Projeto ilustra: fundo do mar
O Projeto Ilustra foi proposto pela Ana Blue, do blog 9dades a Solta. Somos um grupo de minas que postará em seus blogs, sempre no último dia do mês, o tema mais votado entre nós. O limite máximo de ilustras é de cinco por participante, dependendo do tempo de cada uma.
O tema escolhido para abril foi fundo do mar. A princípio, achei que ficou um pouco parecido com o ilustra day de março, porém, quando estava à procura de uma imagem para a divulgação, topei com essas águas-vivas lá no Unsplash e fiquei encantada com a ideia de fazer algo nessa linha.
Eu moro numa região litorânea, então sempre aparecem esses animais (também chamados de Mães D'água) por aqui. Fiz uma pesquisa bem detalhada no Pinterest, tentando associar a temática à imagens que me transportassem para um mundo abissal, silencioso, cheio de seres gelatinosos e com tentáculos.
Busquei relações com o inóspito, o silêncio e o autoconhecimento. Trouxe o mar para dentro, para o que está escondido em nós, para a nossa solidão. O resultado foi uma figura mergulhada na escuridão de si própria, com seus cabelos flutuantes e gelatinosos.
Uma das sensações que tive, ao terminar essa ilustra, foi a de ouvidos entupidos, sabe? Aquela aflição de quem não sabe nadar ao entrar na água gelada e, de repente, se ver às voltas com um mundo em que não sabe lidar, e que pode ser fatal.
Materiais utilizados
- papel Canson 200g;
- aquarela Cotman na cor Indigo;
- lápis grafite Koh-I-Noor 3B;
- tinta acrílica preta Reeves;
- pincéis sintéticos (um mais espesso para as coberturas e outro fino para os detalhes);
- marcador preto.
Para este trabalho, quebrei uma das regras que a Sabrina Eras ensina no curso de aquarela: sempre retirar o refluxo, aquele excesso de água que acaba estragando o pigmento. Achei válido deixar essas manchas para fazer o capuz da água-viva, auxiliada pela ondulação do papel fino. O contraste com a tinta acrílica, muito mais pesada, também ficou interessante. E a foto que utilizei como referência é do banco da Reine-Haru.
Quando o lúdico é um problema
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| Bey rainha, o resto nadinha. Imagem via. |
Já não é de hoje que percebo um fenômeno se abater sobre arte feita por mulheres. Por mais forte, referenciado e bem executado que seja, muitas vezes o trabalho produzido pelas minas é taxado apenas como lúdico. E isso se repete nas artes visuais, música, dança, literatura, dentre outros. Já vi até pesquisa acadêmica receber este "elogio".
Lúdico, para quem não sabe, se refere ao ato de brincar. Uma atividade lúdica é aquela que envolve brincadeiras, jogos; algo capaz de facilitar a aprendizagem (dentro do discurso educacional) e de entreter, divertir.
Certa vez recebi uma mensagem, através do Facebook, de um ilustrador que conheceu meu trabalho a partir das lojas virtuais. No meio da conversa, o camarada me solta um: achei que seu trabalho é mais lúdico (que o dele). Numa outra ocasião, um cara também teceu comentário semelhante a respeito de um pequeno estudo, dizendo que admirava muito essa coisa lúdica.
É bem complicado encarar um feedback tão enviesado, afinal, meus trabalhos são reflexo das minhas próprias experiências, um espelho da mulher que sou, que fui e que desejo ser. Sem brincadeira. Explorar elementos fantásticos e referentes ao sagrado feminino não significa querer colocá-los de forma lúdica, existem n interpretações.

Diante disso, eu paro e penso: as pessoas realmente sabem do que estão falando ou apenas querem desqualificar o meu trabalho, dizendo que ele não é sério ou importante o suficiente para se igualar ao delas? Achei que era um problema isolado, até ver que acontecia com várias mulheres.
