Submersa
A última ilustração do ano (nem acredito!) nasceu a partir do último livro lido, que foi A Menina Submersa: memórias, da Caitlín R. Kiernan. Fiquei tão impressionada com a história que, assim que finalizei a leitura, comecei a esboçar a minha menina submersa. Não é uma representação da Imp, a protagonista, mas uma interpretação de várias simbologias presentes na obra.
Sem querer dar spoiler: Imp é uma artista plástica esquizofrênica, que resolve escrever uma história sobre os fantasmas que a assombram. Só que essas assombrações não são aquelas tradicionais que conhecemos. No caso de Imp, é um quadro chamado A Menina Submersa, e outro chamado Fecunda Ratis, além de Eva Canning. mistura de sereia e lobo.
Procurei trabalhar com o elemento água saindo/entrando na cabeça, mas sem deixar a figura "submersa". O efeito de mar agitado nos cabelos é algo que adoro. Os pássaros pretos também fazem parte da narrativa, e um olho aberto e o outro fechado representam o limite do sonho/real. A lua tríplice representa Imp e outras duas mulheres (loucas) de sua vida: a mãe Rosemary e a avó Caroline (a anciã, a mãe e a donzela, achei fantástica essa ligação). O resultado final ficou assim:
Materiais utilizados: aquarelas Pentel e Sakura, caneta pigment liner da Staedtler 0.3 e lápis aquarelável Derwent. Fiquei muito feliz com o resultado desse trabalho, fiz em uma tarde e cada vez mais estou curtindo usar aquarela. Espero muitas meninas submersas e muita tinta para 2015.
Abraços,
Lidiane :-)
Sem querer dar spoiler: Imp é uma artista plástica esquizofrênica, que resolve escrever uma história sobre os fantasmas que a assombram. Só que essas assombrações não são aquelas tradicionais que conhecemos. No caso de Imp, é um quadro chamado A Menina Submersa, e outro chamado Fecunda Ratis, além de Eva Canning. mistura de sereia e lobo.
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| Estado deplorável da mesa. |
Materiais utilizados: aquarelas Pentel e Sakura, caneta pigment liner da Staedtler 0.3 e lápis aquarelável Derwent. Fiquei muito feliz com o resultado desse trabalho, fiz em uma tarde e cada vez mais estou curtindo usar aquarela. Espero muitas meninas submersas e muita tinta para 2015.
Abraços,
Lidiane :-)
Giz de cera tons de pele Uniafro/Koralle
Aviso: o produto mencionado neste post foi comprado por mim, para uso pessoal e profissional, portanto, não recebi patrocínio da loja e da marca citada.
No início do mês, vi a notícia do lançamento de um kit de giz de cera, na fan page da Koralle, com 12 tons de pele. A parceria da loja com a Uniafro resultou num dos produtos mais legais que vi nos últimos tempos (dá pra ler uma matéria completinha aqui). A minha irmã acabou me presenteando com o kit (obrigada, Mana!) e agora quero mostrar tudo em detalhes para quem também se interessou.
Quando estudei os pressupostos da arte/educação e suas implicações na sala de aula, a primeira coisa abordada com veemência pelos professores é a desconstrução de estereótipos. E um dos mais arraigados é a questão do lápis rosinha tido como "tom de pele". A pergunta que fica é: cor da pele de quem? É possível universalizar uma única cor como o verdadeiro tom de pele? A resposta é: não. Propositalmente, o rosinha, juntamente com preto e branco, ficaram de fora da caixa, dando lugar a uma gama de cores excelente.
A qualidade dos gizes é profissional. Eles liberam bastante pigmento logo na primeira esfregadela no papel. Claro que, como todo giz de cera, é bastante frágil, e amolece com o calor. Portanto, sugiro não empregar muita força, ou então colocar um extensor de lápis, como esse que mostrei aqui. Acima, a imagem está sem filtro, e é possível notar que já dá pra chegar a uma tonalidade de pele realista sem precisar fazer um mix muito grande de cores, ideal para trabalhar com crianças pequenas.
A qualidade dos gizes é profissional. Eles liberam bastante pigmento logo na primeira esfregadela no papel. Claro que, como todo giz de cera, é bastante frágil, e amolece com o calor. Portanto, sugiro não empregar muita força, ou então colocar um extensor de lápis, como esse que mostrei aqui. Acima, a imagem está sem filtro, e é possível notar que já dá pra chegar a uma tonalidade de pele realista sem precisar fazer um mix muito grande de cores, ideal para trabalhar com crianças pequenas.
