Lidiane Dutra
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Portfólio

Irmãs Owens 🌙


"Meu bem, quando vai entender que ser normal não é necessariamente uma qualidade?"
Um dos filmes que mais amo na vida é Da Magia à Sedução (1998), pela história, pelo clima aconchegante da casa das tias, e por usar a bruxaria para falar sobre feminismo, apoio entre mulheres e relacionamento abusivo de uma forma rara para a época. Tem um texto da Isabelle para o Delirium Nerd que fala bastante sobre essa questão.

Recentemente, consegui completar a trilogia de livros da Alice Hoffman na qual o filme se baseia (As regras do amor e da magia; Da magia à sedução e O livro de magia), mas ainda não a li.  Minha ideia era fazer uma série de ilustrações para o Halloween do ano passado com personagens de filmes icônicos, e comecei com as irmãs Sally e Gillian Owens, ainda em setembro. Mas o destino colocou um luto no meu caminho, e deixei a line art adormecida desde então. Só agora me senti confortável para retomar o último desenho inacabado antes do meu pai falecer.


Esse trabalho foi feito com lápis de cor escolar e canetas metálicas. A princípio, eu usaria aquarela, mas achei que o lápis de cor se adequaria melhor aos testes de cores que fiz anteriormente. Aqui, me apoiei bastante nos estudos de coloração pessoal (passo horas vendo isso no Instagram) para construir as figuras de Gillian e Sally - a primeira mais quente e intensa; a segunda mais serena e invernal. A composição do fundo tem as velas e a lua, numa noite estrelada em homenagem ao Van Gogh. O aspecto todo da ilustração capta uma aura de carta de tarô, com diversos elementos e interpretações, e isso é o que mais gosto nela.


Materiais utilizados

  • Papel para desenho 180g;
  • Lápis de cor super soft Faber-Castell e Staedtler;
  • Canetas metálicas e nanquim Staedtler.


Também tem vídeo mostrando um macete que faço desde sempre com meus trabalhos em lápis de cor: polimento! Pego um pequeno pedaço de papel higiênico ou toalha e fricciono gentilmente em movimentos circulares sobre o desenho, com cuidado para não borrar as cores, retirando a poeirinha do lápis e conferindo um aspecto polido e brilhante ao desenho. Fica muito bonito e pode ser feito com lápis escolar. Assista no Instagram ou no TikTok.

via GIPHY

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Processo criativo

Ateliê 🏡

 

Já fazem dois anos que me mudei, que agora tenho um espaço em casa para criar logo agora que não tenho tempo, para organizar melhor meus livros e objetos, para deixar do meu jeito. Esse espaço, um mezanino ensolarado e quentinho, que ainda está no contrapiso, pois eu queria um chão de cimento queimado que simplesmente não aconteceu, já foi bastante modificado nesses dois anos e, embora eu mostre um pouco dele no Instagram, ainda não tinha me dedicado a falar sobre ele, como já falei de outros espaços, que aconteciam basicamente dentro do meu quarto, na casa dos meus pais.



A última organização fotografada (sim, já mudou alguma coisa) foi no final de maio, e as fotos ficaram guardadas no celular, esperando "o momento certo". Só que esse momento é idealizado e pode nunca chegar, então resolvi postar nesse recesso escolar, que é quando tenho tempo de me dedicar a qualquer coisa que não seja escola. A foto acima é uma vista geral do meu canto (o outro canto é do Antonio, com o computador e as coisas dele), no meio entre as duas janelas está minha estante com livros e o sofá antigo da sala.



Durante a pandemia, experimentei outras disposições de mesas, com uma pequena escrivaninha que usava para apoiar o notebook. Mas majoritariamente, ambas as mesas ficavam de frente para as paredes, o que me dava uma sensação de bloqueio muito grande. Resolvi, então, comprar uma mesa ampla para desenho, e deixar a escrivaninha com gavetas para apoiar o computador (e a impressora também). Acabei puxando essa nova mesa mais para o meio do recinto, abrindo espaço para as ideias e formando um pequeno cenário com os livreiros atrás (um eu já tinha, os outros dois o Antonio fez para mim).



O sol que entra é maravilhoso, mas também já tenho muitos livros com a lombada desbotada, preciso sempre correr as cortinas para evitar problemas. A costela-de-adão que ficava na sala foi trazida para cá, dando vida e colorido para um ambiente sem plantas. O que tem me incomodado mesmo é esse móvel à esquerda, que era do meu antigo quarto. É uma cômoda com cara de... quarto rsrsrsrs. Mas ainda não consegui trocá-la.



