Janaína
Hoje é dia de Iemanjá (Nossa Senhora dos Navegantes, para os católicos), feriado aqui em Rio Grande. Já teve festa e fiz meus pedidos na beira da praia do Cassino, que tem uma linda escultura da orixá, feita pelo artista Érico Gobbi.
Há dois anos atrás eu já tinha feito uma aquarela em homenagem à Iemanjá. Esse ano pesquisei alguns elementos das religiões de matriz africana, como o adé (paramento de cabeça, uma espécie de coroa com franjas, que encobrem o rosto do médium), e também na literatura sobre divindades femininas, para deixar a minha representação mais completa.
Um dos elementos mais ligados a Iemanjá são as oferendas relacionadas à beleza: perfumes, espelhinhos, jóias. É comum ver esses objetos nos barcos durante os festejos. Por isso, coloquei minha figura dentro da moldura de um espelho, adornado por conchas, búzios e pérolas. Para o cabelo, fiz uma mistura de nanquim com aquarela e médium shine, e eu não tinha ideia de que o resultado ficaria assim, tão bonito.
Para colorir a pele negra com aquarela, fiz as marcações de valores com dioxazine e azul ultramar, e fui construindo camadas de tons terrosos, tomando cuidado para que uma camada secasse bem antes de iniciar a outra, para não manchar. O vestido e o adé foram pintados com aquarela também.
Eu não queria simplesmente colocar as franjas na frente do rosto sem dar detalhes para ele. Por isso, fiz como em qualquer outra ilustração e, depois de pronto, comecei a construir as franjas com a caneta prateada. Num primeiro momento, achei que as franjas cobririam o rosto de qualquer jeito, e todo o trabalho que tive iria sumir. Mas assim que completei um dos lados, vi que ficaria harmonioso. O resultado final:
Materiais utilizados
- Papel Moulin DuRoy 300g grana fina;
- Naquim e aquarela;
- Lápis de cor Polycolor;
- Multiliner
- Canetas dourada, prateada e branca para os detalhes.
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá...
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Hekate Phosphorus
Não é de hoje minha admiração pela deusa Hécate, a Senhora das Encruzilhadas. Desde uma experiência muito importante - e de estudos que tenho feito, a vontade de retratar essa entidade é recorrente. Em 2016, desenhei um retrato que fez muito sucesso e até entrou para minha última exposição individual e, desde então, fiquei com aquela imagem tríplice na cabeça, como se Hécate sempre aparecesse para mim daquele jeito.
Por isso, não considero essa ilustração uma releitura daquela de três anos atrás, um #drawthisagain. É mais um retrato da mesma divindade, na mesma posição que eu acredito que ela se materializa para mim. Dessa vez, trabalhei com a aquarela e acrescentei as duas tochas, símbolos de Hécate.
O processo é sempre o mesmo para todas as pinturas. Assim como em 2016, não usei referência fotográfica para a ilustração, deixei a imagem se apresentar da maneira mais natural possível. Dei especial atenção para a anciã, pois preciso melhorar muito meu traço quando faço pessoas mais velhas.
Optei por usar tons de roxo e azul marinho e atribuir às figuras pequenos elementos que as identificassem: a virgem usa uma guirlanda de flores; a mãe usa uma coroa; a anciã usa um manto, além da lua tríplice e das já mencionadas tochas. As cores dos cabelos também remetem a cada uma das faces da deusa. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Hahnemuhle Expression 300g;
- Aquarelas Van Gogh e Cotman;
- Pincéis Keramik;
- Multiliner Staedtler;
- Canetas douradas Posca e Pentel.
Nos próximos dias vou elaborar um post com uma lista atualizada de todos os materiais que uso, em substituição a um mais antigo aqui do blog.
Recentemente, adquiri o livro Todas as Deusas do Mundo, de Claudiney Prieto (influência da Karina Beraldo) e pude ampliar meus conhecimentos sobre Hécate. A deusa possui inúmeros títulos, dentre eles, Phosphorus, que significa aquela que tem a luz. Nessa representação, ela traz a tocha. Como tenho buscado iluminação para resolver uma série de questões na vida, acredito que este título vai ao encontro do caminho a seguir.
Para fechar, do Oráculo da Deusa:
Sento-me no negrume da noite da Lua Novacom meus cãesna encruzilhadapara onde convergem três caminhoso lugar da escolhaTodos os caminhos levam à encruzilhadae todos são desejáveismas apenas um você pode percorrerapenas você pode escolhera escolha cria finaise todo início vem de um finalna encruzilhadaQual você escolherá?Qual caminho percorrerá?Qual?Embora a escolha seja suaeis aqui um segredo que partilho com vocêO caminho a escolher é adentrar o vazioO caminho a escolher é deixar morrerO caminho a escolher é voar livre
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Cantoria 🧜🏻♀️🎼🐦
No início do ano preparei uma listinha de metas artísticas para 2019, que deixei lá nos destaques do Instagram (assim que for concluindo, atualizo), e logo a primeira é: refazer um desenho antigo. Ano passado, muita gente participou da #drawthisagain, que propunha refazer um trabalho de algum tempo atrás, com os olhos e a técnica de hoje. Novamente fiquei só olhando, mas coloquei como uma das prioridades imediatas.
Eu já fiz muitos trabalhos dos quais me orgulho bastante, mas sei que tem coisas de seis anos atrás que não foram bem executadas. Eram boas ideias, mas a minha técnica não acompanhava a mente. Pretendo refazer vários trabalhos, inclusive minha primeira Catrina, mas para esse momento, escolhi este aqui:
Não é uma ilustra tão antiga assim, é de 2017, num esquenta que fiz para o MerMay daquele ano. Na época, trabalhei com um papel asqueroso, que não recomendo para ninguém (Mixed Media, da Canson), com uma textura que dificultou muito chegar ao resultado que eu queria. Dá pra ver o processo de criação aqui. Agora, refiz tudo no meu amado Arches grana fina, e o resultado saiu bem diferente.
Modifiquei toda a paleta de cores, formato da barbatana e também acrescentei outro personagem na história. Notei que a tendência dos meus trabalhos tem sido jogar sépia na paleta neutralizar o máximo que posso, dificilmente uso cor pura. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Arches 300g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Guache Talens;
- Lápis de cor Polycolor;
- Multiliner Pentel e Staedtler.
Olhando lado-a-lado as duas produções, gostei de ver que a sereia não está mais anoréxica, que a cauda está proporcional, assim como os elementos que adicionei ajudaram a criar uma narrativa mais lúdica (olha o trabalho com crianças aparecendo aqui). Antes era uma ilustração sobre uma sereia dentro de uma xícara, agora é sobre uma sereia e um passarinho e o quanto o espectador pode viajar nisso.
Quem gostou desse draw this again e quiser fazer a sua versão, corre lá no meu Instagram e participe da #drawthisinyourstyle. Siga as regras descritas no post com essa ilustra, que terei o maior prazer em ver o resultado do seu trabalho, a partir do meu.
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Veja aqui todas as ilustras produzidas para o desafio!
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