Lidiane Dutra
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Dicas Livros Reflexões

Minha opinião sobre os livros para colorir, 10 anos depois


Há dez anos atrás Jardim Secreto virava uma frebre mundial, com milhares de exemplares vendidos. Na época, diversas pessoas tomaram conta do YouTube e do Instagram, as principais redes sociais naquele momento, ensinando como colorir os livros para colorir, mostrando canetinhas diversas (as mais famosas eram as Copic e as Chameleon, que mudavam de cor conforme eram pressionadas) e ensinando as técnicas "corretas" para cobrir peles, paisagens, flores, dentre outros.


Os livros para colorir causaram um alvoroço e, depois de Jardim Secreto, a autora Johanna Basford lançou uma leva de outros títulos explorando mundos mágicos (exceto sobre Halloween pois, segundo ela, não se sentiria confortável em desenhar coisas assustadoras para compor um livro). Também vieram na esteira desse sucesso muitos títulos semelhantes, de mandalas a gatos psicodélicos, passando por obras de arte para colorir e oceanos cheios de tesouros.


Naquela época, fui indagada sobre o que eu achava desses livros, e a minha resposta foi: acho o máximo. Tomando como exemplo Jardim Secreto, era um livro com ilustrações extremamente elaboradas, e requeria da pessoa o desenvolvimento de um senso estético para preencher as composições. Fiz algumas páginas para colorir com ilustrações minhas e, recentemente, montei outro mini e-book com mais alguns trabalhos, e com a mesma proposta.

O que me chateava já lá atrás era a quantidade de gente que brotou do rejunte querendo ensinar técnicas para as pessoas, que só desejavam dar uma pausa e, talvez, recordar a infância, quando também coloriam livros da Barbie e de personagens de filmes e desenhos. Também começou um consumismo desenfreado por lápis e canetinhas profissionais, materiais caros e que servem a outras propostas. Tudo virou uma corrida para mostrar a quantidade de coisas que as pessoas compravam, e teve gente que se endividou em nome desse hobby.

Recentemente, percebi uma movimentação estranha nas estatísticas da postagem na qual dou a minha opinião, de maio de 2015. Em algumas semanas, ela foi simplesmente a postagem mais acessada do blog. Novamente o interesse sobre o assunto cresceu, levantado agora pelos Bobbie Goods. Para a minha surpresa, me deparei com alguns vídeos no TikTok que usavam meu texto como roteiro, me fazendo lembrar aquele gosto amargo do plágio que tanto vivenciei nos 15 anos desse espaço. 

Por isso, resolvi refrescar minha opinião sobre os livros de colorir para adultos. Continuo achando a proposta excelente, mas alguns pontos chamaram minha atenção nessa nova leva de livrinhos:

Infantilização das narrativas: se antes tínhamos ilustrações intrincadas e complexas composições, os livros de colorir atuais apresentam uma infantilização de suas narrativas, substituindo os mundos mágicos elaborados por ursinhos em atividades aconchegantes em suas casinhas. É como se tivéssemos realmente retornado aos livros para colorir da infância, só que dessa vez em folhas de 180g próprias para marcadores a base de álcool.

Não tenho nada contra pintar Bobbie Goods, até comprei um similar. Só achei peculiar essa simplicação dos livros, efeito talvez da massificação e da rapidez trazidas com o TikTok (sempre ele) e com algoritmos contruídos para dar uma experiência cada vez mais individualizada para o usuário, o colocando dentro de uma bolha. Acho curioso como a complexidade das mandalas foi substituída por cenários extremamente simplificados, compostos por céu, casa, chão, urso... É como se até mesmo aquilo que foi feito para um momento de pausa não devesse nos tomar muito tempo, sendo colorido com a maior rapidez possível, o que nos leva ao próximo tópico.

Performance para consumo rápido: se há 10 anos atrás os cenários já eram montados para a performance, agora isso escalonou. É preciso mostrar quantas páginas foram coloridas e como elas foram criativamente preenchidas com cores e texturas; é preciso catalogar as texturas encontradas; é preciso ensinar a sobrepor luz e sombra nas cenas; é preciso ter uma placa muito específica para colocar embaixo da folha, evitando que a tinta passe para o outro desenho; é preciso acelerar o vídeo 2x para mostrar como somos produtivos em nossos hobbies. Fora isso, as canetas do momento são as Touch ou as Ohuhu, que são importadas e caras, junto aos lápis de cor com todo tipo de efeito possível. Toda a performance do colorir é voltada para a rede social, para o desejo e para o consumo. Há quem vai colorir porque realmente quer, e há quem vai vender o desejo não só pelo livro, como pelo material, pela mesa, pelo quarto milimetricamente pensado para aparecer no vídeo, pela luminária, pelo telefone. É doentio e sintomático de uma sociedade em recessão econômica, na qual as narrativas estão cada vez mais conservadoras.  

Uso de IA para baratear custos e surfar no hype: se antes as editoras tinham que recorrer aos bancos de imagem para elaborar um livro para colorir às pressas, hoje é só dar um comando para a inteligência artificial gerar uma infinidade de ilustrações, que podem ser impressas e publicadas em questão de dias. São imagens que emulam os Bobbie Goods e também qualquer outra coisa que seja relevante o suficiente para alguém obter lucro com ela. Os direitos autorais não importam, o que importa é o dinheiro que se pode ganhar com isso. De editoras grandes a pequenos criadores que enxergam nesses livros gerados por IA uma oportunidade de renda, vamos engrossando o caldo das imagens massificadas e não fazendo os debates que precisamos sobre as implicações éticas, ambientais e estéticas dessas novas tecnologias.

Livros para colorir de artistas que recomendo


Mini e-book para colorir: ano passado lancei um mini e-book com poucas ilustrações, pois já lancei várias páginas para colorir ao longo do tempo e as disponibilizei gratuitamente. Esse e-book foi feito com a exposição Trívia em mente, para quem gosta de figuras femininas poderosas.



