Linda Nochlin e "Por que não houve grandes mulheres artistas?"
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| Salomé com a cabeça de São João Batista, Artemisia Gentileschi. 1610-15. |
a ingênua ideia de que arte é a expressão individual de uma experiência emocional, a tradução da vida pessoal em termos visuais. A arte quase sempre não é isso; a grande arte nunca o é. O fazer arte envolve uma forma própria e coerente de linguagem, mais ou menos dependente ou livre de convenções, esquemas ou noções temporalmente definidos que precisam ser aprendidos ou trabalhados através do ensino ou de um período longo de experimentação individual. A linguagem da arte, materialmente incorporada em tinta, linha sobre tela ou papel, na pedra, ou barro, plástico ou metal nunca é uma história dramática ou um sussurro confidencial. (p. 7)
Não há dúvida, por exemplo, que o jovem Picasso tenha, aos quinze anos (e, em apenas um dia) passado em todos os exames admissionais para a Academia de Arte de Barcelona e, mais tarde, para a de Madri, uma grande demonstração de proeza, já que a maioria dos candidatos precisava de um mês para tal. Porém, gostaria de saber mais sobre histórias semelhantes de candidatos precoces que não alcançaram nada mais além da mediocridade ou o próprio fracasso. Estes são casos que não interessam aos historiadores da arte, estudar com mais detalhes, por exemplo, o papel protagonizado pelo pai de Picasso, professor de arte, na sua precocidade pictórica. E se Picasso tivesse nascido menina? Teria o senhor Ruiz prestado tamanha atenção ou estimulado a mesma ambição de sucesso na pequena Pablita? (p. 17-8)
O Ano da Serpente 🐍
Hoje começa oficialmente o Ano da Serpente, no horóscopo chinês. Hoje também é o primeiro Deipnon do ano, segundo o calendário hekatino (algumas bruxas consideraram o dia de ontem), momento de purificação mensal dedicado a Hekate.
A serpente, no horóscopo chinês, é sinônimo de sabedoria, intelectualidade e perspicácia. A serpente também é um animal regido por Hekate, e aparece em sua simbologia nas mais diversas formas: enrolada em sua cintura, em seus cabelos ou numa das mãos da Deusa.
Para a autora Courtney Weber: "A imagem da serpente representa os poderes de Hécate no submundo. As serpentes sagradas são a marca de um espírito ctoniano (presente no submundo) (...) A imagem de Hécate segurando as serpentes também pode sugerir uma natureza protetora." (Hécate: origens, mitos, lendas e rituais da antiga deusa das encruzilhadas, p. 61)
Os epítetos ligados à serpente, de acordo com Márcia C. Silva, são: Drakaina (serpente-dragão); Ophioplokamos (com cachos encaracolados/ enrolados com serpentes); Oroboros (a que come a cauda); Speirodrakontozonos (rodeada por espirais de serpentes); Zonodrakontos (coberta de serpentes, entrelaçada com serpentes) (Bruxaria Hekatina, p. 91).
Ainda, nas religiões de matriz africana, as serpentes estão associadas aos Exus e Pombagiras, entidades da linha de esquerda (encruzilhadas, cemitérios e espaços liminares). E é na interseção de todas essas simbologias que concebi essa cigana/bruxa/Pombagira de olhar lânguido, oblíquo e dissimulado, com seus cabelos enrolados, suas rosas vermelhas e perpassada por uma serpente dourada de energia. É importante esclarecer que faço sempre uma pesquisa cuidadosa, com muito respeito e em conexão com o que acredito, não um trabalho qualquer para ganhar engajamento em cima da fé alheia.
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Harmony Hahnemühle;
- Aquarelas White Nights;
- Pincéis da Shein;
- Marcadores Nanquim Pentel;
- Marcador dourado Faber-Castell.
Até! 🐍
Pampa Encantado
Pampa Encantado é uma estampa autoral que criei em aquarela para a marca rio-grandina Pé de Corticeira. Eu já tinha feito outra ilustração para a Karine, para o aniversário da filha dela, um mapa mundi cheio de animais em cada continente, um trabalho que gosto demais. E dessa vez ela me chamou para criar uma estampa com elementos mágicos ligados a personagens e lugares típicos do Rio Grande do Sul.
Assim, nasceu uma fada corticeira, um gnomo gaudério tomando chimarrão, um sorro dorminhoco e um quero-quero, todos à sombra da corticeira, árvore nativa daqui.
