Minhas inspirações - maio
Minhas inspirações é uma tag permanente aqui do blog, na qual mostro artistas e projetos que curto e acredito que valem a pena compartilhar. Neste mês, trago sete artistas que merecem muitos seguidores e que, se você não conhece, está perdendo uma oportunidade de ouro.
Nanda Correa: a imagem que abre o post é da Nanda, ilustradora fantástica que admiro há um bom tempo e que foi minha referência para estudo de retratos, quando voltei a desenhar. Tenho várias camisetas com estampas feitas por ela e gostaria muito que seus trabalhos fossem mais conhecidos pelo público nacional.
Emmy Dala Senta: as ilustrações da Emmy estão entre as mais lindas que já vi no estilo realismo fantástico. É como abrir uma porta para outro mundo. Ela mistura várias técnicas, dosando cada elemento de maneira equilibrada, o que confere uma expressividade muito grande às figuras (tanto de animais quanto de pessoas).
Kris Efe: conheci o trabalho da Kris na mesma época da Nanda e fico encantada com a sua evolução na aquarela e lettering, e também com os posts sobre materiais e dicas para iniciantes e profissionais. Destaco, especialmente, as pesquisas sobre marcas cruelty free de tintas e pincéis.
Thaty Mendonça: as ilustras da Thaty são num estilo fofinho que acho muito diferente do que é feito por aí, assim que você vê já reconhece o traço dela. Ela também é uma artista super versátil e trabalha do marcador à aquarela.
Isabella Pessoa: o que dizer dessa linda que, desde que conheci, já considero pacas? É bem difícil falar da Bella sem cair na babação de ovo: é minha colega de fundão no curso da Sabrina Eras, confidente nos momentos queria star morta e uma das aquarelistas mais incríveis e chiques que já vi (acima, é um estudo feito com aquarela Sennelier, chora sociedade).
Karina Beraldo: outra ilustradora que trabalha com figuras femininas empoderadas e que fogem dos estereótipos tradicionais de representação da mulher. Destaque para as sereias curvilíneas e para a maneira como a Karina usa a Ecoline (aquarela líquida).
Bia Reys: uma das ilustradoras que mais curto acompanhar a evolução, tanto do estilo quanto do seu posicionamento em relação à temas muito caros para nós, artistas. A Bia pesquisa muito sobre direito autoral e várias vezes os posts dela me salvaram de cometer sandice. Além disso, ela tem um traço super característico e trabalha com Bic Marking como ninguém.
Sempre bom lembrar que é muito importante comprar, divulgar e curtir o trabalho dos artistas que você gosta. Além do incentivo para que continuem criando, é também uma maneira de fomentar um processo de produção autoral e sustentável.
Projeto ilustra: fundo do mar
O Projeto Ilustra foi proposto pela Ana Blue, do blog 9dades a Solta. Somos um grupo de minas que postará em seus blogs, sempre no último dia do mês, o tema mais votado entre nós. O limite máximo de ilustras é de cinco por participante, dependendo do tempo de cada uma.
O tema escolhido para abril foi fundo do mar. A princípio, achei que ficou um pouco parecido com o ilustra day de março, porém, quando estava à procura de uma imagem para a divulgação, topei com essas águas-vivas lá no Unsplash e fiquei encantada com a ideia de fazer algo nessa linha.
Eu moro numa região litorânea, então sempre aparecem esses animais (também chamados de Mães D'água) por aqui. Fiz uma pesquisa bem detalhada no Pinterest, tentando associar a temática à imagens que me transportassem para um mundo abissal, silencioso, cheio de seres gelatinosos e com tentáculos.
Busquei relações com o inóspito, o silêncio e o autoconhecimento. Trouxe o mar para dentro, para o que está escondido em nós, para a nossa solidão. O resultado foi uma figura mergulhada na escuridão de si própria, com seus cabelos flutuantes e gelatinosos.