Wildflower Folk, da Christine Karron: descobri esse livro nas minhas andanças pela Amazon e achei uma pérola. Talvez eu nunca tenha coragem para colorir essas páginas, pois elas já são por si só uma obra de arte. A Christine está lançando outro livro de colorir, então vale a pena acompanhar o trabalho dela.

Wildlings, da Clarissa Paiva: a Clarissa é uma artista brasileira com um traço lindo e mágico, e o seu livro de colorir foi lançado em 2021. As ilustrações, assim como as da Christine Karron, são maravilhosas mesmo sem colorir, a vontade é de emoldurar todas.

31 bruxas para colorir, da Carol Rempto: esse é para quem curte personagens de terror fofos, com 31 desenhos de bruxas. Dá pra colorir um desenho por dia, numa espécie de desafio ao estilo Inktober.

Floriography Coloring Book, da Jessica Roux: para quem gosta do livro Floriografia, ele possui uma versão para colorir (ainda não traduzida). O diferencial desse livro é que na página ao lado está a ilustração completa com cores, que serve como uma espécie de guia.

Não são de colorir, mas inspiram a criar




Painting Calm, da Inga Buividavice: outro livro que achei na Amazon ao acaso, Painting Calm tem uma proposta slow, com aquarelas inspiradas nas cores e formas da natureza. É um livro com atividades tanto para principiantes quanto pessoas experientes em aquarela, feito para desestressar e ampliar o repertório imagético.



Watercolor with me in the forest, da Dana Fox: esse livro é todo feito em papel para aquarela com excelente gramatura, suportando muitas camadas de tinta e água. Traz ilustrações mágicas, inspiradas na natureza, e também o risco do desenho, para que a pessoa foque em aquarelar, de acordo com as guias apresentadas.

Uma coisa é certa: temos a necessidade de criar algo e, seja através de livros para colorir, para desestressar ou para aquarelar, o importante é que cada um procure aquilo que o faz feliz e bem, não só porque está na moda, dá status ou visualizações. Se o desejo é movido pelo consumismo ou pela ideia de "não ficar para trás" numa modinha, pense duas vezes antes de gastar dinheiro com livros, canetas e lápis.

*Os links para os livros das artistas mencionadas não são patrocinados.

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Dicas Livros Reflexões

Modos de ver, de John Berger

 


Pense num livro que oferece uma visão totalmente disruptiva sobre arte e suas relações com a publicidade e com o capitalismo? Modos de ver é um livro originado a partir da série homônima de 1972. Embora mais de 50 anos separem o lançamento da obra da minha leitura, esse é um daqueles livros atemporais, e que merecem ser relidos de tempos em tempos. Custei a trazer uma impressão aqui, pois foi muito difícil colocar em palavras o tanto que esse livro me impactou, e o quanto eu ansiava por um texto tão incisivo e ao mesmo tempo tão irreverente.


Lá em junho do ano passado eu já tinha publicado um texto reflexivo sobre arte, IA e lifestyle, sobre o que o público espera ver de um artista na internet - não os seus métodos, ou os seus materiais, mas sim a aesthetic da sua vida e quanto isso agrega de valor ao ser consumido. E alguns meses mais tarde, ao ler John Berger, senti que minha linha de pensamento tinha algum fundamento. Vou colocar abaixo a sinopse da editora e em seguida minhas partes favoritas:


Nestes ensaios clássicos baseados na série televisiva inglesa Modos de ver, exibida em 1972, John Berger revoluciona a crítica de arte ao apontar as estruturas de poder presentes no processo de criação de imagens. Se hoje, cinquenta anos após a escrita deste livro, ainda é preciso reforçar que “uma imagem é a recriação ou a reprodução de uma visão” — ou, como afirma Djaimilia Pereira de Almeida em seu prefácio, que devemos encarar “a visão enquanto vivificação e a observação da arte como paralela à observação da vida” —, a leitura de Berger, essencial em tempos de propagandas por toda parte, se faz mais urgente do que nunca.


O primeiro texto parte da pintura a óleo, técnica consagrada pela arte europeia. Após a reprodutibilidade técnica, tornou-se possível ver trabalhos a óleo fora dos castelos, igrejas e residências privadas a que se destinaram um dia, e, isolados de seu contexto original, eles circulam pelo mundo sem serem de fato compreendidos. Quando se instituiu que eram obras de arte, esses trabalhos passaram a ser interpretados — e mistificados — segundo pressupostos como beleza, verdade e genialidade, os quais eram ditados pelo modo de ver específico de uma minoria social no poder.

Em outro ensaio, John Berger aborda a representação da mulher na arte ocidental, apreendendo de que maneiras na tradição do nu o corpo feminino se tornou objeto a serviço do olhar masculino. Com perspicácia, o autor afirma que o protagonista de um nu jamais é mostrado: ele é o espectador diante do quadro, para quem as “figuras assumem a sua nudação”. Berger esmiúça, ainda, as naturezas-mortas, que em seu auge expunham objetos extorquidos por feitorias escravocratas. E não se priva de olhar para o impacto da publicidade no século 20, expondo como ela se vale da tradição artística para explorar os impulsos consumistas de quem a observa.

