Lidiane Dutra
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Portfólio

I can buy myself flowers 💐


Colagem que fiz no meu sketchbook inteligente, inspirada na música Flowers, da Miley Cyrus. O desenho foi feito com lápis grafite e caneta preta, e as flores são do livro de colagens Extraordinary Things to Cut Out and Collage (sim, resolvi comprar minhas próprias flores, ao invés de desenhá-las hehe).


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Aquarela Portfólio Técnica Mista

Kali 🌺


Kali é uma Deusa Negra hindu (para aprofundamento no conceito das Deusas Negras, recomendo fortemente a leitura do livro Mistérios da Lua Negra, de Demetra George), também relacionada ao aspecto triplo (criação, preservação e destruição). Ela controla o poder do tempo, que a tudo devora. De acordo com Claudiney Prieto, no livro Todas as deusas do mundo:

    Kali é uma deusa muito antiga. Sua pele negra demonstra que ela pré-data a invasão ariana, de pele clara, no continente indiano. Esse conflito torna-se visível em muitos mitos em que Kali se esforça para defender seu povo contra invasores. A paixão e a ferocidade de Kali são divididas em seu aspecto de Deusa pré-ariana e como consorte de Shiva, que inspira o seu poder de Shakti ou energia feminina.

    Os invasores introduziram a cultura dos Deuses patriarcais na Índia, mas Kali continuou a ser cultuada por várias tribos matriarcais, como os Shabara de Orissa. (p. 163)

Kali é retratada de muitas formas e possui também muitos epítetos. Em sua representação mais conhecida, ela apresenta longos cabelos pretos, a língua estendida para fora, dentes afiados e brancos, vários braços (o número de braços varia) e um colar de cabeças ou crânios, dentre outros simbolismos. Na arte popular indiana, as divindades de pele negra são retratadas na cor azul, por isso Kali (a negra) aparece sempre dessa cor. Também acompanha as representações de Kali o hibisco vermelho, que representa sua língua.


🌺 🌺 🌺 


Eu não vou me aprofundar nos mitos e lendas indianos, prefiro sempre indicar um livro com um estudo mais denso. Os dois livros que cito acima são muito bons, mas para quem deseja ler um texto na internet, recomendo este aqui: Kali: a mulher mais poderosa do universo.


Fazer a representação de uma divindade de outra cultura, principalmente oriental, sempre é inquietante, pois me coloca de frente à questão: estou fazendo uma leitura respeitosa dessa cultura ou cometendo um ato de apropriação cultural? E acho importante, enquanto artista, não me escorar na "liberdade criativa" para realizar um trabalho vazio e até mesmo ofensivo.


Por isso, quando li Mistérios da Lua Negra, dentre outros livros, e tomei contato com Kali, assim como tem acontecido com outras divindades, decorrente do meu estudo sobre bruxaria, entendi que poderia utilizar os meus conhecimentos para representá-la com o máximo de respeito e unidade, e que não se tornasse um trabalho puramente estético e sem sentido. Eu não queria tomar decisões que visualmente parecessem bonitas, mas que desrespeitassem a religião e a espiritualidade de outras pessoas. E espero ter conseguido isso, tomando as decisões que vou explicar a seguir. 



A primeira atitude que tomei foi procurar representações de Kali na internet, e achei muitas imagens, que dividi em duas categorias: as imagens tradicionais indianas, que seguem a corrente popular de representação, com cores muito saturadas, atenção aos detalhes e uma fisicalidade como se fosse uma escultura representada na pintura; e as imagens ocidentalizadas, que mostram uma imagem embranquecida da deusa, geralmente com um corpo mais magro, com traços ocidentais, com a expressão suavizada, e com uma paleta de cores mais neutra.


Eu quis me afastar das imagens ocidentalizadas, por entender que elas representam um whitewashing gigante, assim como já acontece com outras figuras orientais, que sempre têm suas características culturais substituídas por características ocidentais alinhadas ao padrão estético dominante. Por isso, mantive tanto a paleta de cores, como a expressão facial de fúria o mais próximo possível das imagens tradicionais. Mesmo colocando o meu olhar, e optando pelo retrato, que é meu foco, esse foi o ponto que me guiou, nem que eu tivesse que sair da minha paleta de cores ou da minha zona de conforto neutra. E foi a partir daí que construí a figura.



