Perdendo o medo de fazer tudo "errado"

30.6.15


Acredito que existem três situações que atrapalham a produtividade de um artista: a primeira é o bloqueio criativo, que pode ser exemplificado pelo pavor da página ou da tela em branco; a apatia, (diferente do bloqueio) que consiste na falta de vontade em fazer algo, mesmo com mil ideias na cabeça; e, por último, o medo de fazer tudo errado. É sobre ele que gostaria de conversar um pouco, mais para frente posso fazer um post específico para os outros dois (recomendo esta leitura também).

Desde minha primeira experiência bem sucedida com o efeito galáxia, tenho parado para pensar no quanto o medo nos limita, pois focamos sempre no resultado, e não no processo, que é onde reside a aprendizagem. Temos medo de estragar o papel, de gastar material, de fazer sujeira, de não ficar do jeito como imaginamos, de que as pessoas não vão gostar, enfim, são muitos contras martelando na nossa cabeça.


Quando eu estava trabalhando em Arabesque, a situação foi um pouco diferente: mesmo achando que o resultado poderia não sair como eu imaginei, estava tão envolvida no processo, que o produto final tal qual eu havia pensado, não importava. E não é que ficou muito melhor? Quando se trata de um trabalho artístico em andamento, a primeira impressão não deve ser a que vai ficar, e aqui venho eu com a história da cebola novamente: são muitas, mas muitas camadas de estudo até chegar (e esse nem precisa ser o final do trabalho em si, mas o real desejo do artista com aquilo, não sei se me fiz entender, estou prolixa hoje...).

Mas como superar esse medo? Aqui vão sete dicas preciosas, com base na minha experiência pessoal:

1. Não economize: se você não quer experimentar algo novo por medo de jogar material fora, nunca vai conseguir se aprimorar numa técnica. Se o trabalho exige que se use muitas tintas, ou um papel maior, não pense pelo lado da perda, mas sim do ganho: a partir daquela experiência muitas outras podem dar certo;

2. Não use material caro no começo: esse é um aviso principalmente para iniciantes em aquarela. Não compre artigos com preços exorbitantes logo de cara, geralmente as marcas possuem linhas estudantis e universitárias com valores bem mais acessíveis e com uma qualidade tão boa quanto as profissionais. Depois que se sentir seguro, invista em materiais top;

3. Faça sujeira: arte sem sujeira não é arte. Se o seu grande medo é ter que varrer o chão, limpar a bancada ou tirar as manchas da roupa, você está na profissão errada;

4. Pesquise antes de começar: há dez anos atrás, quando eu entrei na faculdade, a probabilidade de encontrar um bom tutorial sobre qualquer coisa relacionada à arte era praticamente nula. Hoje, o YouTube está recheado de vídeos de artistas profissionais e amadores ensinando truques e macetes legais. Tenha em mente o que você quer estudar e procure um guia. Às vezes quebramos a cabeça com coisas simples, que poderiam ser facilmente entendidas através de uma imagem ou vídeo;

5. Confie na durabilidade do seu material: acreditem em mim, um tubo de 5ml de aquarela dura uma eternidade, pois rende muito. Lápis grafite também. E o lápis de cor preto não vai ser o primeiro a virar cotoco assim que você aprender a usar outras cores nos seus trabalhos. Se você ainda tem algum tipo de receio, pense que os produtos têm certa durabilidade, basta cuidar deles com carinho;

6. Seja autocrítico, mas nem tanto: não force os seus limites. Se não ficou bom, tente de novo, mas tire da mente qualquer ideia de perfeição que possa atrapalhar o seu desenvolvimento. Nós geralmente sabemos aonde nosso calo aperta, então precisamos trabalhar primeiramente para minimizar as dificuldades e, em seguida, evoluir naquilo que desejamos aprender;

7. Não use os outros como parâmetro: tá certo que é interessante pesquisar e estudar, mas não podemos enxergar o produto final do outro como o nosso parâmetro. Até mesmo porque, ao fazermos isso, estamos desconsiderando todo o processo criativo daquela pessoa e as decisões que ela tomou. É legal acompanhar, principalmente no Instagram, o passo a passo que alguns ilustradores colocam, assim dá para perceber a evolução do trabalho sem ficar com a falsa ilusão de que é fácil alcançar aquele nível em que o artista está. Nunca é fácil, mas também não é um bicho de sete cabeças, por isso precisamos partir do nosso saber e das nossas necessidades.

Uma última dica: para quem ainda está inseguro, procure se cercar de pessoas que incentivem o seu aprendizado e não façam aquela crítica vazia só por maldade. Muitas vezes o problema não está em nós, mas em quem não tem sensibilidade suficiente para nos entender.

Abraços,
Lidiane :-) 


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4 Comentários

  1. Lidiane, estou aplaudindo de pé e com os olhos brilhando! Essa postagem ficou fantástica e esse é um dos menores adjetivos que posso usar para classificá-la. Parabéns!

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    1. Obrigada, Mateus! Espero ter ajudado :)

      Abração!

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  2. Muito legal! Adorei as dicas! :D
    Essa última é uma das mais difíceis, preciso me lembrar dela com frequência, pois sempre me pego diminuindo meu trabalho ao compará-lo com o de outro artista e sei que isso não ajuda muito :')

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    1. Eu também preciso praticar sempre essa última dica, porque fico ansiosa demais ao ver os trabalhos de outros ilustradores. Por isso ajuda quando eles mostram o processo ou falam sobre o que deu certo e errado. :)

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