Coletivo, emancipatório e com toda a vitalidade da insurreição social dos anos 1970, Modos de ver é um tratado contra o sequestro do olhar pela imagem na sociedade capitalista e um alerta para a linguagem não verbal.
A própria sinopse já entrega vários pontos interessantíssimos, e tentar ir além aqui é chover no molhado. Então, trago os pontos que mais me impactaram e me fizeram pensar (e me tiraram o sono):

A reprodutibilidade técnica

Logo no primeiro capítulo, o autor vai trazer uma reflexão atualizada acerca da reprodutibilidade de imagens (Walter Benjamin) e o quanto as reproduções de obras (Monalisa, por exemplo), se tornam elas mesmas referenciais, a partir do momento que são postas ao lado de outras imagens. Berger faz uma crítica à noção de patrimônio cultural nacional, que está amparado numa noção de autoridade da arte.
A arte do passado não existe mais da forma como existia. A sua autoridade está perdida. Em seu lugar, há uma linguagem de imagens. O que importa, agora, é saber quem utiliza essa linguagem e para quais fins. Isso envolve questões de direitos autorais de reprodução, controle de gráficas e editoras de arte, a totalidade da política de programação de galerias e museus de arte públicos. (...) Um povo ou uma classe alienada de seu próprio passado tem muito menos liberdade para fazer escolhas e agir como povo ou como classe que outros capazes de encontrar seu lugar na história. É por essa razão - e só por ela - que toda a arte do passado se tornou agora uma questão política. (p. 46)

Sobre nudez e nudação

Sabe aquele artista que sempre representa o corpo nu, principalmente o feminino, com um toque fetichista e que causa um incômodo que muitas mulheres, ao ver a obra, não sabem dizer de onde vem? Aqui nós temos uma explicação muito contundente (vinda de um homem branco europeu, a ironia). Berger fala que a mulher nasce num espaço pré determinado socialmente, e é acompanhada pela sua autoimagem durante toda a vida. A mulher vive em constante vigília sobre seus atos, principalmente em relação aos homens. "Homens olham para mulheres; mulheres observam a si mesmas sendo olhadas." (p. 58)

Vergonha, vaidade, julgamento e submissão são expressados em nus femininos a partir da história de Eva, dentro da tradição europeia; nus que possuem como protagonista não o corpo desnudo, mas o espectador, geralmente um homem, que olha para ele (modelo e obra) como senhor e dono dessa propriedade. A partir disso, Berger traz os conceitos de nudez e nudação, dentro da tradição pictórica europeia: nudez é estar desnudo, o nu é uma forma artística. Estar desnudo é algo natural, fazemos para tomar banho, por exemplo. Estar nu é ser visto desnudo por outros e se tornar um objeto por isso.

A pintura a óleo

A pintura a óleo que Berger fala não é apenas a técnica, mas sim a forma de expressão artística que se desenvolveu no período de ascensão do capitalismo, e que exigia semelhança pictórica, para que o colecionador pudesse legitimar suas posses através da arte. 
A pintura a óleo teve sobre as aparências o mesmo efeito que o capitalismo teve sobre as relações sociais.  Reduziu tudo ao padrão nivelador dos objetos. Tudo se tornou permutável porque tudo se tornou mercadoria. Toda realidade era medida mecanicamente por sua materialidade. (p. 101)
O mesmo vai acontecer com as naturezas-mortas, que se tornaram a tradução visual das grandes propriedades de terra, encomendadas pelos seus senhores para novamente mostrar um marcador de classe social. Dá vontade de sair correndo e gritando depois de ler esse capítulo.

Imagens publicitárias

Já as imagens publicitárias se valem desses elementos da tradição europeia para nos vender uma vida que não achamos que precisamos ter, mas que o capitalismo tardio nos faz acreditar que sim, precisamos. Elas criam necessidade de consumo.
A publicidade tem sempre em vista o futuro consumidor. Oferece-lhe uma imagem de si mesmo tornada atraente pelo produto ou pela oportunidade que ela procura ven-der. A imagem o induz a invejar a si mesmo tal como ele poderia vir a ser. No entanto, o que torna invejável essa "pessoa que ele poderia vir a ser"? A inveja alheia. A publicidade não tem a ver com os objetos, e sim com as relações sociais. Não é o prazer que ela promete, e sim a felicidade: a felicidade tal como vista do ex-terior, pelos outros. O glamour é a felicidade de ser invejado. (p. 150)
Depois de ler essa paulada, não cheguei a nenhuma conclusão, apenas a reflexões que vão se intensificando através das minhas vivências e do próprio curso da história, vide o que estamos observando acontecer com a moderação de conteúdo em redes sociais e toda a narrativa criada em períodos eleitorais, por exemplo. Ter consciência de toda essa trama é assustador, a vontade é largar tudo e sumir do mapa, mas é extremamente necessário para um artista engajado em seu tempo. Afinal, nossa arte serve a quem?

5★
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Dicas Livros

Como Ser Artista, Jerry Saltz


Como ser artista foi meu segundo livro lido da Editora Seiva. O primeiro, Arte e Medo, li em maio do ano passado e gostei bastante. Já essa leitura foi bastante afetada pela minha percepção, pois foi logo após ler o excepcional Modos de Ver, de John Berger, que pretendo falar em breve. Então, custei a entrar na ambientação do livro, mas depois que isso aconteceu, gostei bastante da experiência.

Como ser artista foi escrito pelo crítico de arte Jerry Saltz e é dividido em 63 pequenos capítulos, que geralmente não chegam a uma página, como se fossem "pílulas" para artistas. Esses 63 capítulos estão subdivididos em "passos": Você é um completo amador; Como começar de fato; Aprenda a pensar como artista; Entre no mundo da arte; Sobreviva ao mundo da arte; Conquiste um cérebro galático. 

Saltz, por ser crítico de arte, fala com bastante acidez e assertividade sobre o mercado de arte e o cinismo que permeia as relações desse meio, sem romantizá-lo. Esse foi um dos pontos que mais gostei e, de certa forma, me lembrou um livro de ficção que também li ano passado, chamado Meu ano de descanso e relaxamento, de Ottessa Moshfegh, no qual a protagonista trabalha numa galeria e convive com pessoas medíocres, mas com muito QI e investimento.