Outro ponto é que, nas imagens tradicionais, geralmente Kali está com o rosto em meio perfil, por isso também quis manter essa representação. O azul é muito saturado, e se acentua no rosto, com todo sombreamento em preto, que geralmente não uso. Para essa ilustração, fiz toda a base com aquarela (úmido sobre úmido) e complementei os contrastes com lápis de cor. Os cabelos são uma massa escura e esvoaçante. Suas joias são em tons dourados com detalhes em pedraria, que se complementam nos hibiscos (em tons de vermelho vivo e vermelho alaranjado) e no fundo da imagem. Sobre o colar de crânios, coloquei 7 em evidência, por ser o número regente do ano de 2023, e por não conseguir colocar a variação total de crânios, que pelas minhas pesquisas fica entre 51 e 108.



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Albrecht Dürer e Bruynzeel;
  • Pincéis que comprei na Shein;
  • Marcadores Pilot e Derwent.

O resultado desse trabalho me encantou e me trouxe muita paz. Não sei se consegui integrar meu pensamento com a minha prática e tornar essa representação respeitosa o suficiente, por isso estou aberta às críticas de quem segue o hinduísmo e viu incongruências na ilustração. Vou deixar aqui um vídeo mostrando detalhes que a digitalização não pega, e também um trecho do Claudiney Prieto:

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    Kali é a corporificação da violência feminina, protetora do coração, aquela que vem para nos afastar de tudo o que não é verdadeiro. É a feroz energia da psique, a luz da discriminação, a espada do conhecimento, o poder para reconhecer o que precisa ser feito. A espada de Kali se transforma e redefine nossas vidas, nos afiando e nos esculpindo, trazendo a ordem para fora do caos, nos ensinando os significados, as belezas e os propósitos de nossas vidas. Kali é a sombra fertilizadora, a guardiã da profunda escuridão vazia, os sempre mutantes ciclos do tempo. (p. 166)
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Aquarela Portfólio Processo criativo Projetos

Rhiannon 🐎

Rhiannon rings like a bell through the night

Eu já havia dito que 2022 foi o ano do rascunho, com vários trabalhos que comecei a esboçar, várias ideias de temáticas e séries, mas que ficaram somente no rascunho. Por isso, estou me dedicando (e pretendo continuar ao longo do ano) a tirar esses projetos somente do esboço e transformá-los em artes finalizadas.


Depois de passar o ano todo mergulhada na leitura de Mistérios da Lua Negra, da Demetra George, livro que me ajudou a lidar com o luto e, principalmente, com o luto dentro do processo criativo, me peguei desenhando muitas deusas, divindades de diversas partes do mundo, e também animais, grupos de mulheres, mulheres mais velhas...


E nesse processo surgiu a imagem de Rhiannon, a deusa galesa dos cavalos, a Grande Rainha, que casou-se com o mortal Pwyll e lhe deu um filho, que desapareceu ao nascer. As servas de Rhiannon enganaram a rainha, esfregando sangue de um animal em suas vestes, e acusando-a de ter devorado a criança. Como castigo, Rhiannon foi condenada a carregar os hóspedes que passavam pela sua casa nas costas, como se fosse um cavalo. Após a criança ser finalmente encontrada, o castigo da deusa foi retirado (contei a lenda de maneira muito reduzida, recomendo o livro Divinas Mulheres, da Ann Shen, para conhecer essa e outras lendas).


Rhiannon vai falar sobre resiliência, perseverança e sobre acreditar em si mesma. Num mundo cada vez mais focado na performance da felicidade e da vida perfeita, acolher as nossas feridas e carregar nossos próprios fardos é um ato de coragem.



Por acreditar que essa ilustração merecia estar num papel A3 (que eu não tinha!), resolvi comprar às pressas o único papel disponível na loja - o da linha universitária da Canson, e deu tudo errado, pois detesto a textura desse papel e, por mais que esteja pintando com uma tinta excelente, não consigo alcançar os resultados desejados com ele. Respirei fundo, resolvi digitalizar o rascunho, ajustá-lo para A4 e finalizar no papel 100% algodão que já estou acostumada a usar. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.


All your life you've never seen
A woman taken by the wind

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Minhas tintas e pincéis de sempre;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.



