Garota campestre
O trabalho de hoje surgiu mais como uma brincadeira no meu bloco de papel kraft do que como algo sério. Queria tentar fazer um rosto menos longilíneo e testar alguns "modelos" de olhos que tenho treinado, daí surgiu a figura campestre que mostrarei a seguir. Acima, com o cabelo pronto (utilizei lápis 3B Mars Lumograph, da Staedtler).
Aproveitei que estava lendo uma notícia sobre a moda das tatuagens metálicas e incorporei o acessório no pescoço nu da figura. As gotas me lembram coxinhas :D
Na hora de colorir a tiara de flores, decidi usar essa mini aquarela que ganhei há uns dois anos da minha baiana mais linda, Narinha (**muita saudade**), e incrivelmente o papel não enrugou tanto quanto eu achava. Percebi que meu problema com aquarela chama-se preguiça.
Finalizei as flores com lápis de cor comum, só para dar um acabamento na linha do grafite. E o resultado final ficou assim:
Estou adorando trabalhar com este papel kraft da Canson (linha de sketchbooks XL) pois, apesar de ser fininho, ele se comporta muito bem com tinta, caneta, lápis e aquarela (materiais que testei até o momento).
Abraços,
Lidiane :-)
[Blogagem coletiva] #stopthebeautymadness na vida e na arte
Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais.
Relutei bastante em escolher os temas propostos este mês no Rotaroots porque achei que nenhum se encaixava à temática do blog (já aconteceu outras vezes, mas acabo mudando de opinião). A inspiração só veio mesmo depois de ler o discurso feminista da Emma Watson, a opinião da Giza Souza sobre o Desafio Sem Make e este post da Lola, além de um desabafo da Melina sobre corpo alheio que, infelizmente, ela tirou do ar (antes que digam qualquer coisa, entendi perfeitamente o que ela quis passar).
Relutei bastante em escolher os temas propostos este mês no Rotaroots porque achei que nenhum se encaixava à temática do blog (já aconteceu outras vezes, mas acabo mudando de opinião). A inspiração só veio mesmo depois de ler o discurso feminista da Emma Watson, a opinião da Giza Souza sobre o Desafio Sem Make e este post da Lola, além de um desabafo da Melina sobre corpo alheio que, infelizmente, ela tirou do ar (antes que digam qualquer coisa, entendi perfeitamente o que ela quis passar).
Em 2012, juntamente com o querido Jeronimo Sanz, fiz uma série chamada Quatro Elementos e a última ilustração gerou alguns comentários capciosos. Sem terem sido indagadas sobre, algumas pessoas vieram até mim dizer que a figura tinha ficado feia e nariguda. Confesso que foi ali que acendi o sinal vermelho para muitas questões envolvendo minha arte. Gostaria de saber porque uma mulher com nariz fora do padrão não pode ser representada?
Sempre - desde as priscas eras da faculdade - recebi acusações por desenhar mulheres com "cara de boneca". Teve muita gente dizendo que nada do que eu desenhava valia a pena, pois qualquer um fazia. Isso me gerou um trauma de anos e uma difícil recuperação, do traço e da confiança.
Aos poucos, fui transformando minha maneira de ver a arte e as questões de gênero. O primeiro contato veio nas aulas de História da Arte (beijo, Ivana!), através dos trabalhos do grupo Guerrilla Girls. A Olímpia delas é emblemática:
Naquela época tudo era incipiente e eu estava mais para absorver o máximo de informação do que refletir sobre. Isso só aconteceu anos depois. O que tudo isso tem a ver com minha arte hoje e com a proposta do Stop the Beauty Madness, tema especial da blogagem de setembro, é que padrões de beleza existem desde os tempos mais remotos e nós, mulheres, estamos sujeitas a eles - infelizmente - na vida real e na arte.
Das mulheres com "cara de boneca" até a busca por identidade na minha arte, tenho feito um longo percurso. Posso ter começado através de estereótipos sim, como muitas outras meninas, mas o que desejo e me esforço é para colocar a figura feminina como protagonista de minhas obras. Escolher outras formas de representar essa mulher, em todos os seus matizes (branca, negra, magra, gorda, loira, ruiva, índia, cis, hétero, gay, trans*...) é algo que tem sido construído no meu repertório, com a ajuda de grupos como o Selfless Portraits das Mina, retratos comissionados de gurias reais e vontade de aprender. E isso precisa partir de mim, não de alguém disposto a apontar o dedo para o que faço, deliberadamente.
Então, convido a todxs que chegaram até aqui a parar de criticar absurdamente a arte feita por mulheres, já que os padrões seguidos há muito tempo são ditados por uma sociedade machista e patriarcal, que nos mede, nos pesa e diz o quanto valemos. Que decide se entraremos em museus como telas, meras passantes ou produtoras de arte. Essa desconstrução virá de nós, para nós. E cada uma, no seu tempo, encontrará espaço para fazer mulheres com todas as caras e corpos. De boneca ou não.
