Estudando Brian Froud
Nos dois últimos anos tenho investido nos meus estudos e também na aquisição de bons livros de arte, que me auxiliem não só com a parte técnica, como também a entender o processo criativo de artistas que admiro. Embora muitas coisas estejam ao alcance de um clique, nada substitui a qualidade de um livro impresso, principalmente se ele contém muitas ilustrações. Ainda quero fazer um vídeo mostrando algumas obras do meu acervo.
E no Natal, resolvi me presentear com um dos artbooks do Brian Froud. Para quem não sabe, Froud é o responsável pela concepção de todas as criaturas presentes nos filmes Labirinto: a magia do tempo (1986) e O Cristal Encantado (1982). Já os bonecos foram manufaturados por sua esposa, a artista Wendy Froud. O título escolhido foi Good Faeries, Bad Faeries, e comprei meu exemplar pela Amazon.
Escolhi esse livro porque eu amo fadas e, nos últimos tempos, tenho me sentido muito atraída a estudar mais sobre contos, fábulas, mitologia, todo tipo de história que me leve ao mundo mágico. Acho que isso tem muito a ver com a minha vontade de ilustrar um livro com essa temática, todo em técnicas tradicionais.
Então, logo que o livro chegou, comecei a fazer alguns sketches baseados nas figuras, cópias para estudo mesmo, para me ajudar a entender o traço e também arriscar em outros tipos de corpos e poses. Postei alguns desses estudos no Instagram:
Dentre esses rascunhos, resolvi pegar um deles, a Vervain Faerie, para fazer um estudo completo, prestando atenção na proporção, nos valores, e tentando me aproximar ao máximo das cores originais com aquarela e lápis de cor. O resultado:
Dentre esses rascunhos, resolvi pegar um deles, a Vervain Faerie, para fazer um estudo completo, prestando atenção na proporção, nos valores, e tentando me aproximar ao máximo das cores originais com aquarela e lápis de cor. O resultado:
Não mexi muito na imagem para deixar as texturas tanto do papel quanto da tinta e do lápis aparentes. Utilizei uma das amostras de papel Canson Heritage grana fina que a Koralle me enviou algum tempo atrás, com alta gramatura (600g). Já os lápis e aquarelas são os mesmos que utilizo sempre. Nas asas da fada, coloquei um pouco de guache dourado também.
Acho importante ter algumas coisas em mente antes de fazer uma cópia para estudo: a primeira é que não precisa ficar exatamente igual ao original, o objetivo é capturar os elementos marcantes daquela ilustração e tentar compreender como se chega lá. Segundo, você precisa colocar seu cérebro para funcionar e enxergar verdadeiramente o que está fazendo. No caso desse estudo, precisei reproduzir o tom de pele oliva, e consegui através da mistura de sépia com sap green. Por fim, cópia para estudo se restringe a isso: estudar! Portanto, sempre sinalize esse tipo de trabalho, pois é muito deselegante não deixar claro para o público que aquela não é uma criação original.
Depois dessa experiência, resolvi que vou incluir na minha rotina, nem que seja pelo menos uma vez ao mês, estudos baseados em artistas de que gosto, elegendo uma obra para tentar reproduzir. Também selecionei algumas ilustrações do livro Good Faeries, Bad Faeries para quem não conhece o traço de Brian Froud. Ele é um artista tradicional por excelência, e seu gestual é impecável:
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A força e a fera interior
Seja bem-vindo, 2018! Só posso crer que será um ano excelente, pois já comecei fazendo o que mais amo, ou seja, desenhando. Dediquei o primeiro dia deste novo ciclo a uma ilustração que, como muitas, deixei em rascunho por vários meses, até ter um propósito para ela. Sim, eu preciso contar uma história em cada trabalho e costumo empreender uma pesquisa extensa, dentro dos temas que gosto de abordar (mitologia, feminino, fantasia).
Em março do ano passado eu havia encontrado uma foto de referência da Kate Moss muito interessante, e rascunhei algo a partir dela. Porém, não prossegui com o estudo, pois não conseguia encontrar uma narrativa para aquela imagem. E assim passou 2017, fiz outras coisas, até que, na última semana de dezembro, resolvi resgatar o esboço e tentar algo novo a partir dele. Mas ainda faltava alguma coisa... até que descobri o arcano regente deste ano: a força. Aí tudo fez sentido.
