Jewel 💎
Eu sempre gostei muito de, no tratamento digital dos meus trabalhos, fazer o máximo de correções possíveis para que aquele desenho, feito num meio tradicional, não tivesse nada a perder, comparado a um trabalho feito digitalmente. Chegava a ser um excesso de limpeza, comigo horas na frente do computador limpando o fundo, removendo poeira do scanner, ajustando cor, e por aí vai.
Porém, de uns tempos pra cá, minha premissa tem sido: quero tudo sujo. O trabalho tradicional continua o mesmo, não mudei nada na minha técnica, mas na hora de digitalizar, quero ver até os poros do papel, quero que apareçam todas as granulações, o fundo, absolutamente todas as interferências possíveis. Não sei se existe alguma explicação freudiana para isso, só sei que tem sido ótimo esse ganho (no momento, estou achando um ganho, pode ser que no futuro me arrependa), que é uma nova versão do que fiz no papel. Não significa melhorar ou piorar o que fiz, acredito que se trata de uma terceira via, talvez em resposta ao excesso de imagens tratadas que vejo diariamente nas redes sociais. E com essa ilustra não foi diferente.
Algumas semanas antes do carnaval, comprei um kit de adesivos de pedraria para colar no rosto, que são muito usados em fantasias ultimamente. Em 2017, já havia feito algo semelhante em Carnavalesca, e gostaria de lançar mão desse recurso, de agregar um elemento diferente ao papel. A ideia era fazer este trabalho entre 20 e 25 de fevereiro, mas não consegui, ele foi ficando para trás. Agora, com a quarentena imposta pelo COVID-19, consegui tirar um tempinho para finalizá-lo, antes de seguir com meus planos de aula.
Tem como ver algumas imagens do processo no meu Instagram, mas tenho estado cada vez mais preguiçosa para registrar as etapas, prefiro focar em terminar tudo sem tantas mexidas no celular e distrações. Usei pouquíssimos materiais: lápis grafite 2B, lápis de cor e os adesivos de pedraria. Assim como fiz lá em Carnavalesca. E o resultado ficou bem do jeito que eu queria: simples, enxuto, redondinho. Mas, para mim, a cereja do bolo veio na hora de digitalizar. A luz refletida das pedras criou um desfoque na imagem que deixou um aspecto antigo, tremido, meio anos 1980, que eu simplesmente AMEI:
Se pegarmos uma foto desse trabalho tirada com o celular, dá pra ver que é mais um trabalho meu normal, com os detalhes que gosto de colocar usualmente nas figuras. Mas, olhando para o arquivo digital, a estética de repente muda, deixa de ser algo glamouroso e passa a ser "fim de festa", como se fosse um registro feito espontaneamente, com uma polaroid. Achei fantástico e uma maneira de repensar meu próprio fazer.
Materiais utilizados
- Papel para desenho Spiral creme 180g;
- Lápis grafite Stabilo Othello 2B;
- Lápis de cor Faber-Castell Super Soft;
- Adesivo de pedraria para rosto (vende em lojas de maquiagem).
A linha Othello da Stabilo é excelente, o lápis 2B parece o 4B de qualquer outra marca em termos de suavidade da mina e intensidade da cor. Não é um lápis profissional caro (custa, em média, R$ 3,50), então dá para testar várias graduações e, para quem gosta de trabalhar de 4B para cima, considere começar com o 2B, pois os resultados são muito bons.

Para quem, assim como eu, está de quarentena (as escolas tiveram as aulas suspensas por causa do coronavírus), entenda a importância do isolamento, não só para você, como para aqueles que mais precisam neste momento, que são os idosos e as pessoas que dependem exclusivamente do SUS para tratamento. Não vamos sobrecarregar os sistemas de saúde, nem estocar comida ou álcool gel. O importante, neste momento, é ter empatia e pensar coletivamente. ❤
Harley Quinn 💥 Birds Of Prey
Fui assistir Aves de Rapina na estreia, sem grandes expectativas, e saí do cinema com balde de pipoca e copo personalizados, já comprei uma brusinha temática e simplesmente AMEI tudo no filme: história, personagens, figurinos, trilha sonora... QUE diferença faz uma mulher dirigir um filme com protagonistas femininas!
Lá naquela bagunça que foi Esquadrão Suicida, embora a Margot Robbie tenha sido excelente como Arlequina, a sexualização da personagem me incomodou bastante. Aquela câmera que passeava pelo corpo da atriz era horrível, só decepção. Mas em Aves de Rapina dá pra ver o quanto ela incorporou o espírito da Harley, assim como o Jason Momoa abraçou o Aquaman, e Gal Gadot a Mulher Maravilha (só para ficar na DC).
