalmente me sentir segura para abraçar trabalhos comissionados.


Sobre a escolha do tema, também foi algo que surgiu lá em outubro. No folclore de vários países, Krampus é um ser mitológico que acompanha São Nicolau durante as festividades de Yule/Natal. Ele pune as crianças que não se comportaram e as leva consigo em seu cesto. Como muitas outras figuras pagãs, Krampus tem sido revivido, ressignificado e abraçado por adeptos de religiões neo-pagãs, que celebram as datas que deram origem e/ou foram absorvidas às festividades cristãs. Abrindo este post, está a ilustração do 1° dia. Abaixo, seguem as ilustrações dos dias 2 a 9, na sequência:










Escolhi um calendário de nove dias pois era o que eu tinha condições de fazer, visto que era final de ano letivo e eu estava sobrecarregada de trabalho escolar. A princípio, eu começaria no dia 8/12 e postaria dia sim, dia não. Porém, achei melhor começar direto no dia 16/12, sem parar até a véspera de Natal. Foi uma pequena loucura, pois somente os três primeiros consegui fazer com, em média, dois dias de antecedência, os demais foram feitos e postados no mesmo dia.


Fiquei muito orgulhosa dos saltos que dei em relação ao desenho e ao domínio do programa. A luminosidade da primeira ilustra, o efeito da madeira na segunda, os contornos faciais a partir da terceira, o efeito de algodão na máscara de Mamãe Noel da quinta, a sétima, tão linda quanto demoníaca, os pelinhos do capuz da oitava e o cabelo etéreo da última foram conquistas não só no que diz respeito à descoberta de novos pincéis (até mesmo porque trabalho quase sempre com os mesmos), mas de uma segurança em ousar, em me permitir experimentar coisas novas, em ser confiante para explorar meu trabalho em outros níveis. Agora já sei que posso personalizar os pincéis que mais curto, e assim que montar minha paleta básica, vou compartilhar por aqui, assim como gosto de compartilhar meus materiais tradicionais favoritos. O layout final do meu calendário do advento ficou assim:




Referências trabalhadas

Busquei referências não só em imagens clássicas do Krampus, principalmente de cartões vintage, ou em cosplayers e artes específicas da figura. Claro que essas imagens me auxiliaram muito, principalmente na elaboração da paleta de cores, mas o que me motivou a trabalhar o tema foi a cultura pop, os tutoriais de maquiagem, os personagens como Ele, do desenho Meninas Super Poderosas, a moda e toda uma cultura a estética sombria que eu já vinha trazendo desde o Inktober, e que permeia demais meu trabalho.


Algumas pessoas me perguntam porque eu opto por esses temas "demoníacos" (tudo o que não entendemos ou não está em nosso sistema de crenças automaticamente vira demônio rsrsrsrs) ao invés de algo fofo, que vai deixar as pessoas felizes, e que as estimule a comprar meu trabalho, e a resposta pessoal que tenho elaborado para isso é que eu gosto de tudo que está à margem;  gosto de ir na contramão do que agrada, do que seria facilmente colocado na sala de estar ao lado do sofá e combinando com o tapete; gosto de estudar culturas diferentes; gosto de fazer com que o processo de encontro da minha espiritualidade faça parte da minha arte, mostrando que há beleza no caos, no que muitos consideram sujo, mórbido ou bestial. Há beleza em encarar nossos desafios - e nossos demônios - de frente; abraçá-los e entendê-los como parte de nós, e não varrê-los para debaixo do tapete.


GRUSS VOM KRAMPUS!

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Reflexões

Blogar é envelhecer?


Foto de Marissa Lewis na Unsplash


Esses dias vi o vídeo de uma psicóloga no TikTok, falando que as mulheres millennials na casa dos 35-40 anos estão desaparecendo das redes sociais. Elas já não postam mais selfies, ou suas comidas favoritas, os lugares que frequentam, sua rotina. Parece ser um impulso low profile, um cansaço das redes, mas um olhar mais atendo mostra outro dado: essas mulheres podem simplesmente não querer mostrar seu envelhecimento para a audiência. Para uma geração que cresceu acompanhando o surgimento de todas as redes sociais, admitir que está se tornando velha, principalmente em relação à gen z, é assustador. Então essas mulheres estão simplesmente sumindo, evitando que perguntas sobre a aparência ou "deslizes geracionais" (uso de gírias, gostos, moda...) sejam analisados pela opinião pública. 

Não existe nada de errado em postar uma selfie, um prato bonito ou um lugar legal, e se mulheres mais velhas ficam constrangidas em postar suas rotinas em suas próprias redes sociais, só reforça o fato de que a pressão estética e a mercantilização em cima dos corpos femininos está a todo vapor, disfarçada de autocuidado ou outro nome mais adequado ao mercado. Em contrapartida, as gerações mais novas também parecem estar abandonando determinadas redes sociais "formatadas" por algo mais livre e personalizável. E é aí que a roda do tempo gira novamente, com muitas adolescentes voltando para o Tumblr e para a estética dos blogs, espaços que você pode customizar, explorar a quantidade de imagens, textos e vídeos que convém e manter uma conversa mais intimista.

A realidade é que os blogs nunca acabaram. O fato de não serem usados mais como até um tempo atrás não quer dizer que o formato morreu ou se esgotou, apenas voltou a ser mais nichado, como no começo. Ainda acompanho muitos blogs, como o Momentum Saga, o Hello Lolla e o da Melina Souza. Aliás, ela postou um desabafo esses dias em seu blog, falando sobre como o ambiente das redes está cada vez mais hostil (e eu complemento falando que essa hostilidade não vem só das pessoas, mas de políticas e de algoritmos cada vez mais agressivos, que empurram todos para a vala comum dos criadores de conteúdo, sendo que muitas das pessoas só quer postar pra se sentir bem!).

Me pergunto se ainda blogar em 2023 é um sinal de envelhecimento, amadurecimento, nostalgia ou um grande e sonoro dane-se para tudo o que especialistas em marketing digital e tendências ditam, seguindo apenas o fluxo afetivo de estar num lugar fazendo algo que me deixa feliz, ou apenas em paz comigo mesma.

Não canso de dizer o quanto o blog é um espaço seguro (retomei a caixa de comentários após um tempo fechada), onde sistematizo o meu trabalho, meu processo criativo e posso compreender minha arte e minha profissão. Mesmo que eu não poste com frequência ou fale sobre todo o tipo de assunto como há 7 anos atrás, ainda é aqui que está minha essência: uma artista e professora que gosta de coisas místicas, como boa cria dos anos 80 e 90. 

Esperar que os blogs voltem a ter seu auge é um pouco demais, acredito que esse tipo de espaço ficará cada vez mais nichado, cada vez mais intimista e cada vez mais voltado à resistência para quem curte slow content e quer ir contra à agressividade que os algoritmos impõe à vida digital.

Blogs que leio e amo

  • Momentum Saga
  • Melina Souza
  • Mulher Vitrola
  • Hello Lolla
  • Valkirias
  • Delirium Nerd (colaborei lá por um tempo)
  • Aline Valek
  • Zine Marítimas
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