De acordo com a descrição do Tarô Illuminati (deck que tenho e estudo há algum tempo):
"Existe uma lenda que conta a história de um cavaleiro heroico que salvou uma linda donzela que ele amava das garras de uma fera ao matar o animal. Ele triunfou sobre a fera e, portanto, superou sua libido e paixão, a natureza animalesca presente em seu amor e em si. Mas o cavaleiro causou um grande dano a si mesmo e à sua amada. A lenda é erroneamente glorificada. Matar a fera interior, domá-la e aprisioná-la é destruir uma parte de si mesmo. A força não está na espada e no braço, mas na paciência e na bondade: ela vem de dentro. Nem a espada mais cortante nem o braço mais forte podem lhe proporcionar a coragem se você ainda não a possuir. Saiba disso: eu não tenho medo da fera dentro de meu corpo, nem temo seu poder ou seu tamanho. Eu a domei, mas não destruí sua força, pois fazer isso seria destruir a mim mesmo. Eu sou a fera e ela sou eu. Uma fera grandiosa assim nunca deveria ser morta, mas, sim, compreendida e aceita, pois você deve se lembrar de que há não muito tempo nós também éramos animais..."
Depois de ler essa passagem, a figura que eu estava tentando moldar - uma mulher meio guerreira, meio deusa, vestida com penas e pintura de guerra - me levou à uma analogia com a donzela e a fera da lenda. Sobre como precisamos, muitas vezes, domar (e aceitar) nossa fera interior e aprender, através dela, lições que nos tragam coragem e força para enfrentar o mundo. Sobre entender que a luz e a escuridão moram dentro de nós e fazem parte do que somos; não podemos separar esses dois lados, mas lidar com eles até alcançar o equilíbrio (isso soou muito Star Wars, eu sei).
Agora, falando da ilustração em si: utilizei o papel Bristol, minha última aquisição artística e, para quem gosta de papéis de alta alvura, e com textura satinada, bem lisinha, recomendo muito. Lápis e marcadores se comportam bem neste suporte, porém, não é indicado para tinta, principalmente aquarela. A figura foi feita com os lápis grafite Lyra, que estão competindo pelo meu amor com o Mars Lumograph, e as plumagens com marcador dourado. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol 180g;
- Lápis grafite Lyra 2B, 4B e 6B;
- Marcadores dourados Posca e Pentel;
- Multiliner Sakura 0.1.
Espero que o arcano da força nos traga o entendimento de que precisamos resolver nossos conflitos internos e entender nosso próprio eu, para então conseguirmos ser a mudança que desejamos no mundo. Que traga consigo um ano de espiritualidade (assim como a cor) e de boas vibrações. E, é claro, de muitas artes, estudos e descobertas.
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Um ano violeta vem aí 💜
Desde 2013, quando comecei a acompanhar os anúncios da cor do ano pela Pantone, minha reação sempre oscilou entre a indiferença (marsala) e o completo desprezo (greenery) pois, na minha concepção, a marca "autoridade mundial em cores" parecia completamente desconectada da realidade e muito mais preocupada em lançar tendência entre blogueiras de maquiagem do que tentar contar uma história.
2017 foi um ano difícil para o mundo. Excluindo-se as conquistas individuais de cada ser humano, foi sofrível acompanhar o noticiário, o ambiente retrógrado e sem muita esperança que se proliferou ao longo dos meses. E parece que, finalmente, a Pantone sacou que poderia passar uma mensagem positiva através da cor do ano, ao escolher Ultra Violet como a representante de 2018.
O violeta sempre foi cercado por mistério. Uma cor que representa a espiritualidade e a magia. O cosmos e sua imensidão. Aqui tem uma matéria contando todos os detalhes que a Pantone utilizou como referência para esta escolha.
E quem me acompanha sabe também que violeta é o espectro cromático que mais amo (roxo, lilás e afins), e até mesmo o blog já teve layout bem puxado para esse tom. Que é a fada lilás da criatividade que aciono quando preciso de ajuda. Por isso, foi uma imensa alegria ver que teremos um ano violeta pela frente. Mais ainda por saber que o mundo está vibrando na mesma energia de renovação, espiritualidade e conexão com o eu interior e com o todo.
No livro Da cor à cor inexistente, Israel Pedrosa fala um pouco mais sobre o violeta, e gostaria de transcrever este trecho aqui no blog:
É o violeta a cor da temperança. Reúne as qualidades das cores que lhe dão origem (vermelho e azul), simbolizando a lucidez, a ação refletida, o equilíbrio entre a terra e o céu, os sentidos e o espírito, a paixão e a inteligência, o amor e a sabedoria.