Quero destacar alguns quotes que me impactaram e que levei pra vida:
Cada obra de arte é uma paisagem cultural do artista, feita de suas memórias, dos momentos que passou trabalhando, de suas esperanças, energias e neuroses, da época em que vive e de suas ambições. Das coisas que são envolventes, misteriosas, significativas, resistentes ao tempo. p. 19

Recentemente eu estava olhando uma série de tediosas fotografias de nuvens em preto e branco quando um galerista se aproximou para me informar que "Essas são imagens de nuvens sobre a cidade de Ferguson, no Missouri. Elas falam sobre protestos e violência policial". Eu me irritei. "Não falam, não! São apenas imagens de nuvens que não têm nada a ver com nada. Não são nem interessantes como fotografia!" Uma obra de arte não pode depender de explicações. O sentido tem que estar ali, no trabalho. Como disse Frank Stella: "Não existem boas ideias para pinturas, existem apenas boas pinturas". A pintura se torna a ideia. p. 59-60

A perfeição não existe. Nada nunca está verdadeiramente perfeito; sempre é possível fazer mais. Que pena! Está tão bom quanto pode estar neste momento e provavelmente isso é mais do que suficiente. O próximo trabalho será melhor, ou diferente, ou mais a sua cara. Não se prenda a um superprojeto para sempre. Por enquanto, faça algo, aprenda algo ou siga em frente. Caso contrário, afundará até a cintura na areia movediça do perfeccionismo. p. 73

Não posso pegar leve nesta próxima parte: algumas pessoas são mais bem relacionadas que outras. Elas vão conseguir doze apoiadores mais rápido. O mundo da arte está cheio de gente privilegiada. É injusto e é desigual. Especialmente para mulheres e artistas que foram racializados, assim como para aqueles acima dos quarenta. O caminho é mais difícil para esses artistas. Todos nós precisamos mudar isso. p. 110

Na maior parte das vezes, as características do seu trabalho que mais incomodam as pessoas são precisamente as que precisam ser cultivadas, levadas tão ao extremo do eixo do vício que acabam se tornando virtudes. p. 123

Vale destacar também os capítulos em que Saltz fala sobre a invenção da perspectiva pelo Ocidente; sobre o uso do ateliê como espaço sagrado do artista; e também o capítulo Arte é um verbo, no qual ele critica o lugar passivo que a arte tem em museus e galerias, sendo que ela historicamente é algo ativo, que permeia a nossa vida e nossas experiências.

Como ser artista é um livro rápido de ser livro e uma boa indicação para as férias.

4★

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Dicas

Exposição TRIVIA

 


É com muito carinho que anuncio minha nova exposição, após 5 anos afastada dos espaços expositivos locais com uma mostra individual. TRIVIA é uma celebração às formas que a figura feminina tomou através do meu trabalho, e contará com 10 ilustrações produzidas a partir de 2021. Para aquelas pessoas que curtem minha arte e desejam conferir as peças pessoalmente, a abertura será no dia 16 de novembro, às 17h, e contará com um pequeno coquetel e conversa comigo, além da distribuição de postais para quem estiver presente. 


Serviço

  • Abertura: 16 de novembro de 2024, às 17h
  • Visitação: de 16 de novembro a 14 de dezembro de 2024
  • Horários: de segunda à sexta, das 13h30min às 19h30min e aos sábados das 10h às 19h
  • Local: Galeria João Zinclar, Hippocampus Sebo e Livraria, Rua Jovem Airton Porto Alegre, 387, Cassino



Agradeço desde já a Hippocampus, por acreditar e investir em arte local, e conto com a presença de todos vocês. Prestigiem os artistas da cidade!


Acompanhe as fotos de abertura e visitações à exposição no meu Instagram.


Clipping

  • Artista rio-grandina Lidiane Dutra lança exposição TRIVIA
  • Lidiane Dutra realiza exposição TRIVIA

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Arte Digital Dicas

Testando pincéis

 


Recentemente comprei um pack de pincéis digitais com efeito de aquarela para Infinite Painter, o aplicativo de desenho que uso no meu Tab S6 Lite. Esse pack é vendido pelo ilustrador Adilson Farias, e as texturas são muito parecidas com as da aquarela tradicional. São 22 brushes com efeito de lápis, base, aguadas com bordas, transparências, detalhes, respingos de tinta e texturas; 5 ferramentas de borracha e 2 ferramentas de borrão, para criar acabamentos. Gostei muito do primeiro teste que fiz, e já penso em outras possibilidades (destaque para o lápis, que fica com efeito lindíssimo).



Os pincéis estão à venda pelo Gumroad, por US$ 18. O artista também disponibiliza o mesmo pack para Procreate e Photoshop e, apesar do dólar estar caro, vale o investimento, pois é algo que você vai aproveitar bastante, principalmente se deseja fazer esse tipo de ilustração digital, com um toque mais suave. Junto também vem algumas imagens de textura de papel para aquarela (grain fin, satin, torchon) para usar como background.

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Dicas Livros

Arte e Medo

 


Disclaimer: O Rio Grande do Sul está em estado de calamidade pública, devido às enchentes que atingiram quase 90% das cidades. O site AJUDA-RS tem uma lista atualizada de locais para doação, vaquinhas confiáveis, pessoas e animais encontrados, abrigos e voluntariado. Ajude o RS doando, compartilhando e apoiando os gaúchos. Apoie artistas, editoras, agentes culturais que foram atingidos pelas enchentes. Se não puder doar, mande uma mensagem para aquela pessoa que mora no RS, certamente sua preocupação faz diferença nessa hora. Eu estou bem, a salvo, mas a minha cidade também precisa de ajuda. Para ajudar Rio Grande, em específico, recomendo seguir o perfil SOS Rio Grande.

Meu último post foi sobre o livro O Ato Criativo, cheio de ressalvas quanto a abordagem privilegiada do autor. Mas Arte e Medo: observações sobre os desafios (e recompensas) de fazer arte, lançado originalmente em 1993 e traduzido agora pela Seiva, vai totalmente na contramão da leitura anterior.

