Minha opinião sobre os livros de colorir para adultos
Todo mundo já falou sobre a moda dos livros de colorir para adultos, que começou com O Jardim Secreto, e seguiu com uma infinidade de outros títulos, tão encantadores quanto seu predecessor. Confesso que até eu me rendi à tendência, e comprei o único exemplar que estava disponível na livraria, tamanha é a procura: Mindfulness: terapia antiestresse para pessoas ocupadas, que aparece em algumas imagens que ilustram esse post. Como além de ilustradora sou arte/educadora, gostaria de deixar registrada a minha opinião sobre tudo isso e as lições positivas e negativas que podemos tirar.
Uma breve contextualização sobre o livro de colorir na infância
O livro de colorir, ou as folhinhas mimeografadas e fotocopiadas, sempre foram uma pedra no sapato de arte/educadores, por se constituir numa das mais clássicas maneiras de tentar colocar a criança, em pleno desenvolvimento de sua capacidade criadora, dentro de uma forma: pintar dentro da linha, obedecer às cores "reais" dos objetos e seres, com cada coisa em seu lugar. Embora os exercícios de repetição sejam interessantes para o desenvolvimento da coordenação motora, por exemplo, esse tipo de atividade, que envolve um desenho pronto, serviu (e ainda serve) para perpetuar o uso indiscriminado de estereótipos, imagens padronizadas que podem levar à perda da identidade do traço e ao tão famigerado "não sei desenhar"...
Bloqueio criativo na idade adulta
Passada a fase escolar, poucos cultivam o hábito de desenhar, salvo aqueles que gostariam de seguir uma carreira artística. Durante o mestrado, entrei em contato com pessoas realmente traumatizadas com o desenho e a arte em geral, por terem uma experiência pregressa bastante negativa. Para muitos, o fato de terem sido reprimidos, duramente criticados ou incapazes de copiar fielmente o que o professor passava, gera um bloqueio criativo difícil de ser quebrado. Isso é triste e serve só para formar, geração após geração, um contingente de pessoas frustradas e com a própria capacidade criadora.
Os livros de colorir atuais
Ficou difícil defender esses produtos, num primeiro momento, mas uma olhada mais atenta nos mostra que a grande maioria dos livros de colorir para adultos que vemos nas prateleiras é produzida por artistas, ilustradores e arte/terapeutas que buscam justamente superar essa dificuldade que vários adultos encontram para se reconectar com sua criatividade. São obras com temas complexos, de jardins à mandalas, que ajudam não só na concentração e na fuga do estresse cotidiano, mas também a resgatar aquela criança que ficou perdida quando não soube o que fazer diante da folha em branco. No caso específico do livro que eu comprei, Mindfulness é mais do que uma terapia, mas um estado mental que foca na experiência presente, desenvolvendo a atenção e a criatividade. Além dele, também tenho o Mandalas de Bolso #4, comprado muito antes desse boom, além de um com Matrioskas, que já possui uma pegada mais infantil e ligada àquilo que escrevi lá em cima.
Pontos positivos: possuem um percurso criativo a ser seguido, formado por figuras complexas, e padrões diversificados, que muitas pessoas não tiveram contato durante a infância e adolescência. Estimulam o aumento de repertório visual e o contato com materiais artísticos, além de desenvolver noções de composição, perspectiva, figura e fundo e uso do espectro cromático. Mais do que desestressar, a pessoa que se dispõe a colorir está desenvolvendo sua atenção e senso estético, e pode se sentir estimulada a estudar sobre arte, frequentar exposições e outras atividades culturais.
Pontos negativos: Cagação de regra. Tenho visto muitos blogs e canais no YouTube "ensinando" a colorir os livros de colorir, porém, não no sentido artístico e/ou pedagógico, mas para estimular o consumo de materiais caros, que raramente uma pessoa que não trabalha com pintura compraria. Para mim, a grande sacada desse tipo de livro é a descoberta, e se o objetivo é desestressar e se reencontrar, por que novamente temos que seguir um padrão e pintar dentro da linha? Acho válido procurar materiais, técnicas e estudos dirigidos, assim que a jornada avança, mas isso precisa partir de um interesse próprio, não porque um grupo de pessoas recebeu jabá de uma empresa, para fazer comercial da canetinha x e da tinta y.
