Lidiane Dutra
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Processo criativo

No meu feed - fev/mar ❤ @lidydutra


No meu feed é aquela tentativa marota que faço bimestralmente de reunir imagens publicadas nas redes sociais e que, de alguma forma, acabam não aparecendo em forma de post regular no blog, e merecem atenção e registro. Durante fevereiro e março rolaram bonitezas em aquarela, flores, lojinha e recordações.


Mais dois trabalhos feitos para o Curso de Aquarela da vocês sabem de quem Sabrina Eras; o primeiro é um estudo de textura da ferrugem e o segundo é uma das pinturas mais difíceis que já fiz na vida, a pele negra em aquarela. O uso de roxos, azuis e subtons que fogem do marrom puro é realmente um desafio e requer muita prática.


Produtinhos do meu Studio no Colab55. As almofadas foram compradas pela minha mãe (compradora nº 1). Não levei fé que Rainha do Mar ficasse tão bonita assim, em close, no tecido. Mas o resultado me surpreendeu, acho que muito se deve à qualidade da impressão. Já os adesivos fui eu que comprei para testar, e também me surpreendi com o tamanho e a fidelidade das cores. 


Rolou essa tag nas redes sociais, tanto com foto, como com desenho, e resolvi aderir também. Acredito que visualizar a nossa evolução através do tempo é extremamente válida, não só para quem trabalha com arte. Fico feliz em manter a essência do meu traço, que já estava praticamente formado quando entrei na faculdade, aliada ao conhecimento que os estudos do último ano me proporcionaram. O que me chamou atenção nos três trabalhos foi a estrutura da cabeça, e o quanto ter voltado a praticar anatomia me fez melhorar em algo que gosto muito de fazer, que são os retratos. Já na segunda foto estão as tintas que comprei para participar do MerMay, aquele desafio de desenho que rola em maio, e que ano passado não consegui acompanhar. Mais adiante conto detalhes.


Para finalizar, essas flores aquareladas, parte dos estudos que fiz para um trabalho comissionado. Estou muito interessada em ilustração botânica e tenho buscado todo tipo de referência possível. E além da curiosidade em sair da minha zona de conforto, tem sido uma excelente maneira de estudar cor e composição, para que o resultado final não fique um carnaval completamente sem nexo.

☆☆☆

🎂 E hoje o blog completa sete aninhos!!!!! Nem consigo verbalizar quanta coisa já aconteceu na minha vida durante esse tempo. Imagine só, uma criança nascida em março de 2010 já está na escola, tocando terror por tudo hahaha!!! É uma vida, literalmente. E, no que se refere ao meu trabalho, foram sucessões de mudanças que me levaram a estar aqui. Para quem chegou agora, resumidamente, a história da criação do blog foi essa: eu precisava qualificar meu projeto de dissertação do mestrado e passava por um bloqueio criativo. Pensei que, se eu criasse um espaço sem pretensões, como uma forma de publicar textos aleatórios e os desenhos feitos entre um artigo e outro, minha motivação voltaria. Eu não só consegui escrever o projeto e a dissertação (e ser aprovada com louvor), como também abandonei a academia para me dedicar à ilustração. Hoje, trabalho com design e diagramação, além de ilustrar, e já prestei dois concursos públicos, um na área de ensino de arte, outro na área gráfica.

Conheci inúmeras pessoas sensacionais, gente que nunca vi pessoalmente, mas que carrego no coração e considero parte importante da minha vida, coisa cósmica mesmo. Fiz três exposições individuais, dei entrevistas na mídia local (me senti chique haha), montei várias lojas, quebrei a cara tantas vezes que não cabem nos dedos das mãos e dos pés, briguei pelo meu espaço enquanto artista e mulher e participei de projetos que jamais imaginaria que cairiam nas minhas mãos algum dia. Aprendi a lidar com a frustração e com a síndrome de impostora, e a reconhecer todo o esforço que sempre empreendi para conquistar meus objetivos. ✨

