Lidiane Dutra
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Featured Portfólio

Circe


Deixe-me dizer o que a magia não é: não é poder divino, que vem com um pensamento e um piscar de olhos. Deve ser feita e trabalhada, planejada e procurada, desenterrada, secada, fatiada e moída, cozinhada, encantada e cantada. Mesmo depois de tudo isso, pode falhar, ao contrário dos deuses." -  Circe, Madeline Miller.


Entrei na minha era helênica e comecei a ler releituras de mitologia grega. Comecei com Circe, passei por A Canção de Aquiles, ambos da Madeline Miller e ambos ótimos, e agora entrei no ciclo de livros da Natalie Haynes, começando por O Jarro de Pandora. E o maravilhoso em ler releituras de mitos são as possibilidades que se abrem diante de personagens que durante séculos receberam a alcunha de ajudante: Ariadne ajuda Perseu a matar o Minotauro; Medeia ajuda Jasão a roubar o Velocino; Circe ajuda Odisseu a passar pelas sereias. A certa altura me pergunto o que tanto esses heróis precisam de ajuda, que não conseguem cumprir suas missões divinas sozinhos.

E ler Circe foi um caminho delicioso, uma personagem que não é nem mocinha, nem vilã, apenas ela mesma, uma deusa demasiada humana. E é a caminhada de Circe que me fez querer registrar uma impressão própria da imagem que ficou gravada em mim após a leitura.

Retratar Circe é algo que vem sendo feito há muitos anos, sempre como uma bruxa má, feiticeira cercada por feras, transformando homens em porcos. Circe contaminando a água, oferecendo veneno, subjugando homens (esses coitados...). A minha Circe é muito minha: de olhos dourados e uma longa cabeleira negra caindo dos ombros. Filha de Hélio, bruxa de Eana e totalmente consciente de si.


Sempre que me sinto estagnada ou insatisfeita com os rumos da minha arte, retorno ao grafite, já faz parte da minha lore artística. Falando em lore, sinto que preciso explicar cada vez mais para as pessoas algo que parecia estar internalizado, que é por que desenho o que desenho. Talvez por estar conhecendo muitas pessoas novas, elas sentem muita dificuldade em compreender meu trabalho, então vou sistematizar, para um futuro, um texto sobre esse assunto. Mas sobre o grafite: é meu chão, não tem como negar.


Materiais utilizados

  • Papel Concept Hahnemuhle 220g;
  • Lápis grafite 2B Stabilo Othelo;
  • Esfuminho;
  • Caneta dourada Faber-Castell.
Ainda aprendendo a tratar a imagem no Photopea.


Livros com releituras de mitos gregos que estão na minha lista

  • Galateia, Madeline Miller; (lido 5★)
  • Circe, Madeline Miller; (lido 5★)
  • A Canção de Aquiles, Madeline Miller; (lido 5★)
  • Ariadne, Jennifer Saint;
  • Clitemnestra, Constanza Casati;
  • O Jarro de Pandora, Natalie Haynes; (lido 5★)
  • O Olhar Petrificante, Natalie Haynes;
  • Mil Navios para Tróia, Natalie Haynes;
  • Os Filhos de Jocasta, Natalie Haynes;
  • Medeia, Rosie Hewlett.

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Aquarela Featured Portfólio

Dama com um Gatinho


Esse projeto está guardado há muito tempo, muitos anos. Levei meses para terminar, parei na metade do caminho várias vezes, passei semanas sem nem tocar na prancheta e refiz várias partes que achava pouco acabadas ou com um acabamento insatisfatório. 


Lição: ninguém morreu no processo, não fui engolida por nenhum algoritmo de rede social, não recebi intimação extra-judicial solicitando que mostrasse o processo criativo e a arte final em tempo real. Isso serve para lembrar que a arte precisa ser sempre nossa, da nossa vontade em primeiro lugar, o resto é resto.



O processo é aquele documentado desde sempre, também.


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis Giotto;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.


Dama com um Gatinho é, ao mesmo tempo, uma releitura da Dama com um Arminho, de Leonardo da Vinci, e uma homenagem aos meus felinos. Dá pra ver uma foto de cada aqui no meu Instagram.