Confesso que fiquei bastante empolgada com tanta gente interessada em produzir arte! Sim, porque isso é produção e formação de público, na minha opinião. Eu já havia usado um método similar no Curso Livre que ministrei ano passado, trabalhando a partir das linhas-base das minhas próprias ilustrações. Fiquei com vontade de produzir meu próprio livro de colorir, ou pelo menos algumas imagens, e disponibilizar aqui no blog, o que acham?
Abraços,
Lidiane :-)
Nebula + um agradecimento
Eu ia fazer um post no último dia 15, dia do desenhista, para tentar expressar o que isso significa para mim, e como passei a me entender e aceitar como artista. Mas resolvi esperar o término da Exposição Mulheres para não só falar sobre a minha profissão, como também fazer um grande e especial agradecimento a todxs que possibilitaram o sucesso deste projeto. Além disso, como forma de gratidão, trago uma ilustração nova e seu processo de criação, feita com todo o amor do mundo, e que batizei de Nebula.
Não acredito que sentir medo de expor seus trabalhos e ideias seja algo natural, mas sim convencionado pela nossa sociedade, principalmente para mulheres. Fiquei receosa quanto à aceitação da exposição e se ouviria comentários maldosos mas, por outro lado, pensei que aquela era a oportunidade de colocar a cara no sol e mandar meu recado. Assim, não perdi uma oportunidade de divulgar minhas ilustras, de falar o que me guiava, de mostrar minha paixão pela arte. Foi aí que me surpreendi positivamente...
Na imagem: resolvi voltar a desenhar direto na folha definitiva, para tentar me livrar da mania de fazer tudo certinho, usar menos a borracha e deixar a imaginação mais livre. Mesmo assim, fiz algumas mudanças em relação ao primeiro esboço.
...a aceitação da exposição foi além do que eu imaginava. As pessoas realmente estavam se identificando com as Mulheres e absorvendo os conceitos feministas que coloquei nelas. Nenhum comentário ingrato chegou até mim, e se ele foi dito, acabou se perdendo dentre tantos depoimentos que me emocionaram. Percebi que a comunidade quer ver arte, conhecer os artistas da terra e que dá valor a isso. E que todos os espaços são ideais, desde que cumpram seu papel, que é aproximar a obra do público.
Na imagem: para o efeito "nebulosa", utilizei a aquarela Pentel em bisnaga nas cores Sky Blue, Purple e Ultramarine. Em seguida, joguei sal por cima da folha ainda úmida, para criar um efeito. Quer aprender a fazer uma galáxia? Acesse o tutorial.
Aos poucos, o imenso orgulho que senti por esse passo tão importante na minha vida, foi abrindo espaço também para a gratidão. Recebi muita ajuda, tanto do Centro Municipal de Cultura, da imprensa, quanto dos meus amigos. Pessoas que nem me conheciam, mas que me emocionaram com sua sensibilidade quando se referiam ao meu trabalho. Percebi que todos aqueles numerinhos que contabilizam curtidas no Facebook, no Instagram e em outras redes, são apoios, abraços, desejos de boa sorte, incentivos, gritos de 'vai lá', apertos de mão, beijos e carinho. E a melhor maneira de retribuir tudo isso é continuar avançando, produzindo minhas meninas com seus cabelos de infinito e olhares desafiadores.
Na imagem: para acelerar o processo de secagem da aquarela, utilizei um secador de cabelo em temperatura média e retirei o excesso de sal com um pincel. Finalizei com marcadores branco e dourado para fazer as estrelas. O resultado final:
Materiais utilizados:
- papel para aquarela que acompanha o livro Aquarela: o jeito fácil;
- aquarelas Pentel (farei um post com meus pincéis em breve);
- marcadores Posca nas cores branco e dourado;
- canetas multiliner Copic;
- lápis 3B Koh-I-Noor e esfuminho.
Detalhes:
Espero que este e todos os outros trabalhos sejam sempre vistos como uma forma de eu agradecer quem me acompanha e me incentiva. Não são somente ilustrações pessoais ou comissionadas, são pedacinhos de mim e de vocês. São a resposta para as minhas perguntas internas e para as dúvidas de vocês também. É um processo colaborativo e de retroalimentação: eu sempre vou devolver ao mundo aquilo que recebo. E ultimamente só tenho recebido amor.
