Resenha: O que é qualidade em ilustração
Dentre os últimos investimentos que fiz em literatura técnica, está O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil - com a palavra o ilustrador, organizado pela Ieda de Oliveira. Fiz uma série de anotações durante a leitura (prometi um diário no Snapchat e falhei miseravelmente), porém, apesar de trazer discussões importantes, senti que a publicação não me conquistou. Vou explicar o motivo para esta opinião.
O livro traz sete artigos, escritos por Rui de Oliveira, Odilon Moraes, Renato Alarcão, Cristina Biazetto, Ciça Fittipaldi, Marcelo Ribeiro e Marilda Castanha. Também conta com depoimentos de ilustradores, respondendo a questão-título: "O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil?". Apesar dos nomes de peso, da relevância dos temas e do projeto gráfico muito bem pensado, ao final da leitura tive a sensação de mais do mesmo, como se eu não tivesse lido nenhuma novidade sobre o que foi posto. ¯\_(ツ)_/¯
O primeiro artigo, Breve histórico da ilustração no livro infantil e juvenil, de Rui de Oliveira, foi o que mais me deixou incomodada, por ser um texto de 36 páginas cheio de referências masculinas, enquanto as duas mulheres ilustradoras citadas ocupam apenas um parágrafo. Por mais que não tenha sido a intenção do autor (e eu realmente acredito nisso), já não dá pra deixar passar esse tipo de coisa. É muito desanimador, ainda mais depois da polêmica do Prêmio de Angoulême.
Adiante, O projeto gráfico do livro infantil e juvenil, escrito por Odilon Moraes, traz uma experiência mais pessoal do autor, seguido por As diferentes técnicas de ilustração, talvez o texto mais esperado do livro, mas que me desapontou um pouco também. Não pela sua qualidade, afinal o Alarcão é um dos melhores ilustradores brasileiros da atualidade, mas por me deixar com aquela sensação de já ter lido algo parecido na Revista Ilustrar.
As cores na ilustração do livro infantil e juvenil, da Cristina Biazetto e O que é uma imagem narrativa, da Ciça Fittipaldi foram os artigos que mais gostei, primeiramente, por sentir um alívio ao ler duas mulheres com trabalhos que admiro muito, e também por conter um arcabouço teórico-prático muito consistente, com várias explicações sobre o processo de construção da narrativa visual.
A relação entre o texto e a imagem, de Marcelo Ribeiro e A linguagem visual no livro sem texto, da Marilda Castanha, fecham a proposta do livro, mas de novo senti aquele grande ¯\_(ツ)_/¯. Claro que é uma opinião muito pessoal, baseada na minha leitura e na minha vivência (não comecei a ler texto acadêmico ontem, não). Não vi unidade nos textos, algo comum se você pega esse tipo de publicação, escrita por vários autores. Nem é meu objetivo desmerecer o trabalho de ninguém, acho válido ter cada vez mais discussões sobre o tema, colocadas cientificamente e não só em sites na internet.
Dentre os depoimentos, destaco um trecho da fala da Thais Linhares, a respeito da influência cultural na obra de um ilustrador. Ela diz: "observe como ele [o ilustrador] representa as figuras femininas e terá pistas se ele nasceu antes ou depois do movimento de emancipação das mulheres." Por isso que o seu papo furado não cola comigo, senhor Milo Manara...
Mesmo assim, o livro foi de grande valia para me ajudar na concepção de um trabalho futuro, e serviu para esclarecer algumas ideias que estavam bastante obscuras na minha mente como, por exemplo, o limite entre literalidade e licença poética na ilustração de uma história, seja ela destinada ao público infantil ou adulto.
Adiante, O projeto gráfico do livro infantil e juvenil, escrito por Odilon Moraes, traz uma experiência mais pessoal do autor, seguido por As diferentes técnicas de ilustração, talvez o texto mais esperado do livro, mas que me desapontou um pouco também. Não pela sua qualidade, afinal o Alarcão é um dos melhores ilustradores brasileiros da atualidade, mas por me deixar com aquela sensação de já ter lido algo parecido na Revista Ilustrar.
As cores na ilustração do livro infantil e juvenil, da Cristina Biazetto e O que é uma imagem narrativa, da Ciça Fittipaldi foram os artigos que mais gostei, primeiramente, por sentir um alívio ao ler duas mulheres com trabalhos que admiro muito, e também por conter um arcabouço teórico-prático muito consistente, com várias explicações sobre o processo de construção da narrativa visual.