Se até o álbum mais politicamente engajado da Beyoncé recebeu a alcunha de lúdico, temos um problema. Quando insistimos na ideia de que a arte produzida por mulheres é apenas uma brincadeira, um simples divertimento entre uma coisa mais importante e outra, não estamos levando essas produções a sério. Dizemos, nas entrelinhas, que os frutos daquela pesquisa não são suficientemente bons para estarem entre a arte de verdade. E o que é arte de verdade?

Claro que muitas artistas optam conscientemente por utilizar o lúdico em suas obras, principalmente as que têm o público infantil como foco. A grande questão é o nivelamento das produções, mesmo sem conhecer a trajetória da mulher. Isso reforça estereótipos muito problemáticos como, por exemplo, que a arte é só um hobby, que existem trabalhos "de mulherzinha" (um exemplo literário que cabe aqui é o chick lit).
Eu nem ia escrever esse post, porque: 1. não era uma pauta com a qual gostaria de lidar tão cedo; 2. da última vez que escrevi um texto reflexivo aqui, teve anônimo magoadíssimo, chorando nos comentários. Mas achei necessário trazer a questão à tona e gostaria que outras minas se juntassem ao debate, para que a gente possa trocar experiências.
Vocês já passaram por situações parecidas? Como reagiram?
Contem aí nos comentários e vamos fazer as ideais circularem.
#ilustraday abril: unicórnio
O ilustra day é um projeto criado pela Camila Rech no qual, todo mês, os participantes escolhem, através de votação, a temática a ser ilustrada. O tema de abril é unicórnio e eu resolvi sair da minha zona de conforto, que é representar mulheres, e ilustrar um homem.
Meu unicórnio não é um cavalo, mas um rapaz com um lindo chifre lilás e coroa de flores. Lembra bastante a figura do próprio fauno (ou sátiro, se preferir) que eu tanto gosto de usar com as minhas meninas. Algumas imagens do processo - e já aviso que não tenho fotografado tantas etapas para não me desconcentrar:
Gostei bastante do resultado do rosto e cabelos, porque consegui atingir o mesmo ar despojado do ilustraday passado. Pensei que tão cedo não tornaria a me sentir satisfeita com um trabalho, talvez todos os estudos que tenho realizado estão dando resultado.
Materiais utilizados
- papel Canson Montval 300g;
- aquarelas da Sennelier e da Cotman;
- lápis Staedtler Mars Lumograph 4B;
- pincel pelo sintético número 4.
Quem quiser participar, ainda dá tempo! O tema fica ao ar até o dia 14 de maio e você pode mandar sua ilustração através da página do ilustra day no Facebook (via inbox).
E de hoje até o dia 1/5 a minha loja no Colab55 está em promoção: na compra casada de duas canecas ou dois pôsters o frete é grátis para todo o Brasil!
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Resenha: fita crepe azul
Muitas pessoas têm dificuldades em utilizar a fita crepe comum para fixar seus trabalhos na hora da pintura. Algumas técnicas ajudam a tirar um pouco de cola, impedindo que o papel rasgue ao puxar. Passar a fita numa superfície áspera, várias vezes, é uma alternativa.
Porém, o que pouca gente sabe, é que existe um tipo de fita crepe específico para trabalhos artísticos, manuais e reformas: é a maravilhosa fita azul! Quem acompanha canais artísticos gringos e programas de makeover do TLC sabe do que estou falando.
A fita crepe azul, de acordo com esta fabricante é especial, cujo tempo de aplicação pode prolongar-se por até 14 dias sem deixar colas ou resíduos. Aplicável em alumínio, madeira, tinta, látex, plásticos, vidros e outras superfícies. Mais resistente ao rasgamento, solventes, sol, chuva. Pode ser aplicada em ambientes internos e externos.
