Lidiane Dutra
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Portfólio

Trança 🍂

 


Uma trança castanha, chamando o outono, com aquele efeito de cabelos que eu amo fazer. Trabalho feito com lápis de cor comum, da linha escolar da Faber-Castell. Muitas vezes, as pessoas se apegam ao material, pois acham que é necessário ter coisas muito caras para produzir. Mas não é o material que faz o artista, longe disso!

Claro que materiais profissionais e de alta qualidade facilitam muito o nosso trabalho, mas sem estudo e constância, não adianta ter o melhor, ou o mais caro. O material auxilia (e muito, principalmente se você vai vender seu trabalho e pensa na durabilidade), mas para estudar ou se jogar numa técnica nova, vale a pena começar pelo mais baratinho.

E sempre que me encontro numa situação de frustração, seja com a rotina ou com meu próprio processo, recorro a esses materiais de conforto para me realinhar. Lembrando que também não há nada de errado em procurar a tão falada zona de conforto, se ela traz equilíbrio e estabilidade em momentos de tensão, principalmente naquelas vezes em que a síndrome de impostor está batendo a nossa porta.

Sentir segurança nos nossos processos criativos e aprimorar aquilo que nos traz confiança não deveria ser errado ou covarde, mas sim um ato de amor para com nós mesmos e com a nossa arte. Espero que essa mensagem sirva de inspiração para o começo desse mês. 💛
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Aquarela Portfólio

Dia dois/dela 🐚


Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus

Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus

Dia 2 de fevereiro
Dia de Iemanjá
Vá pra perto do mar
Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá
Pra perto do mar
Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá

Janaína - Otto


Quase não deu, mas consegui fazer minha Iemanjá anual a tempo. Foi uma ilustração que começou muito bem no esboço, mas a pintura ficou tão errada, mas tão errada, que tive que partir novamente do zero, com a cabeça calma e reavaliando as decisões que eu precisava tomar.


Embora bata uma tristeza por "desperdiçar" material bom ("perdi" uma folha de papel Strathmore no processo), tudo é aprendizado e uma forma de reavaliar os nossos próprios caminhos. Mas depois que acertei o passo, a pintura fluiu como de costume.



Nada substitui a luz natural quando o assunto é aquarela perolada. Geralmente, a digitalização mata o brilho, e eu queria mostrar o quanto a lua prateada importa nessa composição. Para essa ilustração, usei como referência a estátua de Iemanjá do Cassino, feita pelo escultor Erico Gobbi. Já a posição das pérolas e da lua atrás, com o céu crepuscular, remetem às imagens do Aldivo Mendes, exímio fotógrafo e que sabia, como poucos, capturar essas interações da imagem com a paisagem. E o manto que os umbandistas carinhosamente enfeitam a imagem, se tornou sua roupa feita de mar e céu. É uma representação carregada de referências a Rio Grande e seus artistas, invisíveis e visíveis, que deixam suas marcas pela cidade. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches fino 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis Giotto;
  • Aquarelas peroladas Sakura Koi;
  • Marcadores Pentel.

Abaixo, um vídeo que mostra a vista aérea da estátua de Iemanjá da praia do Cassino, para quem não conhece:

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Aquarela Portfólio

Who says they don't cry? 🕸️



Eu preciso gostar muito de algo para decidir fazer uma fan art, pois sei que se o hype for grande, vai ter muita gente fazendo a mesma coisa, e isso pode atrair até mesmo pessoas que não vão se identificar com meus trabalhos regulares. Mas assim que vi as fotos promocionais e o clipe da nova música da Anitta, Boys Don't Cry, achei tudo tão perfeito, que foi quase impossível não querer ilustrar um dos looks inspirados na Lydia de Os Fantasmas Se Divertem. E lá fui eu, bem gotiquinha.



Gostei tanto das fotos que foi difícil escolher uma, mas acabei pegando como referência a que tinha uma iluminação muito bonita, misturando tons de azul e vermelho numa atmosfera bem surreal. E também coloquei meus melhores materiais para jogo, pois queria trabalhar bem a questão das nuances dos tons, a luz, a ilusão do tule no vestido. Para isso, usei papel 100% algodão e as maravilhosas aquarelas da White Nights, que fazem praticamente metade do serviço sozinhas. 


