Projeto Ilustra: Seres Noturnos 🌙
O Projeto Ilustra foi criado no início do ano pela Ana Blue e, agora, tem sua continuidade através da Kris Efe. O tema de novembro é seres noturnos, e eu escolhi fazer um súcubo bem Barbiezinha, pois, como já diria o príncipe Lestat, evil is a point of view. 😈 Súcubo (ou succubus) é um demônio com aparência feminina, que invade os sonhos dos homens para sugar sua energia vital através do sexo. A versão masculina é o íncubo (ou incubus).
Não tem muito o que falar sobre o processo pois estou naquela vibe de sentar e fazer. Mas consegui tirar umas fotos logo no comecinho. Fiquei com a sensação de que os rascunhos estão mais legais que o resultado final (quem nunca?). Usei como referência a foto de uma mulher deitada, com os cabelos espalhados, mas ficou estranho quando passei para o papel, por isso optei por deixá-los mais esvoaçantes, como se tivesse batido uma leve brisa.
Materiais utilizados
- Papel Copic n. 6;
- Marcador Permanente Faber-Castell e Copic;
- Caneta Posca dourada;
- Lápis Staedtler Mars Lumograph 2B.
Curti tanto essa ilustra que estou pensando em colocá-la como header do blog (caso já esteja enquanto você lê isso, é porque me decidi), só que está difícil substituir o atual, parece que aquela ilustra nasceu para estar lá. Também vou disponibilizá-la na lojinha. E para ver este e outros trabalhos, é só me seguir no Instagram, Facebook ou Tumblr.
Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.
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Riri - colorização de pele negra com marcadores
Quem me acompanha já deve ter visto essa ilustração pelas redes sociais, mas hoje quero falar dela em detalhes e contar um pouco da minha jornada de colorização da pele negra, utilizando os marcadores da Copic e da Sinoart. Antes de mais nada, já aviso que não vou fazer uma resenha desses materiais, pelo menos por enquanto. O foco aqui é o desafio de continuar colocando em prática tudo o que venho aprendendo.
Nas últimas aulas da Oficina de Aquarela, a Sabrina tem trabalhado conosco o processo de colorização de pele, e do equívoco em usar somente tons de marrom na pele negra. Existe uma variedade de cores que podem acrescentar veracidade à pintura, que vão do azul ao vermelho, e foi isso que busquei aqui. Também peguei referências no livro O Uso das Cores, da Cris Peter, que já comentei no último post, e pretendo falar com detalhes mais adiante.
O primeiro passo foi observar a minha referência, sempre seguindo a linha de fugir da cópia fotográfica. O intuito era prestar atenção e treinar o olhar para o tom da pele, que tinha uma base quente em roxo e vermelho. A partir daí, separei os marcadores que poderiam me auxiliar a encontrar os tons e subtons certos.
Sobre a "cor de pele"...
É bem comum encontrar kits de materiais skin tones, desde marcadores, gizes, lápis de cor, aquarelas, mas a questão sempre é bem mais complexa do que reunir um conjunto de beges e rosados, pelo fato de que uma única cor de pele padrão não existe. Vivemos num país extremamente diverso, e insistir em chamar de pele um rosa apagado é bastante limitador e nada inclusivo.
O conjunto tons de pele da Copic Ciao contém dois tons de marrom, um aberto e quente, outro mais frio, mas ainda predominam os beges, que quando misturados com outras cores, propiciam certo realismo. Já o estojo da Sinoart é bem complicado. As cores são muito clarinhas e nada realistas. O tom mais escuro é um ocre que, aqui na minha ilustra, está na parte mais iluminada da pele. Se eu fosse quantificar qual deles tem a melhor variedade, diria que é o da Copic. Mas ainda assim é bastante limitado, e acabei lançando mão de outras canetas avulsas e do kit Ex-1 da Copic Sketch, que é cheio de vermelhos e bordôs, para chegar ao resultado pretendido.
Também acho válido dizer que essas canetas, geralmente, são importadas e criadas para um contexto artístico e cultural diferente, mas acabam se popularizando mundo afora. A própria Copic é uma marca amplamente usada por mangakás, muitos de seus materiais são pensados para este público, o que torna o debate sobre diversidade ainda mais importante.
