Lidiane Dutra
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Sala de aula

Sobre professores, blogueiros e quarentena

Marilyn Monroe na Universidade da Califórnia (UCLA), onde estudou literatura. Foto de Mel Traxel, fevereiro de 1952.

Quem está vivendo no planeta Terra em 2020 tem lidado com o coronavírus e com diversos protocolos criados para resguardar ao máximo a saúde pública, incluindo aqui a quarentena, ou isolamento social. Desde meados de março, a Prefeitura de Rio Grande decretou quarentena nas escolas da rede municipal e também orientou as instituições a manterem contato com a comunidade escolar (se possível), via internet, postando atividades lúdicas, não conteudistas, a fim de reforçar que estamos aqui e que o vínculo entre professores e estudantes se mantém. 

As duas escolas nas quais trabalho estão se empenhando em engajar a comunidade, dentro da sua realidade, seja com atividades, vídeos, dicas, mensagens. Nós, professores, não paramos de trabalhar, nem estamos de férias, como algumas pessoas podem pensar. Só que outro debate acabou vindo à tona, que é o uso do ensino a distância (EaD) como forma de mediação entre escola e aluno, em tempos de pandemia.

Eu trabalhei mais de 10 anos com EaD. Comecei no meu TCC, depois como tutora e, por fim, como professora pesquisadora, função na qual fiquei oito anos, trabalhando diretamente com design instrucional. Sei como a EaD pública funciona e sugiro que pesquisem sobre como a Universidade Aberta do Brasil ajudou na interiorização da educação superior no país. Então, para mim, não foi novidade, e eu consegui ter uma visão bem racional da situação, antes de preparar qualquer tipo de material para enviar aos estudantes.

Porém, mais do que discutir modelos de interação e o impacto da EaD no ensino básico, começaram a pipocar textões pelas redes sociais, a maioria de autoria desconhecida, de professores falando sobre a carga física e mental que tem sido preparar aulas a distância (o que é uma realidade, sem dúvida), e de que eles haviam estudado para serem professores, e não blogueiros e youtubers. Aí eu comecei a ficar transtornada.

Esse tipo de afirmação sou professora e não blogueira, como se uma coisa estivesse em cima e a outra embaixo, me perturba. Porque usa de uma situação atípica, que é a pandemia, para desqualificar a atividade de quem trabalha com internet. Eu já era professora por formação quando criei um blog, mas nunca havia entrado numa sala de aula, e foi o blog que me manteve criativa, focada, atualizada sobre a minha área e, principalmente, ocupada, pois eu trabalhei muito a partir de clientes que chegavam por aqui. E quando eu realmente pisei no chão da escola, consegui estabelecer um diálogo com os estudantes muito pela minha relação com o blog.

Os professores terem virado blogueiros, vlogueiros, roteiristas, fotógrafos, diagramadores da noite para o dia, evidencia o quanto o poder público negligencia o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação na educação, e como perderíamos muito menos tempo com isso se fôssemos capacitados para lidar com questões que envolvem as TDICs para muito além da teoria. 

Existe todo um universo de problemáticas quando se fala em enviar o material da aula pela internet: se a comunidade na qual a escola está inserida sofre com vulnerabilidade socioambiental, quais as condições que os estudantes têm de receber este material (desde suporte tecnológico até emocional), qual o grau de interação das famílias com as tecnologias, se o aluno tem comida na mesa, se não é agredido, abusado, e por aí vai. Também entram na conta a carga horária do professor, quantas escolas ele atende, se ele próprio tem familiaridade e condições de trabalhar com as tecnologias, se deseja inserir isso no seu cotidiano docente.

É o momento para discutir sobre tudo isso. Mas me entristece ver colegas achando que é algo horrível ser blogueiro, que ser youtuber é a maior inutilidade do mundo, que fazer roteiro é perda de tempo. Vamos pôr em perspectiva: blog nada mais é que registro, é diário de classe. Roteiro é plano de aula. O cientista que mais tem nos alertado sobre o coronavírus, Átila Iamarino, ganhou notoriedade com um canal no YouTube, no qual se dedica à divulgação científica.

Blogueiro e youtuber também é profissão, professor. Não vamos esvaziar um debate tão importante quanto o que está ocorrendo agora porque existe preconceito sobre essas profissões novas, que se aproximam demais com os anseios dos nossos estudantes. É um momento muito delicado, no qual todos sentem-se pressionados, de alguma maneira. Vamos tentar unir a nossa prática docente com a comunicação leve e despretensiosa que encontramos pela web, e agregar conhecimentos sem preconceitos ou estereótipos.