O ato de blogar já estava em declínio quando comecei e, hoje em dia, já não sinto aquela vontade enorme de sair compartilhando tudo o que penso ou faço, então acredito que o caminho natural do meu blog será se transformar em site, com destaque para meu portfólio, mas sem deixar de possuir esse espaço de troca. Quero fazer algo nos moldes que a Sabrina Eras e a Juliana Rabelo já fizeram, talvez ainda em 2017. Enfim, que venham os próximos anos!!! 🎉🎉🎉

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Reflexões

O lugar ideal é você quem faz


Toda vez que posto foto do meu espaço de trabalho alguém comenta que também gostaria de ter um lugar ideal para desenhar, um cantinho sossegado e cheio de inspirações, no qual é possível colocar toda a criatividade para fora. Mas vou contar uma coisa para você: quem faz esse lugar ideal e especial somos nós.

Durante muito tempo, praticamente toda a minha adolescência e graduação, me dividi entre desenhar na mesa da cozinha ou usando a cama e uma prancheta como suporte. Depois, ganhei uma mesa de desenho usada, e ela me acompanhou durante vários anos. Também usava a mesa do computador (nos tempos do monitor de tubo!). Só quatro anos atrás pude comprar minha atual escrivaninha. Estante, livros, prateleiras, materiais... tudo veio com o tempo, e isso não é papo motivacional. Demorei ANOS para ter, literalmente, um canto para trabalhar.

Aí você vai dizer: que ótimo, deve ser sensacional ilustrar na santa paz do seu ateliê! Bom, eu divido a casa com mais três pessoas que, inevitavelmente, vão fazer barulho, até mesmo porque o mundo não para de girar para que eu desenhe. Além disso, soma-se o ruído da vizinhança, dos carros, das sirenes, do carrinho de picolé. Tem dias que acho que vou enlouquecer, sinto dores de cabeça, fico zonza. Mas eu não posso esperar eternamente o lugar ideal. Tenho um lugar real, e preciso extrair dele o melhor que consigo.


Vejo que muitas pessoas (e eu me enquadrei nessa durante um tempo) ficam esperando as condições ideais para começar o trabalho criativo e não avançam nos estudos. Primeiramente, esperam ter tempo; em seguida, desejam um ateliê de fazer inveja à Charmaine Olivia; depois, precisam de materiais caros, cursos em outra cidade/estado/país; por fim, aguardam pacientemente que a fada madrinha bata em sua cabeça com a vara de condão mágica da criatividade infinita. Só que isso não acontece nem nos contos de fada. É preciso começar e, para isso, usamos o que temos à mão.

Se você não der o pontapé inicial nos seus estudos e ficar só fantasiando no feed alheio ou no Pinterest, pouco vai mudar. Porque atrás de cada postagem que um artista faz mostrando seu estúdio, ou seus materiais, existem muitas horas de trabalho, esforço e dinheiro empregado. Já perdi a conta de quantas coisas deixei de comprar, ou de quantos lugares deixei de ir, para poder comprar material. Ano passado mesmo, cheguei a remendar algumas calças para poder pagar o curso da Sabrina (bendita fita termocolante!). E quantas outras vezes me amaldiçoei porque preferi comprar um batom, ou ir no restaurante oriental que curto, porque estaria desperdiçando dinheiro. Mas com o tempo percebi que faz parte do meu processo criativo me alimentar de outras coisas das quais gosto, para manter viva a vontade de criar.


Por que estou escrevendo isso? Para que você, que está aí do outro lado, esperando o momento certo, comece agora. Já. Não espere ter tudo o que acha ser necessário para criar, porque essa lista é infinita. Sempre que você pensar que comprou tudo, que deixou o lugar com a sua cara, aparece uma coisa totalmente inesperada. E não sinta um impulso consumista de ter o que o outro tem porque, como falei acima, por trás de cada post mostrando um ateliê ou uma mesa bagunçada, tem muito trabalho envolvido, nós só conseguimos ver uma pequena parcela, um frame disso (e que, muitas vezes, foi milimetricamente arrumado, em meio ao caos, só para aparecer bonitinho). Comece, essa é a dica de hoje!


Esse vídeo do Jake Parker vem bem a calhar nessa discussão. 😉

Das coisas que ninguém vê: meu edredom de oncinha, as naftalinas e anti-mofos espalhados pela estante com seu vidro trincado e as marcas de tinta que não saem mais da mesa...