E antes que alguém venha aqui dizer "ai, mas teu texto está contraditório, porque se te diziam para parar de fazer mulher com 'cara de boneca' e tu acabou chegando a essa conclusão, eles estavam certos...", pare, agora. Porque 99,9% daquelas pessoas que me diziam isso, o faziam no intuito de que eu parasse de desenhar do meu jeito, para fazê-lo do jeito delas. Aí reside o x da questão, pois novamente é um padrão que se estabelece. E decidir como representarei minhas mulheres diz respeito a mim e às minhas referências. Daí a importância da desconstrução interna desses estereótipos impostos desde sempre. Ok?! ;)
Abraços,
Lidiane :-)
Aos poucos, fui transformando minha maneira de ver a arte e as questões de gênero. O primeiro contato veio nas aulas de História da Arte (beijo, Ivana!), através dos trabalhos do grupo Guerrilla Girls. A Olímpia delas é emblemática:
Naquela época tudo era incipiente e eu estava mais para absorver o máximo de informação do que refletir sobre. Isso só aconteceu anos depois. O que tudo isso tem a ver com minha arte hoje e com a proposta do Stop the Beauty Madness, tema especial da blogagem de setembro, é que padrões de beleza existem desde os tempos mais remotos e nós, mulheres, estamos sujeitas a eles - infelizmente - na vida real e na arte.
Das mulheres com "cara de boneca" até a busca por identidade na minha arte, tenho feito um longo percurso. Posso ter começado através de estereótipos sim, como muitas outras meninas, mas o que desejo e me esforço é para colocar a figura feminina como protagonista de minhas obras. Escolher outras formas de representar essa mulher, em todos os seus matizes (branca, negra, magra, gorda, loira, ruiva, índia, cis, hétero, gay, trans*...) é algo que tem sido construído no meu repertório, com a ajuda de grupos como o Selfless Portraits das Mina, retratos comissionados de gurias reais e vontade de aprender. E isso precisa partir de mim, não de alguém disposto a apontar o dedo para o que faço, deliberadamente.
Então, convido a todxs que chegaram até aqui a parar de criticar absurdamente a arte feita por mulheres, já que os padrões seguidos há muito tempo são ditados por uma sociedade machista e patriarcal, que nos mede, nos pesa e diz o quanto valemos. Que decide se entraremos em museus como telas, meras passantes ou produtoras de arte. Essa desconstrução virá de nós, para nós. E cada uma, no seu tempo, encontrará espaço para fazer mulheres com todas as caras e corpos. De boneca ou não.
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| Vai ter mulher de todo tipo e, se reclamar, vai ter mais. |
Abraços,
Lidiane :-)
Leilani Joy e seu processo criativo
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| Fonte: Leilani Joy |
Eu cresci profissionalmente com opiniões bastante antagônicas a respeito do uso de referências, com professores a favor e outros contra mas, ao assistir os vídeos da Leilani, consegui perceber que o importante é o melhor para mim, o que me deixa confortável e me dá suporte suficiente para executar um trabalho, de acordo com tudo o que pensei.
Com ela, aprendi a fazer thumbnails (miniaturas) para testar posições/expressões, a fazer teste de cores, a criar um painel semântico, a me debruçar sobre os esboços e ver o que funcionava ou não. Enfim, recomendo fortemente que você assista e se inspire com as pinturas e a performance da Leilani.
Abraços,
Lidiane :-)
Sketchbookinho
Registro feito no meu sketchbookinho, foi o primeiro rabisco feito por lá, mas não cheguei a mostrá-lo inteirinho. Fiz numa época bem difícil, com muito chorume escorrendo no feed. Porém, parece que os ânimos se acalmaram, e tenho visto ótimas iniciativas brotando via Facebook. E é assim que tem que ser, minha gente. Precisamos usar as redes sociais a nosso favor positivamente, e não para disseminar ódio e preconceitos.
Falando em Face, ontem minha página chegou às 1000 curtidas e estou muito, mas muito feliz. Fiquei igualmente feliz com os primeiros 10, 100 likes, e acredito estar colhendo os frutos de um trabalho feito com todo amor. Sempre que penso numa postagem, quero que ela não só seja lida e compartilhada, mas que quem a viu sinta-se tocado e motivado a produzir belezuras em sua vida. Muito obrigada, de todo coração, a cada pessoa do outro lado da tela, que gosta e acompanha o que faço.
Abraços,
Lidiane :-)
#ilustraday setembro: musas
Ilustraday é um projeto criado pela Camila Rech para reunir várias ilustradoras da blogosfera, que publicam todo dia 15 de cada mês ilustras relacionadas a um tema. O deste mês é musas.
Como eu fui adicionada ao grupo pela Ju hoje de manhã (obrigada, sua linda!), tive que pensar rápido em quem desenhar. Primeiro veio a musa-mor Jolie, mas a Chell já havia feito sua homenagem diva, então busquei inspiração numa personagem que amo e que é muito musa, para mim:
Dra. Pamela Lillian Isley, aka Hera Venenosa. Não me demorei demais nos detalhes, para conseguir postar no dia, mas mesmo assim curti o resultado. Acho que preciso me desafiar mais em relação ao tempo, geralmente demoro dias para fazer uma ilustração.
Acima, o esboço ultra rápido/sujo/amassado. Material utilizado: canetinhas de várias espessuras, caneta gel e lápis de cor. Mês que vem, prometo caprichar na ilustra. Para conferir outros trabalhos, acesse a página do Ilustraday no Facebook.
Abraços,
Lidiane :-)
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