Lidiane Dutra
  • Home
  • Sobre
  • _Sobre mim
  • _Currículo
  • Trabalhos
  • _Portfólio
  • _Encomendas
  • Blog
  • _Arquivo
  • _FAQ
  • Contato
Dicas Livros

Como Ser Artista, Jerry Saltz


Como ser artista foi meu segundo livro lido da Editora Seiva. O primeiro, Arte e Medo, li em maio do ano passado e gostei bastante. Já essa leitura foi bastante afetada pela minha percepção, pois foi logo após ler o excepcional Modos de Ver, de John Berger, que pretendo falar em breve. Então, custei a entrar na ambientação do livro, mas depois que isso aconteceu, gostei bastante da experiência.

Como ser artista foi escrito pelo crítico de arte Jerry Saltz e é dividido em 63 pequenos capítulos, que geralmente não chegam a uma página, como se fossem "pílulas" para artistas. Esses 63 capítulos estão subdivididos em "passos": Você é um completo amador; Como começar de fato; Aprenda a pensar como artista; Entre no mundo da arte; Sobreviva ao mundo da arte; Conquiste um cérebro galático. 

Saltz, por ser crítico de arte, fala com bastante acidez e assertividade sobre o mercado de arte e o cinismo que permeia as relações desse meio, sem romantizá-lo. Esse foi um dos pontos que mais gostei e, de certa forma, me lembrou um livro de ficção que também li ano passado, chamado Meu ano de descanso e relaxamento, de Ottessa Moshfegh, no qual a protagonista trabalha numa galeria e convive com pessoas medíocres, mas com muito QI e investimento.

Quero destacar alguns quotes que me impactaram e que levei pra vida:
Cada obra de arte é uma paisagem cultural do artista, feita de suas memórias, dos momentos que passou trabalhando, de suas esperanças, energias e neuroses, da época em que vive e de suas ambições. Das coisas que são envolventes, misteriosas, significativas, resistentes ao tempo. p. 19

Recentemente eu estava olhando uma série de tediosas fotografias de nuvens em preto e branco quando um galerista se aproximou para me informar que "Essas são imagens de nuvens sobre a cidade de Ferguson, no Missouri. Elas falam sobre protestos e violência policial". Eu me irritei. "Não falam, não! São apenas imagens de nuvens que não têm nada a ver com nada. Não são nem interessantes como fotografia!" Uma obra de arte não pode depender de explicações. O sentido tem que estar ali, no trabalho. Como disse Frank Stella: "Não existem boas ideias para pinturas, existem apenas boas pinturas". A pintura se torna a ideia. p. 59-60

A perfeição não existe. Nada nunca está verdadeiramente perfeito; sempre é possível fazer mais. Que pena! Está tão bom quanto pode estar neste momento e provavelmente isso é mais do que suficiente. O próximo trabalho será melhor, ou diferente, ou mais a sua cara. Não se prenda a um superprojeto para sempre. Por enquanto, faça algo, aprenda algo ou siga em frente. Caso contrário, afundará até a cintura na areia movediça do perfeccionismo. p. 73

Não posso pegar leve nesta próxima parte: algumas pessoas são mais bem relacionadas que outras. Elas vão conseguir doze apoiadores mais rápido. O mundo da arte está cheio de gente privilegiada. É injusto e é desigual. Especialmente para mulheres e artistas que foram racializados, assim como para aqueles acima dos quarenta. O caminho é mais difícil para esses artistas. Todos nós precisamos mudar isso. p. 110

Na maior parte das vezes, as características do seu trabalho que mais incomodam as pessoas são precisamente as que precisam ser cultivadas, levadas tão ao extremo do eixo do vício que acabam se tornando virtudes. p. 123

Vale destacar também os capítulos em que Saltz fala sobre a invenção da perspectiva pelo Ocidente; sobre o uso do ateliê como espaço sagrado do artista; e também o capítulo Arte é um verbo, no qual ele critica o lugar passivo que a arte tem em museus e galerias, sendo que ela historicamente é algo ativo, que permeia a nossa vida e nossas experiências.

Como ser artista é um livro rápido de ser livro e uma boa indicação para as férias.

4★

Leia mais →
Aquarela Portfólio Processo criativo

Gaia

 


“Os gregos acreditavam que Gaia era a própria Terra. Sendo assim, cada pedra, árvore, rio é parte integrante do corpo da Deusa e por isso carregam parte de sua centelha divina e são sagrados. Mas Ela não era somente a personificação do planeta Terra. Gaia era também tudo o que incluiu o Universo, como a matéria e energia. (…) Gaia é considerada a grande provedora e nutridora da vida”. - Claudiney Prieto em Todas as Deusas do Mundo.
Foi com uma representação da Deusa Gaia que resolvi participar novamente da Feira Itinerante que, dessa vez, aconteceu no espaço da floricultura Pintanel Garden. Achei que seria representativo escolher a mãe-terra para estar num espaço cercado por natureza. Além de pintar ao vivo, também levei alguns prints e originais para venda, mas isso é assunto para outro post, no qual quero trazer algumas reflexões sobre essas minhas incursões em feiras e eventos. Por hora, ficaremos com a ilustração.

