La Catrina #1

Quem me acompanha há algum tempo deve se lembrar da época em que eu desenhava muitas catrinas, ou caveiras mexicanas, ou sugar skulls, como preferir. Cheguei a fazer uma exposição sobre o assunto e, por muitos anos, foram as minhas ilustrações mais vendidas em lojas virtuais. As pessoas viam qualquer coisa de caveira e já me mandavam, pois lembravam de mim na hora.

O tempo foi passando e eu, naturalmente, fui explorando outros temas, outras formas de me expressar no campo da figura feminina. As caveiras continuaram presentes, porém, em menor número. Só que, para muitas pessoas, eu havia abandonado as catrinas, havia renegado a minha história com elas, tanto é que cheguei a receber mensagens furiosas, perguntando quando eu ia voltar a desenhá-las. Só que elas sempre estiveram aqui, diluídas entre séries, desafios, trabalhos avulsos. Eu me questionei muito sobre não estar fazendo apropriação cultural também, e fui estudar sobre isso, sobre essa figura tão presente quando as datas de halloween, día de los muertos/finados vão se aproximando. E fui tocando a vida.

No início do ano, eu havia me proposto um pequeno desafio, antes da pandemia levar todos os planos por água abaixo: redesenhar um trabalho antigo, com os olhos e a técnica de agora. E pensei demais em fazer isso com a primeira catrina, lá de 2011. São quase 10 anos separando aquele trabalho divisor de águas, do que eu tenho hoje. E por vários momentos me perguntei como iria fazer isso acontecer.

Quando me mudei e coloquei os lindos quadros que ganhei da Thay Santiago na parede, bem ao lado de onde passo o dia trabalhando, comecei a pensar que, talvez, um só redesenho não comportaria toda a importância que essas mulheres belas e mórbidas têm para mim. Por isso, decidi que não me restringiria a refazer a Sugar Skull I, mas em dar um reboot em toda a série de catrinas, fazendo algo na linha das Botânicas, que são bastante recorrentes por aqui. Não sei quantas ilustras serão, mas já estou me preparando para que seja uma série fechadinha, com álbum próprio no Behance e tudo mais.



O processo de pintura não foge muito do que eu sempre faço, só que agora tenho escolhido as paletas de cores previamente, através do Coolors. Aprendi no curso da Isadora e levei pra vida, e isso facilita demais as coisas. Com a paleta definida, eu pinto o rascunho com lápis de cor, só para marcar os locais onde as cores vão e melhorar a composição. Ainda vou explicar esse processo melhor em outro post, pois foi uma adição valiosa ao meu trabalho. Também optei por cores bem fantasia, que fossem uma mistura de Hera Venenosa com Zumbi. O resultado:


Materiais utilizados

  • papel para aquarela linha Harmony Hahnemühle 300g, grana fina;
  • aquarelas Van Gogh;
  • pincéis Keramik;
  • Marcadores metálicos Sakura;
  • Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell.


A foto que usei para referência é da linda @st.meow. Estou muito animada com esse reboot da série de catrinas, e espero inseri-las de maneira mais regular no meu portfólio, assim como fiz com outras ilustras.

Para comprar meus trabalhos: Colab55
Para encomendas: lidiane@lidydutra.com

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