Bonsai de Ficus 🌳
Eu ainda não tinha vindo aqui depois da mudança de layout do blog, na realidade não venho aqui há mais de um mês e acho interessante como, apesar de tudo, aqui é um espaço atemporal, nunca sinto que estou tirando a poeira de algo antiquado; é um lugar para o tempo certo.
E justamente nesse intervalo que estive ausente daqui, aconteceram várias discussões sobre - novamente - os algoritmos das redes sociais, o quanto a rede x ou a y vai privilegiar um conteúdo em detrimento ao outro. Enquanto isso, por aqui, sinto que estou longe de toda essa pressão, enquanto várias pessoas estão retomando as blogagens coletivas, se engajando em newsletters e mostrando que a internet é um espaço muito mais diverso do que qualquer rede comprada pelo tio Zuck.
Resumindo um pouco desse layout: eu já queria trocar a carinha do blog há horas, mas não encontrava um template que correspondesse ao que gostaria de passar daqui por diante, até que fui de rodapé em rodapé nos blogs que leio (onde geralmente se encontra quem fez o template) e cheguei na loja da Kate. E agora tenho tudo o que queria para meu blog, que era dar bastante destaque para o portfólio, a loja e como entrar em contato comigo.
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Essa aquarela de bonsai (na verdade, pré-bonsai) surgiu de um rascunho feito em 2018! É pra isso que eu mantenho meu banco de ideias: além de sempre ter alguma coisa "no forninho", estou sempre me retroalimentando de coisas boas que fiz no passado, e que podem ser aproveitadas no futuro. É uma forma de olhar com carinho para a minha própria produção, e ver que nem tudo precisa ser uma grande novidade nunca antes vista. O processo criativo é cheio de surpresas, lidamos com fases de pura espontaneidade, alternando com outras de intensa pesquisa interna e externa.
E essa aquarela foi um grande exercício de construção de camadas de cor e textura, a partir das referências visuais das plantas aqui de casa. A figueira é uma árvore linda e que oferece muitas possibilidades de estudo, assim como a natureza de uma maneira geral. Observar árvores, flores, jardins e parques abre a nossa mente para a criação, é por isso que existe todo um movimento para desemparedar a infância, tornando as escolas lugares com amplo acesso às áreas naturais (tem um livro muito bom sobre o assunto aqui).
E como a era louca das plantas chega para todas, me aguardem, pois o que aparecia pontualmente entre um trabalho e outro vai se tornar bastante corriqueiro: já tenho uma costela-de-adão para chamar de minha e comecei a espalhar suculentas pela casa. Os motivos florais vêm com tudo.
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| Dolores II, a minha costela-de-adão. O hit vem! |
Lilith 🔥
Já faz alguns anos que criei um "banco de projetos", que já foi uma prancheta na parede e hoje é um gaveteiro muito mais organizado, onde guardo absolutamente todo e qualquer rascunho, referência impressa, anotação, line art e tudo mais que envolve ideias que desejo transformar em ilustração. Algumas passam nesse "banco" alguns dias, outras ficam ali por anos, como que esperando o momento certo para aflorar no papel. É como se elas e eu estivéssemos nos preparando, e tem muita coisa que simplesmente fica por ali. Recentemente, incluí dois sketchbooks nesse banco, mas a maioria são folhas soltas, já falei em outras oportunidades que é assim que gosto de trabalhar.
E foi ali pelo final do ano passado que tive a ideia de representar Lilith, essa deusa tão misteriosa, juntando referências de livros sobre mitologias e da cultura pop, como o vindouro jogo Diablo IV. Como quase tudo o que acontece no meu Instagram, postei e saí correndo, nunca mais dei satisfação daquele sketch. Foi lá para o tal "banco".
Algumas semanas atrás, resolvi revisitar esse projeto, mas me deparei com uma dificuldade gigante em encontrar o material adequado e acertar o tom da finalização. Comecei com aquarela e abandonei. Investi no pastel seco e achei tudo péssimo. Nesse momento, parei para pensar: o que estava me bloqueando tanto? E novamente me peguei pensando, um pensamento bastante obsessivo que tento sempre dissipar, que é nossa, como eu fazia coisas boas há uns quatro anos atrás e agora só faço merda. E ao invés de lamentar como o passado era bom, voltei aqui ao blog e fui dar uma olhada no meu processo criativo daquela época, para refletir sobre o que eu precisava melhorar agora.
Percebi que eu simplesmente havia perdido o hábito de marcar os valores da pintura com lápis e, posteriormente, com payne's grey ou dioxazine, um processo que era a espinha dorsal do meu trabalho e me ajudava a dimensionar o que fazer na pintura. Munida dessa informação, deixei de me lamentar e botei a mão na massa, à moda antiga.
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Canson XL;
- Aquarelas Van Gogh;
- Guache TGA;
- Pincéis Giotto;
- Marcadores Pentel e lápis de cor Polycolor para as finalizações.
Lillith simboliza a consciência de absoluta igualdade entre homem e mulher. Essa igualdade é reforçada pelo potencial andrógino em suas lendas. Sem suas bênçãos as águas da vida recaem em conhecimento empoeirado. Ela é o aspecto instintivo, o aspecto terreno do feminino e as lembranças da incorporação do despertar sexual. - Todas as Deusas do Mundo, Claudiney Prieto
A primeira mulher sobre a terra que era igual ao homem e um espírito livre foi condenada a sobreviver pela eternidade como uma mulher-demônio, acasalando com demônios e diabos, parindo monstros em vez de crianças humanas. Essa imagem servia como uma ameaça e um aviso para qualquer mulher que tivesse a intenção de abandonar o marido ou desafiar a autoridade masculina. - Mistérios da Lua Negra, Demetra George