*


Desde o início do ano troquei o Photoshop pelo Gimp e pelo Photopea (ambos gratuitos), e a única coisa que não consegui fazer ainda é o photomerge para imagens maiores, que precisam ser digitalizadas em duas etapas. De resto, não sinto falta do programa da Adobe, cuja assinatura está cada vez mais cara. Quem tiver uma dica de como fazer esse processo de automatização num desses dois programas, aceito.

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Arte Digital Featured Portfólio

Mulheres Rio-grandinas Notáveis

Julieta Amaral, jornalista, primeira mulher negra a apresentar um telejornal no RS.


Esse ano não estou trabalhando em escola, mas sim na Secretaria de Município da Educação, em duas frentes: na assessoria de Artes e no Núcleo de Educação Ambiental e Patrimonial. Cheguei com muitas ideias, e algumas delas já se concretizaram, sonhos antigos que agora posso me dedicar, e que algum dia trarei aqui em detalhes, no seu tempo.


Um desses projetos é o material Mulheres Notáveis, um recurso educacional digital sobre rio-grandinas que se destacaram na história. O material é alusivo ao Março Lilás e foi distribuído para todas as escolas da rede. Além de contar com a biografia de oito mulheres históricas, fiz as ilustrações de cada uma delas que, juntamente com a diagramação do material, trazem uma estética de azulejo português, visto que o prédio da Secretaria é o Sobrado dos Azulejos, construção de 1862 tombada como patrimônio histórico do Estado, e toda recoberta com esse material.


As ilustrações digitais foram feitas no Infinite Painter, com o conjunto de pincéis e fundos de aquarela do Adilson Farias. São retratos mais simples e com um aspecto mais lavado, pois eu queria justamente essa estética do azulejo, e esses pincéis são maravilhosos para isso.


A mulher que abre o post é Julieta Amaral, jornalista e primeira mulher negra a apresentar um telejornal (Jornal do Almoço, RBS TV) no RS. As demais são:


Carmen da Silva, jornalista e escritora feminista.

Guaraciaba Silva, primeira mulher vereadora na cidade (pós-Estado Novo). 

Angelina Gonçalves, operária e sindicalista, assassinada pela polícia no que ficou conhecido como "Massacre da Linha do Parque".

Lyuba Duprat, professora.

Rita Lobato, primeira mulher a se formar em medicina no Brasil.

Revocata Heloísa de Melo, professora, jornalista e escritora.

Julieta de Melo Monteiro, professora, jornalista e escritora (e irmã da Revocata!).

Quem quiser saber mais sobre essas mulheres notáveis, basta acessar o material completo, clicando aqui. 

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Projetos

Cadernos Estelar

 


Desde que encerrei minhas lojas virtuais, principalmente a última, fiquei com uma dorzinha no coração pela possibilidade de fazer cadernos com as minhas artes. Era uma das coisas que eu mais gostava, poder fazer agendas, sketchbooks, planners. Mas eu precisava fechar aquele ciclo, e deixei quieta a vontade de colocar os produtos de papelaria num catálogo futuro.


Quando comecei a participar das feiras, conhecia a Cinthya, proprietária da Tyn Papelaria Personalizada, e ela me disse que era possível fazer alguns cadernos personalizados, sim. Fiquei eufórica, e mandei para ela uma das artes mais queridas por mim: Estelar. Depois de algumas conversas, ela mandou a imagem com os cadernos e foi aquela sensação de sonho realizado.


São dois formatos: colegial e A5, com duas opções de folha: lisa em papel reciclado e reposicionável (tipo Caderno Inteligente).


Caderno colegial com folha reposicionável.

Caderno A5 com folha lisa.

Parte traseira dos cadernos.

Detalhe das folhas.

Quem quiser encomendar o seu caderno, entre em contato diretamente com a Cinthya pelo Instagram da Tyn: @tyn_papelariapersonalizada.

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Livros Reflexões

Linda Nochlin e "Por que não houve grandes mulheres artistas?"