Quem prestou um pouquinho mais de atenção, viu que essa ilustra conversa com outra, Wild Spirit, que fiz em 2021. E é uma conversa intencional, e que pretendo fazer mais vezes, como parte do mapeamento que tenho feito de todos os elementos que se repetem no meu trabalho, bem como as paletas de cores que mais utilizo.


Os trechos em destaque são da música Rhiannon, da banda Fleetwood Mac, na voz da bruxona Stevie Nicks:


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Aquarela Portfólio Processo criativo

Viva Magenta! 🌸


2023 começou com uma quebra de tradição, para mim. É a primeira vez em 5 anos que decidi não ilustrar a carta de tarô regente, mas por um bom motivo: quero me dedicar a ilustrar meu próprio deck, pelo menos os arcanos maiores, então decidi pausar, por enquanto, esse ritual. 


Mas abro o novo ano com a cor escolhida pela Pantone: Viva Magenta! Por ser uma das minhas cores favoritas na aquarela, foi com muita alegria que recebi essa escolha, a "cor maravilha", perfeita para composições com flores e folhas. Esse trabalho foi um experimento no sketchbook da Ótima, que adquiri alguns meses atrás:


@lidydutra.art #FelizAnoNovo ♬ Angelic Cuff It - Jo An M


Tenho feito vídeos curtinhos assim no TikTok e no Instagram para mostrar os materiais que estou usando. Gostei bastante da gramatura do papel desse sketchbook, apesar de não ser exclusivo para aquarela, ele é recomendado para técnicas mistas, a folha é destacável, enruga pouco e fica tudo muito organizado e visualmente agradável. 


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 Materiais utilizados

  • Sketchbook para técnicas mistas Ótima;
  • Aquarelas Van Gogh e Sennelier (especificamente o magenta);
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Tris Vibes.


Eu não vou externar minhas expectativas para 2023, só espero que seja um ano calmo e esperançoso para todos nós. Que tenhamos força, vontade, valorização e condições de fazer arte ao longo do ano (e nos próximos também). ☆


E para quem deseja se organizar, ainda dá tempo de comprar meu calendário 2023, aqui nesse link. feliz ano novo!

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Full Moon 🌕


2022 vai ser, para mim, o ano do rascunho. A quantidade de trabalhos que tenho no sketchbook, ou no caderno de anotações de ideias, ou em alguma folha solta dentro de uma pasta é a maior dos últimos anos. Criatividade e facilidade de colocar as coisas no papel nunca faltaram, o que faltou mesmo foi organizar meu tempo para finalizar. Geralmente, demoro muito para finalizar um trabalho, gosto de passar a tarde toda em imersão naquela proposta, faço muitas thumbnails para selecionar as cores, então isso toma um tempo que realmente não encontrei ao longo do ano. 


E esse trabalho é um dos que eu não conseguia finalizar, embora a ideia estivesse toda na minha cabeça desde a primeira volta do compasso para criar essa lua. Lá em setembro eu já tinha mostrado como ela era, e aproveitei agora a finalização do ano letivo para lançar à vida essa lua cheia tão imponente. Pintar luas requer muito mais do que colocar manchas no papel, é um trabalho que envolve observar fotos de satélite e de astrofotografia para saber o lugar dar coisas; é entender o quanto de água e o quanto de tinta são ideais para criar a mancha perfeita, e o resultado é exatamente o que imaginei desde o início:



Materiais utilizados

  • Papel Moulin DuRoy 300g satinado;
  • Aquarelas White Nights;
  • Guache TGA.


Como não podia deixar de ser, criei uma série de produtos com essa ilustração para minha loja na Colab55, que também está com um Calendário 2023 (em arquivo digital para impressão) criado com muito amor e carinho, com vários trabalhos que gosto muito e um preço especial (apenas R$ 19,99).


Enquanto isso, as redes sociais continuam explodindo, mas sigo aqui, firme e forte, para quem quiser acompanhar hehehe.

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Aquarela Portfólio Técnica Mista

Catrina Lila 💜


Outubro passou, eu tentei fazer um pequeno projeto de desenhos rápidos, não consegui e também falhei em tentar construir uma proposta temática para o Halloween, que tanto amo. Na verdade, a data passou meio sem sabor esse ano, sem a empolgação para desenhar que me impregnou em outras épocas. Ainda sonho com o equilíbrio entre docência e arte, que nunca chega, mas que me possibilitaria ter energia suficiente para essas datas novamente.


