Lidiane Dutra
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Portfólio Processo criativo

Metamorfose


Metamorfose: uma possibilidade borboleta que habita o mundo todo.
Adriana Falcão



Essas borboletas foram feitas, originalmente, para a capa de um caderno pedagógico sobre Educação para a Sexualidade. Decidi pela representação das borboletas para sair do estereótipo de gênero. Porém, a ideia não foi aceita. Fica o registro de um trabalho que curti muito fazer, amo desenhar borboletas. Vamos aos materiais utilizados?

- caneta Pigma brush preta;
- caneta UniPin 0.3 preta;
- caneta Staedtler 0.2 preta;
- lápis Koh-I-Noor 3B;
- esfuminho;
- caneta gel dourada;
- sombra de olhos nos tons marrom, laranja e dourado.

Sombra de olhos bombando em todas as ilustrações. É um material extremamente confortável para trabalhar fundos e degradés. Se eu soubesse disso, teria começado a usar antes. Sem contar que sempre é um desafio desenhar mãos mas essa, em especial, me agradou bastante.

Abraços,
Lidiane :-)
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Reflexões

O preço da arte (ou como é difícil entender que as contas não se pagam sozinhas)

Momento ~abrindo o coração~

Esta semana a escritora Clara Averbuck conseguiu um feito inédito para o mercado editorial brasileiro: a publicação de um livro via financiamento coletivo. O projeto Toureando o Diabo não só bateu sua meta, como também proporcionou à autora uma pequena reserva financeira. Mesmo assim, houve quem pensasse que ela estava enganando as pessoas, ao ficar com esse dinheiro. Este fato fez muita gente se manifestar à favor da Clara (veja aqui o excelente post da Sybylla) e se questionar: afinal, qual é o problema de você ser remunerado pelo seu próprio trabalho? Acontece que, no Brasil, ser só (ênfase no só) escritor, professor, ilustrador ou qualquer profissão criativa, faz com que as pessoas pensem que OU você é rico e pode se manter nessas profissões ~que não dão dinheiro~ OU que você vive de luz e suas contas se pagam sozinhas. NÃO para as duas opções.

Não raro, recebo comentários desse tipo:
- Adorei seu trabalho, você faria um rabisco meu?
Aos quais eu respondo:
- Manda um e-mail que te passo o orçamento.
Daí o e-mail chega com 8797980 fotos da pessoa e a seguinte mensagem:
- Aiiii já separei umas fotos, podes fazer assim e assado. Aguardo, beijos.
Lá vou eu responder à criatura:
- Olha só, esse tipo de trabalho custa X.
-- Fim da negociação --

Kero morre!

Para muitas pessoas, desenhar ainda é um hobby, e quem se sujeita à expor seu trabalho na internet é porque está topando qualquer negócio. Já recebi e-mails com propostas absurdas, até mesmo uma pessoa que queria utilizar minhas imagens para fazer capinha de celular e ganhar dinheiro às minhas custas! A desculpa? Ah, suas imagens estão na internet... Sim, mas elas continuam sendo MINHAS! Quem tem alguma dúvida a respeito, é só rolar até os termos de uso do blog, no rodapé.

Enfim, muitas vezes é um tormento negociar, ou porque as pessoas acham cara uma ilustração, ou se ofendem por ter que pagar, seja a quantia que for, ou porque acham fácil, enfim... De tudo isso, a mensagem que fica, na grande maioria das vezes, é que você não deve receber por esse trabalho. Você escolheu trabalhar com o que gosta, você é seu próprio chefe muitas vezes, então é como se você assinasse um pacto de sangue para se sujeitar às mais variadas torturas psicológicas envolvendo sua arte.

Enquanto as pessoas [e empresas] não entenderem que escritor é uma profissão como qualquer outra, que ilustrador tem contas como qualquer pessoa, que diagramador não é o cara que joga tudo no word, nós sempre estaremos à mercê dos maus profissionais, aqueles que não estão nem aí e topam tudo, e à desvalorização de toda uma cadeia produtiva. Estaremos presos aos contratos abusivos (quando há), aos "entendidos" que metem a mão nos nossos projetos sem a nossa autorização, às refações sem fim, ao jeitinho brasileiro, que permeia esse modo capenga de fazer as coisas.

Por mim e pelos meus colegas de profissão: não estamos fazendo um favor para a sociedade. Estamos oferecendo nosso serviço especializado, como qualquer outro profissional. Exigimos respeito e pagamento justo pela nossa mão-de-obra. Parece óbvio, mas ainda é preciso lembrar aos desavisados. E eles são muitos, e se multiplicam a cada dia.

Abraços,
Lidiane :-)
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