Abraços! 💖
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Processo criativo

✨Minha evolução na aquarela em 1 ano✨


Eu queria ter feito esse post logo no início do ano, acabei deixando em rascunho e, quando me dei conta, já estava na metade de março. Mas acho que é um bom momento para compartilhar essa reflexão, visto que, nos últimos dias, houve um "surto" de conteúdos relacionados a aprender fácil, rápido e sem sair de casa. E eu tenho muita birra com essas coisas, porque não existe aprendizado vapt-vupt. Algumas pessoas possuem, sim, uma facilidade maior para compreender algo, mas isso não as exime de treinar, errar muito e acertar.

E acredito que é irresponsável demais você dizer para uma pessoa que ela pode se tornar profissional (em qualquer área) de maneira simples e indolor. Isso não existe! Não é uma receita de bolo ou uma fórmula manipulável. Para cada um, o caminho vai ser diferente, mas uma coisa todos têm em comum: é preciso estudar desde a base. Por isso, selecionei trabalhos feitos antes e depois do Curso de Aquarela da Sabrina Eras, que eu vou falar até a morte, principalmente porque agora ela está com curso novo e eu não tenho um tostão para fazer! *cries in watercolor language*

Eu não me intitulava aquarelista antes do curso por motivos óbvios: nunca havia estudado aquarela pra valer. Tudo o que eu vi foi na base do tutorial e da tentativa e erro. Tive pouca mentoria sobre o assunto na vida, então, imaginem o impacto de ter uma hora de aula com a Sabrina toda a semana, fazer vários exercícios (muito quadradinho) e me ligar que eu precisava correr demais atrás dessa máquina para pintar de maneira minimamente decente. Mas vamos ver na prática do que é que eu estou falando:


O mínimo de mentoria já faz diferença: gostaria de começar com dois trabalhos do início de 2016; um de janeiro e outro de março. É possível ver uma diferença gritante entre eles e isso foi resultado de - pasmem - um mês de aula com a Sabrina. Apesar de ainda estar muito tímida na aquarela, observe como já encontrei soluções melhores para a composição: as cores estão neutralizadas, o grafite é suave, os elementos não estão brigando pela atenção. Tanto é que, ainda hoje, tenho essa ilustra como header do blog e não consigo substituí-la, tamanho o carinho por ter conseguido aplicar o que aprendi. Outros detalhes finos, como: finalização com caneta, lápis de cor, reserva de brancos, também começaram a tomar forma.


Vários tons cabem numa pele: já falei em outras ocasiões sobre utilizar várias cores para chegar ao tom de pele desejado, até mesmo porque não existe um tom de pele padrão. Mas só fui colocar isso em prática pra valer depois do curso. No primeiro desenho, a pele da figura é coberta, basicamente, por marrom e bege (que é extremamente opaco e retira toda a translucidez da aquarela). Já no segundo, trabalhei com roxo, azul ultramar, sombra queimada, vermelho, ocre... Em vez de usar a caneta multiliner para marcar as sombras, optei pelo grafite 2B. O resultado é muito mais natural. Com o tempo, aprendi a montar minha paleta de acordo com as necessidades e, por incrível que pareça, ela não aumentou, e sim reduziu, já que aprendi a misturar as tintas e extrair o máximo delas.


O material faz diferença, mas não é tudo: dá pra acreditar que foi a mesma pessoa, utilizando o mesmo material, quem fez esses dois trabalhos? Acredite: foi, sim, e no intervalo de um ano. Isso serve pra gente perceber que de nada adianta trabalhar com tudo o que há de melhor, se não temos clareza do que estamos fazendo. A aquarela não é uma sucessão de manchas aleatórias, feitas de qualquer jeito. E olhe só como uma coisa vai melhorando a outra: a composição, o enquadramento, a escolha da paleta está muito mais madura. Não tenho vergonha do primeiro desenho em si, mas sim de achar que eu estava fazendo grande coisa quando, na verdade, sabia de nada, inocente...