Sim, eu levei minha própria mesa para a feira.

Pintar ao ar livre tem seus obstáculos, dessa vez o vento estava bastante forte e, apesar de não ajudar em nada a secar as camadas da aquarela, acabou deixando a tinta mais espessa, o que me levava a reativá-la várias vezes. Nisso, as camadas iam ficando espessas também, o que me causou alguns problemas de manchas, que precisei contornar. 



Eu já tinha iniciado esse trabalho na metade do ano passado, mas acabei abandonando por não conseguir me dedicar integralmente a ele. Na minha cabeça, essa pintura teria um acabamento muito mais suave, e pensei até em fazê-la com lápis de cor. Mas, no fim das contas, acredito que consegui me conectar com o que a ocasião pedia, e minha Gaia ficou com as cores que realmente deveria ter.

Esses e muitos outros registros desse dia no meu Instagram.

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Albrecht Dürer;
  • Pincéis que comprei na Shein;
  • Marcadores Derwent.


Aproveitando a ocasião do movimento que a Feira tem me trazido, criei um Instagram novo, chamado @thepaintermaiden, no qual vou dedicar, nesse primeiro momento, a ser meu espaço de loja virtual, e onde estarão para venda os prints e originais que levo para esses eventos. Quem quiser seguir, agradeço!
Leia mais →
Arte Digital Portfólio

The Painter Maiden

 

Já faz algum tempo que desejo ter uma marca, um logotipo que traduza não só o meu lado artístico, como também o pessoal, unindo as coisas que acredito e que fazem sentido para mim, e que frequentemente também aparecem nas minhas artes. Essa não é uma tarefa fácil, e não foram poucas as vezes que tentei algo e fiquei totalmente insatisfeita com o resultado, e me sentindo incapaz de traduzir em algo simples o significado que a arte tem na minha vida.

Durante os meus estudos e leituras sobre Hekate, a deusa com a qual tenho uma relação de devoção que começou em 2014, quando a representei pela primeira vez, sem saber muito bem quem era - na época, só o nome me veio à cabeça e sua forma tripla - conheci uma representação bastante diferente das imagens modernas, The Running Maiden of Eleusis (A Donzela Corredora de Elêusis). Essa imagem aparece no templo de Deméter em Elêusis, e faz parte de um conjunto que narra o rapto de Perséfone. A escultura está sem os braços, mas a partir de fragmentos encontrados, supõe-se que a deusa está segurando duas tochas, hipótese sustentada por reproduções modernas dessa escultura, como na imagem abaixo:

Quando postei a imagem da direita no Instagram, logo que adquiri uma cópia para mim, a Ju Votto, da Bruta Flor Chás, me mandou uma mensagem dizendo que parecia que deusa segurava dois pincéis. E a Ju estava certa! As tochas realmente pareciam dois pincéis de aquarela, e aquilo foi uma iluminação para mim (obrigada, Ju!). A partir dali, fiquei cada vez mais com essa donzela na minha cabeça, até que um dia tive a ideia final: assim como as tochas de Hekate iluminam o caminho de Perséfone até o Submundo, a arte ilumina e dá sentido à minha vida. Então, que a arte seja a luz e que a Deusa carregue essa mensagem, unindo, assim, meu lado artístico, pessoal e espiritual numa só imagem.

A referência que usei para montar minha ilustração não veio da escultura em si, mas de uma cerâmica que narra o mesmo tema. Nela, Hekate aparece com as duas tochas viradas para o mesmo lado. Ela ainda tem uma posição de "corrida", mas aqui acho a composição mais harmônica. Transferi a imagem abaixo para o Infinite Painter e tracei por cima, para pegar a maior quantidade de detalhes originais possível. Já as tochas foram substituídas por um pincel e um lápis, visto que também utilizo muito esse instrumento, seja grafite ou de cor, nos meus trabalhos.

Assim, nasceu The Painter Maiden (A Donzela Pintora), que é guardiã da luz artística e responsável por disseminá-la no mundo. Fiquei tão, mas tão feliz com o resultado desse trabalho, pois ele traduz de todas as formas possíveis meu amor pela arte e a conexão que carrego com a espiritualidade. Para completar, o logo também inclui uma meia-lua e várias estrelas, assim como as que coloco em meus trabalhos. A fonte é a que já venho utilizando desde a exposição TRÍVIA.

A partir de agora, essa imagem ficará no cabeçalho do site e em todos os materiais de divulgação do meu trabalho, através de carimbos, marcas d'água, dentre outros. Mal posso esperar para ver o tanto que posso criar a partir dela (e já quero fazer uma caneca). 

E para quem quiser conhecer mais a história da representação mais antiga de Hekate, recomendo o podcast Caverna de Hekate, da Márcia C. Silva. Clique aqui para assistir.

Que seja um ano de arte e iluminação para nós, e que para cada obstáculo que escureça nosso caminho, exista uma tocha para nos guiar para a luz.

Leia mais →
Anterior Próximo
Assinar: Postagens (Atom)
  • Termos de uso
Blogueiros raiz, uni-vos!
Selo 1.0
© Lidiane Dutra • Todos os direitos reservados • Theme by MG Studio