Mas tenho rascunhado bastante, então algumas ideias muito boas estão guardadas para um momento futuro. E foi justamente um rascunho de dois anos atrás que ressuscitei para fazer essa Catrina. Quem me acompanha pelo Instagram já viu o esboço dessa ilustração em idos de 2020. Ideia que ficou guardadinha no meu sketchbook, até ser tirada de lá.


Eu tinha "grandes planos" para esse rascunho, na verdade. Queria o melhor papel, uma paleta de cores sensacional, todos os meus chacras equilibrados na hora da pintura, mas estou falando de mim mesma, ou seja... coloquei muitas expectativas na pobre catrina, que nada tinha a ver com isso, e precisei salvá-la.



Escolhi sim um dos melhores papeis, o Strathmore, que é um desbunde de qualidade. Testei várias thumbnails com sugestões de paletas, e nenhuma me agradou verdadeiramente. Resolvi, então, tentar a dupla de complementares amarelo/roxo, com alguns toques de azul marinho e um vermelho mais frio. Na thumb funcionou plenamente, mas quando comecei a pintar, senti que não ia rolar, pois ao invés de trabalhar em úmido sobre úmido, fiz úmido sobre seco, e a tinta engrossou demais. 🤡


Se fosse em outras épocas, eu teria rasgado tudo e começado do zero e com ódio, mas resolvi guardar e esperar uma semana. E foi a melhor decisão que poderia tomar, pois resolvi lançar mão dos lápis de cor que colorem sobre fundo escuro para abrir os pontos de cor e luz que estavam faltando.



E ao fazer essa construção de camadas com lápis de cor e também com o marcador dourado, consegui dar profundidade e tornar a peça bastante elegante e sóbria, como a imagem de um antigo camafeu. As rosas douradas são uma homenagem as já conhecidas caveiras da Sylvia Ji, minha maior inspiração nesse tema. o resultado final:



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Strathmore 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Rijks Museum Bruynzeel;
  • Canetas nanquim e metálicas Pentel;
  • Marcador dourado Pilot.


Y ella es flama que se eleva
Y es un pájaro a volar
En la noche que se incendia
Estrella de oscuridad

Que busca entre la tiniebla
La dulce hoguera de el beso
Que mal amor en sus labios
El infierno es este cielo
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Aquarela Portfólio Projetos

Ondas tombando ininterruptamente 🌊


Em março deste ano me inscrevi no Edital Galeria Otroporto - 1º andar, promovido pela Otroporto Indústria Criativa, da vizinha cidade de Pelotas. Foi um dos raríssimos editais pagos em dinheiro para os artistas, além de subsidiar custeio de materiais e envio das obras, se necessário. Confesso que me inscrevi um pouco descrente, na base do incentivo de amigos, principalmente da Ramile (@rami_aquarelas), que participou do edital 2021 e tem trabalhos expostos lá. Descrente, porque vivo uma eterna luta entre a consistência do meu trabalho, o tempo de dedicação diminuído pela docência, e a síndrome de impostora que me acompanha em todas as ocasiões.



Mas resolvi arriscar, elaborei um portfólio e esboço de proposta, tentando olhar com carinho para minha trajetória, que é digna de orgulho sim, afinal são muitos anos dedicados à arte e a mostrar que artistas mulheres estão aí na atividade e merecem reconhecimento também. O tema do edital era águas e pessoas, e aproveitei para mergulhar em meu próprio acervo, resgatando um material muito querido, mas que adormeceu ao longo dos anos: a série produzida para a exposição Mulheres, de 2015. Das 15 ilustrações em tamanho A3 (formato raríssimo nas minhas atuais produções), selecionei três que se encaixavam no esboço que queria mostrar à Otroporto: as galáxias poderiam virar mares, e vice-versa.