Valores e neutralização: utilizar a tinta pura, retirada diretamente da bisnaga ou da pastilha, deixa a pintura saturada e as cores com aspecto estranho. Isso porque fica difícil acertar os contrastes, tanto por cor, quanto por valor. Quando os valores estão bem colocados, a probabilidade de pesar a mão nas cores é menor. Por outro lado, se neutralizamos os tons, principalmente com os cinzas óticos, a composição fica muito mais agradável. Uma coisa complementa a outra. Na primeira figura, a pele novamente está coberta por bege e marquei os valores posteriormente, com lápis. Já na segunda, coloquei todos os valores primeiro, e utilizei cinza e sépia para a pele, deixando a tinta bem diluída e grandes áreas de luz. Óbvio que, se eu voltar nessa segunda pintura daqui a um ano, vou encontrar vários erros, mas é assim que funciona: nossa percepção e nossa técnica se alternam constantemente.


Não deixar pela metade: Uma das coisas que aconteceu comigo, logo no início do curso, é que eu entrava em modo pavor e deixava tudo pela metade. Ver aquela tinta toda escorrendo pelo papel, uma sucessão de manchas sem sentido (uma verdadeira caca), me deixava nervosa e com tremelique no olho esquerdo. Aí eu simplesmente fugia e abandonava o estudo. Foi bem o que aconteceu com a primeira imagem. Está pela metade, agora eu vejo. Não há finalização, nem valores, parei no início da mancha. E, aos poucos, fui perdendo o medo da finalização (embora ainda cause leve tremor na pálpebra). E quando a gente supera o medo de ir até o final, descobrimos que não é necessário usar tantos recursos além da tinta. Minha última ilustração é a prova disso: eu só reforcei a pintura com lápis no entorno do olho e em algumas partes do cabelo. o contorno é finíssimo e dialoga com a paleta. Tenho aprendido a ser sutil, e é nessa sutileza que reside muito da beleza e da peculiaridade da aquarela.

Resumindo um ano de aprendizado em um parágrafo: não existe fórmula pronta para aprender a desenhar e pintar. Qualquer pessoa que ofereça para você um método revolucionário para se tornar profissional rapidamente está mentindo. O que existe é muito estudo, muitos erros, suor e lágrimas (porque é sofrido, sim, e isso não é um defeito, faz parte), muito bloqueio, muitas derrotas até conseguir a primeira vitória, atualização constante, questionamentos constantes sobre a nossa capacidade e, mais do que tudo: a certeza de que você nunca termina de estudar alguma coisa, porque o aprendizado é interminável e acompanhará você pela vida toda.

Espero ter inspirado quem aguentou ler até aqui, e dado um empurrãozinho para quem quer correr atrás de mentoria. Vale cada minuto, pode apostar.

Abraços! ❤
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Reflexões

Há muito o que lutar antes de comemorar

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher e, rosas e bombons à parte, se formos colocar na balança de um lado as vitórias e do outro os desafios que precisamos superar, o peso está bem desigual e favorável ao segundo quesito, infelizmente. Ainda somos invisibilizadas em nosso trabalho, nossa arte é taxada como lúdica, mesmo quando esta não é a intenção. Somos as musas, mas ainda lutamos para ter o protagonismo além de um nu na tela.

Há mais de 30 anos, o grupo Guerrilla Girls mostra ao público a disparidade entre homens e mulheres (e demais minorias) no mundo da arte e, passado tanto tempo, os números continuam desanimadores. Homens brancos ainda são maioria nos museus, nas coleções e em exposições individuais. Embora a crescente expansão de coletivos formados apenas por mulheres e iniciativas de visibilidade como, por exemplo, o financiamento coletivo de projetos, ainda é muito pequena a participação feminina no mercado de arte (tanto artistas quanto galeristas, curadoras, etc.). Essa matéria, sobre a última ação do GG, traz dados atualizados sobre o tema (está em português de Portugal).


A sensação que fica, pelo menos para mim, é que ser mulher e artista é ter que se provar várias vezes: sempre brota alguém do chão para questionar seus métodos, processo criativo, ou até mesmo para por em dúvida como você conseguiu levantar dinheiro para realizar um projeto. Acredite, o sucesso de algumas mulheres, mesmo que seja algo efêmero e menor que os 15 minutos de fama, incomoda muito homem, que é incapaz de ver na colega uma igual, uma profissional que merece respeito.