Os livros desses livreiros são sobre educação, artes, livros infantis para contação de histórias e o terceiro são meus livros sobre bruxaria, paganismo e afins, além dos boxes de sagas. Como são os assuntos que mais acesso, preferi deixá-los mais à mão, mas também mais expostos, infelizmente. Dentro da estante ficaram os demais títulos, HQs, art books, livros em capa dura... E na mesa de desenho, apenas o necessário e uma ring light para dar uma forcinha na hora de desenhar.



Lembrem de ter um apoio para os pés, a coluna agradece! Essa cadeira de boteco fica aí só para os gatos sentarem, eu sempre puxo a outra cadeira quando preciso desenhar ou estudar nessa mesa. E sim, no verão isso aqui vira uma fornalha, de tão quente. Mas como é um ambiente aberto, fica impossível colocar um ar condicionado sem ter que vender a alma para a CEEE-Equatorial. Me viro no ventilador mesmo.




Alguns detalhes que amo, bem vida real, com mofo, pó acumulado e sujeira. Eu não editei nenhuma dessas fotos, só aproveitei a luz e apontei o celular. Tem furo na parede, tinta caindo, piso quebrado e quilos de poeira e rastro das patas dos meus gatos, porque sim. E é isso que faz uma casa, que faz um espaço de trabalho. Não é a perfeição, nem coisas caras ou fotografáveis, mas aquilo que dá vida e sentido ao lugar que se escolheu morar. Eu me considero extremamente privilegiada por ter um teto todo meu, um teto muito sonhado, durante tantos anos. Mas sempre faço questão de afirmar que não é o lugar, nem o material, que faz um artista, e outra coisa que tenho aprendido é que também não é a quantidade de tempo, mas sim a qualidade quando nos propusemos a criar.


Eu andei bastante afastada da escrita no blog, nos últimos meses só vinha aqui como uma espécie de repositório dos meus trabalhos, mas também é sempre bom reforçar que não, os blogs não morreram, e que espaços assim têm esse caráter quase místico de pausas e recomeços. Mas nunca de fim. Tem espaço para todo mundo, texto e imagem não vão desaparecer só porque todos estão fazendo vídeo (vide as newsletters, que voltaram com tudo). Então é nesse espaço indexado bonitinho no Google, livre da pressão dos algoritmos, que sempre voltarei para me expressar. A única coisa que mudou foi o encerramento da caixa de comentários, pois eu vinha sofrendo muito com spam. Assim que achar uma maneira de melhorar, reabro a caixa. Enquanto isso, quem quiser me mandar uma mensagem, pode usar o bom e velho e-mail, que também não morreu.


Até! 🐈

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Portfólio Processo criativo

Hekate Phosphorus [versão 2022] 🗝️🔥


Em 2019 eu fiz uma representação de Hekate que gostei/ não gostei da finalização. Gostei por ter trabalhado em aquarela, e não gostei porque alguma coisa ali na área de baixo da composição não ficou 100%. Eu já tinha feito uma representação em 2016 que havia gostado muito, muito mesmo. Acho que nenhuma se compara a primeira, pois foi bastante espontânea, do jeito que gosto de trabalhar com o lápis.


Porém, dia desses, resolvi voltar na ilustração de 2019 e, num acesso de racionalidade e desapego pouco visto antes, taquei a tesoura no papel, sem dó nem piedade. Recortei toda a figura, as tochas, as luas... Fui aparando o cabelo e a composição, arrumando o que estava torto e rearranjando a posição da figura até deixá-la do jeito que imaginei. 


Colei tudo cuidadosamente no papel cinza, fiz os acabamentos com caneta e, acima, está o resultado. Hekate da maneira que acredito que essa ilustração deveria estar desde o início. Parece que ela sempre foi assim. Esse processo me ajudou muito a trabalhar o desapego, visto que três dos meus trabalhos agora fazem parte do acervo da Otroporto, e eu estava com dificuldade em dizer "adeus" para eles. 


Librianos costuma ter dificuldades em tomar decisões, principalmente quando se encontram em encruzilhadas e precisam escolher um caminho. Voltar atrás e olhar para o passado, para então projetar o futuro, tem sido o que ajuda a me direcionar (o famoso dar dois passinhos para trás, para então seguir em frente).


E esse movimento de retornar aos trabalhos antigos está me ajudando demais a enxergar o quanto já fiz coisas boas, só preciso valorizar minha trajetória e sempre, sempre seguir adiante.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Folhagem 🌿

 


Depois de muitos anos ilustrando somente em, no máximo, tamanho 24 x 32 (que é o tamanho dos blocos de aquarela que tenho), resolvi comprar novamente um bloco A3 para fazer exercícios de pintura, depois que meu projeto para a Otroporto foi aprovado (falarei mais disso em outra oportunidade). A minha preferência sempre vai ser por tamanhos menores, por questão de gosto, mas acho importante estar aberta a mudar o formato, de vez em quando.