Eu criei uma loja na plataforma Nuvem e estou tentando criar um subdomínio bonitinho, que converse com o domínio do blog, mas estou apanhando hehehe. Por enquanto, o endereço para acessar a loja é lidydutra.lojavirtualnuvem.com.br, mas se mudar eu atualizo nos demais espaços linkados aqui na página. Lá é possível encontrar postais, prints e originais.
Como tem sido participar de feiras (uma reflexão)
Background
voltando para o presente
a reação do público
Conclusão (por enquanto)
Modos de ver, de John Berger
Pense num livro que oferece uma visão totalmente disruptiva sobre arte e suas relações com a publicidade e com o capitalismo? Modos de ver é um livro originado a partir da série homônima de 1972. Embora mais de 50 anos separem o lançamento da obra da minha leitura, esse é um daqueles livros atemporais, e que merecem ser relidos de tempos em tempos. Custei a trazer uma impressão aqui, pois foi muito difícil colocar em palavras o tanto que esse livro me impactou, e o quanto eu ansiava por um texto tão incisivo e ao mesmo tempo tão irreverente.
Lá em junho do ano passado eu já tinha publicado um texto reflexivo sobre arte, IA e lifestyle, sobre o que o público espera ver de um artista na internet - não os seus métodos, ou os seus materiais, mas sim a aesthetic da sua vida e quanto isso agrega de valor ao ser consumido. E alguns meses mais tarde, ao ler John Berger, senti que minha linha de pensamento tinha algum fundamento. Vou colocar abaixo a sinopse da editora e em seguida minhas partes favoritas:
Nestes ensaios clássicos baseados na série televisiva inglesa Modos de ver, exibida em 1972, John Berger revoluciona a crítica de arte ao apontar as estruturas de poder presentes no processo de criação de imagens. Se hoje, cinquenta anos após a escrita deste livro, ainda é preciso reforçar que “uma imagem é a recriação ou a reprodução de uma visão” — ou, como afirma Djaimilia Pereira de Almeida em seu prefácio, que devemos encarar “a visão enquanto vivificação e a observação da arte como paralela à observação da vida” —, a leitura de Berger, essencial em tempos de propagandas por toda parte, se faz mais urgente do que nunca.
O primeiro texto parte da pintura a óleo, técnica consagrada pela arte europeia. Após a reprodutibilidade técnica, tornou-se possível ver trabalhos a óleo fora dos castelos, igrejas e residências privadas a que se destinaram um dia, e, isolados de seu contexto original, eles circulam pelo mundo sem serem de fato compreendidos. Quando se instituiu que eram obras de arte, esses trabalhos passaram a ser interpretados — e mistificados — segundo pressupostos como beleza, verdade e genialidade, os quais eram ditados pelo modo de ver específico de uma minoria social no poder.Em outro ensaio, John Berger aborda a representação da mulher na arte ocidental, apreendendo de que maneiras na tradição do nu o corpo feminino se tornou objeto a serviço do olhar masculino. Com perspicácia, o autor afirma que o protagonista de um nu jamais é mostrado: ele é o espectador diante do quadro, para quem as “figuras assumem a sua nudação”. Berger esmiúça, ainda, as naturezas-mortas, que em seu auge expunham objetos extorquidos por feitorias escravocratas. E não se priva de olhar para o impacto da publicidade no século 20, expondo como ela se vale da tradição artística para explorar os impulsos consumistas de quem a observa.Coletivo, emancipatório e com toda a vitalidade da insurreição social dos anos 1970, Modos de ver é um tratado contra o sequestro do olhar pela imagem na sociedade capitalista e um alerta para a linguagem não verbal.