E em abril recebi a notícia de que estava na lista de 18 artistas selecionados no edital, entre os 104 inscritos. Fiquei extremamente feliz, e isso renovou demais minhas energias para continuar criando, apesar de tudo. E para a minha surpresa maior, a proposta foi aceita na íntegra, com as ilustrações originais da exposição Mulheres, sem necessidade de fazer novos trabalhos. E novamente isso me fez olhar com muito carinho para a Lidiane do passado, e ver que tudo é processo, que coisas feitas há 7 anos atrás ainda podem ser extraordinárias.



Essa semana, a Otroporto divulgou as imagens dos meus trabalhos já em exposição, que receberam o nome de Ondas tombando ininterruptamente, em homenagem ao poema Liberdade, da Sophia de Mello Breyner Andresen.


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Sophia de Mello Breyner Andresen


E como acredito que toda boa experiência deve ser compartilhada para ajudar mais artistas, principalmente mulheres, a ocupar os espaços, vou deixar linkados aqui nesse post os arquivos do currículo e portfólio e da proposta de projeto enviados, para auxiliar quem deseja participar de editais e não sabe por onde começar. Também é possível ver algumas aplicações de mockup no meu perfil do Behance.



Para ver os meus trabalhos e também os de outros artistas incríveis, é só visitar o site, Instagram ou ir até a Otroporto, caso tenha a oportunidade.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Mulher Jovem 🌼


Em fevereiro desse ano comecei a esboçar uma série sobre a ciclicidade da mulher, partindo pela representação da mulher jovem e passando pela adulta/mãe, pela mãe e pela filha, pela anciã e, finalmente, pela representação de todas elas, numa composição harmônica. E tem sido tão gostoso pesquisar sobre cada uma dessas fases da vida, principalmente porque estou me detendo na anciã. E agora estou entregando o primeiro trabalho dessa série, que gostaria muito de ver em formato de exposição, assim que concluir.



Foi o meu retorno para a aquarela, depois de alguns meses trabalhando somente com grafite e lápis de cor. E foi como se eu nunca tivesse parado de pintar, porque a tinta fluiu tranquilamente pelo papel. Talvez o fato de ter definido uma paleta pessoal para utilizar nas minhas ilustras tenha ajudado bastante, pois não gasto tempo e energia pensando no esquema de cores. Além disso, trabalho com um círculo cromático em mãos, e também com thumbnails ou marcações na folha de rascunho, que ajudam a visualizar o que combina mais com a proposta inicial que tenho em mente.



As folhagens lembram o boldo, mas não foi intencional (talvez por ter um pé gigante de boldo, essa imagem fique no meu subconsciente), o intuito era mostrar uma natureza frondosa e em plena floração, e uma mulher que está recém florindo também. O resultado:



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Minhas tintas e pincéis de sempre;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.
Certo dia, Perséfone folgava nas campinas de Nisa com as filhas de Oceano. Estava na companhia de Atena e de Ártemis, mas sua mãe, Deméter, não estava com elas. Perséfone foi atraída por um magnífico narciso. Enquanto o contemplava, o solo se abriu e Hades, o deus do Mundo Inferior, apareceu em sua carruagem, tomou-a nos braços e a levou para ser sua noiva. De muito longe, Deméter ouviu os queixosos gritos da donzela. Uma profunda melancolia tomou conta de seu coração e ela, jogando sobre os ombros um véu sombrio, voou como ave sobre mares e terras procurando a sua Kore, a sua filha. - A deusa tríplice: em busca do feminino arquetípico, Adam Mclean.

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13 de agosto 🌕


O 13 de agosto é dedicado à deusa Hécate (ou Hekate) e vem sendo celebrado cada vez mais, no Brasil e no mundo, por devotos dessa divindade que me fascina há um bom tempo. Meu primeiro contato foi em torno de 2014 e, desde então, venho recolhendo informações, livros para estudo e também fazendo minhas interpretações de Hécate. Tenho um altar em casa e, no seu centro, está ela, guiando os meus caminhos e tirando o mal da minha vida. 


Recentemente, a série Sandman, da Netflix, apresentou uma versão da deusa, misturada às parcas da mitologia grega, e foi uma forma de chamar atenção para quem é ligado em cultura pop. Fazendo um gancho com a minha ilustração anterior, o feitiço usado pelas irmãs Owens no filme Da magia à sedução para trazer o namorado de Gillian de volta à vida, é voltado para Hécate. E sobre a obra do Neil Gaiman e o aspecto tríplice de várias personagens dele, tem um episódio do podcast We can be readers no qual a Su e eu discutimos o maravilhoso livro O oceano no fim do caminho. Fica a recomendação.