Acho importante esse tipo de iniciativa, pois é uma forma de nós termos uma identificação imediata com um material artístico. É como olhar para o giz de cera e já ver o seu tom de pele ali, sem precisar fazer um cálculo mental sobre quantos lápis eu preciso misturar para chegar até a cor que quero. E em fases específicas do desenvolvimento estético da criança, isso é fundamental. Torço muito para que esse kit seja amplamente divulgado, comercializado e distribuído nas escolas. E que outros produtos seja feitos a partir dessa iniciativa.
A primeira ilustra que fiz foi esta, ainda estou me adaptando com a textura do giz e fico com receio de quebrar, mas continuarei experimentando. Para quem se interessou, o giz de cera pode ser adquirido neste link. Como já disse lá em cima, isso não é jabá! :D
Abraços,
Lidiane :-)
Coisas que minam o processo criativo
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| Chifres... |
Desde que publiquei este post, no qual falo da importância cada vez maior de registrar os meus processos, algumas pessoas me pedem para transcrever a listagem que está no caderninho que aparece na foto, então aqui vai um compilado do que contribui para minar meu processo criativo. Lembrando que são coisas que fui percebendo ao longo dos anos, a partir da minha experiência pessoal, então o que é ruim pra mim, pode não ser para outro.
1. Cansaço: às vezes eu vejo postagens, principalmente no Face, de pessoas que dizem "se você realmente ama o que faz, supera todos os obstáculos e blá blá blá"... mas cansaço físico e mental é algo que realmente influencia no trabalho criativo. Tem dias que eu realmente quero ilustrar, experimentar mil coisas novas, mas aí encaro uma rotina cheia de atribulações, e quando chego em casa o ânimo não aparece. Tentar não se abater com isso é muito difícil.
2. Falta de foco: ter um caderno de organização me ajudou bastante, ao longo do ano, a ter foco no que precisava fazer. Até a decoração do ateliê contribuiu para o meu rendimento, pois separei em quatro pranchetas, logo acima da mesa, imagens que me inspiram, esboços para finalizar, trabalhos em andamento e listagem de tarefas gerais.
3. Ambiente inadequado: tive uma longa caminhada até deixar meu espaço do jeito que queria, não só por estética ou ~ostentação~, mas para que eu me sentisse acolhida e inclinada a trabalhar. Ter uma cadeira confortável, uma boa mesa e prancheta, iluminação (cobertor no inverno, ventilador no verão), refletem na qualidade do trabalho e também na qualidade de vida.
4. Refação: ninguém merece cliente que vive pedindo alteração na ilustra, principalmente se ela é feita com técnicas tradicionais. Por isso, é importante estabelecer em contrato quantas são possíveis e estipular um valor por alteração, caso exceda o número permitido.
5. Maus hábitos: outubro foi um mês muito importante sob vários aspectos, ainda mais porque consegui abandonar em 80% o velho hábito da procrastinação. Fazer desafios de desenho, cumprir metas e dar um tempo nas redes sociais ajuda a eliminar esses cacarecos que só atrapalham a criatividade.
6. Job ruim: não adianta, tem coisa que é chata de fazer e, nessas horas, a gente pensa nas contas vencendo, naquele estojo de lápis maravilhoso que pode ser comprado com o dinheiro daquele trabalho, no cineminha do final de semana, enfim, tocando a vida.
7. Caraminholas que os outros colocam na sua cabeça: esses dias li o texto de um ilustrador, com recomendações para quem está começando, e uma delas era "não peça opinião em grupos do Facebook, você deve ser capaz de saber se o seu trabalho está bom ou não". E dependendo do que você está fazendo, concordo com o que ele disse. Essa facilidade de comunicação às vezes gera um ruído no processo criativo. É como você estar se esforçando para representar, por exemplo, cabelos cacheados, e receber uma enxurrada de críticas que em nada vão acrescentar, do tipo "ainda não está bom". Procure grupos e pessoas que realmente estão dispostas a te ajudar (diferente de jogar confete, diga-se de passagem). Criar é um processo íntimo, que requer referências e construções, desconstruções e reconstruções constantes em nossa mente, então cerque-se do que vai fazer diferença ao longo da sua caminhada.
Para fechar esse post, gostaria de compartilhar o documentário Mulheres Desenhadas, desenvolvido pela Raquel Vitorelo, para o Curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP. O vídeo mostra a experiência de mulheres que desenham e contou com a colaboração de 59 artistas, que enviaram seus autorretratos. No Tumblr do projeto, é possível ler depoimentos e ter uma dimensão do processo criativo de desenhar, ser desenhada e se autodesenhar. Um trabalho lindo lindo, que merece ser divulgado e mostra que não está morta quem peleia. Parabéns, Raquel!
