Eyes Wide Open
Eu não consigo ficar numa vibe fofa por muito tempo. Mesmo fazendo trabalhos delicados, sempre vai surgir a vontade de extrair das entranhas algo mais impactante, talvez na tentativa de expulsar as energias negativas e renovar meu processo criativo. Foi assim que surgiu a última ilustração, que faria parte da exposição Mulheres, com abertura prevista para o próximo dia 8 de abril, no Praça Rio Grande Shopping (se você é de Rio Grande e região, não deixe de visitar!).
Quando aceitei o convite do Centro Municipal de Cultura, não tive dúvidas de que iria trabalhar novamente com a temática feminina, porém, resolvi fazer uma série de ilustrações inéditas (dá pra acompanhar uns petisquinhos pelo Instagram), pois quero que o público me conheça também por outras coisas, não só pelas Catrinas. Eyes Wide Open acabou ficando de fora por um motivo bobo: foi feita em papel A4, mas o formato ideal para os expositores é A3. #mimimi
Comecei pela aquarela com sal, usei a máscara da Acrilex no contorno da figura, e deixei uma falha à direita para criar o efeito "escorrido". Em seguida, cobri os cabelos com tinta acrílica e finalizei com lápis de cor Polycolor. O resultado:
Sempre que desejo colocar pra fora algo que me incomoda, opto por vazar os olhos das figuras. Como esse é o centro das minhas ilustrações, olhos fechados ou vazados sempre denotarão que algo em mim não está no lugar e eu quero extravasar. É um olhar para dentro de si. O vermelho também tem uma simbologia muito importante nessa figura:
O poder da mulher vem através de seu sangue, por isso ela não deve temê-lo ou desprezá-lo, mas considerá-lo sagrado, imantado com o poder que liga a mulher à Fonte da Criação. - Anuário da Grande Mãe, Mirella Faur.
Já aviso que as ilustrações da exposição seguirão essa linha, e mostrarei todas elas aqui no blog, bem como o processo de criação, os materiais utilizados, os erros e os acertos.
Abraços,
Lidiane :-)
Bloqueou, e agora?
Nos últimos dias tenho passado por uma crise criativa, motivada pelo excesso de compromissos que assumi e pela falta de tempo para finalizar tudo da maneira como gostaria. E quando digo falta de tempo, quero dizer que possuo um curto espaço para sentar e trabalhar, somado ao fato de que essa pressão me desestimula, desanima e me deixa com um peso sobre os ombros difícil de carregar.
Só para dar uma ideia: a última ilustração que fiz para o Ilustra Day levou dias para ser finalizada, porque eu simplesmente não conseguia achar o tom certo dos materiais que estava usando. Primeiro, tentei caneta multiliner, e a linha saía grossa e toda tremida. Depois, fui para a aquarela, e fiz uma meleca indizível na folha. Voltei para a multiliner e foi outra cagação sem fim. Resumo da ópera: peguei o papel de desenho mais comum que tinha e o bom e velho lápis grafite com esfuminho, e reencontrei meu passo.
No meu caso, o bloqueio criativo acontece quando não tenho espaço para respirar entre um trabalho e outro, e os prazos estão ali, me devorando. Como assumi o compromisso de montar uma exposição de ilustrações inéditas para o início do mês que vem, toda vez que olho para o calendário meu estômago revira um pouco. Eu já tinha começado a trabalhar em algumas coisas, mas guardei todos aqueles projetos para uma próxima ocasião e parti do zero novamente. Agora, estou com 4 de 14 rascunhos em tamanho A3 prontos, a exposição abre dia 8 de abril e eu nem sei que materiais utilizar. Que legal!
Realmente gostaria de chegar aqui e elencar uma série de dicas sobre como lidar com esse problema mas, sinceramente, não dá. Estou mais é extravasando meus sentimentos em relação a tudo que tem acontecido. Ah, e acabei de lembrar que pedi uma série de textos para algumas amigas escritoras e, até agora, nem toquei nesse material. Boa!
Nesse redemoinho todo, me pego pensando na qualidade das coisas que resultarão desses processos loucos. Aí vou mais além no raciocínio, e quando vejo estou num looping eterno de que porra é essa??? Na minha cabeça e no meu coração, eu sei que darei conta de tudo e que as peças ficarão do jeito que gosto, que vou saber trabalhar os conceitos que permeiam as minhas obras já faz algum tempo, que no fim tudo se ajeita. Mas tem que ser tudo assim, sempre? Como se eu estivesse dia após dia apagando incêndio?
Para não deixar esse post uma sofrência só, aí vai uma listinha de coisas que podem nos ajudar, pelo menos me agarro a essas possibilidades para tentar correr atrás da máquina:
- crie um ambiente propício ao trabalho, vale tudo: cromoterapia, incenso, usar protetor auricular, acordar 4 da manhã para aproveitar a calmaria;
- use um calendário com espaço para planejamento e fixe-o numa parede diante dos seus olhos, com todas as datas, progressos e o que precisa ser feito para ontem;
- se dê recompensas pelas metas alcançadas, às vezes até mesmo um X bem grande riscado sobre a tarefa que você acabou de realizar já ajuda muito.
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| Sharon me entende nesses dias... |
Me contem nos comentários o que vocês fazem quando a crise bate à porta. Quem sabe fazemos um grande post colaborativo, com dicas para segurar essa barra que é gostar de você esse bloqueio.
Abraços,
Lidiane :-)
ilustraday março: personagem que marcou minha infância
O Ilustraday voltou este mês e, para abrir os trabalhos do ano, o tema escolhido foi personagens que marcaram a infância. Eu não poderia ter deixado de escolher ela, a princesa do poder, defensora de Ethéria e amiga dos cavalos falantes, She-Ra!
Voltei às origens e usei apenas lápis grafite Koh-I-Noor 5B, esfuminho e lápis de cor vermelho, porque tive uma crise criativa, que contarei num post especial. E o resultado final:
She-Ra marcou minha infância por uma série de motivos: eu achava o máximo aquela espécie de Barbie guerreira, que não tirava o batom vermelho, não saía do salto e tinha uma espada que se transformava em várias coisas legais. E o Ventania, como não amar?
Com o tempo, passei a ver vários aspectos feministas no desenho: talvez o mais importante de todos, ele passa no Teste Bechdel, e estamos nos anos 1980, amiguinhxs!!! A protagonista é forte, não depende dos homens para salvá-la e esses, muitas vezes, são aldeões, não guerreiros. O núcleo de personagens da Floresta do Sussurro é praticamente todo feminino, as mulheres possuem bastante relevância na construção da narrativa. Muitos conceitos super atuais já eram trabalhados na série, o que torna She-Ra muito mais do que a versão feminina do He-Man, mas uma heroína que serviu de exemplo para muitas geraçõesde gente balzaca, como eu.
Com o tempo, passei a ver vários aspectos feministas no desenho: talvez o mais importante de todos, ele passa no Teste Bechdel, e estamos nos anos 1980, amiguinhxs!!! A protagonista é forte, não depende dos homens para salvá-la e esses, muitas vezes, são aldeões, não guerreiros. O núcleo de personagens da Floresta do Sussurro é praticamente todo feminino, as mulheres possuem bastante relevância na construção da narrativa. Muitos conceitos super atuais já eram trabalhados na série, o que torna She-Ra muito mais do que a versão feminina do He-Man, mas uma heroína que serviu de exemplo para muitas gerações
Abraços,
Lidiane :-)
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