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| A fita crepe azul é especial para pintura e não deixa a tinta ou excesso de água vazar para a área protegida. |
Na prática, a azulzinha além de ser fácil de colar e descolar, não rasga o papel. Caso ele seja muito sensível, as marcas deixadas são bem menos evidentes. Ela também não vaza água e tinta para a borda que está colada. Eu, por exemplo, gosto de deixar essa margem como uma espécie de moldura e, quando a tinta passa, preciso cortar ou maquiar com caneta branca. É bem chato.
O preço médio desse produto é de R$ 13, e pode ser encontrada em ferragens e lojas de material artístico e de construção. Apesar de ser muito mais cara que uma fita crepe comum, recomendo o seu uso por não machucar tanto o papel, principalmente o de aquarela, e também por ser larga o suficiente para cortar ao meio e economizar na aplicação. Dependendo do caso, você também pode reutilizá-la várias vezes, basta deixar colada na prancheta ou em qualquer superfície lisa.
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| O papel da imagem é para aquarela, 185g e, geralmente, rasga. Repare que, apesar de retirar um pouco de fibra, a fita azul não danifica a folha, e também não deixa resquício de vazamento. |
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| Estado do papel após retirada total da fita azul. |
*Este post não foi patrocinado por loja ou empresa.
Clipes com referências na história da arte (parte 2)
Após a primeira edição comentadíssima (veja aqui), trago mais uma seleção de clipes com referências na história da arte, misturando de Thalía a Queen - porque sim!
Gostaria de esclarecer algumas coisas que, talvez, não tenham ficado claras no post anterior: em primeiro lugar, eu não tenho uma lista pré-pronta de vídeos, isso aqui é resultado de uma boa pesquisa empírica no YouTube, movida pela mais pura curiosidade, e quando eu tenho tempo. Em segundo lugar, não é minha intenção elaborar um estudo detalhado e crítico da influência de determinadas escolas na cultura pop atual. O propósito é fazer com que as pessoas se liguem que a arte está em tudo, e que não tem ninguém inventando a roda hoje em dia: por trás de uma performance "inovadora" tem muita pesquisa de referência.
Chega de conversa e vamos aos vídeos, que é o que interessa!
Piel Morena, Thalía: esse clipe ficou de fora da primeira seleção por puro descuido. Na época de laçamento, muita gente não entendeu por que Thalía apareceu com um sutiã feito de torneiras e um aquário na cabeça, mas existe uma forte influência surrealista no vídeo, desde o figurino até o enquadramento de câmera. Diva latina!
Shots, Imagine Dragons: já é possível escrever um tratado sobre bandas que utilizam o Surrealismo como matéria prima para os seus clipes. Aqui, o Imagine Dragons interage num cenário produzido com obras do Tim Cantor, que também foi responsável pela arte do álbum Smoke+Mirrors.
Now, Paramore: quando a inspiração não é literal, a mensagem fica ainda mais interessante. Segundo a vocalista da banda, Hayley Williams, toda a estética foi baseada na obra de Banksy que, para quem não sabe, é um artista de rua anônimo, cujas obras têm forte teor político. O ponto de partida foi o icônico Rage, Flower Thrower.
Hotline Bling, Drake: o próprio rapper declarou que a estética do clipe foi baseada na obra do norte-americano James Turrell. O artista foi a público esclarecer que, apesar da "homenagem", não esteve envolvido na produção do vídeo, o que gerou aquela torta de climão que as celebridades tanto amam comer, não é mesmo?
The Masterplan, Oasis: eu não conhecia esse clipe, talvez por não ser grande entusiasta das declarações dos irmãos Gallagher. Além de ser visualmente bonito e bem construído, todos os cenários foram produzidos a partir das pinturas de L. S. Lowry.
Quem ficou curioso e está a fim de buscar mais vídeos legais, com referências artísticas ou simplesmente com um apelo visual diferente, o site Tutoriart fez uma lista com 25 vídeos super criativos, que merecem sua visita e joinha.
E quem souber de mais clipes interessantes e com algum tipo de referência artística, deixe nos comentários para que todos possam conhecer e aprender um pouco mais.
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