 

Salomé com a cabeça de São João Batista, Artemisia Gentileschi, 1610-15.
Salomé com a cabeça de São João Batista, Artemisia Gentileschi. 1610-15.

Por que não houve grandes mulheres artistas? é um artigo de Linda Nochlin publicado na década de 1970, no qual a autora responde a essa questão de maneira incisiva: não existiram grandes mulheres artistas do mesmo modo que não existiram grandes artistas orientais, africanos e sul-americanos, pois a arte ocidental está alicerçada num forte recorte social, que privilegia o homem branco europeu burguês. Fora desse recorte, não há espaço para se pensar a genialidade ou a grandeza artística.

Eu poderia encerrar o post aqui, mas são tantas camadas (e longe de mim contemplar todas elas), que minha cabeça ficou fervilhando após a leitura do texto. Na realidade, ela vem fervilhando desde Modos de Ver, que trouxe uma forte interrogação e me fez entrar num hiato de produção pessoal, justo por não ver muita coerência entre a minha leitura e a minha prática artística. E é saudável que esses momentos de choque aconteçam, pois o questionamento é uma constante da vida, quem não se questiona é porque já se conformou com uma situação péssima, ou é tão privilegiado que pode se dar ao luxo de viver uma existência alienada da realidade.

Em Modos de Ver, John Berger traz uma problematização extensa sobre alguns dos pilares imagéticos da tradição ocidental, como o nu, a pintura a óleo e a natureza morta. Todos esses, em algum grau, servem para reafirmar a noção de propriedade sobre alguém ou algo, seja do corpo da mulher, do acúmulo de riquezas ou de grandes extensões de terra. E como proprietário, se entende o homem branco europeu burguês.

Nochlin faz um caminho semelhante, partindo do pressuposto de que a pergunta é um tanto truncada. Ela nos leva a pensar, num primeiro momento, que sim, existem muitas mulheres artistas, e passamos a elencá-las como uma lista de supermercado, justificando que não há cabimento pensar que grandes mulheres artistas nunca existiram. Ou então, seguimos a linha de que há um estilo de arte inerentemente feminino difícil de mapear.

Mas, de acordo com Nochlin, a resposta correta é de que não existiram grandes mulheres artistas do mesmo modo que não existiram afroamericanos equivalentes a Kooning ou Warhol, pois as coisas na arte e em tantas outras esferas é desestimulante “para todos aqueles que, como as mulheres, não tiveram a sorte de nascer brancos, preferencialmente classe média e acima de tudo homens.” (p. 8)

a ingênua ideia de que arte é a expressão individual de uma experiência emocional, a tradução da vida pessoal em termos visuais. A arte quase sempre não é isso; a grande arte nunca o é. O fazer arte envolve uma forma própria e coerente de linguagem, mais ou menos dependente ou livre de convenções, esquemas ou noções temporalmente definidos que precisam ser aprendidos ou trabalhados através do ensino ou de um período longo de experimentação individual. A linguagem da arte, materialmente incorporada em tinta, linha sobre tela ou papel, na pedra, ou barro, plástico ou metal nunca é uma história dramática ou um sussurro confidencial. (p. 7)

São poucas as áreas vistas como historicamente femininas que são disputadas por homens e, quando isso acontece, geralmente a posição alcançada surge acompanhada pelo status: homens cozinheiros se tornam chefs, por exemplo, enquanto as mulheres seguem exercendo as funções mais rotineiras dessas profissões.

No cerne da pergunta Por que não houve grandes mulheres artistas? estão embutidos vários estereótipos a respeito do fazer artístico, dentre eles, o mito do Grande Artista, aquele que possui a genialidade, sem levar em conta as condições sociais, econômicas, de gênero e raça que possibilitam que esses artistas desenvolvam suas técnicas. Isso cria uma narrativa romantizada e cheia de lendas sobre artistas descobertos em condições excepcionais, ou que superaram seus mestres de maneira notável. Mas, como aponta Nochlin:

Não há dúvida, por exemplo, que o jovem Picasso tenha, aos quinze anos (e, em apenas um dia) passado em todos os exames admissionais para a Academia de Arte de Barcelona e, mais tarde, para a de Madri, uma grande demonstração de proeza, já que a maioria dos candidatos precisava de um mês para tal. Porém, gostaria de saber mais sobre histórias semelhantes de candidatos precoces que não alcançaram nada mais além da mediocridade ou o próprio fracasso. Estes são casos que não interessam aos historiadores da arte, estudar com mais detalhes, por exemplo, o papel protagonizado pelo pai de Picasso, professor de arte, na sua precocidade pictórica. E se Picasso tivesse nascido menina? Teria o senhor Ruiz prestado tamanha atenção ou estimulado a mesma ambição de sucesso na pequena Pablita? (p. 17-8)

Nos Séculos XVII e XVIII, a transmissão da profissão artística de pai para filho era amplamente reconhecida. E os filhos dos acadêmicos não pagavam taxas pelas aulas. Muitos artistas tinham pais também artistas, o que ampliava o acesso ao que precisavam para desenvolver sua arte. Sendo assim, esses artistas tiveram contato, desde a mais tenra idade, quando os estímulos são essenciais para aquisição da linguagem e desenvolvimento expressivo, aos materiais e métodos que possibilitaram aflorar seu “talento", em detrimento de qualquer ideia de gênio absoluto isolado do meio social.

Não vou comentar sobre como Nochlin fecha seu texto, pois acho válida a leitura do artigo na íntegra, e também a reflexão trazida pela Edições Aurora no posfácio. Mas o que fica é que precisamos retirar uma grande camada de verniz romantizador da história da arte e de como mulheres e minorias são tratadas pelas instituições oficiais e entre seus pares.

O que fica para mim, enquanto artista, é que não tenho a pretensão de salvar o planeta com a minha arte, nem que sou o último baluarte da arte feminina, mas que o ato de criar é valioso para mim e dá sentido à minha vida. E isso precisa bastar.

O artigo de Linda Nochlin pode ser encontrado aqui.
5★
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Aquarela Featured Portfólio

O Ano da Serpente 🐍

 


Hoje começa oficialmente o Ano da Serpente, no horóscopo chinês. Hoje também é o primeiro Deipnon do ano, segundo o calendário hekatino (algumas bruxas consideraram o dia de ontem), momento de purificação mensal dedicado a Hekate. 


A serpente, no horóscopo chinês, é sinônimo de sabedoria, intelectualidade e perspicácia. A serpente também é um animal regido por Hekate, e aparece em sua simbologia nas mais diversas formas: enrolada em sua cintura, em seus cabelos ou numa das mãos da Deusa.


Para a autora Courtney Weber: "A imagem da serpente representa os poderes de Hécate no submundo. As serpentes sagradas são a marca de um espírito ctoniano (presente no submundo) (...) A imagem de Hécate segurando as serpentes também pode sugerir uma natureza protetora." (Hécate: origens, mitos, lendas e rituais da antiga deusa das encruzilhadas, p. 61) 


Os epítetos ligados à serpente, de acordo com Márcia C. Silva, são: Drakaina (serpente-dragão); Ophioplokamos (com cachos encaracolados/ enrolados com serpentes); Oroboros (a que come a cauda); Speirodrakontozonos (rodeada por espirais de serpentes); Zonodrakontos (coberta de serpentes, entrelaçada com serpentes) (Bruxaria Hekatina, p. 91).


Ainda, nas religiões de matriz africana, as serpentes estão associadas aos Exus e Pombagiras, entidades da linha de esquerda (encruzilhadas, cemitérios e espaços liminares). E é na interseção de todas essas simbologias que concebi essa cigana/bruxa/Pombagira de olhar lânguido, oblíquo e dissimulado, com seus cabelos enrolados, suas rosas vermelhas e perpassada por uma serpente dourada de energia. É importante esclarecer que faço sempre uma pesquisa cuidadosa, com muito respeito e em conexão com o que acredito, não um trabalho qualquer para ganhar engajamento em cima da fé alheia.




Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Harmony Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis da Shein;
  • Marcadores Nanquim Pentel;
  • Marcador dourado Faber-Castell.