A relação entre o texto e a imagem, de Marcelo Ribeiro e A linguagem visual no livro sem texto, da Marilda Castanha, fecham a proposta do livro, mas de novo senti aquele grande ¯\_(ツ)_/¯. Claro que é uma opinião muito pessoal, baseada na minha leitura e na minha vivência (não comecei a ler texto acadêmico ontem, não). Não vi unidade nos textos, algo comum se você pega esse tipo de publicação, escrita por vários autores. Nem é meu objetivo desmerecer o trabalho de ninguém, acho válido ter cada vez mais discussões sobre o tema, colocadas cientificamente e não só em sites na internet.
Dentre os depoimentos, destaco um trecho da fala da Thais Linhares, a respeito da influência cultural na obra de um ilustrador. Ela diz: "observe como ele [o ilustrador] representa as figuras femininas e terá pistas se ele nasceu antes ou depois do movimento de emancipação das mulheres." Por isso que o seu papo furado não cola comigo, senhor Milo Manara...
Mesmo assim, o livro foi de grande valia para me ajudar na concepção de um trabalho futuro, e serviu para esclarecer algumas ideias que estavam bastante obscuras na minha mente como, por exemplo, o limite entre literalidade e licença poética na ilustração de uma história, seja ela destinada ao público infantil ou adulto.
Na minha modesta opinião, o livro leva três estrelas. ✩✩✩
Esse exemplar consegui comprar na livraria da minha cidade, acredito que não seja difícil encontrar em lojas virtuais. Mas só invista nele se você realmente deseja se aprofundar no tema da ilustração editorial.
Links bacanas #6
Links bacanas é uma tag permanente aqui do blog, na qual faço uma pequena lista de sites, blogs e outras coisas interessantes que encontro na web.
Muitas pessoas gostam de começar o ano com as famosas resoluções (preciso fazer as minhas) e, em muitos casos, é possível encontrar promessas de produtividade e fim da procrastinação, até mesmo a redução do uso de redes sociais. Mas existem muitas maneiras de usá-las a nosso favor, e uma delas é através dos grupos do Facebook, onde é possível encontrar profissionais dispostos a ajudar você com aquela dica amiga, ou até mesmo a conseguir um freela.
Separei cinco grupos que tratam de ilustração, para você se atualizar e aumentar sua rede de contatos com outros artistas e empresas:
- Bate-papo ilustrado: o principal objetivo do grupo é estimular a troca de conhecimento entre ilustradores e profissionais do mundo das artes. Fique atento às datas de hangouts e eventos que sempre rolam por lá.
- 4forFAN: grupo dedicado à criação de personagens, toda a segunda-feira é proposto um tema diferente (ao estilo Illustration Friday). É muito legal acompanhar os vários estilos e soluções gráficas que aparecem, além de conhecer gente super talentosa.
- Ilustra Dúvidas: criado por um grupo de ilustradoras brasileiras divônicas, o objetivo é esclarecer dúvidas, dar dicas e divulgar trabalhos, tudo com aquele tom intimista e carinhoso que faz to-da diferença no mundo virtual. Muito amor envolvido nesse cantinho.
- Desafios 2Minds: criado para estimular a criatividade, não só através da ilustração. A cada semana é postado um tema diferente, desafiando os participantes a encontrar as melhores soluções.
- 2Minds Lab: nascido a partir do grupo anterior, é um espaço para aprender, discutir e ajudar, através de críticas construtivas, dicas e tutoriais.
Participar de um grupo não exige obrigatoriamente que você entre em todas as discussões e poste uma arte a cada duas horas, tem vezes que o legal é somente acompanhar e absorver informação. Quem conhece outros grupos legais sobre arte e ilustração para participar? Deixe o link nos comentários!
Separei cinco grupos que tratam de ilustração, para você se atualizar e aumentar sua rede de contatos com outros artistas e empresas:
- Bate-papo ilustrado: o principal objetivo do grupo é estimular a troca de conhecimento entre ilustradores e profissionais do mundo das artes. Fique atento às datas de hangouts e eventos que sempre rolam por lá.
- 4forFAN: grupo dedicado à criação de personagens, toda a segunda-feira é proposto um tema diferente (ao estilo Illustration Friday). É muito legal acompanhar os vários estilos e soluções gráficas que aparecem, além de conhecer gente super talentosa.