E aqui o trabalho foi com manchas, usando o úmido sobre úmido, para criar essas camadas e contrastes usando somente dois tons de azul e dois de vermelho. O pouco de finalização extra que fiz foi no rosto, usando pastel seco para reforçar os valores, pois fica mais suave que o lápis de cor, e também marcadores nanquim nos olhos. 90% do trabalho foi resolvido só na aquarela, e fiquei bastante feliz com o resultado:


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches fino 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis Keramik;
  • Pastel seco Derwent;
  • Marcadores Pentel.

A era gótica chega para todas.

via GIPHY

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Green Man 🌿


As primeiras representações que vi do Homem Verde foram as ilustrações maravilhosas do Brian Froud (artista que amo estudar). Sempre que vejo uma folha de plátano, ou uma casca de árvore, penso em fazer um homem verde. E ontem, acabou saindo essa versão em aquarela.

O Homem Verde é a face adulta do deus tríplice e vive nas florestas. Eu não vou me estender falando sobre sua história, pois a Rosea Bellator já faz isso brilhantemente nesses dois textos: O Homem Verde - A Face Adulta do Deus Tríplice e O Deus Tríplice - O Cornífero, O Homem Verde e o Ancião. Recomendo essas leituras para quem quiser mais informações sobre essa figura.


A minha representação do Homem Verde é a face toda feita de folha. Não é uma folha específica de uma planta, mas uma criação livre, com os contornos que se encaixavam melhor nesse rosto que eu desejava construir. É um pouco da folha do plátano, mas as bordas são mais "comidinhas", como se uma lagarta tivesse almoçado por ali.

Trabalhei o úmido sobre úmido e fiz muitas camadas de cinza, marrom e verdes, e vários respingos para trazer as manchas. Queria a folha bem manchada, marcada pelo tempo, com o queimado do sol, as áreas onde pode haver um fungo, por onde uma formiga possa ter passado. Tenho focado bastante na questão das marcas do tempo no meu trabalho (talvez porque eu esteja envelhecendo também!). Os detalhes foram feitos com lápis de cor comum e os marcadores de sempre. O resultado:


Materiais utilizados:

  • Papel para aquarela Canson XL 300g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Faber-Castell;
  • Marcadores Pentel.

Essa ilustração já está disponível no meu studio na Colab55, em formato de pôster, cadernos, almofadas, dentre outros produtos.

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Oxum ✨


De acordo com a tradição da Umbanda aqui do RS, 2022 será regido pela mãe Oxum, e resolvi prestar minha homenagem à orixá com uma aquarela em muitos tons de amarelo e dourado, chamando a riqueza que ela merece.


Embora o amarelo vivo não seja mais uma cor presente na minha paleta (vou escrever mais adiante como tenho definido minha paleta de cores pessoal) consegui utilizar o tom mais quente (amarelo cádmio) misturado a outras cores, que conferiram uma tonalidade geral mais próxima ao que uso, sem tirar a vibração que eu queria passar na pintura. Também aproveitei para colocar em prática ensinamentos que fazem toda a diferença no meu trabalho.



Fiz a marcação dos valores de forma diferente, colocando um fundo azul ultramar em toda a figura. Depois, fui construindo as camadas com uma mistura de azul ultramar e alizarin crimson, com alguns toques de sépia. Esse tipo de coloração para pele negra aprendi com a Sabrina Eras, que é construir a base em tons azulados e não com o marrom quente logo de cara. Fica muito mais natural.


A finalização também foi feita com o pastel seco, que fica mais sutil que o lápis de cor. Para as rosas, usei amarelo cádmio, ocre e laranja, para dar profundidade. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Canson XL;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pastel Seco Derwent;
  • Marcadores Pentel.
"Oxum é uma deusa das águas doces, e seu domínio é o amor, a beleza e a criação. Ela é um dos sete principais orixás e é homônima a um rio na África Ocidental. A lenda diz que Oxum é a fonte de poder de todos os outros orixás. Ela faz todas as coisas fluírem no universo, tanto pelo amor quanto pela força, e foi enviada pelos outros orixás para intervir diante de Ogum, o orixá das ferramentas e pai da civilização, que se cansou de criar e cessou a evolução do mundo. Oxum foi a única capaz de levantar o ânimo dele e de incentivá-lo a voltar a criar. Oxum também é a única deusa capaz de transmitir mensagens entre o mundo mortal e o Criador Supremo no paraíso." - Divinas Mulheres, de Ann Shen.
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