O foco da obra é no fazer artístico - o fazer de pessoas comuns, fazer que nem sempre será reconhecido, vendido ou exposto num museu, mas que carrega significado e importância para quem o faz. Em tempos de documentar a vida na internet, para deixá-la para uma posteridade que sabe-se lá se virá ou não, um livro com mais de 30 anos vem nos lembrar que a boa arte é aquela que faz sentido para quem a produz, e que reconhecimento, fama ou qualquer outra contrapartida é quase um efeito colateral.

...as únicas pessoas que vão se importar com seu trabalho são aquelas que se importam pessoalmente com você. Aquelas próximas o bastante para saber que fazê-lo é essencial para o seu bem-estar. Elas sempre irão se importar com o seu trabalho, se não por ser excepcional, por ser seu... (p. 19)

Arte e medo não é um livro carregado de receitas, não ensina a ganhar seguidores e nem a fazer seu trabalho bombar. É um livro que fala muito mais à solidão do artista, aquela da página em branco, e ao medo de iniciar um novo projeto, de não ser bom o suficiente, de se tornar uma farsa ou uma cópia. É o tipo de livro "de ateliê", que nos coloca de novo nos trilhos, quando parecemos estar perdidos no meio do nosso próprio processo.

Na verdade, uma das poucas certezas sobre a cena artística contemporânea é que alguém, que não é você, está decidindo qual arte - e quais artistas - faz parte dela. São tempos difíceis para a modéstia, a artesania e a ternura. (p. 78)

Apensar de ser fininho, a leitura não é tão rápida assim, pois nos faz pensar, recordar, dar voltas e criar cenários e discussões em nossa cabeça. O medo é algo que vai nos acompanhar durante a jornada artística, mas, na minha opinião, a solidão é o ponto-chave do livro e como vamos aprendendo a conviver com ela - muito mais do que o receio de qualquer coisa.

Uma das partes que mais me pegou foi sobre arte e docência, pois passo por isso na minha rotina:

Quem leciona já conhece o padrão. Ao final da semana escolar, o sujeito tem pouca energia sobrando para qualquer atividade artística mais exigente do que preparar argila ou limpar pincéis. Ao final do semestre, dar atenção aos trabalhos inacabados (e aos relacionamentos desgastados) pode muito bem ser mais urgente do que criar qualquer arte nova. Existe um risco real (e com exemplos abundantes) de que um artista que leciona descambe para algo muito menor: um professor que costumava fazer arte. (p. 88)

Após concluir essa leitura, fiquei pensando o por quê artistas precisam de obras assim, que validem seus sentimentos e sua prática (não vejo o mesmo interesse em publicações para cirurgiões, advogados ou engenheiros). Trabalhar com a área de humanas e com subjetividades nos leva a ser testados o tempo todo, e isso é bastante cansativo, pois o trabalho não acaba ao chegar em casa, ele está sempre permeando tudo e bebendo de todas as fontes para ser feito. 

Talvez seja uma das tantas lições que uma sociedade focada na produtividade e na performance deva aprender: que a arte nem sempre vai gerar um produto, nem sempre terá uma utilidade, ou uma explicação óbvia para o restante das pessoas.

Já falei: Sobre frustração e se definir artista

5★
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Dicas Reflexões

Uma casa virtual AINDA é importante 🏡

 

Photo by Vidar Nordli-Mathisen on Unsplash

Há cinco anos atrás, em 2017, na época em que eu ainda tinha energia, sanidade e tempo para escrever algo mais reflexivo ou com dicas para outros artistas, fiz um post com a seguinte chamada: Vale a pena ter um blog artístico?

Na época, todo mundo estava migrando em massa para o Instagram, meu próprio perfil cresceu muito nesse período, e quem ainda tinha um suspiro de presença virtual em blogs ou sites estava ensaiando o apagar das luzes definitivo. Como sou apegada, fui ficando por aqui, com momentos de maior e menor frequência, mas sempre em mente que esse espaço era meu, não dependia de algoritmo ou do humor do Mark Zuckerberg, além de ter uma ótima indexação no Google, pois existe desde 2010.

Em cinco anos vi muita coisa acontecer, quase não consegui acompanhar tudo (fiquei muito mais na posição de espectadora do que opinadora, pois 40h semanais de escola), vi os algoritmos mudarem tantas vezes que não consegui contar, vi redes surgindo e tomando o lugar de outras, vi bilionário comprando e falindo empresas e posso dizer, com a maior tranquilidade da galáxia, que ter sua casa virtual, seja ela um blog, site ou portfólio, AINDA é muito importante.

Nesse tempo todo, o meu espaço virtual sempre foi o lugar onde concentrei meu trabalho, minhas opiniões e meus gostos. Tal qual minha casa física, aqui só entra quem é convidado, embora seja um site aberto a qualquer um que tiver o link. Isso porque nunca deixei troll se criar em caixa de comentário. Aqui, não dependo de visualizações, de likes ou repost. A existência desse conteúdo se justifica por si só, ela está aqui, e depois que estiver, posso compartilhá-la com quem eu quiser, através da rede que eu escolher. Posso, inclusive, fazer um backup das publicações e apagá-las, arquivá-las ou colocar uma senha de acesso. Posso escolher não fazer nada, e deixar tudo aqui para quem tiver o link escolher a hora e o momento para ver o que tem de novo.

Aqui, pratico um exercício enorme de cultivo: se vou me inscrever para um edital, tudo está tão bem organizado, que não fica difícil achar o que preciso. Se quero mostrar meu trabalho para alguém, só direciono para a aba Portfólio. Num mundo tão rápido e tão massificado, é aqui que as coisas são semeadas, crescem, florescem, morrem e renascem.

E embora eu seja super apegada, a grande contradição é que aqui pratico também o desapego: se ninguém ver, se ninguém comentar (e não vai mesmo, pois desabilitei a caixa de comentário há meses), simplesmente não importa. Esse lugar depende só de mim.