A base da pele foi feita com um tom de lilás e, por cima, cobri com ocre. No contorno do rosto, escureci com o marrom quente, assim como no nariz, arco do cupido, abaixo dos lábios e nas têmporas. Em seguida, reforcei esses lugares com o marrom mais fechado. Em outra época, pararia aí, mas agora vejo que faltaria finalização. Então, reforcei as sombras com lilás novamente e, com bordô, finalizei os contornos. Para deixar as maçãs do rosto coradas, usei vermelho escuro. O mesmo foi feito no pescoço e braços, que levam muito vermelho na base. Como não queria que o restante da figura brigasse com a pele, optei por deixar os cabelos sem aqueles detalhes de fio-a-fio, que costumo fazer, e usar tons pastéis delicados na roupa. O fundo foi colorido digitalmente.
Materiais utilizados
- Papel Copic n. 6;
- Marcadores Copic e Sinoart;
- Marcadores Faber-Castell e Posca;
- Multiliner Copic.
Sei que muita gente sente falta de acompanhar o processo passo a passo, com fotos desde a concepção do desenho, mas esses registros têm sido cada vez mais difíceis. Me concentro tanto no que estou fazendo, que esqueço de fotografar. Às vezes lembro de tirar algumas fotos, que posto no Stories do Instagram. Essa ilustra foi uma mistura não intencional de Rihanna com Riri Williams e está disponível na minha loja. Além do Insta, dá para me acompanhar no Facebook e Tumblr também. ☺
Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.
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Voltando a desenhar para mim ❤
Como é bom voltar aqui com algo que eu quero muito compartilhar! Voltei a desenhar para mim, sem pressão, sem prazos e tentando aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do ano e adequá-los ao meu estilo. ❤ Se estou feliz? Sim, bastante. É meu melhor trabalho? Não, não é, e eu sei disso. Mas o importante é que me senti tão leve ao fazê-lo, que só isso bastou para me deixar feliz.
Já fazia um bom tempo que eu queria uma capa personalizada para as redes sociais. Nunca havia parado para fazer algo exclusivo para este fim, sempre era um trabalho ou foto que eu batia o olho e dizia "hmm, isso serve para capa". Então, num dia, apenas pensei: Por que não? Vamos ver no que dá. Cortei um pedaço de papel já nas dimensões que me ajudariam na aplicação, sentei e fiz.
Não havia um conceito propriamente dito pois, como mencionado acima, eu só queria me divertir e criar uma capa para redes sociais. Busquei uma foto de referência dessa pose que tanto amo desenhar, e achei que seria legal brincar com a ideia de um "mar de cabelos", que preenchesse praticamente todo o espaço do papel.
Nos últimos tempos, tenho aplicado quase tudo o que estudo em aquarela com outros materiais. Aqui, foram os marcadores. Trouxe algumas coisas aprendidas com a Sabrina, tais como: misturar azul e dioxazine para fazer os tons de pele (não deixar bege/marrom chapado) e dar mais atenção ao contraste por valor. Dos estudos de anatomia, algumas coisas quanto à proporção dos olhos e posicionamento dos elementos do rosto (embora essa orelha tenha ficado tirríver) e, por fim, após a leitura de O Uso das Cores, livro da Cris Peter que virou minha nova bíblia, procurei reduzir a paleta e pesar menos a mão no preto e na edição da imagem (com dicas da Sabrina também).
É aquilo que falei: não é meu melhor trabalho, mas já coloquei um tanto de coisa aprendida, tentando equilibrar com meu estilo próprio. Teve gente que achou o traço mais cartunesco, mas é só impressão, mesmo. A base do que uso sempre está toda aí: cílios enooormes, expressão facial, cabelos e outros cacarecos que eu coloco sempre, sempre e sempre.
Materiais utilizados
- papel para marcadores Copic n. 6;
- Marcadores Copic e Sinoart na figura;
- Marcadores Posca e Bic para os detalhes;
- Multiliner Copic no contorno.
❤ Um recado para quem está precisando de apoio emocional durante o processo criativo: seja compreensivo consigo mesmo. Tudo tem seu tempo, às vezes estudamos por um longo período e não conseguimos chegar a um resultado satisfatório logo de cara; às vezes parece que nosso conhecimento retrocedeu; às vezes parece que perdemos o foco, ou que focamos tanto no resultado que perdemos o processo. Tenha calma, respire fundo, afaste-se do problema e tente ver o todo. Você não precisa fazer o melhor trabalho do mundo, apenas o melhor que pode dar naquele momento. E, quando conseguir olhar em retrospecto, saberá que houve sim crescimento: material (sua técnica, seu estilo, o uso dos materiais) ou pessoal (suas atitudes, os pensamentos que cultiva, como encara as adversidades). Ok?
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