Nas águas de março: oficina gratuita e mais 🌊
Em comemoração ao primeiro aniversário da Zine Marítimas (hoje completa um ano do lançamento do primeiro volume, aliás), o mês de março está sendo dedicado a um ciclo de oficinas e conversas totalmente gratuitas, tudo idealizado pela equipe de editoras Suellen Rubira e Ju Blasina. Ano passado, ao final do primeiro volume, acabei me retirando da editoria, pois estava soterrada de trabalho e não conseguia dar a atenção que o projeto merecia. Agora, me dedico a participações esporádicas, quando sinto que posso conciliar as atividades sem entrar em exaustão.
E é com muito carinho que participo de três frentes nesse mês comemorativo: a primeira é a Exposição Zine Marítimas, que tem percorrido diversos espaços da Universidade Federal do Rio Grande - FURG, dentre eles, o meu local de trabalho, o CAIC, que abriga a EMEF Cidade do Rio Grande, na qual estou professora dos 6° e 9° anos, e também uma das coordenadoras pedagógicas dos Anos Iniciais. Tem sido importante conectar as coisas por aqui, saber que posso coexistir enquanto artista e professora, e que em alguns momentos uma dessas funções vai falar mais alto, mas sempre mantendo espaço para a outra se manifestar. Os registros das exposições podem ser conferidos no Instagram da Zine.
Já no dia 02 de abril, às 19h, haverá uma oficina online e gratuita comigo, sobre Produção artística & algoritmos: mulheres e o fazer arte em tempos de internet. Nessa oficina eu não vou dar dicas sobre engajamento ou qualquer pataquada coach. Vou partir da minha própria experiência de 12 anos mostrando meu trabalho na web para tentar analisar como as redes sociais, a exposição e a necessidade cada vez maior de visualizações e engajamento têm impactado a produção artística feminina - para o bem e para o mal. Será uma oficina em tom de conversa, bastante acolhedora e para refletir sobre o momento atual. As inscrições serão divulgadas no Insta da Zine.
Por fim, no dia 09 de abril, às 19h30min, Ju, Su e eu faremos uma live de encerramento, comentando o filme A Filha Perdida, lá no insta da zine. Desde já sei que estará maravilhoso, e todes estão convidades.
Outras atividades também estão ocorrendo já a todo vapor, como oficinas e conversas com autoras, entrevistas e muita informação, que vocês podem acessar em @zine.maritimas. Em seu primeiro ano, a zine já publicou em torno de 80 autoras, muitas delas pela primeira vez, e tem se tornado referência no cenário das publicações independentes, com participações programadas também para a próxima Feira do Livro da FURG, que acontecerá em maio.
Trança 🍂
Uma trança castanha, chamando o outono, com aquele efeito de cabelos que eu amo fazer. Trabalho feito com lápis de cor comum, da linha escolar da Faber-Castell. Muitas vezes, as pessoas se apegam ao material, pois acham que é necessário ter coisas muito caras para produzir. Mas não é o material que faz o artista, longe disso!
Claro que materiais profissionais e de alta qualidade facilitam muito o nosso trabalho, mas sem estudo e constância, não adianta ter o melhor, ou o mais caro. O material auxilia (e muito, principalmente se você vai vender seu trabalho e pensa na durabilidade), mas para estudar ou se jogar numa técnica nova, vale a pena começar pelo mais baratinho.
E sempre que me encontro numa situação de frustração, seja com a rotina ou com meu próprio processo, recorro a esses materiais de conforto para me realinhar. Lembrando que também não há nada de errado em procurar a tão falada zona de conforto, se ela traz equilíbrio e estabilidade em momentos de tensão, principalmente naquelas vezes em que a síndrome de impostor está batendo a nossa porta.
Sentir segurança nos nossos processos criativos e aprimorar aquilo que nos traz confiança não deveria ser errado ou covarde, mas sim um ato de amor para com nós mesmos e com a nossa arte. Espero que essa mensagem sirva de inspiração para o começo desse mês. 💛
Dia dois/dela 🐚
Disse um velho orixá pra oxaláPra acreditarPra não temer, temer, temerDesses tempos verdadeirosTempos mausDisse um velho orixá pra oxaláPra acreditarPra não temer, temer, temerDesses tempos verdadeirosTempos mausDia 2 de fevereiroDia de IemanjáVá pra perto do marLeve mimos pra sereiaJanaína IemanjáPra perto do marLeve mimos pra sereiaJanaína IemanjáJanaína - Otto
Quase não deu, mas consegui fazer minha Iemanjá anual a tempo. Foi uma ilustração que começou muito bem no esboço, mas a pintura ficou tão errada, mas tão errada, que tive que partir novamente do zero, com a cabeça calma e reavaliando as decisões que eu precisava tomar.
Embora bata uma tristeza por "desperdiçar" material bom ("perdi" uma folha de papel Strathmore no processo), tudo é aprendizado e uma forma de reavaliar os nossos próprios caminhos. Mas depois que acertei o passo, a pintura fluiu como de costume.
Nada substitui a luz natural quando o assunto é aquarela perolada. Geralmente, a digitalização mata o brilho, e eu queria mostrar o quanto a lua prateada importa nessa composição. Para essa ilustração, usei como referência a estátua de Iemanjá do Cassino, feita pelo escultor Erico Gobbi. Já a posição das pérolas e da lua atrás, com o céu crepuscular, remetem às imagens do Aldivo Mendes, exímio fotógrafo e que sabia, como poucos, capturar essas interações da imagem com a paisagem. E o manto que os umbandistas carinhosamente enfeitam a imagem, se tornou sua roupa feita de mar e céu. É uma representação carregada de referências a Rio Grande e seus artistas, invisíveis e visíveis, que deixam suas marcas pela cidade. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches fino 300g;
- Aquarelas White Nights;
- Pincéis Giotto;
- Aquarelas peroladas Sakura Koi;
- Marcadores Pentel.
Abaixo, um vídeo que mostra a vista aérea da estátua de Iemanjá da praia do Cassino, para quem não conhece:
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