Ainda nas recomendações de podcast, temos o Caverna de Hekate, da Marcia C. Silva, escritora e devota de Hécate, sempre com informações embasadas em livros e estudos coerentes, trazendo informações relevantes e com fontes (diferente de muitas páginas que usam as vozes da cabeça para falar sobre mitologia). E foi no episódio Celebrando o 13 de agosto que a Marcia esclarece um pouco sobre a origem da data, e sua falta de fontes históricas, e também recomenda celebrar a deusa entre os dias 13 a 15, em especial o dia 14, dedicado à Hekate Kourotrophos, a guardiã das crianças. Vou deixar o episódio linkado aqui, pois vale muito a pena ouvir:



Ainda no quesito aqui tem informação, o Santuário Hekate Hegemonen fez uma pesquisa inédita sobre Hécate no Brasil. Vou deixar o link aqui também, pois muitos dados foram bastante surpreendentes para mim (deu até vontade de fazer doutorado, gente!). 

Então, nesse ano, resolvi aproveitar o 13 de agosto para me dedicar a uma ilustração, como forma devocional, tirando esse dia para fazer o que amo, com propósito, calmamente e sem a pressa de finalizar para postar. Aproveitei a sugestão da Marcia para usar o dia 14 para continuar esse "rito", finalizando a ilustração e me dedicando, também a escrever esse post falando tanto sobre meu processo criativo, como também trazendo essas informações. E como sou professora, o epíteto Kourotrophos tem muita ligação com minha prática diária. 


Antes de mais nada, respondendo a uma possível pergunta: não, eu não abandonei a aquarela! Só tenho me sentido mais à vontade para trabalhar com grafite e lápis de cor, que são os materiais com os quais me sinto mais segura, pois não é de hoje que tenho tentado me harmonizar com a docência e a arte, então eu preciso facilitar as coisas também.

Então, trabalhei com grafite e marcadores nanquim e metálicos, e fiz os demais detalhes no Photoshop (fundo, crescente e strophalos). Gostei muito do resultado final, achei a representação forte, me diz muito sobre a base sólida que quero ter para meus projetos futuros. Essa ilustração me remete à solidez.


Materiais utilizados

  • Papel Concept Hahnemühle;
  • Lápis grafite Lyra e Stabilo Othello 2B;
  • Marcadores nanquim e metálicos Staedtler e Pentel;
  • Finalização digital no Photoshop.

Espero que vocês tenham curtido a minha representação e as coisas que trouxe aqui, a essa altura do campeonato acho que não é novidade dizer que sou ligada em magia e bruxaria, embora ainda falte muita corrida e muito estudo para eu tentar me chamar de praticante, mas sempre aparece um desavisado mandando mensagens intolerantes, ou se "decepcionando" comigo por não "usar minha arte para outras coisas" (é sério...), enfim... para quem me acompanha, espero que tenha sido informativo, sigam me acompanhando por aqui e pelas redes sociais.

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Irmãs Owens 🌙


"Meu bem, quando vai entender que ser normal não é necessariamente uma qualidade?"
Um dos filmes que mais amo na vida é Da Magia à Sedução (1998), pela história, pelo clima aconchegante da casa das tias, e por usar a bruxaria para falar sobre feminismo, apoio entre mulheres e relacionamento abusivo de uma forma rara para a época. Tem um texto da Isabelle para o Delirium Nerd que fala bastante sobre essa questão.

Recentemente, consegui completar a trilogia de livros da Alice Hoffman na qual o filme se baseia (As regras do amor e da magia; Da magia à sedução e O livro de magia), mas ainda não a li.  Minha ideia era fazer uma série de ilustrações para o Halloween do ano passado com personagens de filmes icônicos, e comecei com as irmãs Sally e Gillian Owens, ainda em setembro. Mas o destino colocou um luto no meu caminho, e deixei a line art adormecida desde então. Só agora me senti confortável para retomar o último desenho inacabado antes do meu pai falecer.