A reprodutibilidade técnica
A arte do passado não existe mais da forma como existia. A sua autoridade está perdida. Em seu lugar, há uma linguagem de imagens. O que importa, agora, é saber quem utiliza essa linguagem e para quais fins. Isso envolve questões de direitos autorais de reprodução, controle de gráficas e editoras de arte, a totalidade da política de programação de galerias e museus de arte públicos. (...) Um povo ou uma classe alienada de seu próprio passado tem muito menos liberdade para fazer escolhas e agir como povo ou como classe que outros capazes de encontrar seu lugar na história. É por essa razão - e só por ela - que toda a arte do passado se tornou agora uma questão política. (p. 46)
Sobre nudez e nudação
A pintura a óleo
A pintura a óleo teve sobre as aparências o mesmo efeito que o capitalismo teve sobre as relações sociais. Reduziu tudo ao padrão nivelador dos objetos. Tudo se tornou permutável porque tudo se tornou mercadoria. Toda realidade era medida mecanicamente por sua materialidade. (p. 101)
Imagens publicitárias
A publicidade tem sempre em vista o futuro consumidor. Oferece-lhe uma imagem de si mesmo tornada atraente pelo produto ou pela oportunidade que ela procura ven-der. A imagem o induz a invejar a si mesmo tal como ele poderia vir a ser. No entanto, o que torna invejável essa "pessoa que ele poderia vir a ser"? A inveja alheia. A publicidade não tem a ver com os objetos, e sim com as relações sociais. Não é o prazer que ela promete, e sim a felicidade: a felicidade tal como vista do ex-terior, pelos outros. O glamour é a felicidade de ser invejado. (p. 150)
Aquarelas botânicas
As aquarelas são: Crisântemo, Monstera, Espada-de-São-Jorge e Rosas. Agora, essa série está disponível por R$ 100,00 + frete. Quem se interessou, pode me mandar mensagem pelo Instagram, ou entrar em contato pelo e-mail lidiane@lidydutra.com. Envio para todo o Brasil.
Como Ser Artista, Jerry Saltz
Cada obra de arte é uma paisagem cultural do artista, feita de suas memórias, dos momentos que passou trabalhando, de suas esperanças, energias e neuroses, da época em que vive e de suas ambições. Das coisas que são envolventes, misteriosas, significativas, resistentes ao tempo. p. 19Recentemente eu estava olhando uma série de tediosas fotografias de nuvens em preto e branco quando um galerista se aproximou para me informar que "Essas são imagens de nuvens sobre a cidade de Ferguson, no Missouri. Elas falam sobre protestos e violência policial". Eu me irritei. "Não falam, não! São apenas imagens de nuvens que não têm nada a ver com nada. Não são nem interessantes como fotografia!" Uma obra de arte não pode depender de explicações. O sentido tem que estar ali, no trabalho. Como disse Frank Stella: "Não existem boas ideias para pinturas, existem apenas boas pinturas". A pintura se torna a ideia. p. 59-60A perfeição não existe. Nada nunca está verdadeiramente perfeito; sempre é possível fazer mais. Que pena! Está tão bom quanto pode estar neste momento e provavelmente isso é mais do que suficiente. O próximo trabalho será melhor, ou diferente, ou mais a sua cara. Não se prenda a um superprojeto para sempre. Por enquanto, faça algo, aprenda algo ou siga em frente. Caso contrário, afundará até a cintura na areia movediça do perfeccionismo. p. 73Não posso pegar leve nesta próxima parte: algumas pessoas são mais bem relacionadas que outras. Elas vão conseguir doze apoiadores mais rápido. O mundo da arte está cheio de gente privilegiada. É injusto e é desigual. Especialmente para mulheres e artistas que foram racializados, assim como para aqueles acima dos quarenta. O caminho é mais difícil para esses artistas. Todos nós precisamos mudar isso. p. 110Na maior parte das vezes, as características do seu trabalho que mais incomodam as pessoas são precisamente as que precisam ser cultivadas, levadas tão ao extremo do eixo do vício que acabam se tornando virtudes. p. 123
Gaia
“Os gregos acreditavam que Gaia era a própria Terra. Sendo assim, cada pedra, árvore, rio é parte integrante do corpo da Deusa e por isso carregam parte de sua centelha divina e são sagrados. Mas Ela não era somente a personificação do planeta Terra. Gaia era também tudo o que incluiu o Universo, como a matéria e energia. (…) Gaia é considerada a grande provedora e nutridora da vida”. - Claudiney Prieto em Todas as Deusas do Mundo.
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| Sim, eu levei minha própria mesa para a feira. |
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| Esses e muitos outros registros desse dia no meu Instagram. |
Materiais utilizados
- Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
- Aquarelas White Nights;
- Lápis de cor Albrecht Dürer;
- Pincéis que comprei na Shein;
- Marcadores Derwent.
Aproveitando a ocasião do movimento que a Feira tem me trazido, criei um Instagram novo, chamado @thepaintermaiden, no qual vou dedicar, nesse primeiro momento, a ser meu espaço de loja virtual, e onde estarão para venda os prints e originais que levo para esses eventos. Quem quiser seguir, agradeço!


















