Nebula + um agradecimento
Eu ia fazer um post no último dia 15, dia do desenhista, para tentar expressar o que isso significa para mim, e como passei a me entender e aceitar como artista. Mas resolvi esperar o término da Exposição Mulheres para não só falar sobre a minha profissão, como também fazer um grande e especial agradecimento a todxs que possibilitaram o sucesso deste projeto. Além disso, como forma de gratidão, trago uma ilustração nova e seu processo de criação, feita com todo o amor do mundo, e que batizei de Nebula.
Não acredito que sentir medo de expor seus trabalhos e ideias seja algo natural, mas sim convencionado pela nossa sociedade, principalmente para mulheres. Fiquei receosa quanto à aceitação da exposição e se ouviria comentários maldosos mas, por outro lado, pensei que aquela era a oportunidade de colocar a cara no sol e mandar meu recado. Assim, não perdi uma oportunidade de divulgar minhas ilustras, de falar o que me guiava, de mostrar minha paixão pela arte. Foi aí que me surpreendi positivamente...
Na imagem: resolvi voltar a desenhar direto na folha definitiva, para tentar me livrar da mania de fazer tudo certinho, usar menos a borracha e deixar a imaginação mais livre. Mesmo assim, fiz algumas mudanças em relação ao primeiro esboço.
...a aceitação da exposição foi além do que eu imaginava. As pessoas realmente estavam se identificando com as Mulheres e absorvendo os conceitos feministas que coloquei nelas. Nenhum comentário ingrato chegou até mim, e se ele foi dito, acabou se perdendo dentre tantos depoimentos que me emocionaram. Percebi que a comunidade quer ver arte, conhecer os artistas da terra e que dá valor a isso. E que todos os espaços são ideais, desde que cumpram seu papel, que é aproximar a obra do público.
Na imagem: para o efeito "nebulosa", utilizei a aquarela Pentel em bisnaga nas cores Sky Blue, Purple e Ultramarine. Em seguida, joguei sal por cima da folha ainda úmida, para criar um efeito. Quer aprender a fazer uma galáxia? Acesse o tutorial.
Aos poucos, o imenso orgulho que senti por esse passo tão importante na minha vida, foi abrindo espaço também para a gratidão. Recebi muita ajuda, tanto do Centro Municipal de Cultura, da imprensa, quanto dos meus amigos. Pessoas que nem me conheciam, mas que me emocionaram com sua sensibilidade quando se referiam ao meu trabalho. Percebi que todos aqueles numerinhos que contabilizam curtidas no Facebook, no Instagram e em outras redes, são apoios, abraços, desejos de boa sorte, incentivos, gritos de 'vai lá', apertos de mão, beijos e carinho. E a melhor maneira de retribuir tudo isso é continuar avançando, produzindo minhas meninas com seus cabelos de infinito e olhares desafiadores.
Na imagem: para acelerar o processo de secagem da aquarela, utilizei um secador de cabelo em temperatura média e retirei o excesso de sal com um pincel. Finalizei com marcadores branco e dourado para fazer as estrelas. O resultado final:
Materiais utilizados:
- papel para aquarela que acompanha o livro Aquarela: o jeito fácil;
- aquarelas Pentel (farei um post com meus pincéis em breve);
- marcadores Posca nas cores branco e dourado;
- canetas multiliner Copic;
- lápis 3B Koh-I-Noor e esfuminho.
Detalhes:
Espero que este e todos os outros trabalhos sejam sempre vistos como uma forma de eu agradecer quem me acompanha e me incentiva. Não são somente ilustrações pessoais ou comissionadas, são pedacinhos de mim e de vocês. São a resposta para as minhas perguntas internas e para as dúvidas de vocês também. É um processo colaborativo e de retroalimentação: eu sempre vou devolver ao mundo aquilo que recebo. E ultimamente só tenho recebido amor.
Muito obrigada! Por tudo. Sempre.
Abraços,
Lidiane :-)
3 livros que mudaram minha vida
Abril foi um mês de muita tristeza para o universo literário, com a morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano, no último dia 13. Fiquei arrasada, pois ele é um dos meus autores favoritos da vida toda. O contato com seus livros me proporcionou não só conhecer mais a história da América Latina, como também apreciar a poesia que se encontra nas pequenas coisas e provar que é possível sim escrever um texto histórico ou acadêmico sem abrir mão da sensibilidade. Por isso, resolvi aproveitar o meme do Rotaroots e indicar três livros do Eduardo Galeano que mudaram a minha vida.
