Antúrio 🌿
Desenterrei a vontade de trabalhar numa ilustração totalmente baseada na força do ódio. Enquanto professora da rede pública do RS, estamos em meio ao caos do retorno presencial/híbrido, num dos piores momentos da pandemia, no qual faltam vacinas, leitos e vergonha na cara dos governantes.
E, embora não haja mais disposição criativa nesse corpo que dê conta de tantas tragédias que acontecem dia após dia, senti que se eu não pegasse um momento para desligar da vida docente e focar na arte, tudo ficaria pior. Então, vinha ensaiando a algumas semanas retomar um esboço (daqueles que ficam eternamente guardados) para colocar a cabeça em ordem.
Como meu último trabalho da série Botânicas foi em 2019, achei que era hora de dar vida a Antúrio, resgatando minhas aquarelas, que estavam paradas desde fevereiro. Decidi, também, usar o que eu mais gostava, desde a técnica escolhida até o papel e as tintas, para que realmente fosse um momento só meu e da ilustração. Como foi em tantos momentos anteriores à pandemia e como idealizei que fosse no meu ateliê.
Para essa ilustração, usei somente as aquarelas da White Nights, pois preciso aprender a trabalhar com aquelas cores e tirar o melhor daquele estojo. Fiz uma base em azul cerúleo para as sombras e os valores das plantas. E para a figura, trabalhei com vermelhos e azuis misturados para criar a base, que foi utilizada em maior intensidade nas sombras. Tenho optado por essa forma de preencher pele, ao invés de marcar os valores em cinza ou azul, pois acredito que traz uma leveza maior. Os retoques foram com lápis de cor e marcadores, mas tenho tentado usá-los cada vez mais pontualmente. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches grana fina 300g;
- Aquarelas White Nights;
- Pincéis sintéticos Giotto;
- Marcadores Posca e Sakura;
- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel.
Fiquei especialmente satisfeita com o contraste entre as flores e as formas femininas, e as folhagens crescendo pelos cabelos, como se tudo fizesse parte da mesma força natural. Depois de digitalizada, apenas reduzi um pouco de poeira e saturação, e apliquei multiply no Phtoshop. A textura do papel ficou muito bonita e ajudou a dar o aspecto granulado da planta. Mais detalhes:
Esse trabalho me fez muito bem, me fez reconduzir minha prática artística, algo que não posso viver sem, e que toca outras pessoas também. Mas ainda é muito difícil, para mim, criar em meio a esse desastre pandêmico. Ainda me sinto exausta só por olhar o noticiário.
Seguimos dia após dia, de flor em flor... 🌹
tiktoker 👁👄👁
Este post deve ser apreciado ao som de Telepatía, da Kali Uchis:
Depois de quase dois meses em hiato, consegui me dedicar a algo só pra mim, me senti retornando à época em que pegava várias referências de fotos de maquiagem para desenhar. Só que dessa vez as inspirações foram os vídeos de make do TikTok. Embora eu não tenha mais perfil nessa rede (zero paciência), acompanho o que o pessoal posta no Pinterest e Instagram.
De tanto ver as tendências e como as meninas se maquiam, surgiu esse desenho, feito todo com lápis de cor e marcadores, com direito a caneta holográfica. Tentei reproduzir a pele glow, as sardas e os delineados surpreendentes, mas no fundo eu só queria me divertir um pouco e desopilar dessa realidade pavorosa que nos assola.
Tenho curtido bastante esse sketchbook da Tilibra, da linha Académie. As folhas são muito gostosas para usar lápis e marcador. Já havia feito essa ilustra usando ele, e tem sido uma boa forma de encarar a arte com espontaneidade e experimentar mais.
Quem mais acompanha as ~tendênças~ do TikTok?
Vênus à deriva 🌊
Essa ilustração foi criada para a capa da primeira edição da Zine Marítimas, cujo tema é à deriva. Trata-se de uma releitura da obra O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, pintada em 1486. Para quem não sabe de que obra estou falando, é esta aqui:
Quando tive a ideia da releitura, não estava pensando diretamente na zine (foi de tanto ver a capa do livro Mulheres, Mitos e Lendas), mas os conceitos foram se encaixando. Acabei fazendo mais dois trabalhos inspirados nessa Vênus saindo do mar, mas que estão em stand by. Tentei utilizar vários materiais, como grafite e aquarela (abaixo), mas senti que não estava conseguindo comunicar bem o que queria transmitir, algo que lembrasse levemente as estéticas seapunk e vaporwave. Daí, cheguei num material que já fazia um bom tempo que não utilizava: o pastel seco.
Na realidade, o pastel seco entrou mais para resolver o problema da coloração da pele. Nos cabelos, apostei em quem nunca me deixa não mão, o bom e velho lápis de cor, com alguns filetes de caneta holográfica e muito dourado. O recorte da imagem também se deve à referência do livro Mulheres, Mitos e Lendas, sendo que fiz questão de ressaltar a espiral de cabelos no ombro (que no quadro original tem proporção áurea).
Materiais utilizados
- Papel Hahnemühle Nostalgie;
- Pastel seco Derwent;
- Esfuminho Derwent;
- Lápis de cor Staedtler Karat;
- Caneta holográfica Pentel;
- Caneta dourada Sakura.
Neste post antiguinho, tem um pequeno tutorial com minhas primeiras experiências com pastel seco, mas continua válido. A Suellen Rubira escreveu o editorial da Zine Marítimas e falou muito amorosamente tanto dessa releitura, quando da nossa proposta nesse primeiro volume. Abaixo, a capa completa:
Para ler a zine, clique aqui. Abaixo, o episódio de We Can Be Readers no qual falamos da zine:
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