Resolvi ilustrar esse post com uma foto de Marilyn Monroe, durante o período que estudou literatura na UCLA, para nos fazer pensar. Marilyn foi um sexy symbol universal, muitas vezes encarnando o papel da loira burra no cinema. Mas na vida real a atriz era inteligente, leitora assídua dos clássicos e nunca parou de estudar. Morreu desejando ser levada a sério, ser reconhecida como a pessoa que era. Estereótipos nos aprisionam e nos impedem de entender a vivência do outro.
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Reflexões

10 anos de blog ✨


Ontem o blog completou 10 anos e não, não esqueci a data. Só senti que precisava escrever no momento certo. E os últimos tempos não têm sido certos para muitas coisas. Vivemos uma pandemia que marcará as próximas gerações, estamos em contato direto com o melhor e o pior da humanidade, enfrentando quarentena, colapso do sistema de saúde, descaso de muitos governantes, intolerância. E também solidariedade, empatia e, principalmente, a importância de se valorizar a arte, a saúde e a educação como nunca antes. 

Pela primeira vez em muitos anos, não estou me cobrando por não conseguir desenhar. Estou me dedicando às aulas, pois, mesmo com as escolas fechadas, nós professores estamos produzindo material para ser encaminhado aos estudantes. E escolhi para abrir esse post a imagem de um vídeo que gravei para os anos inciais (dá pra assistir aqui), contando a história de Leonardo da Vinci, pois  a contação vai ao encontro do que tenho me dedicado: resgatar histórias, atividades, ilustrações antigas, fragmentos de memórias que me constituíram profissional, ao longo desses dez anos.

O blog também chegou à marca de 1 milhão de acessos. É um feito enorme para um espaço sem monetização, sem impulsionamento, e quase sem divulgação, visto que não tenho uma quantidade enorme de seguidores nas redes sociais. Praticamente todo tráfego é orgânico, de pessoas que me acompanham, assinam o feed, ou simplesmente caem por aqui através da busca do Google, que já mandou muita coisa bizarra pra cá. Já recebi muito hate, que foi sumindo com os anos, já participei de blogagem coletiva, projetos, conheci muita gente. E agora quero fazer uma pequena retrospectiva, do fundo do coração.

Alguns números (até a escrita desse post)

  • Postagens: 472
  • Comentários: 2408
  • Acessos: 1004564 (o pico de acessos foi em junho de 2016)
  • Página mais acessada do blog: FAQ

Postagens mais acessadas

  • Como faço o efeito galáxia/nebulosa em aquarela
  • Maybe Tonight (Estelar)
  • Exposição "Mulheres"
  • Minhas aquarelas e pincéis favoritos (até o momento)
  • Links Bacanas #8

Postagens que mais gostei de escrever

  • Mostre Seu Trabalho
  • Grande Magia
  • Clipes com Referência na História da Arte (parte 1,  parte 2  e  parte 3)

Ilustras que considero um ponto de virada na minha vida

  • Sugar Skull: a primeira ilustração que vendi produtos - e fiquei conhecida por muito tempo pelas catrinas;
  • Pirate: mostrou meu potencial criativo;
  • Maybe Tonight (Estelar): minha primeira galáxia em aquarela;
  • Arabesque: primeira figura fora do padrão estético dominante;
  • Sereia: primeira aquarela que realmente gostei do resultado;
  • Summertime: marca o início do ano dos meus melhores trabalhos.

Curiosidades

  • O primeiro nome do blog foi Desenhar é Preciso, por causa da minha dissertação de mestrado;
  • O vídeo Minha mesa de luz artesanal, apesar de ser o mais assistido do meu canal no YouTube, nunca converteu muitas visualizações para o blog;
  • Tive que fechar os comentários da postagem sobre uma cola dimensional, de tanto que as pessoas me perguntavam o tempo de secagem da tal cola;
  • Também tive que apagar todos os posts sobre lojas virtuais, pois recebia muitos comentários sem noção, sobre quanto eu ganhava em dinheiro;
  • Durante anos o termo mais pesquisado do blog foi mulheres com a boca costurada (acredito que sejam as catrinas);
  • Todos os projetos de sketchbook viajante que participei nunca terminaram, muitos se perderam;
  • Já ajudei muitas pessoas que hoje tem números bem expressivos, mas que nunca disseram obrigada, e já tive até a sidebar plagiada por uma pessoa;
  • Acredito ter sido a primeira pessoa no Brasil a receber "mimos" da marca Derwent, antes mesmo dela vir para cá, em 2012.

Não sei se o blog vai ficar por aqui mais dez anos, se vai virar site, se a internet vai acabar... só sei que sou muito grata a todo mundo que me acompanhou um dia, que me acompanha até hoje, ou que recém chegou por aqui. Muito obrigada por curtir um espaço que, basicamente, contém meus delírios, e que nunca ousou ser grande coisa. Obrigada a todos os clientes que chegaram por aqui e confiaram no meu trabalho; aos alunos que vem dar uma olhadinha, de vez em quando, e a todas as amizades virtuais que fiz em decorrência do blog.

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. - Eduardo Galeano

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Dicas

Desenhos para colorir (e enfrentar o isolamento)

Pessoal, quando houve o boom de livros para colorir, fiz uma série de arquivos com desenhos meus para baixar, imprimir e soltar a criatividade. Resolvi resgatá-los para quem, assim como eu, está em quarentena e precisa encarar o isolamento social. É só clicar nas imagens e baixá-las. Lembrando que os desenhos são somente para uso pessoal - mas você é livre para compartilhar com quantas pessoas quiser!
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