Mariposa 🐛
Finalmente consegui parar - não só para finalizar uma ilustração, como também para escrever um post. Tenho andado bastante afastada do blog, não por falta de assunto, mas por falta de tempo. Completei minha mudança há pouco, e estou me adaptando ao novo espaço e à nova rotina. Todo dia é um aprendizado diferente. Por isso, para marcar essa fase, resolvi resgatar algumas artes que tinha deixado só na linha lá em abril, e inaugurar meu novo ateliê (em breve falo mais sobre ele, mas já dá pra conferir um pedacinho aqui) aquarelando uma moça mariposa.
As mariposas têm simbologias muito interessantes. Acredito que uma das mais populares esteja ligada ao fogo da transformação. A Caroline Jamhour, uma das artistas que mais admiro, fez um post sobre o simbolismo da mariposa, que acabou viralizando (e começou a ser compartilhado sem os créditos). Sugiro a leitura do original, pois é uma reflexão muito valiosa. Aqui onde moro agora, é comum aparecer mariposas, dessas mais simples, que ficam na volta da lâmpada à noite. Em 2017 eu já havia ilustrado uma actias luna, então não é de hoje meu fascínio por esses seres.
Acredito que veio bem a calhar escolher esse trabalho, dentre outros que eu já tinha preparado, pois toda mudança é uma transformação enorme na vida. É como sair de um casulo quente e seguro para um mundo novo e, muitas vezes, hostil. Bate uma série de inseguranças e incertezas, de repente estamos aprendendo coisas banais, como regular a nova máquina de lavar. Ainda quero falar mais sobre essas experiências mas, por enquanto, vou me concentrar em mostrar essa ilustra:
Comecei a pintura da mesma maneira que começo todas as outras: marcando os valores com lápis, depois com cinza payne, e fui colocando as cores. Para o tom da pele, trabalhei com alguns tons avermelhados e terrosos, fiz uma misturinha para chegar a essa cor, que curti bastante. Para as asas, imprimi algumas imagens de mariposas e fui pegando um pouco de cada e estilizando, ou seja, não é nenhuma espécie em específico e tomei a liberdade artística de não estar biologicamente fidedigno a nenhum inseto. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Harmony Hahnemühle;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Karamik;
- Marcadores Sakura.
- Lápis de cor Polycolor e Faber-Castell metático.
Espero que vocês tenham curtido essa ilustra e, em breve, eu volto aqui para contar mais sobre meu novo ateliê. Por enquanto, tenho postado lá nos stories e no feed do Instagram. Em tempo: participei de uma live muito legal com a Andréia Pires, no perfil da Concha Editora, sobre ilustração e docência. Dá pra assistir a parte 1 aqui e a parte 2 aqui.
Meu autorretrato versão 2020
Retrato e autorretrato é uma das atividades que mais peço para meus alunos. Gosto da dinâmica, principalmente com os pequenos, de reconhecer as particularidades dos amigos, aquilo que nos torna únicos, seja um sinal, a cor dos olhos, o jeito de pentear o cabelo. Só que eu mesma não costumo me autorretratar muito, tanto que fujo dos meet the artist na grande maioria das vezes. Tenho tendência a ressaltar todos os pontos negativos do meu rosto, principalmente a falta de simetria.
Porém, como (ainda) estou fazendo o curso da Isadora Zeferino, cujo foco é no retrato estilizado, resolvi fazer alguns estudos extra-classe para me familiarizar com a ideia. Esse retrato acabou sendo catalisador de muitos sentimentos: me olhar com mais carinho, reduzir minha paleta de cores definir um novo avatar para as redes e, talvez, me despedir do meu quarto e do lugar que por tantos anos foi meu ateliê, visto que estou de mudança, já com várias coisas encaixotadas. Queria que essa despedida fosse num tom olha só tudo o que me tornei aqui, um agradecimento, uma lembrança feliz.
Como mencionei acima, um dos objetivos era reduzir minha paleta de cores o máximo que pude, e acredito ter conseguido. Trabalhei com verde, vermelho e marrom, e fui variando entre tons mais quentes e mais frios. Também trabalhei muitos detalhes com a própria aquarela, somente no rosto que usei caneta para delinear, além dos detalhes metalizados. Somente para o sombreado usei roxo, voltarei nesse ponto mais adiante.
Eu também queria que as folhas e flores estivessem no meu cabelo, mas nada muito incorporado/ emoldurado. Preferi guardar essa ideia para o projeto final do curso mesmo. Tudo o que pude resolver somente com a tinta, tentei resolver, e acho que estou indo por um bom caminho. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Moulin DuRoy 300g, grana fina;
- Aquarelas Van Gogh e pincéis Keramik pelo sintético;
- Multiliner Derwent na cor sépia e marcadores metálicos Sakura, Posca e Cis.