Claro que uso redes, faço vídeos de gosto duvidoso, mas eu sempre vou ter esse lugar. E quando ele não tiver mais razão para existir, vou fechar a porta sem olhar pra trás. E o que mais tenho percebido são pessoas sacando que esse aterramento a algo seu faz sentido, visto a quantidade de sites que tenho acompanhado nascer. Gente ótima que só tinha uma ou duas redes sociais para mostrar o que produzia e agora tem um endereço lindo e todo organizado. Gente que, inclusive, me manda mensagem dizendo que veio aqui pegar inspiração para fazer sua própria casa virtual. Acho isso mágico e dá sentido ao compartilhar algo bom com alguém.

Por isso, ainda acho fundamental ter sua casa virtual, seu espaço, chame como quiser, mas um lugar que não seja a rede social do momento. Elas vão e vem, trazendo conteúdos cada vez mais picotados e formatados. Acredito que uma obra artística, literária ou musical, precisa de mais espaço para respirar e florescer. Seja a resenha de um livro, uma ilustração ou a cifra de uma música. Até mesmo o conteúdo audiovisual se beneficia de um espaço próprio, mais contemplativo. E num mundo onde zapear virou regra, a contemplação ainda é uma bênção.

Sugestão de leitura: Por que eu ainda blogo? - Momentum Saga

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Dicas Livros

Van Gogh: a salvação pela pintura 🌻

Este livro representou um bálsamo, para mim, em meio à pandemia e ao pandemônio nosso de cada dia. Por isso, resolvi comentar brevemente sobre Van Gogh: a salvação pela pintura, do Rodrigo Naves (para quem acha que já ouviu esse nome em algum lugar, ele é o responsável pela introdução do livro Arte Moderna, de Giulio Carlo Argan).

Não tenho pretensão de fazer uma resenha completa, apenas a indicação de uma obra que me fez passar dias pensando em suas proposições. Sinopse:

A obra crítica de Rodrigo Naves caminha em tensão permanente entre as noções de forma e história. Seu livro A forma difícil, lançado originalmente em 1996, é um marco na interpretação da arte brasileira. A partir de leituras minuciosas das obras de Guignard, Volpi, Debret e Amilcar de Castro, Rodrigo discute a dificuldade de emancipação da forma moderna na arte brasileira. Em seus ensaios, a análise da materialidade específica de cada trabalho é sempre o ponto de partida. Não é diferente nesta poderosa interpretação da obra de Van Gogh. Atento à fatura expressiva das icônicas telas do artista holandês, Rodrigo procura entendê-las à luz da ideia de salvação, profundamente enraizada na formação protestante do pintor (seu pai era pastor de orientação calvinista e ele próprio foi pastor assistente). As consequências críticas do argumento são inúmeras ― e contribuem para uma imagem mais nuançada da trajetória do artista, refém de incontáveis estereótipos associados à genialidade e à loucura. O Van Gogh que surge destas páginas não é apenas o gênio instável e atormentado, mas um artista consciente dos mínimos aspectos de seu ofício, ao qual se via ligado como a uma predestinação religiosa. A liberdade de referências típica dos mais prendados ensaístas, o rigor da análise formal ― devedor de exigentes leituras de estética ―, a limpidez do estilo, a originalidade dos pontos de vista, a assertividade das opiniões, o espírito de provocação, todos esses predicados da influente obra de Rodrigo Naves se fazem presentes neste ensaio. Como nos quadros do pintor holandês, vaza luz das páginas deste livro. E ela nos ajuda a enxergar com mais nitidez os enigmas do mundo lá fora.

Como a sinopse já entrega, esse pequeno grande ensaio (pouco mais de 100 páginas, algumas delas preenchidas por imagens, mas de uma densidade gigante) desloca o olhar relacionado estritamente à doença mental, que muitas pessoas imputam à obra de Van Gogh. Aqui, Rodrigo Naves enfatiza outros aspectos que  levaram o artista a desenvolver seus quadros da maneira como conhecemos hoje: sua religiosidade, sua ideia de trabalho, sua postura política e sua maneira de encarar o mundo.

Van Gogh era de família protestante, tendo inclusive atuado como pastor metodista. E, de acordo com o que sugere Naves no livro, o protestantismo está intimamente ligado à ideia de trabalho árduo, e de que há valor em todo tipo de trabalho, desde um açougueiro (atividade considerada "suja"), até um operário. Todos têm a bênção divina. O pintor também era socialista, de esquerda, e sempre buscou estar ao lado da classe trabalhadora. Seus olhar diante das mudanças do mundo moderno e o impacto disso nos mais pobres e na paisagem, também são partes constituintes da sua obra artística.

Vale a pena a leitura das Cartas a Theo, compilado de correspondências que Van Gogh enviou ao irmão, como leitura complementar ao livro de Rodrigo Naves. Deixo aqui um trecho sobre o que Vincent fala sobre desenho:
Que quer dizer desenhar? Como se consegue fazê-lo? É a ação de abrir passagem através de um muro de ferro, que parece interpor-se entre o que se sente e o que é possível realizar. Que fazer para atravessar esse muro, porque não adianta bater fortemente sobre ele; para conseguir, é preciso corrê-lo lenta e pacientemente com uma lima, esta é a minha opinião. (p. 28)
Abaixo, vou deixar o vídeo da live com o autor, que por si só já é uma aula de História da Arte. E a forte recomendação de leitura desse livro. 😉

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Dicas Materiais

Limpando minhas paletas de aquarela 🎨


Resolvi aproveitar o feriado de ontem (03/06) para fazer algo que queria há bastante tempo: limpar meu godê de aquarelas, que uso ininterruptamente desde 2016, e estava em petição de miséria, como dá para ver acima. Sim, eu sei que não existe aquarela "suja", podemos reaproveitá-las, basta adicionar água e tomar cuidados contra o mofo, mas já não era mais o meu caso. Muitas tintas acabaram, sim, mofando. Além disso, como fui adicionando cores novas à medida que comprava, os tons estavam fora de ordem, o que causava uma confusão na hora do uso. E isso era uma das coisas que eu mais queria arrumar. 