E aí dá-lhe comentário anônimo para desmerecer o que a pessoa faz, boicote nos grupos locais, até mesmo criação de clube do bolinha virtual para sacanear as minas. Acredite, isso acontece muito, e a todo momento. Mas também tem competição entre as mulheres... Óbvio, mas isso é resultado desse ambiente patriarcal em que vivemos, que estimula a rixa em vez da sororidade.

Felizmente, o cenário está mudando e cada vez mais artistas se unem para servir de suporte umas para as outras. Precisamos de contatos de trabalho mas, às vezes, o que queremos é alguém que entenda o que passamos e possa nos dar um ombro amigo para desabafar. Se eu vejo um futuro melhor? Sim, com certeza, e a internet tem sido um catalizador de ações e um excelente veículo de divulgação para artistas independentes, mesmo com todo o hate que possa vir junto.

Agradeço imensamente todas as minas que me acompanham, apoiam, dão dicas e puxões de orelha e estão sempre dispostas a crescer e levar consigo o maior número possível de companheiras de jornada. A vocês, meu feliz dia e suporte incondicional, sempre. 💜

Edit: achei que seria desnecessário dizer que a crítica não é ao nu como forma artística, tampouco à demonização do corpo da mulher, mas sim ao sistema que transforma esses corpos em objetos para consumo e deleite, enquanto as artistas são privadas de uma participação maior nos espaços expositivos e, principalmente, dando a sua versão do corpo feminino, livre de estereótipos e das amarras de gênero. Fica aí o reforço. 

Fonte das imagens: Guerrilla Girls
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Portfólio

Monstera 🌿


Que eu ando encantada com a ilustração botânica não é novidade. Mas tem uma planta que chama ainda mais minha atenção e virou objeto de estudo: a costela-de-adão (Monstera deliciosa). No prédio onde trabalho existe uma linda, enorme e cheia de folhas recortadas e sinuosas, e que fotografei exaustivamente para ter material de consulta. Ainda em janeiro, comecei a esboçar essa ilustração e deixei o tempo agir, como tenho feito constantemente, para limpar o conceito, ajustar elementos e escolher a paleta ideal (veja aqui). Porém, percebi que a composição não estava de acordo com a ideia de natureza e frescor que eu desejava transmitir. Havia muito cabelo, muita joia, mas pouca espontaneidade. Novamente, refiz meus estudos e cheguei a uma imagem mais clean, com os cabelos curtos e despojados (dá para ver aqui e aqui). Depois disso, parti para a finalização:


Tenho gostado muito dos papéis para aquarela grana fina. Para essa ilustra, usei novamente o Moulin DuRoy, porém, outro papel da Canson me arrebatou: o Héritage, linha nova com qualidade profissional. Há alguns dias, testei o grana fina 300g e postei minhas primeiras impressões no Insta, mas ainda pretendo testar as demais amostras que recebi da Koralle, e fazer uma postagem completa aqui.

O processo de pintura segue o que já fiz nas últimas ilustrações: reforço os valores com lápis grafite, faço o fundo com payne's gray (em substituição ao dioxazine), e trabalho com os tons de sépia, ocre e sombra queimada na pele. Os detalhes dos dedos e olhos foram feitos com vermelho e burnt sienna e a folhagem com índigo (um azul muito bonito), uma mistura de ultramar com sap green e sap green puro. Só usei lápis de cor nos olhos e em pequenos pontos, como reforço, assim como a multiliner em tom sépia. E guache dourado nos detalhes.

Materiais utilizados
- Papel para aquarela Canson Moulin DuRoy grana fina 300g;
- Aquarelas Cotman e Van Gogh;
- Pincéis Keramik cerdas sintéticas;
- Guache Talens branco e dourado;
- Multiliner Copic sépia;
- Lápis grafite e de cor Koh-I-Noor.