Muito obrigada! Por tudo. Sempre.
Abraços,
Lidiane :-)
3 livros que mudaram minha vida
Abril foi um mês de muita tristeza para o universo literário, com a morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano, no último dia 13. Fiquei arrasada, pois ele é um dos meus autores favoritos da vida toda. O contato com seus livros me proporcionou não só conhecer mais a história da América Latina, como também apreciar a poesia que se encontra nas pequenas coisas e provar que é possível sim escrever um texto histórico ou acadêmico sem abrir mão da sensibilidade. Por isso, resolvi aproveitar o meme do Rotaroots e indicar três livros do Eduardo Galeano que mudaram a minha vida.
O livros dos abraços: como eu já disse num post anterior, conheci a obra do Galeano ainda na graduação, e meu primeiro exemplar foi de O livro dos abraços. Minha edição está tão surrada de manuseio e de empréstimo, que chega a dar dó. Cada página guarda um tesouro, pois o autor escreve, de maneira muito rica, pequenas ações cotidianas, lendas, passagens históricas e biográficas, de figuras e lugares do folclore das Américas. Considero minha primeira leitura adulta, depois de passar pela fase dos livros obrigatórios para a escola/vestibular e dos técnicos para a faculdade.
Espelhos: uma história quase universal: este é meu livro preferido (até o momento, visto que ainda não li toda a obra do autor), por se tratar de uma das coisas mais megalomaníacas e maravilhosas que já vi: contar a história da humanidade, através do ponto de vista daqueles que nunca tiveram voz. Mulheres, negros, índios, presos políticos... todos aqui são protagonistas e apresentam suas versões de fatos históricos, muitas vezes conhecidos somente através dos registros do homem branco colonizador. É uma aula de história em formato de pequenos contos, uma leitura fácil e, ao mesmo tempo, de uma intensidade que te arrebata de maneira única.
Os filhos dos dias: este foi o último livro que Galeano escreveu, publicado em 2012. São 365 contos, um para cada dia do ano, e relacionados a algum fato histórico ou folclórico ocorrido naquela data. Dá para ler aos poucos, ver o que aconteceu no dia do seu aniversário, ou no de seus amigos e familiares. Acho o formato desse livro genial, pois une aqueles almanaques que trazem um pensamento/oração/poema por dia, com cultura popular. Torna a história sul americana, mais uma vez, acessível ao grande público, mostrando que temos tanta riqueza cultural e que precisamos dar valor à ela.
Infelizmente, na maioria dos casos, só quando um autor morre é que a mídia passa a valorizar sua obra. Provavelmente, teremos uma enxurrada de textos e relançamentos de livros do Eduardo Galeano nos próximos meses. Então, aproveite o momento para conhecer este homem fantástico, que lutou muito pelos direitos humanos e, principalmente, pela visibilidade latino americana.
Infelizmente, na maioria dos casos, só quando um autor morre é que a mídia passa a valorizar sua obra. Provavelmente, teremos uma enxurrada de textos e relançamentos de livros do Eduardo Galeano nos próximos meses. Então, aproveite o momento para conhecer este homem fantástico, que lutou muito pelos direitos humanos e, principalmente, pela visibilidade latino americana.
Abraços,
Lidiane :-)
#ilustraday abril: outono
O ilustra day de abril traz como tema a minha estação do ano favorita! Quando o sorteio foi aberto, lá no nosso grupo no Facebook, sugeri outono, que acabou vencendo a votação final. Curto muito as meias-estações, por serem períodos nem muito quentes, nem muito frios, o que aqui no RS significa um alívio e tanto. Também me atraem as folhas secas e a paisagem cor de ferrugem, e faço um paralelo com a mesma época no hemisfério norte, quando é comemorado o Halloween. Gostaria muito de, um dia, passar meu aniversário (que é em outubro) por lá. Vamos à ilustra?!