Esse trabalho foi feito com lápis de cor escolar e canetas metálicas. A princípio, eu usaria aquarela, mas achei que o lápis de cor se adequaria melhor aos testes de cores que fiz anteriormente. Aqui, me apoiei bastante nos estudos de coloração pessoal (passo horas vendo isso no Instagram) para construir as figuras de Gillian e Sally - a primeira mais quente e intensa; a segunda mais serena e invernal. A composição do fundo tem as velas e a lua, numa noite estrelada em homenagem ao Van Gogh. O aspecto todo da ilustração capta uma aura de carta de tarô, com diversos elementos e interpretações, e isso é o que mais gosto nela.


Materiais utilizados

  • Papel para desenho 180g;
  • Lápis de cor super soft Faber-Castell e Staedtler;
  • Canetas metálicas e nanquim Staedtler.


Também tem vídeo mostrando um macete que faço desde sempre com meus trabalhos em lápis de cor: polimento! Pego um pequeno pedaço de papel higiênico ou toalha e fricciono gentilmente em movimentos circulares sobre o desenho, com cuidado para não borrar as cores, retirando a poeirinha do lápis e conferindo um aspecto polido e brilhante ao desenho. Fica muito bonito e pode ser feito com lápis escolar. Assista no Instagram ou no TikTok.

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Hekate Phosphorus [versão 2022] 🗝️🔥


Em 2019 eu fiz uma representação de Hekate que gostei/ não gostei da finalização. Gostei por ter trabalhado em aquarela, e não gostei porque alguma coisa ali na área de baixo da composição não ficou 100%. Eu já tinha feito uma representação em 2016 que havia gostado muito, muito mesmo. Acho que nenhuma se compara a primeira, pois foi bastante espontânea, do jeito que gosto de trabalhar com o lápis.


Porém, dia desses, resolvi voltar na ilustração de 2019 e, num acesso de racionalidade e desapego pouco visto antes, taquei a tesoura no papel, sem dó nem piedade. Recortei toda a figura, as tochas, as luas... Fui aparando o cabelo e a composição, arrumando o que estava torto e rearranjando a posição da figura até deixá-la do jeito que imaginei. 


Colei tudo cuidadosamente no papel cinza, fiz os acabamentos com caneta e, acima, está o resultado. Hekate da maneira que acredito que essa ilustração deveria estar desde o início. Parece que ela sempre foi assim. Esse processo me ajudou muito a trabalhar o desapego, visto que três dos meus trabalhos agora fazem parte do acervo da Otroporto, e eu estava com dificuldade em dizer "adeus" para eles. 


Librianos costuma ter dificuldades em tomar decisões, principalmente quando se encontram em encruzilhadas e precisam escolher um caminho. Voltar atrás e olhar para o passado, para então projetar o futuro, tem sido o que ajuda a me direcionar (o famoso dar dois passinhos para trás, para então seguir em frente).


E esse movimento de retornar aos trabalhos antigos está me ajudando demais a enxergar o quanto já fiz coisas boas, só preciso valorizar minha trajetória e sempre, sempre seguir adiante.

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Folhagem 🌿

 


Depois de muitos anos ilustrando somente em, no máximo, tamanho 24 x 32 (que é o tamanho dos blocos de aquarela que tenho), resolvi comprar novamente um bloco A3 para fazer exercícios de pintura, depois que meu projeto para a Otroporto foi aprovado (falarei mais disso em outra oportunidade). A minha preferência sempre vai ser por tamanhos menores, por questão de gosto, mas acho importante estar aberta a mudar o formato, de vez em quando.

Aproveitei para fazer algumas folhagens de costela-de-adão e testar algo mais decorativo, que não exigisse muita pesquisa ou precisão; que tivesse graça justamente no desprendimento.



Esse foi um dos últimos trabalhos que fiz ainda com essa configuração de espaço de trabalho, mudei tudo algum tempo depois (vou mostrar isso em detalhes tbm em algum momento).



Não usei papel próprio para aquarela, trabalhei num Canson 180g normal, por isso enrugou um pouco, o que não me incomodou, pois como disse, o foco era o desprendimento do perfeitinho.



Gostei tanto das minhas folhagens que decidi comprar uma moldura (também baratinha e também muito simples), e colocar esse trabalho na parede do meu quarto. Para que eu me lembre que preciso de tempo para me dedicar à arte, pois ela me rende belos frutos, que aquecem meu coração.


