Livro: Color Harmony For Artists (Ana Victoria Calderón) 🎨
Este livro foi uma sugestão que vi no Instagram da Ana Blue, que está sempre antenada e estudando muitas coisas interessantes sobre aquarela. Assim que vi, me chamou atenção, primeiro por ser da Ana Victoria Calderón, que é uma artista que acompanho há bastante tempo (ela tem vários cursos na Domestika que estou louca pra fazer). Segundo que esse livro me lembrou muito o site Design Seeds, que pega imagens e extrai a paleta de cores delas, e é uma excelente fonte de inspiração para artistas. E a proposta é realmente bastante parecida com a desse site, já que a obra também foca na experiência de aprender a olhar para uma imagem e retirar dela uma gama de cores para além do "o céu é azul" e "a maçã é vermelha". O grande diferencial talvez esteja no processo criativo da Ana Victoria, e na forma que ela escolheu para compartilhar suas vivências.
O livro começa com uma pequena, mas muito oportuna, introdução à teoria da cor e ao círculo cromático. Saber trabalhar com o círculo já é metade do caminho numa pintura, pois é possível extrair combinações muito interessantes usando cores complementares, análogas e variando tons e temperatura. Eu vou deixar aqui o link para o download de um arquivo em pdf, para quem deseja ter um círculo cromático como referência. Em lojas de materiais artísticos, é possível comprar um como este aqui.
Quem já tem experiência com pintura pode achar essa parte introdutória bem básica, mas eu acho interessante sempre fazer um resgate do que é primordial, pois vejo muitos jovens artistas preocupados em achar um estilo, em ter seguidores, mas negligenciando o estudo dos fundamentos. Então é muito inteligente a autora mostrar, através do seu processo criativo e das tintas que ela gosta de usar, noções como valor tonal. Passada essa introdução, vamos para as paletas propriamente ditas, divididas em diversos assuntos - de animais a paisagens e minerais. Vale destacar que a motivação para a escrita desse livro foi uma visita da Ana Victoria a Sedona, no Arizona, e ao impacto visual que a paisagem teve sobre ela.
A seguir, algumas das paletas que mais gostei:
O grande diferencial desse livro é que, para cada imagem e cada paleta extraída, a autora dá dicas de como chegar a um tom mais pastel, ou como tornar sua aquarela mais vibrante, quais marcas (a partir da experiência dela) têm as tintas mais adequadas para se chegar a um determinado resultado, além de diferenciar bastante os efeitos de aquarelas em pastilha, bisnaga e líquidas, e suas interações com o guache branco.
Ana Victoria tem uma escrita muito entusiasmada, é possível ver, através das palavras dela e de todo o estudo que envolveu o desenvolvimento da obra, o quanto a arte permeia sua vida e o quanto é gratificante, para ela, dividir e multiplicar conhecimento, a partir do seu próprio processo. Aprender a ver uma imagem e admirar as cores de uma paisagem é sempre um ponto de partida interessante para o desenvolvimento de uma pintura, e ela intercala momentos mais realistas com outros de pura experimentação.
Enquanto obra "técnica", Color Harmony pode até não agregar muito para quem tem uma longa caminhada na pintura, mas enquanto jornada artística é um excelente diário e fonte de inspiração.
Color Harmony For Artists não tem uma tradução para o português (o único livro da Ana Victoria que encontrei traduzido foi Aquarela criativa: um passo a passo para iniciantes), mas é num nível de inglês fácil de acompanhar. Comprei meu exemplar pela Amazon, e como os livros importados não estão com preços muito convidativos, a dica é colocar no carrinho e esquecer, até que o site notifique você de que o preço baixou.
E para quem não está podendo gastar com livros no momento, recomendo o já mencionado site Design Seeds e também o Coolors. Existem vários aplicativos para celular que têm a função de extrair a paleta de cores das imagens, e para quem é usuário da Adobe, também é possível criar bibliotecas de cores a partir dos seus trabalhos.
*Nenhum desses links foi patrocinado, as indicações foram feitas unicamente com o intuito de informar e complementar o conteúdo do post.
O Hierofante ★
Desde 2018 tenho ilustrado o arcano regente do ano, algo que começou de uma maneira despretensiosa, e hoje levo como uma pequena tradição, que serve para fechar um ciclo e abrir outro. Geralmente, começo o esboço no final de dezembro, para fazer os acabamentos no dia 01 de janeiro, assim passo o primeiro dia do novo ano desenhando, em paz, com minhas tintas e lápis. Neste álbum do Behance é possível ver os arcanos anteriores, ou então aqui pelo blog, navegando pelos arquivos de janeiro dos últimos três anos.