Esse sombreado roxo fiz depois de ter terminado praticamente toda a pintura e fez muita diferença. Geralmente eu faço a marcação dos valores com roxo, mas dessa vez optei por deixar marcado só com grafite, pintar normalmente e, por fim, fazer o sombreamento nas áreas que acho mais interessantes. Também deixei mais linhas e pontos de luz no rosto, e gostei muito de como ficou.
Os detalhes da granulação da tinta também ficaram muito interessantes, assim como o dourado da caneta. Fico feliz por ter feito as pazes com o scanner e conseguir obter esses resultados. Quem me segue por aí já pode ver o avatar em ação.
Apesar de não ter escrito nada no blog durante o mês de junho, fiquei bem ativa nas redes sociais e em outras plataformas. Criei uma nova conta no Twitter (mas mantive o mesmo user), pois queria voltar a compartilhar minhas artes de maneira aberta, e também recuperei o user antigo para o Instagram, e estou com uma conta só por lá.
Também participei de dois episódios do podcast We can be readers e amei a experiência, principalmente pelo fato de falar sobre literatura, que tanto amo. O primeiro foi sobre Amanda Palmer e o livro A arte de pedir, e o segundo foi sobre Neil Gaiman e O oceano no fim do caminho.
Da próxima vez que voltar com algum trabalho, talvez já seja na minha nova casa. Até lá, vou tentar me manter ativa pelo menos nas redes sociais e, quem sabe, tirar vários posts opinativos do modo rascunho.
MerMay 2020 | Semana 04
Essa é a última ilustra que fiz para o MerMay 2020. Comecei o desafio cheia de energia, vontade de experimentar coisas novas, mas estou terminando bem na minha zoninha de conforto, com grafite e cabelos esvoaçantes, pois fui cansando ao longo das semanas, como já havia dito nas postagens anteriores. Os desafios que estava habituada a fazer definitivamente não funcionaram comigo durante este período de distanciamento social.
Mas isso não quer dizer que tenha feito coisas ruins ou das quais não me orgulho. A primeira semana trouxe uma sereia plus size bem texturada com lápis de cor; a segunda semana uma selkie, que eu nunca havia desenhado antes; e a terceira semana mais uma figura gorda, com um trabalho de cores que comecei na anterior e aprimorei aqui.
Para a última semana, resolvi fazer aquilo que sempre faço quando vejo que estou começando a ficar desgastada com o trabalho: peguei uma folha lisa e um lápis 3B e desenhei cabelos. É a minha terapia e também a minha maneira de dizer que vai ficar tudo bem. É uma sereia bem sugestiva, já que não fiz a parte inferior do corpo. O resultado:
Materiais utilizados
- papel Bristol;
- lápis grafite 2B Stabilo Othelo e 3B Mars Lumograph;
- Marcadores metalizados, branco e preto Sakura.
Vale lembrar que sempre finalizo todos os meus trabalhos com verniz fixador fosco (uso o da Acrilex, mas tem de outras marcas).
Não fiz registros do processo dessa ilustra, pois como disse, já estava bem cansada, e me dediquei a desenhar esses fios dançando na água/ na folha em branco, para afastar qualquer pensamento ruim que porventura queira se instalar na minha cabeça.
Se mais alguém sentiu dificuldade em fazer o MerMay (ou qualquer outro trabalho durante este período) deixe um comentário e vamos falar um pouco sobre arte na quarentena.
Sailor Moon redraw challenge
Eu falo que não vou mais participar de desafios e apareço fazendo o Sailor Moon redraw challenge.
Mermay 2020 | Semana 03
Cheguei na terceira semana do MerMay e, mesmo fazendo o desafio nos meus próprios termos, estou exausta e não aguento mais desenhar sereias. Quero que isso acabe de uma vez, para que eu possa me concentrar em outras coisas, incluindo o curso da Isadora Zeferino no Domestika.
Pela primeira vez desde que comecei a participar de desafios, me sindo cansada e desestimulada a continuar, estou farta da monotemática que cerca as semanas de trabalho. Pode ser efeito do isolamento social, ou simplesmente o formato de desafios mensais se esgotou para mim. Para ser bem sincera, não vejo mais sentido em participar de hashtags cujo fluxo de produção é tão grande que fica difícil acompanhar. Por isso, vou fazer as quatro semanas que já havia me comprometido e não contem mais comigo para desafios esse ano.
Esse é o segundo trabalho com a folha torchon, que não é a minha favorita, mas como ainda tinha algumas no bloco, resolvi gastar de uma vez, pois não pretendo comprar mais papeis com esse tipo de gramatura. Embora eu esteja bem cansada e desestimulada com o desafio, não deixei de fazer essa pintura com todo o carinho que sempre dedico aos meus trabalhos, e achei o resultado melhor que a anterior. Principalmente o acabamento das escamas e das pedras (eu amo pintar pedras). Gostei bastante da expressão da figura. O resultado:
Materiais utilizados
- papel para aquarela Britannia Hanehmühle 300g;
- aquarelas Van Gogh e Maimeri;
- pincéis Keramik;
- aquarelas peroladas Sakura Koi;
- marcadores Posca e Sakura.
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