Como estou na vibe de fazer fanarts (todas as personagens que já desenhei estão reunidas aqui), não pensei duas vezes e comecei a esboçar minha versão da Harley Quinn, baseada nas incríveis fotos de divulgação do filme e em toda nova caracterização, que está incrível.
Depois de escolher uma imagem em que a personagem está mandando beijinho como referência, começou o verdadeiro desafio: fazer a mão esticada para frente, com a maior naturalidade possível. Recorri a bancos de poses e outras imagens para ter mais precisão, pois só as fotos da atriz não estavam ajudando, era uma posição bem difícil para mim. No final, dei uma modificada em relação à imagem original, e acredito que isso fez toda a diferença no meu trabalho.
O resultado:
A pintura seguiu o que sempre faço: primeiro as áreas com os valores marcadas a lápis, depois as camadas de aquarela, e a finalização com lápis de cor e marcadores. Usei muitos tons metálicos, é uma pena que a digitalização sempre retire muito desses efeitos. A propósito, deixei a imagem bem crua, com riscos e pontos de interferência, pois acredito que essas sujeirinhas combinam com a Harley e sua postura irreverente.
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Harmony Hahnemühle 300g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
- Marcadores metálicos diversos.
A Harley Quinn de Aves de Rapina sempre vai me lembrar a Xuxa do disquinho ao contrário, seja pelo cabelo ou pelas atitudes hahahaha. Essa emancipação foi realmente fantabulosa, já quero sair vestida com aquele macacão amarelo e patins por aí.
Essa fanart demorou para ficar pronta não porque eu fiz corpo mole, mas sim porque algo fantabuloso aconteceu comigo: fiz outro concurso público para professora, fui aprovada e também já fui nomeada!!! Estou muito feliz, porém sem tempo algum para me coçar; novamente vou entrar naquela espiral de aproveitar ao máximo todos os momentos livres - nos quais não vou desejar estar dormindo -, mas vai ser por uma boa causa e, no final, tudo vai se encaixar.
Para finalizar, deixo a trilha sonora de Aves de Rapina, que está tão sensacional quanto o filme, cheia de artistas femininas (algumas eu já conhecia, outras não):

Diamonds are a girl's best friend
Meu novo sketchbook
Quem me acompanha sabe que sketchbook não é meu forte. Acabo abandonando o barco, pois gosto de fazer tudo bonitinho; deixo os estudos e riscos aleatórios para as folhas soltas, que depois posso reordenar da maneira que quiser. Mas o último Lidytober, feito todo num único sketchbook, reacendeu a vontade de investir novamente num caderno, dessa vez sem medo de usar da maneira que gosto: desenhos bem acabados, todos os materiais usados sem medo de ser feliz, muitas mulheres maravilhosas, sim.
O sketchbook que comprei é da marca Hahnemühle, tamanho A5, papel com 120g, ideal para esboços com técnicas secas (embora eu vá tentar jogar uma aquarela nele). Aqui tem o modelo, para quem se interessou (não é jabá). Esse sketchbook tem uma abertura muito boa, e se mantém em 180º facilmente, o que ajuda muito na hora de desenhar. O primeiro desenho que fiz foi, na realidade, uma transposição do que estava no outro sketchbook, que eu havia começado no ano passado, e abandonei lá pela décima página. Comecei a usar para rascunho de anotações, pois não consegui me sentir conectada a ele.
Em seguida, fiz minha já tradicional homenagem para Iemanjá (todo ano represento a orixá) e usei uma caneta pincel da Pentel que marcou demais para o outro lado, mas não rasgou o papel. Por isso, acredito que um pouco de aquarela não vai ser um desastre.
Por último (até o momento), fiz a personagem Kim, interpretada pela atriz Park So-dam em Parasita, na cena do jingle da Jessica. Amei demais o filme, mereceu todos os prêmios que ganhou. Jessica, only child, from Illinois, Chicago...
Quem quiser acompanhar mais trabalhos no meu sketchbook, é só seguir no Instagram. O alcance está pequeno, mas dá pra ir levando, eu também não me preocupo em atualizar as redes com muita frequência, então considero que está chegando em quem se interessa pelo que faço.
As encomendas para o primeiro trimestre de 2020 já estão encerradas, em breve divulgarei datas para o segundo trimestre, mas ainda é possível comprar pela minha loja na Colab55 ou INPRNT. Ah! Quem está posando para a foto é a Luna, só que ganhei mais 4 ajudantes felinos: a Mimi (mãezinha), Yoda, Tygra e Cheetara (filhotes). Em breve eles aparecerão por aqui também ;)
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