Uma das sensações que tive, ao terminar essa ilustra, foi a de ouvidos entupidos, sabe? Aquela aflição de quem não sabe nadar ao entrar na água gelada e, de repente, se ver às voltas com um mundo em que não sabe lidar, e que pode ser fatal.
Materiais utilizados
- papel Canson 200g;
- aquarela Cotman na cor Indigo;
- lápis grafite Koh-I-Noor 3B;
- tinta acrílica preta Reeves;
- pincéis sintéticos (um mais espesso para as coberturas e outro fino para os detalhes);
- marcador preto.
Para este trabalho, quebrei uma das regras que a Sabrina Eras ensina no curso de aquarela: sempre retirar o refluxo, aquele excesso de água que acaba estragando o pigmento. Achei válido deixar essas manchas para fazer o capuz da água-viva, auxiliada pela ondulação do papel fino. O contraste com a tinta acrílica, muito mais pesada, também ficou interessante. E a foto que utilizei como referência é do banco da Reine-Haru.
Quando o lúdico é um problema
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| Bey rainha, o resto nadinha. Imagem via. |
Já não é de hoje que percebo um fenômeno se abater sobre arte feita por mulheres. Por mais forte, referenciado e bem executado que seja, muitas vezes o trabalho produzido pelas minas é taxado apenas como lúdico. E isso se repete nas artes visuais, música, dança, literatura, dentre outros. Já vi até pesquisa acadêmica receber este "elogio".
Lúdico, para quem não sabe, se refere ao ato de brincar. Uma atividade lúdica é aquela que envolve brincadeiras, jogos; algo capaz de facilitar a aprendizagem (dentro do discurso educacional) e de entreter, divertir.
Certa vez recebi uma mensagem, através do Facebook, de um ilustrador que conheceu meu trabalho a partir das lojas virtuais. No meio da conversa, o camarada me solta um: achei que seu trabalho é mais lúdico (que o dele). Numa outra ocasião, um cara também teceu comentário semelhante a respeito de um pequeno estudo, dizendo que admirava muito essa coisa lúdica.
É bem complicado encarar um feedback tão enviesado, afinal, meus trabalhos são reflexo das minhas próprias experiências, um espelho da mulher que sou, que fui e que desejo ser. Sem brincadeira. Explorar elementos fantásticos e referentes ao sagrado feminino não significa querer colocá-los de forma lúdica, existem n interpretações.

Diante disso, eu paro e penso: as pessoas realmente sabem do que estão falando ou apenas querem desqualificar o meu trabalho, dizendo que ele não é sério ou importante o suficiente para se igualar ao delas? Achei que era um problema isolado, até ver que acontecia com várias mulheres.
Se até o álbum mais politicamente engajado da Beyoncé recebeu a alcunha de lúdico, temos um problema. Quando insistimos na ideia de que a arte produzida por mulheres é apenas uma brincadeira, um simples divertimento entre uma coisa mais importante e outra, não estamos levando essas produções a sério. Dizemos, nas entrelinhas, que os frutos daquela pesquisa não são suficientemente bons para estarem entre a arte de verdade. E o que é arte de verdade?

Claro que muitas artistas optam conscientemente por utilizar o lúdico em suas obras, principalmente as que têm o público infantil como foco. A grande questão é o nivelamento das produções, mesmo sem conhecer a trajetória da mulher. Isso reforça estereótipos muito problemáticos como, por exemplo, que a arte é só um hobby, que existem trabalhos "de mulherzinha" (um exemplo literário que cabe aqui é o chick lit).
Eu nem ia escrever esse post, porque: 1. não era uma pauta com a qual gostaria de lidar tão cedo; 2. da última vez que escrevi um texto reflexivo aqui, teve anônimo magoadíssimo, chorando nos comentários. Mas achei necessário trazer a questão à tona e gostaria que outras minas se juntassem ao debate, para que a gente possa trocar experiências.
Vocês já passaram por situações parecidas? Como reagiram?
Contem aí nos comentários e vamos fazer as ideais circularem.
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