Comecei a ilustração fazendo um decalque do rascunho numa folha de papel vegetal, para ajustar tudo o que queria e facilitar a transferência para a folha final na mesa de luz. Foi a primeira vez que utilizei o papel da Copic, sempre ouvi falar muito bem da textura lisa e do acabamento que ele proporciona. Porém, conforme fui preenchendo o cabelo, percebi que a folha enrugava muito mais do que com o papel Marker, da Canson, especial para quem trabalha com marcadores. Foi então que descobri que esse papel é específico para canetas Copic mesmo, se você usar outro tipo de caneta, vai enrugar muito e esfarelar. #ficaadica
Publiquei um vídeo no meu Instagram, mostrando o passo-a-passo das cores que utilizei para preencher o cabelo. Em seguida, fiz o suéter com as Copics, e o acabamento ficou muito superior. Em seguida, para o rosto, optei por usar lápis de cor, e o papel acabou se comportando muito bem. A última imagem do quadro é o verso do papel, para mostrar que transfere muito para o outro lado da folha, assim como o Marker, porém, não rasga ou danifica o que está embaixo. Detalhes:
Materiais utilizados:
- papel Copic nº 6 (recomendo comprar só pra quem usa as canetas da marca);
- marcadores Bic Visaquarelle;
- marcadores Crayola Super Tips;
- marcadores Copic Sketch;
- lápis de cor Polycolor Portrait;
- caneta multiliner Copic;
- canetas Posca dourada e branca.
O resultado final ficou assim:
Quem quiser ver os demais trabalhos e participar do nosso grupo, visite a página no Facebook. Lembrando que não precisa ser ilustrador profissional para entrar na brincadeira, apenas ter amor e vontade de desenhar.
Abraços,
Lidiane :-)
Exposição "Mulheres": #8 a #14
Hoje publico aqui a segunda parte dos trabalhos que estão na exposição Mulheres. Se compararmos com os sete primeiros (veja aqui), a principal mudança é na aplicação das cores, que estão muito mais vívidas. Foi proposital? Sim, é uma maneira de não cansar o espectador com um bombardeio de cores do início ao fim da exposição, e também para criar pontos de destaque em meio às peças (lembrando que a exposição está num shopping, a sobrecarga visual é enorme).
Da ilustra #8 até a #11 utilizei apenas uma cor, que fui clareando e escurecendo conforme a necessidade. Comecei com o azul um pouco mais aberto, e terminei com esse verde vibrante super manchado. Apesar das três últimas serem as minhas preferidas, depois de olhar todas as ilustras lado a lado, não tem uma que eu considere mal feita, ou mal acabada. Apesar de ter sim meus momentos de que porra é essa?, vejo que consegui manter a unidade, com tão pouco tempo para trabalhar.
As três últimas minas receberam o acabamento galáxia/nebulosa em seus cabelos. Quando terminei tudo (e antes da maratona para digitalizar e juntar as imagens) senti um alívio tão grande, acompanhado de um cansaço que demorou uma semana para dizer adeus. Mas valeu muito. Percebo, a cada dia, que posso trabalhar com regularidade, basta me doutrinar e manter o foco, sempre.
Lembrando que todas as peças estão à venda (sem moldura), se você viu e se interessou, mande um e-mail para lidiane@lidydutra.com.
Lidiane :-)
Exposição "Mulheres": #1 a #7
A partir de hoje vou mostrar, em dois posts, todas as ilustrações que fazem parte da exposição Mulheres, em cartaz no Shopping Praça Rio Grande, até o dia 22 de abril. Vou começar com as ilustrações Sem Título #1 até Sem Título #7, do total de 14 trabalhos. Preferi dessa maneira para que vocês tenham ideia da linha crescente dessas peças, que começaram no preto total da tinta acrílica e culminaram na explosão de cores da aquarela. Vamos lá?!
Os três primeiros trabalhos têm o predomínio do preto, o que conferiu um ar mais sério e fechado às figuras. Como já é de costume, não tem mulher-bibelô nas minhas ilustras. Elas olham de volta e rebatem o olhar do espectador. Os detalhes ficam por conta da caneta dourada. Vale destacar que todos os trabalhos foram feitos com papel A3.
Essa foi a única ilustração na qual usei a técnica da aquarela com sal, que venho aplicando em outros trabalhos. Mas achei inconveniente fazê-la numa área muito grande, com o vento e o calor do secador de cabelo (para dar conta de fazer três trabalhos por dia, precisei secá-los logo que finalizava) o sal começava a se espalhar pela mesa e, em seguida, ficava melado. Então, decidi partir para outro recurso...