Eu criei uma pasta no Pinterest com várias referências para ilustração botânica, a maioria científica, pois ainda estou a procura de artistas diferentes que exploram essa temática. E para quem gostou dessa ilustração, já pode ir até meu Studio no Colab55 e ver os produtos maravilhosos com a estampa Costela-de-adão. Ajuda muito se você deixar um ❤ na sua arte favorita, pois é isso que vai me dar visibilidade dentro do site.

Tem uma hashtag muito legal que rola toda a segunda-feira nas redes sociais, principalmente no Instagram, que é #monsteramonday. Diversas pessoas mostram suas plantinhas, sejam elas verdadeiras ou artes cheias de inspiração. Fica a dica para você descobrir coisas novas e interessantes.

Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.

Abraços! 💖
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Portfólio

Tattooed Girl 🌷


Mais uma mocinha nasceu na minha prancheta e, como já vem acontecendo há algum tempo, a gestação foi demorada, com longas pausas e sem cobranças, muito mais um exercício de colocar o que aprendi em prática e também controlar a ansiedade de outras esferas da vida. Tenho usado muito meu trabalho como terapia, nesse período de baixa das encomendas. Mas se você quiser uma ilustração personalizada, é só entrar em contato comigo através do e-mail lidiane@lidydutra.com.

Acredito que essa ilustração foi minha melhor performance na aquarela, até o momento. Tento sempre solucionar os problemas de contraste por valor e por cor com a própria tinta, e deixar o lápis de cor somente para detalhes finos. E esse foi o ponto em que tudo funcionou de maneira mais fluida. Como falei acima, o momento de desenhar e pintar tem sido meu ritual pessoal, no qual me dedico por inteiro à pesquisa, escolha da paleta, do suporte, da música ambiente. E isso é fundamental para quem trabalha, via de regra, com prazos, limitações e pressão.


Utilizei pela primeira vez o papel Moulin DuRoy grana fina, e estou só amor por ele. 💜 Aliás, papéis 100% algodão e grana fina são meu novo xodó, alguns dias atrás experimentei também o Canson Héritage, e na ilustra da Iemanjá já havia usado o da Arches. O melhor desses papéis, na minha modesta opinião, além da textura, é a granulação sutil da tinta, que dá um toque todo especial à pintura. 

Nas linhas básicas, trabalhei com lápis 2B e, para a base da aquarela, dioxazine e sépia, em substituição à mistura de burnt sienna e sombra queimada ou ocre que eu estava usando. Acho que isso ajudou a dar uma "esfriada" na composição, que me agradou bastante.


Como mais um exercício de desconstrução, deixei o cabelo todo branco, com leves toques de payne's gray. Qualquer cabelo mais elaborado ou colorido deixaria a figura pesada, ao invés de etérea, que era a proposta inicial. Além disso, praticamente todos os meus retratos trazem olhos expressivos, se eu começo a carregar em vários elementos, o espectador fica sem ter pra onde olhar.  Já a roupa é uma mistura de sap green e ultramar e vários restos de cinza óptico do godê. A tatuagem é uma mistura de vermelhos e amarelo.

Materiais utilizados
- Papel Canson Moulin DuRoy 300g, 100% algodão, grana fina;
- Lápis Koh-I-Noor 2B;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik linha 411;
- Multiliner Copic;
- Lápis de cor Caran D'Ache.

Vale lembrar que nenhuma digitalização vai ser fiel às cores do papel, e uma das coisas que aprendi com a Sabrina é que quanto mais sutil o tratamento da imagem, melhor para a aquarela. Detalhes:



Eu ando num relacionamento sério com a ilustração botânica (até comprei o livro da Sarah Simblet), por isso, quero investir mais em plantinhas e folhagens, para fazer cada vez mais desenhos convincentes. Essa ilustração já encontra-se no meu Studio, assim como várias outras artes. Deixe seu ❤ e, se possível, um comentário, pois isso ajuda muito nas visualizações.

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Carnavalesca 🎊


Eu não pulo carnaval, aproveito a época para ficar bem quietinha e esquecida de tudo e todos, mas gosto da oportunidade de fazer umas ilustrações bem carregadas, com tudo aquilo que gosto (muitos cílios, carão e brilho) e usar a data como desculpa.

