Lidiane Dutra
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Portfólio

Gaia 🌿


Já fazia bastante tempo desde minha última participação num projeto coletivo e, por isso, resolvi criar a arte Gaia 🌿 para o tema de abril do Girls Artist Gang, que é natureza. O grupo foi criado pela Dessamore e tem como objetivo reunir mulheres distantes geograficamente, mas unidas pela  arte, numa ação mensal. Os temas são escolhidos lá no Facebook, e qualquer mina artista pode participar. Só amor! 💚

Gaia, o ser primordial, Criadora grega da vida, a própria Terra, mãe dos Titãs, das Moiras e Musas. Seu dia é celebrado em 22 de abril (Dia da Terra), data indicada para orar pela paz e pela pureza do meio ambiente.*


Não tenho muito para falar sobre o processo, apenas que foi rápido e, numa manhã, consegui colorir toda a ilustração. Eu sempre demoro, no mínimo, 2 dias para fazer um trabalho pessoal, para poder avaliar com cuidado as decisões que estou tomando e diminuir aquela pressa em ver tudo pronto de uma só vez. Trabalhei com uma paleta neutra e reduzida (obrigada, Sabrina!), todas as cores estão um pouco sujinhas de payne's gray e sombra queimada. O resultado ficou assim:

Materiais utilizados
- Papel Canson Montval;
- Aquarelas Van Gogh e W&N;
- Pincéis Keramik pelo sintético;
- Multiliner Copic;
- Lápis de cor Koh-I-Noor.
Obs.: Farei um post com a lista atualizada de materiais que uso com frequência nas ilustrações.


Você que é mina artista também pode participar do projeto, basta usar #girlsartistgang, e descobrir várias outras mulheres fantásticas, que estão produzindo muita arte. Algumas ilustras são repostadas no perfil do grupo no Instagram.

Gaia já está disponível no meu Studio e, juntamente com Monstera, inaugura uma nova fase de mocinhas envoltas em plantas, flores e muita natureza. Já passei pelas Catrinas, pelas Galáxias, pelos Faunos... acho que já posso partir para outra empreitada. 😊 Também criei uma tag específica para Portfólio aqui no blog, assim facilita a busca de quem quer contratar meus serviços. Lembrando que todos os meus trabalhos profissionais também estão no Behance.

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*Fonte: Anuário da Grande Mãe, Mirella Faur.
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Processo criativo

No meu feed - fev/mar ❤ @lidydutra


No meu feed é aquela tentativa marota que faço bimestralmente de reunir imagens publicadas nas redes sociais e que, de alguma forma, acabam não aparecendo em forma de post regular no blog, e merecem atenção e registro. Durante fevereiro e março rolaram bonitezas em aquarela, flores, lojinha e recordações.


Mais dois trabalhos feitos para o Curso de Aquarela da vocês sabem de quem Sabrina Eras; o primeiro é um estudo de textura da ferrugem e o segundo é uma das pinturas mais difíceis que já fiz na vida, a pele negra em aquarela. O uso de roxos, azuis e subtons que fogem do marrom puro é realmente um desafio e requer muita prática.


Produtinhos do meu Studio no Colab55. As almofadas foram compradas pela minha mãe (compradora nº 1). Não levei fé que Rainha do Mar ficasse tão bonita assim, em close, no tecido. Mas o resultado me surpreendeu, acho que muito se deve à qualidade da impressão. Já os adesivos fui eu que comprei para testar, e também me surpreendi com o tamanho e a fidelidade das cores. 


Rolou essa tag nas redes sociais, tanto com foto, como com desenho, e resolvi aderir também. Acredito que visualizar a nossa evolução através do tempo é extremamente válida, não só para quem trabalha com arte. Fico feliz em manter a essência do meu traço, que já estava praticamente formado quando entrei na faculdade, aliada ao conhecimento que os estudos do último ano me proporcionaram. O que me chamou atenção nos três trabalhos foi a estrutura da cabeça, e o quanto ter voltado a praticar anatomia me fez melhorar em algo que gosto muito de fazer, que são os retratos. Já na segunda foto estão as tintas que comprei para participar do MerMay, aquele desafio de desenho que rola em maio, e que ano passado não consegui acompanhar. Mais adiante conto detalhes.


Para finalizar, essas flores aquareladas, parte dos estudos que fiz para um trabalho comissionado. Estou muito interessada em ilustração botânica e tenho buscado todo tipo de referência possível. E além da curiosidade em sair da minha zona de conforto, tem sido uma excelente maneira de estudar cor e composição, para que o resultado final não fique um carnaval completamente sem nexo.

☆☆☆

🎂 E hoje o blog completa sete aninhos!!!!! Nem consigo verbalizar quanta coisa já aconteceu na minha vida durante esse tempo. Imagine só, uma criança nascida em março de 2010 já está na escola, tocando terror por tudo hahaha!!! É uma vida, literalmente. E, no que se refere ao meu trabalho, foram sucessões de mudanças que me levaram a estar aqui. Para quem chegou agora, resumidamente, a história da criação do blog foi essa: eu precisava qualificar meu projeto de dissertação do mestrado e passava por um bloqueio criativo. Pensei que, se eu criasse um espaço sem pretensões, como uma forma de publicar textos aleatórios e os desenhos feitos entre um artigo e outro, minha motivação voltaria. Eu não só consegui escrever o projeto e a dissertação (e ser aprovada com louvor), como também abandonei a academia para me dedicar à ilustração. Hoje, trabalho com design e diagramação, além de ilustrar, e já prestei dois concursos públicos, um na área de ensino de arte, outro na área gráfica.

