Lidiane Dutra
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Portfólio Processo criativo

Be Model #2


Este é o resultado de mais uma ilustração feita para o blog Be Model. Dessa vez, a Ana pediu uma arte bem diferente do que estou habituada, tanto na expressão facial quanto na posição das mãos (o eterno desafio).


Para obedecer às proporções da foto original, utilizei novamente o gradeado, como no meu autorretrato, e fui gradeando parte por parte, até ficar satisfatório para mim. Ainda vou postar um passo-a-passo dessa técnica, que é uma maneira do desenhista ficar confortável para trabalhar. 


Os materiais utilizados:
- Caneta esferográfica preta;
- Caneta Uni Pin 0.3;
- Caneta Stabilo ponta final;
- Lápis Koh-I-Noor estojo Portrait;
- Caneta gel dourada e glitter;
- Marcador Sharpie vermelho;
- Caneta Pigma Brush preta;
- Sombra para olhos em tons de rosa e laranja.

O resultado final traz o fundo um pouco mais suave, a pedido da própria Ana. A ilustração ainda recebeu o logo, e a arte aplicada no layout do blog ficou assim:


Gostou e também quer uma ilustra personalizada para o seu blog? Mande um e-mail para lidiane@lidydutra.com e tenha um trabalho exclusivo.

Abraços,
Lidiane :-)
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Portfólio Processo criativo

Metamorfose


Metamorfose: uma possibilidade borboleta que habita o mundo todo.
Adriana Falcão



Essas borboletas foram feitas, originalmente, para a capa de um caderno pedagógico sobre Educação para a Sexualidade. Decidi pela representação das borboletas para sair do estereótipo de gênero. Porém, a ideia não foi aceita. Fica o registro de um trabalho que curti muito fazer, amo desenhar borboletas. Vamos aos materiais utilizados?

- caneta Pigma brush preta;
- caneta UniPin 0.3 preta;
- caneta Staedtler 0.2 preta;
- lápis Koh-I-Noor 3B;
- esfuminho;
- caneta gel dourada;
- sombra de olhos nos tons marrom, laranja e dourado.

Sombra de olhos bombando em todas as ilustrações. É um material extremamente confortável para trabalhar fundos e degradés. Se eu soubesse disso, teria começado a usar antes. Sem contar que sempre é um desafio desenhar mãos mas essa, em especial, me agradou bastante.

Abraços,
Lidiane :-)
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Reflexões

O preço da arte (ou como é difícil entender que as contas não se pagam sozinhas)

Momento ~abrindo o coração~

Esta semana a escritora Clara Averbuck conseguiu um feito inédito para o mercado editorial brasileiro: a publicação de um livro via financiamento coletivo. O projeto Toureando o Diabo não só bateu sua meta, como também proporcionou à autora uma pequena reserva financeira. Mesmo assim, houve quem pensasse que ela estava enganando as pessoas, ao ficar com esse dinheiro. Este fato fez muita gente se manifestar à favor da Clara (veja aqui o excelente post da Sybylla) e se questionar: afinal, qual é o problema de você ser remunerado pelo seu próprio trabalho? Acontece que, no Brasil, ser só (ênfase no só) escritor, professor, ilustrador ou qualquer profissão criativa, faz com que as pessoas pensem que OU você é rico e pode se manter nessas profissões ~que não dão dinheiro~ OU que você vive de luz e suas contas se pagam sozinhas. NÃO para as duas opções.

Não raro, recebo comentários desse tipo:
- Adorei seu trabalho, você faria um rabisco meu?
Aos quais eu respondo:
- Manda um e-mail que te passo o orçamento.
Daí o e-mail chega com 8797980 fotos da pessoa e a seguinte mensagem:
- Aiiii já separei umas fotos, podes fazer assim e assado. Aguardo, beijos.
Lá vou eu responder à criatura:
- Olha só, esse tipo de trabalho custa X.
-- Fim da negociação --

Kero morre!

Para muitas pessoas, desenhar ainda é um hobby, e quem se sujeita à expor seu trabalho na internet é porque está topando qualquer negócio. Já recebi e-mails com propostas absurdas, até mesmo uma pessoa que queria utilizar minhas imagens para fazer capinha de celular e ganhar dinheiro às minhas custas! A desculpa? Ah, suas imagens estão na internet... Sim, mas elas continuam sendo MINHAS! Quem tem alguma dúvida a respeito, é só rolar até os termos de uso do blog, no rodapé.