- Ilustra Dúvidas: criado por um grupo de ilustradoras brasileiras divônicas, o objetivo é esclarecer dúvidas, dar dicas e divulgar trabalhos, tudo com aquele tom intimista e carinhoso que faz to-da diferença no mundo virtual. Muito amor envolvido nesse cantinho.
- Desafios 2Minds: criado para estimular a criatividade, não só através da ilustração. A cada semana é postado um tema diferente, desafiando os participantes a encontrar as melhores soluções.
- 2Minds Lab: nascido a partir do grupo anterior, é um espaço para aprender, discutir e ajudar, através de críticas construtivas, dicas e tutoriais.
Participar de um grupo não exige obrigatoriamente que você entre em todas as discussões e poste uma arte a cada duas horas, tem vezes que o legal é somente acompanhar e absorver informação. Quem conhece outros grupos legais sobre arte e ilustração para participar? Deixe o link nos comentários!
Trabalhando com poucos materiais
Às vezes nossos hábitos acabam nos limitando um pouco. Eu amo misturar materiais com texturas diferentes, é bem comum usar na mesma ilustração: grafite, lápis de cor, marcador, pastel seco, e por aí vai. Porém, esse costume me deixa super desconfortável quando quero sair de casa, por exemplo, e levar material de desenho comigo. Afinal de contas, o que escolher diante de tantas opções?
Dando continuidade aos estudos que venho realizando, tentei reduzir o número de itens na hora de trabalhar. Separei um estojo pequeno e me limitei a colocar ali o essencial. Detalhe: sem lápis e borracha! Não condeno o uso de borracha, como outras pessoas, não acho que tenha alguma coisa errada com isso. O problema é achar que só vai ficar realmente bom se o traço estiver super limpo.
A partir daí, comecei minha jornada, sabendo que precisaria misturar aquarela se quisesse tons diferentes, que se errasse a proporção, o risco não poderia ser apagado da folha, que se a tinta manchasse, as marcas ficariam no papel. E para uma pessoa cricri e certinha como eu, essa é uma experiência valiosa e altamente recomendável.
Os materiais que fazem parte da minha rotina, atualmente, são:
- Sketchbook para aquarela tamanho A5;
- Aquarela em pastilha (das marcas Koh-I-Noor e Winsor & Newton);
- Caneta esferográfica nas cores: rosa, azul, roxo, verde;
- Pincel com reservatório;
- Caneta multiliner 0.5 ou marcador permanente preto;
- Caneta branca.
O que trabalhar com material reduzido me ensinou: que nem toda limitação é ruim e que existe valor e beleza nos "erros". Claro que essa é uma experiência muito pessoal, como tudo que coloco aqui. Não estou obrigando os leitores a, a partir de hoje, usar somente um tipo de material nos seus estudos, cada pessoa é livre para experimentar o quanto quiser, e se não se sentir bem trabalhando apenas com caneta, por exemplo, fique à vontade para cercar-se de coisas que garantam a boa execução do seu desenho. O importante é ser feliz, sempre. :)
O próximo passo é trabalhar com grafite numa só graduação, sem auxílio de esfuminho e borracha. E reduzir a paleta de cores das ilustrações, exercício que a Juliana Rabelo faz muitíssimo bem.
Beard
Quem me acompanha sabe que não costumo desenhar muitos homens, meu universo visual é bastante feminino. Por isso, sempre é um exercício interessante ter que deixar de lado características marcantes do meu traço como, por exemplo, os grandes cílios, e tentar novas soluções.
Como havia usado pouco esse papel da Arches, que por sinal é ótimo, resolvi finalizar um desenho que já apareceu aqui. Procurei não colocar a pressão que, geralmente, me imponho na hora de trabalhar com um material mais caro. E fiquei bem feliz com o resultado.
Como havia usado pouco esse papel da Arches, que por sinal é ótimo, resolvi finalizar um desenho que já apareceu aqui. Procurei não colocar a pressão que, geralmente, me imponho na hora de trabalhar com um material mais caro. E fiquei bem feliz com o resultado.
Materiais utilizados:
- Papel Arches Grain Satiné 300g, 100% algodão;
- Aquarela em pastilha Koh-I-Noor;
- Pincel com reservatório Pentel, ponta média;
- Multiliner Copic;
- Posca branca e dourada para os detalhes.