Há uns dois anos atrás, comprei quilos de lantejoulas para uma oficina, e o material ficava perdido por aí, sem uso. Foi então que pensei em utilizá-lo como forma de incorporar outros elementos no papel e ver como me saía nessa missão. O grande problema de tanto brilho fica justamente na hora da fotografia ou digitalização, pois é impossível capturar o efeito com 100% de fidelidade. Felizmente eu consegui algum sucesso, a partir de ferramentas simples no Photoshop.


Do rascunho à arte final foi um trabalho super rápido e gostoso de fazer. A foto que usei como referência trazia uma modelo bastante expressiva, e já aproveitei para dar aquela treinadinha básica no desenho de mãos. Para que a composição não ficasse muito pesada, com a lantejoula brigando com os outros elementos, decidi dar destaque para os olhos, com esses cílios gigantes, feitos com multiliner bem fininha, aplicada em várias camadas, para dar volume. Muito mais interessante do que usar uma caneta de ponta mais grossa e deixar o traço pesado. O resto da figura é lápis grafite 4B e esfuminho pontual, só para fazer os volumes. Esse aspecto inacabado, semelhante a um croqui, foi mais um recurso para não pesar as informações na imagem. Depois de finalizar o desenho, colei as lantejoulas com cola branca comum e fiz alguns pontos de marcador dourado para arrematar.

Materiais utilizados
- Papel Canson 180g;
- Lápis grafite Mars Lumograph 4B e esfuminho;
- Multiliner Copic;
- Posca dourada;
- Lantejoulas, aplicadas com cola branca.

No Photoshop, selecionei as áreas mais escuras de cada uma das lantejoulas com a varinha mágica e mexi nas configurações de brilho e contraste. Assim, consegui recuperar um pouco do brilho natural (dá pra ver melhor neste vídeo aqui).


Preciso dizer que estou muito feliz com a recepção dos meus últimos trabalhos nas redes sociais, e cada comentário, curtida e incentivo significam muito para que eu continue não só produzindo, como também estudando. Quem quiser me acompanhar em tempo real, basta seguir no Facebook, Instagram ou Tumblr. E essa ilustração já está no meu Studio, com muitos produtos legais, incluindo cadernos com pauta e espiral.

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Reflexões

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades


Mês que vem o blog completa sete anos (!) e não preciso dizer que eu sequer imaginava escrever sobre isso e estar com este espaço ativo depois de tanto tempo. Quando comecei a blogar sobre meu processo criativo (veja só que nem era sobre ilustração propriamente dita), tudo isso era mato haviam pouquíssimos espaços falando tão abertamente sobre arte, aqui no Brasil. No YouTube então, nem se fala. Outras redes sociais, como o Instagram, recém estavam nascendo e o Tumblr e Deviantart ainda eram os mais procurados pelos artistas.

Observando o cenário da ilustração na internet brasileira hoje, vejo que muita coisa mudou. Há bastante informação sobre praticamente qualquer assunto; de tutorial de galáxia em aquarela até vida de freelancer; cursos, hangouts e lives com profissionais atuantes no mercado e grupos para tirar dúvidas. Começar os estudos em ilustração, hoje, é bem mais fácil.

Porém, também observo que não foram só coisas boas que vieram com essa torrente de informação sobre arte. Como já diria o tio Ben, frase que escolhi para o título dessa postagem, grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Ou seja, a partir do momento que você escolhe ser uma espécie de mentor virtual, compartilhando vídeos, tutoriais e dicas sobre ilustração (ou sobre qualquer coisa), você está, indiretamente, assumindo duas enormes responsabilidades: a de zelar pela veracidade do seu conteúdo, e a de se tornar referência para muitas pessoas. 

Em meados do ano passado comecei a questionar muito o quanto eu me doava para ajudar os outros, como eu estava fazendo isso e qual a qualidade daquilo que me propunha a compartilhar. E passei a perceber que é uma responsabilidade sem precedentes chegar aqui e dizer: olha só gente, o lápis XXX é melhor que o YYY por causa de ZZZ. Porque isso vai influenciar o leitor de várias maneiras. A partir da minha resenha ele pode ter um parâmetro de comparação entre dois materiais, ou criar uma expectativa de estar usando o lápis "incorreto" ou, ainda, gerar uma ansiedade de consumo para ter o lápis XXX. Percebe como é complicado?