Além disso, vários tons já não me agradavam, e tenho pensado bastante em reduzir minha paleta de cores nas ilustrações. Fiquei pensando nisso depois da última participação no art vs artist, achei tudo muito colorido e desordenado, queria dar um sentindo de unidade aos meus trabalhos. Quando falo em reduzir a paleta de cores, me refiro a usar menos cores nas ilustrações (no máximo 4) e aproveitar seus subtons para fazer misturas, como fiz no meu retrato para o curso da Isadora Zeferino. Algumas ilustradoras com paletas bem definidas que me inspiram são a Pri Barbosa e a Nanda Corrêa. Mas sinto que ainda estou tateando na busca pela "minha paleta".



Como limpei o godê: como disse, tenho esse godê da Keramik desde 2016, quando fiz o curso da Sabrina Eras. Algum tempo depois, comprei um menor, da Sinoart, mas acabei dando pouco uso para esse segundo. Acabei limpando e guardando, talvez no futuro use para guache. Para tirar toda essa tinta encalacrada, usei um lava jato (sim, aqueles de lavar carro, que é pressurizado) e uma espátula para ir tirando o que estava mais encrustado. Depois, usei sabão líquido e uma escova de dentes para terminar a limpeza. Embora tenha ficado limpinho, o estojo ficou bastante manchado, principalmente de azuis e roxos, para isso não teve jeito. Em seguida, separei as cores que eu realmente queria continuar usando, e as coloquei em ordem.


Agora todos os meus marrons e terrosos estão juntos, seguido pelos vermelhos, rosados, roxos, azuis e verdes. Fiquei muito feliz com essa disposição, pois me dá uma organização visual muito boa na hora de usar as tintas. Além disso, posso visualizar também como combinar melhor através do círculo cromático, já que fui dispondo a cor e seus tons quentes e frios lado a lado.



Aproveitei para juntar também todas as aquarelas em pastilha que tenho num único estojo. Ainda vou organizá-lo melhor, nesse momento só passei as half pans para cá, mas deixarei com a mesma disposição da paleta das aquarelas em bisnaga, e procurarei alternar entre as duas quando for trabalhar, pensando em como aproveitar ao máximo o que o estojo me oferece. Ainda são muitas cores, eu sei. Mas acredito que organizá-las já é um bom caminho para pensar na minha paleta de cores pessoal. 


Para acompanhar meus trabalhos em tempo quase real, é só seguir no Instagram.

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Dicas Portfólio

Imunizadah 🐊


A Jacaroa Imunizadah vem pedir para você, que acessa este blog, que:

  • evite aglomerações, quem precisa sair para trabalhar tem que contar com a colaboração de quem pode ficar em casa;
  • use máscara (camada dupla, de preferência tripla) e álcool gel;
  • valorize a ciência e os profissionais que estão trabalhando na linha de frente, e que vão desde o pessoal da limpeza até o farmacêutico com pós-doutorado.

No site do Projeto Comprova, é possível checar informações sobre as vacinas e sobre o coronavírus. De acordo com o site: O Projeto Comprova reúne jornalistas de 28 diferentes veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas sobre políticas públicas e a pandemia de covid-19 compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens. O Comprova é uma iniciativa sem fins lucrativos.

Acesse a Cartilha de Vacinas do Ministério da Saúde, através da qual você pode tirar dúvidas sobre o que são, para que servem e quais as principais vacinas do calendário nacional de vacinação.

Se você quiser se informar sobre a CoronaVac, a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac, visite o site oficial. E se quiser saber sobre a vacina da Fiocruz/Oxford, clique aqui.

#vemvacina

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Dicas Projetos

Marítimas: sal, areia e arte feminista 🌊

Photo by Jakob Owens on Unsplash

"As Salka são as rejeitadas, as vítimas, as órfãs e os alvos de abusos". Os olhos de Ceto brilham de irritação. "Elas merecem sua compaixão. É difícil ser mulher nesse mundo, seja no fundo do mar ou na superfície." - A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões, Louise O'Neill.

Em A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões, reconto da famosa história de Hans Christian Andersen, a escritora Louise O'Neill usa a figura das Salka (inspiradas nas rusalkas do folclore russo, jovens que cometeram suicídio ou foram assassinadas por afogamento pelos companheiros, tornando-se espíritos malignos) para descrever o quanto as mulheres são silenciadas, violadas e culpabilizadas pelos abusos que sofrem. Ao longo da narrativa (sem querer dar spoiler), as Salka são vistas sempre sob a ótica masculina, representando uma ameaça, lideradas por Ceto, a bruxa do mar. Porém, esse olhar vai se deslocando através das descobertas feitas por uma mulher, o que nos revela a importância de contarmos nossas próprias histórias, sob o nosso ponto de vista.

E foi da importância de contarmos nossas próprias histórias e valorizar nossos trabalhos artísticos que nasceu a Zine Marítimas, publicação rio-grandina independente, criada em tempos de isolamento por Ju Blasina, Suellen Rubira e euzinha. Quem navega por aqui já deve ter reparado no banner que está no rodapé, e direciona para o blog da e-zine. Nossa sinopse oficial:

Do conjunto de deslocamentos, de avanço e recuo, de ação e reação que molda o ser e o fazer artístico das mulheres, como o movimento periódico e potente das águas do mar, nasceu MARÍTIMAS: uma zine feminista fundada em Rio Grande por Juliana Blasina, Lidiane Dutra e Suellen Rubira, a fim de reunir textos e ilustrações produzidas por mulheres em suas pluralidades, referente às diversas pautas da luta feminista.