No início do ano, me senti compelida a comprar um anel de serpente, não sosseguei até encontrar um, que agora vive no meu dedo. Desde o ano passado, tenho investido em joias apotropaicas, que são aquelas que nos protegem das forças malígnas, danos físicos e espirituais e mau-olhado. É o famoso amuleto. Na exposição Trívia, coloquei um sigilo de Hekate Apotropaia para proteger meus trabalhos, atrás da moldura do release.  

E sobre trabalhos novos, embora janeiro tenha sido um mês muito produtivo, a partir de agora quero focar em estudar algumas coisas, portanto, talvez não apareça aqui com tanta frequência para mostrar trabalhos novos. Vou me dedicar a esses estudos, na medida do possível, e nos próximos passos profissionais que darei na minha jornada docente.

Até! 🐍

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Aquarela Portfólio Projetos

Pampa Encantado

 


Pampa Encantado é uma estampa autoral que criei em aquarela para a marca rio-grandina Pé de Corticeira. Eu já tinha feito outra ilustração para a Karine, para o aniversário da filha dela, um mapa mundi cheio de animais em cada continente, um trabalho que gosto demais. E dessa vez ela me chamou para criar uma estampa com elementos mágicos ligados a personagens e lugares típicos do Rio Grande do Sul.


Assim, nasceu uma fada corticeira, um gnomo gaudério tomando chimarrão, um sorro dorminhoco e um quero-quero, todos à sombra da corticeira, árvore nativa daqui. 




Colaboramos bastante em relação às ideias, precisava ser uma ilustração infantil, lúdica, e a Karine foi me dando o direcionamento sobre como queria os personagens. Quem quiser adquirir uma camiseta com essa estampa é só entrar em contato através do Instagram Pé de Corticeira, e ver os tamanhos disponíveis.


Eu criei uma loja na plataforma Nuvem e estou tentando criar um subdomínio bonitinho, que converse com o domínio do blog, mas estou apanhando hehehe. Por enquanto, o endereço para acessar a loja é lidydutra.lojavirtualnuvem.com.br, mas se mudar eu atualizo nos demais espaços linkados aqui na página. Lá é possível encontrar postais, prints e originais.

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Reflexões

Como tem sido participar de feiras (uma reflexão)


Tem sido louco (sobem os créditos).


Brincadeiras à parte, tem sido um verdadeiro exercício de desprendimento de tudo que eu acreditava já saber sobre meu próprio trabalho e sobre como o público enxerga e consome arte. E esse exercício tem me desacomodado um bocado, e me feito recalcular rotas que pareciam já estar estabelecidas.

Background

Eu vim da loja online e da comissão. Durante anos, tive lojas nas mais variadas plataformas, comecei lá nos concursos de estampa do Camiseteria e depois migrei direto pro Society6, um site internacional que me ajudou a vender demais, principalmente na época das Catrinas. Tem gente em todas as partes do mundo com produtos com essa estampa, acho isso sensacional. 

Depois, arrisquei em espaços nacionais, como a Urban Arts, que foi muito boa até exigir exclusividade das artes e eu optar por sair fora (eles tinham lojas físicas pelo país também) e outros sites menores, como Vandal e Vitrinepix. Até que cheguei na minha colaboração mais longa, com a Colab55, que tinha um formato muito parecido com o Society6, mas que com o tempo se mostrou inviável por conta do frete. Vale lembrar que nesse meio tempo ainda tive apoiadores pelo Padrim (pior experiência do planeta) e segui com comissões de tudo um pouco.

Em 2018, tive minha primeira nomeação em concurso público (a segunda foi em 2020), e tomei uma decisão:  já que eu tinha como pagar minhas contas e me sustentar com meu salário de professora, eu ia canalizar através da arte inteiramente a minha visão pessoal de mundo, dar vazão aos projetos engavetados e não me importar mais em pegar qualquer trabalho para fazer, nem em ficar divulgando loja ou produtos. E foi assim até o ano passado, quando decidi voltar a aceitar encomendas muito selecionadas, daquelas que eu olhasse e dissesse: poxa, isso aqui vale a pena.