Enfim, muitas vezes é um tormento negociar, ou porque as pessoas acham cara uma ilustração, ou se ofendem por ter que pagar, seja a quantia que for, ou porque acham fácil, enfim... De tudo isso, a mensagem que fica, na grande maioria das vezes, é que você não deve receber por esse trabalho. Você escolheu trabalhar com o que gosta, você é seu próprio chefe muitas vezes, então é como se você assinasse um pacto de sangue para se sujeitar às mais variadas torturas psicológicas envolvendo sua arte.

Enquanto as pessoas [e empresas] não entenderem que escritor é uma profissão como qualquer outra, que ilustrador tem contas como qualquer pessoa, que diagramador não é o cara que joga tudo no word, nós sempre estaremos à mercê dos maus profissionais, aqueles que não estão nem aí e topam tudo, e à desvalorização de toda uma cadeia produtiva. Estaremos presos aos contratos abusivos (quando há), aos "entendidos" que metem a mão nos nossos projetos sem a nossa autorização, às refações sem fim, ao jeitinho brasileiro, que permeia esse modo capenga de fazer as coisas.

Por mim e pelos meus colegas de profissão: não estamos fazendo um favor para a sociedade. Estamos oferecendo nosso serviço especializado, como qualquer outro profissional. Exigimos respeito e pagamento justo pela nossa mão-de-obra. Parece óbvio, mas ainda é preciso lembrar aos desavisados. E eles são muitos, e se multiplicam a cada dia.

Abraços,
Lidiane :-)
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Materiais Reflexões

Sobre a necessidade (cada vez maior) de registrar meus processos criativos


É cada vez mais premente a necessidade que sinto em registrar todos os meus processos criativos. Para além da mania, existe o interesse com a evolução do meu traço e como lido com diferentes situações, quantas vezes saio da zona de conforto e quantas me valho dela para concluir determinada ilustração, além de todas as referências (visuais, escritas, musicais...) que busco a cada novo desafio, e devaneios que saem da minha cabeça direto para o papel, em forma de questionamentos, esboços, enfim.

Na imagem acima, estão três caderninhos que são meus companheiros de cabeceira, neles registro tanta coisa que nem eu sei de onde tiro tanta ideia maluca. Dia desses, resolvi escrever sobre coisas que minam meu processo criativo (à esquerda). Depois, parei para pensar em todos os elementos que se repetem no meu trabalho (à direita). Então, resolvi compilar numa listinha, tudo que uso para me documentar, e que pode ajudar outros ilustradores que, assim como eu, buscam entender o que se passa em suas próprias cabeças!

Meios que utilizo para me documentar:

- Sketchbook: o meio mais "clássico" de registrar a brainstorming nossa de cada dia. Desde os primeiros passos de um novo trabalho, até estudos complexos, testes com novos materiais e rabiscos sem compromissos. No meu sketchbook, tem muita coisa finalizada ~não compreendo, tudo bem~ e estou tentando me dar ao luxo de deixar coisas por fazer. É um bom exercício.

- Diário de processos: é um caderno no qual escrevo sobre como está sendo realizar um trabalho específico, o que me motiva a começar uma série, que tipo de produto posso colocar nas lojas, além de várias outras coisas, como questionamentos e autocrítica. Acredito que é super importante reconhecer quando NÃO está bom, tanto quando está. Isso porque se alguém indagar você sobre um "defeito", você mesmo já refletiu sobre o mesmo.

- Anotações soltas: para momentos em que não tenho meus comparsas à mão, recorro a uma folha de rascunho, um post-it, papelzinho colorido, tudo que possa dar destaque à minha ideia e ser arquivado, posteriormente.

- Caderninho de organização: vou falar mais sobre meu caderninho no final do ano, quando chegarei à conclusão se ele funcionou ou não. Mas até o momento, está funcionando muito bem. Tenho uma aba própria para as ilustrações e ali anoto todas que estão em andamento, as que estão por vir, os trabalhos comissionados que precisam de atenção, ideias e conceitos-chave que julgo pertinentes.

- Caderno "da bagunça": é um carnaval onde tem de tudo, desde recortes de revista, esboços rápidos e inacabados, lamentações e mimimi, até minicontos para algumas ilustrações. É uma espécie de válvula de escape.

- Diário rápido: é o bloquinho que aparece à direita na foto, fica sobre minha impressora e saco toda vez que pinta uma ideia nova ou preciso fazer uma listinha.

- Caderno de referências visuais: ou look book, uma compilação de recortes de revista contendo fotos de modelos, acessórios, obras de arte, enfim, tudo que possa ser usado como referência numa ilustração, desde paleta de cores até poses.