A carta de 2021 é O Papa/O Sumo Sacerdote/O Hierofante. Dependendo do deck de tarô, o arcano V vai aparecer com um desses nomes, representado por um pontífice ou por um alto sacerdote. Eu fiquei em dúvida entre representar o papa numa visão mais dark (usando o vocalista do Ghost como referência) ou então representar Anúbis, o deus egípcio com cabeça de chacal. Depois de uma enquete no Twitter, ganhou Anúbis, e parti para a busca de referências.
Foi um pouco demorado chegar nessa composição, pois todas as imagens que eu encontrava ou eram de decks de tarô egípcio super estilizados, ou de escavações, ou de concepts nas quais Anúbis era um cara fortão e mal encarado. Então tentei pensar em coisas da própria arte egípcia que me agradam (e que costumo falar nas minhas aulas): lei da frontalidade, uso de tons terrosos, simetria, harmonia. Foi aí que surgiu o primeiro esboço, no qual a coroa e a vestimenta se integram num círculo, e os ombros do deus servem como base para a balança (libriana mode on). A partir, daí fui refinando o conceito.
Usei um dos meus godês para fazer o círculo maior, e vários potinhos de tinta para os círculos menores e arestas do fundo. Também usei muita régua, coisa que não curto muito, mas precisava deixar tudo da maneira mais harmônica possível (e menos torta). Para a cabeça de Anúbis, tentei não deixar muito estereotipado, nem realista, me baseando em figuras egípcias mesmo. Já para as cores, tentei trabalhar de acordo com o círculo cromático e também com as tonalidades que encontramos associadas ao deus.
Depois de finalizada, joguei a ilustração no Photoshop e fiz alguns ajustes que julguei necessários: retirei a cruz ansata, pois ficou muito torta e era um ponto focal que tirava a harmonia da ilustração, e também coloquei uma textura de papiro ao fundo, e acho que isso fez toda a diferença na finalização, pois deu o toque "antigo" que faltava. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Moulin DuRoy 300g, grana fina;
- Aquarelas White Nights;
- Pincéis pelo sintético Giotto;
- Lápis de cor Bruynzeel;
- Marcador dourado Sakura;
- Fundo aplicado digitalmente no Photoshop.
A instituição do sagradoMilênios se passaram e as vidas de muitos homens e mulheres vieram e se foram. Em seu lugar, eles deixaram história, e nessa história eles deixaram um poço de sabedoria, experiência, conhecimentos e ensinamentos. É a partir desse poço de sabedoria e conhecimentos antigos que a tradição surge, assim como os meios mais eficazes pelos quais essas tradições podem ser ensinadas e acessadas: organizações, instituições. Essas entidades foram planejadas originalmente como um ambiente seguro e estável para transmitir a tradição e a sabedoria pertencentes a elas. Quando entrar na minha igreja, descobridor da sabedoria, você se envolverá na rica tradição sobre a qual ela é erigida; quando buscar meu conhecimento, você também assumirá seu lugar legítimo na longa fila de todos aqueles outros acólitos e neófitos sedentos de conhecimento. Eu sou o mensageiro da nobre e grandiosa sabedoria buscada por milhões de pessoas, oferecida a elas a todo momento por aqueles que aceitaram o manto do papa, revelador do sagrado. Eu posso lhe mostrar os mistérios e lhe entregar as chaves para os portões da sabedoria, mas você precisa estar ciente de que receber a sabedoria tradicional de um mestre é um passo necessário para qualquer caminho verdadeiro de conhecimento.- Tarô Iluminati
Cabe aqui ressaltar que faço essas ilustrações com intuito artístico, tomando liberdades artísticas. Não pretendo lançar um deck com todas elas, então não me prendo a todos os elementos associados às cartas. Se você é tarólogo e veio parar aqui no meu blog, e está prestes a escrever um comentário me xingando, por favor, leve em consideração que é uma representação puramente artística.
Foi a primeira vez que usei as aquarelas da White Nights e os pincéis da Giotto (deu pra ver que a lista de materiais é totalmente diferente do post anterior), e ainda quero falar desses materiais, em específico. Mas já posso adiantar que não poderia estar mais feliz com o investimento, pois me surpreendi muito positivamente com a qualidade de ambos. Acredito que são as melhores aquarelas que já tive na vida. Mas vou testar mais, e deixar para opinar melhor numa próxima oportunidade.
Para ver meus trabalhos em tempo (quase real) é só seguir meu Instagram. Quer comprar uma ilustra? Tem na Colab55. Quer encomendar? Clica aqui.
Meus materiais favoritos 💜 2021
Mais um ano chegou, e está na hora de atualizar o post com meus materiais favoritos de desenho e pintura!
Assinar:
Comentários (Atom)