Conheci inúmeras pessoas sensacionais, gente que nunca vi pessoalmente, mas que carrego no coração e considero parte importante da minha vida, coisa cósmica mesmo. Fiz três exposições individuais, dei entrevistas na mídia local (me senti chique haha), montei várias lojas, quebrei a cara tantas vezes que não cabem nos dedos das mãos e dos pés, briguei pelo meu espaço enquanto artista e mulher e participei de projetos que jamais imaginaria que cairiam nas minhas mãos algum dia. Aprendi a lidar com a frustração e com a síndrome de impostora, e a reconhecer todo o esforço que sempre empreendi para conquistar meus objetivos. ✨

O ato de blogar já estava em declínio quando comecei e, hoje em dia, já não sinto aquela vontade enorme de sair compartilhando tudo o que penso ou faço, então acredito que o caminho natural do meu blog será se transformar em site, com destaque para meu portfólio, mas sem deixar de possuir esse espaço de troca. Quero fazer algo nos moldes que a Sabrina Eras e a Juliana Rabelo já fizeram, talvez ainda em 2017. Enfim, que venham os próximos anos!!! 🎉🎉🎉

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Reflexões

O lugar ideal é você quem faz


Toda vez que posto foto do meu espaço de trabalho alguém comenta que também gostaria de ter um lugar ideal para desenhar, um cantinho sossegado e cheio de inspirações, no qual é possível colocar toda a criatividade para fora. Mas vou contar uma coisa para você: quem faz esse lugar ideal e especial somos nós.

Durante muito tempo, praticamente toda a minha adolescência e graduação, me dividi entre desenhar na mesa da cozinha ou usando a cama e uma prancheta como suporte. Depois, ganhei uma mesa de desenho usada, e ela me acompanhou durante vários anos. Também usava a mesa do computador (nos tempos do monitor de tubo!). Só quatro anos atrás pude comprar minha atual escrivaninha. Estante, livros, prateleiras, materiais... tudo veio com o tempo, e isso não é papo motivacional. Demorei ANOS para ter, literalmente, um canto para trabalhar.

Aí você vai dizer: que ótimo, deve ser sensacional ilustrar na santa paz do seu ateliê! Bom, eu divido a casa com mais três pessoas que, inevitavelmente, vão fazer barulho, até mesmo porque o mundo não para de girar para que eu desenhe. Além disso, soma-se o ruído da vizinhança, dos carros, das sirenes, do carrinho de picolé. Tem dias que acho que vou enlouquecer, sinto dores de cabeça, fico zonza. Mas eu não posso esperar eternamente o lugar ideal. Tenho um lugar real, e preciso extrair dele o melhor que consigo.


Vejo que muitas pessoas (e eu me enquadrei nessa durante um tempo) ficam esperando as condições ideais para começar o trabalho criativo e não avançam nos estudos. Primeiramente, esperam ter tempo; em seguida, desejam um ateliê de fazer inveja à Charmaine Olivia; depois, precisam de materiais caros, cursos em outra cidade/estado/país; por fim, aguardam pacientemente que a fada madrinha bata em sua cabeça com a vara de condão mágica da criatividade infinita. Só que isso não acontece nem nos contos de fada. É preciso começar e, para isso, usamos o que temos à mão.

Se você não der o pontapé inicial nos seus estudos e ficar só fantasiando no feed alheio ou no Pinterest, pouco vai mudar. Porque atrás de cada postagem que um artista faz mostrando seu estúdio, ou seus materiais, existem muitas horas de trabalho, esforço e dinheiro empregado. Já perdi a conta de quantas coisas deixei de comprar, ou de quantos lugares deixei de ir, para poder comprar material. Ano passado mesmo, cheguei a remendar algumas calças para poder pagar o curso da Sabrina (bendita fita termocolante!). E quantas outras vezes me amaldiçoei porque preferi comprar um batom, ou ir no restaurante oriental que curto, porque estaria desperdiçando dinheiro. Mas com o tempo percebi que faz parte do meu processo criativo me alimentar de outras coisas das quais gosto, para manter viva a vontade de criar.


Por que estou escrevendo isso? Para que você, que está aí do outro lado, esperando o momento certo, comece agora. Já. Não espere ter tudo o que acha ser necessário para criar, porque essa lista é infinita. Sempre que você pensar que comprou tudo, que deixou o lugar com a sua cara, aparece uma coisa totalmente inesperada. E não sinta um impulso consumista de ter o que o outro tem porque, como falei acima, por trás de cada post mostrando um ateliê ou uma mesa bagunçada, tem muito trabalho envolvido, nós só conseguimos ver uma pequena parcela, um frame disso (e que, muitas vezes, foi milimetricamente arrumado, em meio ao caos, só para aparecer bonitinho). Comece, essa é a dica de hoje!


Esse vídeo do Jake Parker vem bem a calhar nessa discussão. 😉

Das coisas que ninguém vê: meu edredom de oncinha, as naftalinas e anti-mofos espalhados pela estante com seu vidro trincado e as marcas de tinta que não saem mais da mesa...

Abraços! 💖
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