- Pasta de esboços: desde o final de 2012 guardo todos os meus esboços, que antes eram descartados, e faço uma comparação do percurso que fiz até chegar à ilustração final. Algumas vezes, reaproveito esses esboços como ponto de partida para novos trabalhos e arranjo outras soluções para o que vinha fazendo. É interessante fazer uma releitura da própria obra.

- Blog: há quatro anos, tem muita coisa que está aqui. Quem me acompanha sabe o quanto penei para redescobrir meu traço, o quanto busquei entender e aceitar minha própria arte, então não deixa de ser uma excelente maneira de registrar meu caminhar como ilustradora.

- Livros e excertos de textos interessantes: se estou lendo um livro e acho que uma citação tem tudo a ver com um trabalho, não temo em fazer a associação entre um e outro. Também é importante buscar suporte teórico em autores que já discutiram sobre processo criativo e têm muito a nos ajudar. Deixo aqui três indicações de livros fantásticos sobre o tema:
- Criatividade e Processos de Criação, da Fayga Ostrower;
- Gesto Inacabado, da Cecília Almeida Sales;
- Filosofia da Criação, da Marly Meira.

Espero que tenham gostado das minhas dicas e que, de alguma maneira, eu possa ter ajudado quem busca mais informações sobre documentação do processo criativo.

Aproveito para fazer um agradecimento a todas as pessoas que me perguntam sobre quando será a próxima oficina de desenho, não esperava que tanta gente fosse se interessar! Pois então, ainda não sei quando e se vou ofertar outro curso, mas podem ter certeza que, com tanto carinho, vontade não me falta e vou dar um jeito de atender a todos os pedidos.

Abraços,
Lidiane :-)
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Materiais Processo criativo

I Put A Spell On You


Oi pessoal!

Hoje vim trazer o resultado definitivo da ilustração que já mostrei um pouquinho nas redes sociais. Ela fará parte de uma nova série temática, que pretendo completar aos poucos, de Bruxas. Já falei em outras oportunidades que amo o tema, então nada mais justo do que me dedicar a ilustrar essas personagens que tanto me cativam. 



Minha primeira ideia foi fazer uma homenagem ao início do outono, representando uma feiticeira saudando a chegada da nova estação e preparando a terra para a renovação. Como acabei adquirindo uma caixa de lápis aquarelável mutante da Faber Castell (muda de cor em contato com a água), resolvi testá-los no cabelo e gostei muito, tanto que me arrisquei em aquarelar o fundo, que me agradou bastante também. Apesar da concepção clara do que eu queria, não estudei muito quais cores colocar, fui na intuição, resolvendo um problema de cada vez, degustando cada passo dado.



O resultado foi um mix de materiais e texturas. Em certos momentos, achei que tudo ia dar errado. Por exemplo, quando estava aquarelando o fundo, a tinta vazou um pouco para a mão. Para esconder a mancha, tive a ideia de "borrar" os dedos de preto, como se a bruxa estivesse evocando um feitiço. O círculo ao fundo remete ao céu de fim de tarde, e o predomínio de verde significa esperança e renovação, mesmo que haja frio, queda e escassez. 


A imagem acima é uma tentativa frustrada de relação com Game of Thrones hehehe. Achei que meu amuleto de dragão cairia bem ao lado dessa feiticeira tão cheia de simbolismos. Bom, vamos ver o resultado definitivo?


Agora, sentem pra lista de materiais que utilizei. Tive que anotar tudo ao longo do processo para não esquecer de nada, pois usei MUITA coisa mesmo:

- papel Canson A4 200g creme;
- lapiseira 0.9mm para os contornos;
- lápis aquarelável mutante da Faber Castell em 4 tonalidades;
- caneta Pigma Brush preta;
- caneta Staedtler 0.2 preta;
- caneta gel nas cores dourada, prateada, branca, marrom, verde e roxa;
- caneta hidrocor verde folha;
- caneta Sharpie roxa;
- caneta Stabilo fine 0.4 nas cores verde claro, verde escuro, laranja, amarelo e vermelho;
- lápis cor aquarelável Staedtler Karat;
- lápis de cor Polycolor Portrait (vários tons);
- lápis de cor Polycolor marrons (vários tons);
- lápis de cor Polycolor cinzas (vários tons);
- pincel para aquarela pelo de marta tropical;
- água filtrada para a aquarela.

Pode parecer estupidez utilizar água filtrada para aquarelar, mas é um cuidado que tenho e faz diferença. Muitas vezes, a água retirada da torneira está com impurezas, como ferrugem, que a longo prazo podem danificar sua pintura. Ao final, fixei o trabalho com verniz fosco Acrilex.

Abraços,
Lidiane :-)
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