Da quinta ilustra em diante, passei a adotar o álcool para produzir efeitos na aquarela, e gostei muito mais do resultado. As manchas são mais consistentes do que as feitas com sal, e não fica melado. Do preto total, fui para o cinza e azul, e nesta última, introduzi o vermelho, que já aprece também nas mãos das figuras. Todos os detalhes continuaram em dourado, para manter a unidade.
Lembrando que todas as peças estão à venda (sem moldura), se você viu e se interessou, mande um e-mail para lidiane@lidydutra.com.
Lidiane :-)
Como faço o efeito galáxia/ nebulosa com aquarela
Há dois anos, no mínimo, um dos assuntos mais pesquisados aqui no blog é como fazer o efeito galáxia e/ou nebulosa com aquarela. Eu já havia falhado miseravelmente em fazer, mostrei um vídeo, e depois fiz um compilado de inspirações que retirei do YouTube. Mas foi só agora que tomei coragem para treinar até conseguir, e hoje divido esse aprendizado com vocês. O ponto de partida foi esse primeiro vídeo que postei, com algumas adaptações. Como tudo que compartilho aqui, essa é a minha experiência, não estou dizendo que é a maneira correta, tampouco a única que existe. É um caminho que pode servir de inspiração. Clique nas imagens para ampliar!
1. A primeira coisa que faço, ao começar um trabalho com aquarela, é isolar as áreas que não receberão a tinta. Para isso, uso uma máscara para aquarela, espécie de película protetora. Tem quem isole tudo, mas eu prefiro passar só na borda, uma camada bem fina. Para retirar, basta esperar secar e esfregar com uma borracha até soltar a pontinha, depois é só puxar com cuidado.
2. A máscara que uso é a da Corfix, custa em torno de R$ 5,00, fede a bicho morto, mas tem uma excelente relação custo/benefício. Suspeito que esse frasco de 100ml sairá da validade antes mesmo de eu chegar na metade, de tanto que rende. Importante: tenho um pincel exclusivo para passar a máscara, pois ela gruda demais. Para retirar, utilizo água quente e detergente, que soltam a cola das cerdas. Mas é inevitável que alguns fios vão junto, o que deixará o pincel careca depois de um tempo de uso.
3. Para esse tipo de trabalho, prefiro usar as aquarelas em bisnaga, pois assim posso largar a quantidade de tinta diretamente no papel. Usei as da Pentel, e dei preferência para os tons de azul, verde, violeta, amarelo e vermelho, mas a galáxia é sua, pinte da cor que achar melhor. Também separe um copo com bastante água, pois a folha precisa estar bem molhada. Dê preferência para papéis próprios para aquarela, acima de 300g, senão a probabilidade de deformar a folha é altíssima.
4. Para essa técnica, separe também algumas toalhas de papel e um borrifador com álcool. Por que o borrifador, Lidiane? Porque ele potencializa o efeito das manchas sobre a aquarela, formando círculos e caminhos por entre as poças d'água. O unicórnio é apenas um enfeite bonitinho hehehe.
5. Pegue um pincel grande e macio e umedeça a área que você deseja pintar. Nesse caso, é o cabelo da figura. Molhe mesmo, deixe o papel ensopado, pois isso ajudará a espalhar a tinta. Após escolher as cores que deseja usar, deposite o equivalente a um botão de camisa de tinta, diretamente da bisnaga, em diferentes pontos da folha.
6. Agora é a hora de misturar tudo! Com um pincel de aquarela redondo e macio (e úmido), comece a espalhar as cores pelo papel. Não se preocupe muito, apenas se certifique de não deixar grumos na tinta, e de misturá-las, formando outros matizes. Esse é um daqueles momentos em que a gente para e pensa que está ficando uma merda, que vai dar tudo errado, mas calma... a folha ainda estará bastante encharcada, e se não estiver, borrife mais água, pois o próximo passo é muito importante.
7. Com a toalha de papel, dê pequenas batidinhas em algumas áreas, de preferência naquelas mais escuras, ou onde a cor não ficou legal. Isso ajuda a chupar o excesso de água e já começa a deixar seu trabalho com a cara desejada. Mas não sugue muita água. Deixe algumas áreas umedecidas para então usar o álcool. Borrife aonde você deseja criar efeitos de manchas, e preste atenção à intensidade: borrifadas fortes formam bolhas que desaparecem rapidamente, enquanto borrifadas curtas e próximas forma pequenos círculos mais concentrados.
