A noite escura da alma
Primeiro post de 2019! E como já fiz em 2018, dedico ao arcano regente do ano. Depois da carta da Força, seremos regidos por O Enforcado (ou O Pendurado). Eu estou engatinhando a passos lentos no estudo do tarô, por isso, sempre procuro ver como especialistas interpretam a carta. Aqui tem um artigo bem completo da Rosea Bellator, para quem quiser uma explicação mais aprofundada.
Não vai ser um ano fácil, assim como o antecessor. Vai ter muito desapego de coisas desnecessárias, muita luta até atingir os objetivos. O meu deck de tarô, Illuminati, traz um texto que bateu como um soco mas, depois de estudá-lo, entendi a mensagem: é preciso parar de lutar pelo que não vale a pena, e concentrar esforços no que realmente importa.
Eles me chamaram de traidor, mas, por sua vez, me traíram, e não é minha recompensa encontrar minha alma em liberdade entre as estrelas do céu. Eu devo permitir que cada parte de mim desapareça, deixando apenas aquilo que permanece para olhar, nu, a escuridão do abismo embaixo de mim. Na noite escura da minha alma eu desço, na ausência do amor e da luz. Mas o que permanece? Apenas aquilo que pode ser pendurado entre o passado e o futuro, o céu e a terra. Esse é o caminho da escada em espiral descendente, os degraus cada vez mais para baixo. Esse é o caminho do sacrifício, e poucos o trilharão de bom grado. Essa é a necessidade de rendição, de abandonar e desistir - não porque tudo está perdido ou porque a esperança se foi, mas justamente pela esperança. Quando você conseguir se entregar completamente, saberá como é fazer parte do plano, uma pequena porção do bem maior, e como é estar conectado com seu eu superior. Não lute, não proteste, mas encontre serenidade e paz em sua rendição. Existe sempre um propósito maior para todas as coisas, até mesmo para o sofrimento e a escuridão nos quais sua alma caminha. Você só precisa virar o mundo de ponta-cabeça e observá-lo de um ângulo diferente. Não lute.
Além do texto acima, o tarô Illuminati destaca como características da carta: sacrifício, voltar-se para dentro; ver as coisas por um ângulo diferente; a noite escura da alma; fitar o abismo.
O meu desafio já começou na concepção da ilustração, pois me arrisquei numa pose que nunca tinha feito antes. Usei a própria carta do deck como referência, e trabalhei com a figura ao contrário. Cores, vestimentas, tudo foi na base da intuição, sem pensar demais. Deixei a carta "falar" comigo, e cheguei a este resultado. Bateu uma vontade imensa de fazer os outros arcanos (pelo menos os maiores) mas não vou me cobrar. Assim como deixei fluir o processo (as fotos ficaram muito escuras, por isso não coloquei aqui), vou deixar essa ideia fluir ao longo do tempo.
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Harmony 300g;
- Aquarelas Cotman e Van Gogh;
- Lápis de cor Polycolor e Derwent;
- Pincéis Keramik;
- Multiliner Sakura e caneta gel dourada, prata e branca para os detalhes.
Para quem se interessou por essa ilustra, coloquei alguns produtos na loja com ela, de pôster a case transparente para celular. Estão bem legais e com aquela qualidade que sempre recomendo. O link para acessar está aqui.
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Summary of Art 2018
Todo ano faço um summary of art para ter noção do que produzi e da evolução do meu trabalho ao longo de 12 meses. É uma forma legal de ver o que funcionou e o que precisa ser melhorado. Esse ano cogitei não fazer este balanço, acredito que houve muita inconsistência na minha produção; em muitos meses fiz malabarismos para poder produzir algo.
Mas a inconsistência também faz parte do trabalho artístico, e acabei me envolvendo em mil outras atividades que me encheram de orgulho e satisfação, como ensinar arte para crianças e montar uma exposição com o que elas próprias produziram.
Mas a inconsistência também faz parte do trabalho artístico, e acabei me envolvendo em mil outras atividades que me encheram de orgulho e satisfação, como ensinar arte para crianças e montar uma exposição com o que elas próprias produziram.
Posso não ter sido constante ou ter perdido um pouco o ritmo, mas tudo o que fiz foi em momentos em que queria muito estar envolvida naquilo, sempre procurando doar meu melhor.
Obrigada a todas(os) que permaneceram comigo durante este ano; que entenderam a minha ausência das redes sociais e a mudança de foco da minha vida artística; que não esqueceram de me indicar, curtir, acompanhar e, principalmente, obrigada a cada um que entende a arte como resistência.
Me despeço das atividades do blog em 2018 por aqui, desejando um feliz Natal 🎅 e um 2019 de luz e esperança para todas(os)!! ✨
O template foi feito por DustBunnyThumper e pode ser baixado aqui.
Laguna 🌅
Depois do hiato pós-Inktober (meus últimos trabalhos acabados já têm quase dois meses), voltei com uma ilustração feita com lápis de cor, que sempre vai ser um dos meus materiais favoritos.
Esses dias rolou uma discussão bem interessante lá no GAG, sobre como encontrar motivação para desenhar diante de uma rotina atribulada e do cansaço por ela gerado. O que tem funcionado comigo é não sentir culpa. Faço o que posso, quando posso. Deixei de lado as encomendas e hoje me dedico somente aos projetos pessoais. O que ganho como professora garante meu sustento, por isso pude dar outro status para minha arte. Depois que entendi essa nova realidade, voltei a sentir prazer em produzir, mesmo reduzindo o ritmo. Claro que essa não é a realidade de quem vive 100% de freela, mas se você divide seu tempo com emprego em meio período ou integral, tente descansar o suficiente e não sinta culpa.
Comecei pela pele, trabalhando com tons mais quentes, puxados para o laranja (o anúncio da cor do ano pela Pantone só veio dias depois hehehe), quem me acompanha há mais tempo sabe que não costumo usar bege puro para colorir peles claras, mas sim trabalho construindo tons sobre marrons, sépias, laranjas, rosados, vermelhos e por aí vai. Em seguida, cobri os cabelos com a brush pen da Pentel e gostei bastante do contraste.
Para a água, usei desde azul da Prússia e verde folha até rosa. Foi bastante difícil e acredito que não consegui chegar num resultado satisfatório para essa água, pois foi a primeira vez que tentei esse efeito com lápis de cor. Talvez com aquarela fosse mais fácil, pois tenho ainda na memória os ensinamento que a Sabrina passou em seu curso e vários exemplos para me guiar. Mas mesmo assim quis arriscar, afinal, como saberei se vou conseguir se não tentar, não é mesmo?
Materiais utilizados
- Papel Nostalgie Hahnemühle;
- Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
- Brush pen Pentel;
- Multiliner Copic e caneta gel dourada para os detalhes.
Não esqueça que no post anterior tem presente! São três modelos de calendário 2019 para download gratuito (uso pessoal), com ilustrações que gostei de fazer em 2018. É só clicar aqui.
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