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Rosto #02 🔥

 


Desenho rápido feito com um dos meus materiais favoritos, que nunca falha: lápis grafite. Aqui, usei graduações de 2B a 9B, além de lápis de cor e marcador metálico. 



Materiais utilizados

  • Lápis grafite Lyra 2B, 4B e 9B;
  • Esfuminho Derwent;
  • Caneta gel metálica Pentel.
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Rosto #01 🔥

 


Desenho rápido feito com um dos meus materiais favoritos, que nunca falha: lápis grafite. Aqui, usei graduações de 2B a 9B, além de lápis de cor e marcador metálico. Gostei bastante desse resultado, às vezes é nas coisas mais simples que encontramos beleza e satisfação.



Materiais utilizados

  • Lápis grafite Lyra 2B, 4B e 9B;
  • Esfuminho Derwent;
  • Lápis de cor Albrecht Durer Faber-Castell;
  • Caneta gel metálica Pentel.

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Chama Violeta 💜

 

Card feito alguns meses atrás, com postal para aquarela da Hahnemühle que ganhei da Sabrina, aquarelas White Nights e um pouco de canetas e aquarelas metálicas.

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Trança 🍂

 


Uma trança castanha, chamando o outono, com aquele efeito de cabelos que eu amo fazer. Trabalho feito com lápis de cor comum, da linha escolar da Faber-Castell. Muitas vezes, as pessoas se apegam ao material, pois acham que é necessário ter coisas muito caras para produzir. Mas não é o material que faz o artista, longe disso!

Claro que materiais profissionais e de alta qualidade facilitam muito o nosso trabalho, mas sem estudo e constância, não adianta ter o melhor, ou o mais caro. O material auxilia (e muito, principalmente se você vai vender seu trabalho e pensa na durabilidade), mas para estudar ou se jogar numa técnica nova, vale a pena começar pelo mais baratinho.

E sempre que me encontro numa situação de frustração, seja com a rotina ou com meu próprio processo, recorro a esses materiais de conforto para me realinhar. Lembrando que também não há nada de errado em procurar a tão falada zona de conforto, se ela traz equilíbrio e estabilidade em momentos de tensão, principalmente naquelas vezes em que a síndrome de impostor está batendo a nossa porta.

Sentir segurança nos nossos processos criativos e aprimorar aquilo que nos traz confiança não deveria ser errado ou covarde, mas sim um ato de amor para com nós mesmos e com a nossa arte. Espero que essa mensagem sirva de inspiração para o começo desse mês. 💛
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Dia dois/dela 🐚


Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus

Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus

Dia 2 de fevereiro
Dia de Iemanjá
Vá pra perto do mar
Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá
Pra perto do mar
Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá

Janaína - Otto


Quase não deu, mas consegui fazer minha Iemanjá anual a tempo. Foi uma ilustração que começou muito bem no esboço, mas a pintura ficou tão errada, mas tão errada, que tive que partir novamente do zero, com a cabeça calma e reavaliando as decisões que eu precisava tomar.


Embora bata uma tristeza por "desperdiçar" material bom ("perdi" uma folha de papel Strathmore no processo), tudo é aprendizado e uma forma de reavaliar os nossos próprios caminhos. Mas depois que acertei o passo, a pintura fluiu como de costume.



Nada substitui a luz natural quando o assunto é aquarela perolada. Geralmente, a digitalização mata o brilho, e eu queria mostrar o quanto a lua prateada importa nessa composição. Para essa ilustração, usei como referência a estátua de Iemanjá do Cassino, feita pelo escultor Erico Gobbi. Já a posição das pérolas e da lua atrás, com o céu crepuscular, remetem às imagens do Aldivo Mendes, exímio fotógrafo e que sabia, como poucos, capturar essas interações da imagem com a paisagem. E o manto que os umbandistas carinhosamente enfeitam a imagem, se tornou sua roupa feita de mar e céu. É uma representação carregada de referências a Rio Grande e seus artistas, invisíveis e visíveis, que deixam suas marcas pela cidade. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches fino 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis Giotto;
  • Aquarelas peroladas Sakura Koi;
  • Marcadores Pentel.

Abaixo, um vídeo que mostra a vista aérea da estátua de Iemanjá da praia do Cassino, para quem não conhece:

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