Ainda pretendo resenhar essas aquarelas da Koh-I-Noor, por serem excelentes e com uma relação custo-benefício muito boa. Também quero falar sobre o pincel com reservatório da Pentel. Minha experiência anterior era com o da Sakura (que vem no estojo das aquarelas Koi), e ele entope muito, ao contrário desse, que tem uma performance melhor.
Gostaria de avisar que a temporada de encomendas de 2016 está oficialmente aberta, então, quem tiver interesse em contratar os meus serviços em ilustração para web, editorial, dentre outros, é só encaminhar um e-mail para lidiane@lidydutra.com e solicitar um orçamento, sem compromisso.
Gostaria de avisar que a temporada de encomendas de 2016 está oficialmente aberta, então, quem tiver interesse em contratar os meus serviços em ilustração para web, editorial, dentre outros, é só encaminhar um e-mail para lidiane@lidydutra.com e solicitar um orçamento, sem compromisso.
No sketchbook #3
De volta com o post sobre meus experimentos no sketchbook! Acho que o último foi em setembro, porque tivemos Inktober, desafio que me fez usar os caderninhos todos os dias, e depois disso dei uma parada, para entregar os últimos trabalhos de 2015.
Como contei nas minhas inspirações de janeiro, tenho experimentado muitas esferográficas e aquarelas, fortemente influenciada pelo trabalho da Niki Buckno (sigam o canal dela). Aproveitei o recesso do final de ano para me concentrar nesses estudos, que não tinham uma finalidade declarada, eram apenas exercícios que, ao meu ver, deram certo.
Já disse anteriormente que uma das minhas maiores dificuldades é deixar os exercícios dos sketchbooks com cara de inacabados, não me preocupar em fazer as coisas tão certinhas. Apesar de ser uma entusiasta de esboços altamente rabiscados, hachurados e cheios de "linhas cabeludas", o sketchbook ainda era um espaço permeado pela ideia de que deveria ser bonito e agradável visualmente, nada de ser desleixada. Ainda bem que consegui reverter essa situação!
Acredito que muito dessa ideia de ter que ser bonito vem do uso das redes sociais (calma, não estou dizendo que é certo ou errado) e do espelhamento no trabalho dos demais. É um exercício de constante desconstrução entender que o meu desenho é uma coisa, o dos outros artistas, é outra. Nenhum deles é melhor ou pior.
Com as canetas esferográficas rosa e azul bebê (linha Bic cristal, como dá pra ver na foto anterior), fiz o traçado inicial, e joguei aquarela por cima. Eu nunca, nunca gosto de deixar o rascunho aparecendo, tenho todas as espessuras de borracha possíveis para apagar as marcas do lápis. Como disse, vem dessa minha falta de capacidade em perceber, no meu próprio trabalho, que o "esqueleto" pode estar à vista, e pode ser belo e complementar a figura. Esse tom de rosa mescla muito bem com a tinta.
Finalizei com multiliner e Posca branca, e me surpreendi com o resultado. Os seguidores do Insta e do Face também, e logo comecei a receber mensagens se o desenho estaria na lojinha hahaha. Por isso, decidi tratar a imagem e disponibilizar lá no Colab55.
Continuando com os experimentos, me arrisquei até nos animais, apesar do cavalo ficar com cara de pônei maldito. Todo amor do mundo pelo sketchbook da Miolito, que já está quase acabando e deixando um vazio profundo no meu peito.
Este aqui também está lá no meu studio no Colab55, e tem a mão patinha do Bruce Wayne, o gatinho mais totoso do meu coração, que ficou passeando por cima de mim enquanto eu desenhava. Aquarela e gatos = muito amor envolvido!
Um pouco do processo do cavalinho mágico e da mocinha abaixo. Predileção natural por cabelos coloridos. E rostos, sempre.
Fan art da Princesa Mononoke e personagem livremente inspirada na Leeloo de O Quinto Elemento. Eu já estava com o post finalizado quando fiz esses dois, mas decidi incluí-los de última hora.
E também inclui essa homenagem ao David Bowie. :'(
Foram ótimos exercícios para soltar a mão e testar coisas novas, quero continuar fazendo isso e treinar mais gestual e anatomia, lançando mão desses materiais. Falando neles, já preparei outro post sobre como tem sido pra mim, uma usuária de técnica mista, trabalhar com um número reduzido de itens.
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