O meio artístico rio-grandino sempre foi extremamente machista - dos corredores da academia até as hashtags pornográficas que alguns homens usam para se referir ao próprio trabalho nas redes sociais (em sua maioria, corpos sexualizados de mulheres). Eu sou vista como pária, por não compactuar e por usar meu espaço para criticar esses homens abertamente. Então, mais do que uma revista, Marítimas é um ambiente seguro, um ambiente de apoio mútuo para mulheres que desejam mostrar sua produção, mas não encontram espaço nas publicações editoradas por homens, ou que lidam, sistematicamente, com a diminuição do seu trabalho, justamente por serem mulheres.

Entre muitas trocas pelo WhatsApp, chegamos à temática do primeiro volume: à deriva - as mulheres no isolamento e o isolamento nas mulheres. Serão aceitos trabalhos em poesia, conto, crônica, ilustração, pintura e fotografia, além de artigos, resenhas (filmes, séries, livros...) e ensaios críticos. Nessa seleção, a prioridade é para colaboradoras de Rio Grande e arredores, mas minas de outros lugares também podem participar. O envio das obras deve ser feito através do e-mail zinemaritimas@gmail.com, até 30 de janeiro de 2021 (previsão de publicação em março).

No blog da Marítimas tem um texto inspirado da Suellen sobre a zine, e o nosso Instagram também é bastante movimentado, com todas as informações necessárias. Meu recado para as mulheres que se animaram, mas ainda estão em dúvidas, é que não tenham medo ou vergonha. Não caiam nessa de que não é bom o suficiente para ser publicado. Vamos subir, uma a uma. Produzimos muito, temos tanto potencial. Vamos mostrar pro mundo o movimento da nossa maré.

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Dicas Livros

Livro: Color Harmony For Artists (Ana Victoria Calderón) 🎨


Este livro foi uma sugestão que vi no Instagram da Ana Blue, que está sempre antenada e estudando muitas coisas interessantes sobre aquarela. Assim que vi, me chamou atenção, primeiro por ser da Ana Victoria Calderón, que é uma artista que acompanho há bastante tempo (ela tem vários cursos na Domestika que estou louca pra fazer). Segundo que esse livro me lembrou muito o site Design Seeds, que pega imagens e extrai a paleta de cores delas, e é uma excelente fonte de inspiração para artistas. E a proposta é realmente bastante parecida com a desse site, já que a obra também foca na experiência de aprender a olhar para uma imagem e retirar dela uma gama de cores para além do "o céu é azul" e "a maçã é vermelha". O grande diferencial talvez esteja no processo criativo da Ana Victoria, e na forma que ela escolheu para compartilhar suas vivências.


O livro começa com uma pequena, mas muito oportuna, introdução à teoria da cor e ao círculo cromático. Saber trabalhar com o círculo já é metade do caminho numa pintura, pois é possível extrair combinações muito interessantes usando cores complementares, análogas e variando tons e temperatura. Eu vou deixar aqui o link para o download de um arquivo em pdf, para quem deseja ter um círculo cromático como referência. Em lojas de materiais artísticos, é possível comprar um como este aqui.


Quem já tem experiência com pintura pode achar essa parte introdutória bem básica, mas eu acho interessante sempre fazer um resgate do que é primordial, pois vejo muitos jovens artistas preocupados em achar um estilo, em ter seguidores, mas negligenciando o estudo dos fundamentos. Então é muito inteligente a autora mostrar, através do seu processo criativo e das tintas que ela gosta de usar, noções como valor tonal. Passada essa introdução, vamos para as paletas propriamente ditas, divididas em diversos assuntos - de animais a paisagens e minerais. Vale destacar que a motivação para a escrita desse livro foi uma visita da Ana Victoria a Sedona, no Arizona, e ao impacto visual que a paisagem teve sobre ela.

A seguir, algumas das paletas que mais gostei:




O grande diferencial desse livro é que, para cada imagem e cada paleta extraída, a autora dá dicas de como chegar a um tom mais pastel, ou como tornar sua aquarela mais vibrante, quais marcas (a partir da experiência dela) têm as tintas mais adequadas para se chegar a um determinado resultado, além de diferenciar bastante os efeitos de aquarelas em pastilha, bisnaga e líquidas, e suas interações com o guache branco.

Ana Victoria tem uma escrita muito entusiasmada, é possível ver, através das palavras dela e de todo o estudo que envolveu o desenvolvimento da obra, o quanto a arte permeia sua vida e o quanto é gratificante, para ela, dividir e multiplicar conhecimento, a partir do seu próprio processo. Aprender a ver uma imagem e admirar as cores de uma paisagem é sempre um ponto de partida interessante para o desenvolvimento de uma pintura, e ela intercala momentos mais realistas com outros de pura experimentação.

Enquanto obra "técnica", Color Harmony pode até não agregar muito para quem tem uma longa caminhada na pintura, mas enquanto jornada artística é um excelente diário e fonte de inspiração.



Color Harmony For Artists não tem uma tradução para o português (o único livro da Ana Victoria que encontrei traduzido foi Aquarela criativa: um passo a passo para iniciantes), mas é num nível de inglês fácil de acompanhar. Comprei meu exemplar pela Amazon, e como os livros importados não estão com preços muito convidativos, a dica é colocar no carrinho e esquecer, até que o site notifique você de que o preço baixou. 

E para quem não está podendo gastar com livros no momento, recomendo o já mencionado site Design Seeds e também o Coolors. Existem vários aplicativos para celular que têm a função de extrair a paleta de cores das imagens, e para quem é usuário da Adobe, também é possível criar bibliotecas de cores a partir dos seus trabalhos.

*Nenhum desses links foi patrocinado, as indicações foram feitas unicamente com o intuito de informar e complementar o conteúdo do post.
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