Desde os tempos mais remotos o violeta impressionou os homens. Não sendo fácil reproduzir essa coloração por nenhum dos meios que lhes estavam ao alcance, a ametista passou a simbolizar a própria cor. Os faraós do antigo Império já se enfeitavam com ela, e a Bíblia relata que os trajes dos sumos sacerdotes eram guarnecidos com essa variedade de quartzo. Na Grécia, acreditava-se que a ametista pudesse neutralizar os efeitos da bebida - por isso o vinho era tomado em taças talhadas nesse mineral e usavam-se os mais variados adornos dessa pedra para evitar a embriaguez. A raiz grega da qual se originou a palavra ametista significa sóbrio.
No horóscopo, é a pedra do mês de fevereiro. No tarô, os segredos da cartomancia designando a temperança representam um anjo com dois vasos, um vermelho e outro azul, entre os quais se troca um fluido incolor, a água vital. O violeta, invisível sob essa representação, é o resultado da troca perpétua entre o vermelho das potências da terra e o azul-celeste. O violeta foi considerado como símbolo da alquimia. Sua essência indica uma transfusão espiritual, a influência de uma pessoa sobre outra pela sugestão, a persuasão, o domínio hipnótico e mágico.
Desejo um ano violeta para o planeta, em seu aspecto mais profundo: espiritual, equilibrado, justo, mágico e sábio. Que possamos tomar atitudes pensando no bem alheio e em colher frutos a longo prazo, sem imediatismo. Que tenhamos consciência de nossos atos e possamos discernir, ao olhar uma pedra, se queremos que ela seja aquela que obstrui o caminho ou que seja aquela que constrói e fundamenta o futuro.
Abraços e até 2018,
Lidiane
E quem me acompanha sabe também que violeta é o espectro cromático que mais amo (roxo, lilás e afins), e até mesmo o blog já teve layout bem puxado para esse tom. Que é a fada lilás da criatividade que aciono quando preciso de ajuda. Por isso, foi uma imensa alegria ver que teremos um ano violeta pela frente. Mais ainda por saber que o mundo está vibrando na mesma energia de renovação, espiritualidade e conexão com o eu interior e com o todo.
No livro Da cor à cor inexistente, Israel Pedrosa fala um pouco mais sobre o violeta, e gostaria de transcrever este trecho aqui no blog:
É o violeta a cor da temperança. Reúne as qualidades das cores que lhe dão origem (vermelho e azul), simbolizando a lucidez, a ação refletida, o equilíbrio entre a terra e o céu, os sentidos e o espírito, a paixão e a inteligência, o amor e a sabedoria.
Desde os tempos mais remotos o violeta impressionou os homens. Não sendo fácil reproduzir essa coloração por nenhum dos meios que lhes estavam ao alcance, a ametista passou a simbolizar a própria cor. Os faraós do antigo Império já se enfeitavam com ela, e a Bíblia relata que os trajes dos sumos sacerdotes eram guarnecidos com essa variedade de quartzo. Na Grécia, acreditava-se que a ametista pudesse neutralizar os efeitos da bebida - por isso o vinho era tomado em taças talhadas nesse mineral e usavam-se os mais variados adornos dessa pedra para evitar a embriaguez. A raiz grega da qual se originou a palavra ametista significa sóbrio.
No horóscopo, é a pedra do mês de fevereiro. No tarô, os segredos da cartomancia designando a temperança representam um anjo com dois vasos, um vermelho e outro azul, entre os quais se troca um fluido incolor, a água vital. O violeta, invisível sob essa representação, é o resultado da troca perpétua entre o vermelho das potências da terra e o azul-celeste. O violeta foi considerado como símbolo da alquimia. Sua essência indica uma transfusão espiritual, a influência de uma pessoa sobre outra pela sugestão, a persuasão, o domínio hipnótico e mágico.
Israel Pedrosa, Da cor à cor inexistente, páginas 127-8.
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Desejo um ano violeta para o planeta, em seu aspecto mais profundo: espiritual, equilibrado, justo, mágico e sábio. Que possamos tomar atitudes pensando no bem alheio e em colher frutos a longo prazo, sem imediatismo. Que tenhamos consciência de nossos atos e possamos discernir, ao olhar uma pedra, se queremos que ela seja aquela que obstrui o caminho ou que seja aquela que constrói e fundamenta o futuro.
Abraços e até 2018,
Lidiane
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