Ou seja, passei os últimos anos totalmente abstraída de que poderia gerar um produto com uma arte minha, ou vender um original. Quando aconteceu o primeiro convite para participar de uma feira, nem pensei em nada disso, só fui na cara e na coragem para pintar ao vivo e me desprender de um medo interno que era produzir na frente de um grupo de pessoas.

voltando para o presente

Já para a segunda feira, decidi dar um passo além. Ao observar os demais expositores, vi que poderia ser uma oportunidade não só de mostrar meu trabalho, como também oferecê-lo ao público através de alternativas mais baratas, como os prints, que já eram muito conhecidos por mim do tempo das lojas online.

Acabei fazendo um investimento em prints tamanho A4, A5 e A6, e ainda alguns originais menores. Comprei expositores para apresentar esses trabalhos de uma forma melhor e também embalagens. Mandei fazer um carimbo com a minha marca, e durante todo esse percurso vieram as dificuldades com fornecedores, correios e tudo o mais. Mas esse investimento não foi algo financeiramente inviável: foi bastante calculado e que poderia ser resgatado a curto, médio ou longo prazo. E assim fui para a minha segunda participação em feira, ainda pintando, mas também vendendo.

a reação do público

O que pude perceber foi um choque muito grande entre a minha visão e a das pessoas. Não digo apenas sobre arte em si, mas sobre tudo: sobre o que é um produto artístico, sobre apresentação desse produto, sobre significado desse produto... foi uma queda no vale da estranheza (não estou dizendo que isso é ruim).

No começo, as pessoas nem paravam na minha banca. Quando começaram a parar e expliquei do que se tratava, muitos olhavam com aquela expressão de que interessante, mas logo seguiam seu caminho. No geral, a maioria não sabia o que era um print e precisei explicar que é uma impressão de boa qualidade. Quem já me conhecia chegou na banca e comprou. Mas quem estava ali passando me via meio que como um corpo estranho, tentando decifrar a utilidade.

Também aconteceu muito de perguntarem o significado das obras. E aqui vem um sentimento que me pega de jeito de vez em quando: estar cronicamente online, registrando e catalogando meu processo criativo, seja aqui no blog ou nas redes sociais, não quer dizer que as pessoas vão internalizar sobre o que se trata, pois a grande maioria está apenas vivendo sua vida, e não há nada de errado com isso.

Conclusão (por enquanto)

Embora eu tenha vendido um pouco, fica a sensação de que eu preciso construir uma ponte com o público presencial desses eventos se quiser continuar participando deles. Seja explicando o que é um print, por que um original é caro, do que se trata o tema da obra, qual a diferença entre baixar uma imagem da internent e imprimir ou gerar uma imagem de IA e comprar de uma artista.

Vejo esses espaços como lugar pra fazer uma renda extra, para me apresentar regularmente ao público da minha própria cidade e para criar conexões. Sem paranoia, sem pressão de vender tudo o que apresento. E aqui falo isso com total respeito aos expositores que participam de eventos regularmente e preciam manter uma constância de vendas. O meu lugar é o de uma pessoa que tem seu emprego formal e que também é artista, e quer um espaço para educar o público para a arte e, consequentemente, vender o que produz. 

Então, participar de feiras e eventos vem muito nesse sentido de educar, de formar público, de dizer que arte rio-grandina não é só sobre a cidade, mas também pode ser uma deusa, também pode ser abstrato, também pode abrir outras possibilidades. E vender também.

Por ora, o investimento inicial foi feito e vou jogar com isso para os próximos eventos, e talvez apresente outras formar de fazer arte ao vivo, seja desenhando no tablet, ou com uma oficina. Também não pretendo participar de todos os eventos que surgirem, pois preciso conciliar com meus projetos pessoais e dar tempo para pensar no que expor numa próxima vez.

Acho que era isso, fico aliviada de poder colocar pra fora esse caos criativo que se instalou dentro de mim nos últimos tempos. Sigam me acompanhando para ver por onde ando e como estou me saindo.
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