Outro exemplo: até pouco tempo atrás, meu conhecimento em aquarela era limitado, na base da tentativa e erro e das poucas aulas que tive ao longo da vida. Mesmo assim, a partir dessa parca experiência, eu coloquei no ar um tutorial de efeito galáxia, utilizando um material que hoje não usaria. Apesar de muita gente curtir e ser a postagem mais acessada do blog, eu me questiono muito se compartilhar esse ponto de vista tão amador ajudou ou prejudicou o público. #confusa


Tudo isso passou a orbitar meus pensamentos, e comecei a perceber que a oferta abundante de conteúdo sobre ilustração trouxe consigo muita coisa de qualidade duvidosa. Acredito que não é por maldade, mas pela facilidade que temos para compartilhar nossas experiências e sermos lidos/vistos/ouvidos no mundo virtual. Sempre tive o cuidado de dizer olha, esse é o meu jeito de fazer, não estou dizendo que é o certo ou o único, mas isso não me exime da interpretação de quem está me lendo/assistindo. A pessoa pode começar sim a reproduzir algo que vai prejudicá-la no futuro.

Estou contando tudo isso porque muitos leitores deixam recados carinhosos e cheios de amor, pedindo a volta das resenhas e tutoriais do blog, com a mesma frequência de dois anos atrás. Eu pisei no freio quanto às dicas, até me sentir novamente confortável em compartilhar algo que eu dominasse e me sentisse segura em colocar no ar. Revisei todos os links da aba Dicas e deletei muita coisa (os arquivos de 2011 para trás sumiram). Pensei em tirar tudo do ar, mas resolvi deixar o que já havia feito com uma revisão, e a certeza de que aquele era o meu olhar naquele momento histórico.

Como tive alguns desses conteúdos plagiados (o tutorial de galáxia, por exemplo), e algumas cobranças por parte de quem nem é leitor mas a-do-ra dar pitaco no conteúdo alheio, fui me retraindo ainda mais, e deixei o blog para portfólio, mesmo. Para esse ano, eu gostaria de voltar a compartilhar o que leio ou testo, mas de uma maneira diferente e com mais responsabilidade ainda, porque acredito que, por menor que seja o meu blog, eu alcanço um número de pessoas que merecem informação de qualidade, dentro do que posso oferecer.

Tudo o que escrevi acima é sobre a minha experiência e os meus questionamentos, não sou a régua do mundo para dizer quem faz o conteúdo melhor ou o correto na internet, e aquilo que não me acrescenta ou não está de acordo com a minha ética de trabalho, simplesmente não consumo (sem precisar ser hater de ninguém nem encher o saco de quem sequer sabe que existo). Digo isso porque é muito fácil falar que fulano está errado, mas... quem somos nós para julgar, não é mesmo? Qual é o nosso parâmetro? Já apontei muito o dedo por aí, mas fiz aquele exercício básico de olhar para mim mesma e ver que não nasci sabendo, e que já cometi muito erro crasso nessa vida para sair criticando sem conhecer a realidade da pessoa. Claro que, quando o assunto é plágio, meto o pé na porta sem pestanejar, porque isso é crime!

Muito mais produtivo é cada um fazer o seu melhor e perceber que a nossa existência é baseada na evolução, que é super natural não concordar com o que já fizemos ou nos questionarmos constantemente sobre nossos saberes e fazeres. Esse gráfico aqui fala sobre a relação percepção x técnica e vem bem a calhar com o momento. Escrevi tudo isso para dizer que sim, vai ter dica, muita dica. De alguém que se sente muito mais segura para compartilhar suas descobertas com o mundo. ❤

Para acompanhar minhas tagarelices em tempo real, é só me seguir no Twitter. E para ver processos, trabalhos, e coisas aleatórias, siga no Facebook, Instagram e Tumblr. Para comprar minhas artes, visite meu Studio.

*As imagens que ilustram esse post foram retiradas do site Unsplash.
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