Aproveitei para fazer algumas folhagens de costela-de-adão e testar algo mais decorativo, que não exigisse muita pesquisa ou precisão; que tivesse graça justamente no desprendimento.



Esse foi um dos últimos trabalhos que fiz ainda com essa configuração de espaço de trabalho, mudei tudo algum tempo depois (vou mostrar isso em detalhes tbm em algum momento).



Não usei papel próprio para aquarela, trabalhei num Canson 180g normal, por isso enrugou um pouco, o que não me incomodou, pois como disse, o foco era o desprendimento do perfeitinho.



Gostei tanto das minhas folhagens que decidi comprar uma moldura (também baratinha e também muito simples), e colocar esse trabalho na parede do meu quarto. Para que eu me lembre que preciso de tempo para me dedicar à arte, pois ela me rende belos frutos, que aquecem meu coração.


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Portfólio

Rosto #02 🔥

 


Desenho rápido feito com um dos meus materiais favoritos, que nunca falha: lápis grafite. Aqui, usei graduações de 2B a 9B, além de lápis de cor e marcador metálico. 



Materiais utilizados

  • Lápis grafite Lyra 2B, 4B e 9B;
  • Esfuminho Derwent;
  • Caneta gel metálica Pentel.
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Portfólio

Rosto #01 🔥

 


Desenho rápido feito com um dos meus materiais favoritos, que nunca falha: lápis grafite. Aqui, usei graduações de 2B a 9B, além de lápis de cor e marcador metálico. Gostei bastante desse resultado, às vezes é nas coisas mais simples que encontramos beleza e satisfação.



Materiais utilizados

  • Lápis grafite Lyra 2B, 4B e 9B;
  • Esfuminho Derwent;
  • Lápis de cor Albrecht Durer Faber-Castell;
  • Caneta gel metálica Pentel.

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Chama Violeta 💜

 

Card feito alguns meses atrás, com postal para aquarela da Hahnemühle que ganhei da Sabrina, aquarelas White Nights e um pouco de canetas e aquarelas metálicas.

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Projetos

Nas águas de março: oficina gratuita e mais 🌊


Em comemoração ao primeiro aniversário da Zine Marítimas (hoje completa um ano do lançamento do primeiro volume, aliás), o mês de março está sendo dedicado a um ciclo de oficinas e conversas totalmente gratuitas, tudo idealizado pela equipe de editoras Suellen Rubira e Ju Blasina. Ano passado, ao final do primeiro volume, acabei me retirando da editoria, pois estava soterrada de trabalho e não conseguia dar a atenção que o projeto merecia. Agora, me dedico a participações esporádicas, quando sinto que posso conciliar as atividades sem entrar em exaustão.

E é com muito carinho que participo de três frentes nesse mês comemorativo: a primeira é a Exposição Zine Marítimas, que tem percorrido diversos espaços da Universidade Federal do Rio Grande - FURG, dentre eles, o meu local de trabalho, o CAIC, que abriga a EMEF Cidade do Rio Grande, na qual estou professora dos 6° e 9° anos, e também uma das coordenadoras pedagógicas dos Anos Iniciais. Tem sido importante conectar as coisas por aqui, saber que posso coexistir enquanto artista e professora, e que em alguns momentos uma dessas funções vai falar mais alto, mas sempre mantendo espaço para a outra se manifestar. Os registros das exposições podem ser conferidos no Instagram da Zine.


Já no dia 02 de abril, às 19h, haverá uma oficina online e gratuita comigo, sobre Produção artística & algoritmos: mulheres e o fazer arte em tempos de internet. Nessa oficina eu não vou dar dicas sobre engajamento ou qualquer pataquada coach. Vou partir da minha própria experiência de 12 anos mostrando meu trabalho na web para tentar analisar como as redes sociais, a exposição e a necessidade cada vez maior de visualizações e engajamento têm impactado a produção artística feminina - para o bem e para o mal. Será uma oficina em tom de conversa, bastante acolhedora e para refletir sobre o momento atual. As inscrições serão divulgadas no Insta da Zine.

Por fim, no dia 09 de abril, às 19h30min, Ju, Su e eu faremos uma live de encerramento, comentando o filme A Filha Perdida, lá no insta da zine. Desde já sei que estará maravilhoso, e todes estão convidades.

Outras atividades também estão ocorrendo já a todo vapor, como oficinas e conversas com autoras, entrevistas e muita informação, que vocês podem acessar em @zine.maritimas. Em seu primeiro ano, a zine já publicou em torno de 80 autoras, muitas delas pela primeira vez, e tem se tornado referência no cenário das publicações independentes, com participações programadas também para a próxima Feira do Livro da FURG, que acontecerá em maio.
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