8. Depois de usar o álcool, você pode deixar secar naturalmente, ou usar um secador de cabelo na velocidade mínima e temperatura fria, para ajudar no processo de secagem. O legal do secador é que você pode conduzir a água acumulada na folha e formar veios e pequenos caminhos de tinta e álcool.
9. Para deixar sua galáxia mais legal, adicione algumas "estrelas": separe um pouco de aquarela branca (se preferir, use guache, tinta acrílica ou nanquim) e uma escova de dentes. Misture um pouco da tinta no godê e passe a escova. Com a ponta do polegar, espalhe a tinta por cima da pintura, o que vai conferir aqueles respingos semelhantes à obra de Jackson Pollock.
10. Teste essa etapa numa folha antes, pois pode acontecer de respingar muita tinta branca e acabar perdendo o efeito. Se isso acontecer, use a toalha de papel e dê pequenas batidas para retirar o excesso. Você também pode usar caneta gel branca, dourada, prateada, enfim, deixe a imaginação te levar!
11. Assim que a sua galáxia estiver pronta, retire a película e continue sua ilustração normalmente. Aqui, usei nanquim preto, para ressaltar o efeito da aquarela. Lembre-se que nunca sai bem logo de primeira, e que é errando que se aprende. O importante é testar sempre e não pensar muito nos resultados, mas sim no processo, que é bastante divertido.
12. O resultado dessa ilustração vocês puderam conferir neste post, no qual mostrei os detalhes de Maybe Tonight. Quero ressaltar novamente que essa foi a minha experiência, e que adaptei algumas coisas do vídeo original que indiquei, como por exemplo, trocar o sal por álcool, por achar mais fácil de trabalhar.
O legal é trabalhar em pequenas áreas, de preferência A5, pois é mais fácil controlar os movimentos até ter segurança. Use folhas que já estão rasuradas, para evitar desperdício.
Espero ter ajudando quem, assim como eu, ama esse efeito e sempre teve vontade de aprender. Cada artista trabalha de uma maneira diferente, portanto, se vocês têm contribuições a fazer ou desejam compartilhar suas produções, não esqueçam de deixar um comentário.
Abraços,
Lidiane :-)
Maybe Tonight (Estelar)
Segunda-feira geralmente é um dia trevoso para a maioria das pessoas, por isso quis não só trazer uma ilustração muito especial, como também um lembrete, uma promoção e um presente para os leitorxs mais bonitos do mundo, que sempre estão aqui me dando amor e carinho. ♥
Maybe Tonight foi feita numa fase bastante difícil da minha vida, logo no início deste ano, mais ou menos uma semana antes do meu amado cachorrinho virar uma estrela. Meu coração estava apertado demais, e eu só conseguia pensar que talvez tudo ficasse bem, talvez tudo se resolvesse, talvez naquela noite ele dormiria bem e acordaria curado. Infelizmente, a vida nem sempre nos traz boas surpresas, e ele fez sua partida pouco tempo depois. Um dia ainda nos encontraremos, e procuro acreditar que ele está num lugar lindo agora, me achando uma grande trouxa por escrever coisas melosas. Desde o início, essa ilustra teve trilha sonora, uma música bastante melancólica do Stone Sour, que curto bastante. Vejam o restante do post ouvindo Taciturn:
Levei tempo para finalizar porque queria achar o tom certo do efeito "galáxia". Usei as aquarelas em bisnaga da Pentel, nanquim preto, caneta multiliner, Posca dourada e um tiquinho de lápis de cor vermelho nos detalhes. E para alegria geral da nação farei tutorial de (como EU faço) efeito galáxia/nebulosa em aquarela!!!!!!!!11111onze
Lembrando que quarta-feira começa minha exposição, conto com toda galera de Rio Grande e região no Shopping Praça Rio Grande, fazendo muitas selfies criativas para concorrer a um print (ideia da Bruna!). Tem muita novidade essa semana, fiquem de olho no blog!
Abraços,
Lidiane :-)
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