O livros dos abraços: como eu já disse num post anterior, conheci a obra do Galeano ainda na graduação, e meu primeiro exemplar foi de O livro dos abraços. Minha edição está tão surrada de manuseio e de empréstimo, que chega a dar dó. Cada página guarda um tesouro, pois o autor escreve, de maneira muito rica, pequenas ações cotidianas, lendas, passagens históricas e biográficas, de figuras e lugares do folclore das Américas. Considero minha primeira leitura adulta, depois de passar pela fase dos livros obrigatórios para a escola/vestibular e dos técnicos para a faculdade.
Espelhos: uma história quase universal: este é meu livro preferido (até o momento, visto que ainda não li toda a obra do autor), por se tratar de uma das coisas mais megalomaníacas e maravilhosas que já vi: contar a história da humanidade, através do ponto de vista daqueles que nunca tiveram voz. Mulheres, negros, índios, presos políticos... todos aqui são protagonistas e apresentam suas versões de fatos históricos, muitas vezes conhecidos somente através dos registros do homem branco colonizador. É uma aula de história em formato de pequenos contos, uma leitura fácil e, ao mesmo tempo, de uma intensidade que te arrebata de maneira única.
Os filhos dos dias: este foi o último livro que Galeano escreveu, publicado em 2012. São 365 contos, um para cada dia do ano, e relacionados a algum fato histórico ou folclórico ocorrido naquela data. Dá para ler aos poucos, ver o que aconteceu no dia do seu aniversário, ou no de seus amigos e familiares. Acho o formato desse livro genial, pois une aqueles almanaques que trazem um pensamento/oração/poema por dia, com cultura popular. Torna a história sul americana, mais uma vez, acessível ao grande público, mostrando que temos tanta riqueza cultural e que precisamos dar valor à ela.
Infelizmente, na maioria dos casos, só quando um autor morre é que a mídia passa a valorizar sua obra. Provavelmente, teremos uma enxurrada de textos e relançamentos de livros do Eduardo Galeano nos próximos meses. Então, aproveite o momento para conhecer este homem fantástico, que lutou muito pelos direitos humanos e, principalmente, pela visibilidade latino americana.
Infelizmente, na maioria dos casos, só quando um autor morre é que a mídia passa a valorizar sua obra. Provavelmente, teremos uma enxurrada de textos e relançamentos de livros do Eduardo Galeano nos próximos meses. Então, aproveite o momento para conhecer este homem fantástico, que lutou muito pelos direitos humanos e, principalmente, pela visibilidade latino americana.
Abraços,
Lidiane :-)
#ilustraday abril: outono
O ilustra day de abril traz como tema a minha estação do ano favorita! Quando o sorteio foi aberto, lá no nosso grupo no Facebook, sugeri outono, que acabou vencendo a votação final. Curto muito as meias-estações, por serem períodos nem muito quentes, nem muito frios, o que aqui no RS significa um alívio e tanto. Também me atraem as folhas secas e a paisagem cor de ferrugem, e faço um paralelo com a mesma época no hemisfério norte, quando é comemorado o Halloween. Gostaria muito de, um dia, passar meu aniversário (que é em outubro) por lá. Vamos à ilustra?!
Comecei a ilustração fazendo um decalque do rascunho numa folha de papel vegetal, para ajustar tudo o que queria e facilitar a transferência para a folha final na mesa de luz. Foi a primeira vez que utilizei o papel da Copic, sempre ouvi falar muito bem da textura lisa e do acabamento que ele proporciona. Porém, conforme fui preenchendo o cabelo, percebi que a folha enrugava muito mais do que com o papel Marker, da Canson, especial para quem trabalha com marcadores. Foi então que descobri que esse papel é específico para canetas Copic mesmo, se você usar outro tipo de caneta, vai enrugar muito e esfarelar. #ficaadica
Publiquei um vídeo no meu Instagram, mostrando o passo-a-passo das cores que utilizei para preencher o cabelo. Em seguida, fiz o suéter com as Copics, e o acabamento ficou muito superior. Em seguida, para o rosto, optei por usar lápis de cor, e o papel acabou se comportando muito bem. A última imagem do quadro é o verso do papel, para mostrar que transfere muito para o outro lado da folha, assim como o Marker, porém, não rasga ou danifica o que está embaixo. Detalhes:
Materiais utilizados:
- papel Copic nº 6 (recomendo comprar só pra quem usa as canetas da marca);
- marcadores Bic Visaquarelle;
- marcadores Crayola Super Tips;
- marcadores Copic Sketch;
- lápis de cor Polycolor Portrait;
- caneta multiliner Copic;
- canetas Posca dourada e branca.
O resultado final ficou assim:
Quem quiser ver os demais trabalhos e participar do nosso grupo, visite a página no Facebook. Lembrando que não precisa ser ilustrador profissional para entrar na brincadeira, apenas ter amor e vontade de desenhar.
Abraços,
Lidiane :-)
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