1. Cansaço: às vezes eu vejo postagens, principalmente no Face, de pessoas que dizem "se você realmente ama o que faz, supera todos os obstáculos e blá blá blá"... mas cansaço físico e mental é algo que realmente influencia no trabalho criativo. Tem dias que eu realmente quero ilustrar, experimentar mil coisas novas, mas aí encaro uma rotina cheia de atribulações, e quando chego em casa o ânimo não aparece. Tentar não se abater com isso é muito difícil.
2. Falta de foco: ter um caderno de organização me ajudou bastante, ao longo do ano, a ter foco no que precisava fazer. Até a decoração do ateliê contribuiu para o meu rendimento, pois separei em quatro pranchetas, logo acima da mesa, imagens que me inspiram, esboços para finalizar, trabalhos em andamento e listagem de tarefas gerais.
3. Ambiente inadequado: tive uma longa caminhada até deixar meu espaço do jeito que queria, não só por estética ou ~ostentação~, mas para que eu me sentisse acolhida e inclinada a trabalhar. Ter uma cadeira confortável, uma boa mesa e prancheta, iluminação (cobertor no inverno, ventilador no verão), refletem na qualidade do trabalho e também na qualidade de vida.
4. Refação: ninguém merece cliente que vive pedindo alteração na ilustra, principalmente se ela é feita com técnicas tradicionais. Por isso, é importante estabelecer em contrato quantas são possíveis e estipular um valor por alteração, caso exceda o número permitido.
5. Maus hábitos: outubro foi um mês muito importante sob vários aspectos, ainda mais porque consegui abandonar em 80% o velho hábito da procrastinação. Fazer desafios de desenho, cumprir metas e dar um tempo nas redes sociais ajuda a eliminar esses cacarecos que só atrapalham a criatividade.
6. Job ruim: não adianta, tem coisa que é chata de fazer e, nessas horas, a gente pensa nas contas vencendo, naquele estojo de lápis maravilhoso que pode ser comprado com o dinheiro daquele trabalho, no cineminha do final de semana, enfim, tocando a vida.
7. Caraminholas que os outros colocam na sua cabeça: esses dias li o texto de um ilustrador, com recomendações para quem está começando, e uma delas era "não peça opinião em grupos do Facebook, você deve ser capaz de saber se o seu trabalho está bom ou não". E dependendo do que você está fazendo, concordo com o que ele disse. Essa facilidade de comunicação às vezes gera um ruído no processo criativo. É como você estar se esforçando para representar, por exemplo, cabelos cacheados, e receber uma enxurrada de críticas que em nada vão acrescentar, do tipo "ainda não está bom". Procure grupos e pessoas que realmente estão dispostas a te ajudar (diferente de jogar confete, diga-se de passagem). Criar é um processo íntimo, que requer referências e construções, desconstruções e reconstruções constantes em nossa mente, então cerque-se do que vai fazer diferença ao longo da sua caminhada.
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Para fechar esse post, gostaria de compartilhar o documentário Mulheres Desenhadas, desenvolvido pela Raquel Vitorelo, para o Curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP. O vídeo mostra a experiência de mulheres que desenham e contou com a colaboração de 59 artistas, que enviaram seus autorretratos. No Tumblr do projeto, é possível ler depoimentos e ter uma dimensão do processo criativo de desenhar, ser desenhada e se autodesenhar. Um trabalho lindo lindo, que merece ser divulgado e mostra que não está morta quem peleia. Parabéns, Raquel!
Abraços,
Lidiane :-)
Lidiane :-)
Marsala, a cor de 2015
Sempre que chega essa época, a Pantone divulga a cor referência para o próximo ano. Para 2015, a escolhida foi Marsala (18-1438), em homenagem ao vinho e à cidade que produz a bebida.
É um tom de vermelho/marrom/vinho/telha que, num primeiro momento, não curti, embora tenha utilizado tons muito parecidos nos meus últimos trabalhos (desde Fauno a cor aparece numa coisinha ou outra). Até esse tom marronzinho do blog lembra a cor! #chocada
Ainda segundo a marca, Marsala é uma cor que combina com muitos tons de pele, é sensual, sutil e incentiva a criatividade e a experimentação.
Bora usar Marsala nas produções!
É um tom de vermelho/marrom/vinho/telha que, num primeiro momento, não curti, embora tenha utilizado tons muito parecidos nos meus últimos trabalhos (desde Fauno a cor aparece numa coisinha ou outra). Até esse tom marronzinho do blog lembra a cor! #chocada
Ainda segundo a marca, Marsala é uma cor que combina com muitos tons de pele, é sensual, sutil e incentiva a criatividade e a experimentação.
Bora usar Marsala nas produções!
Abraços,
Lidiane :-)
#ilustraday dezembro: Natal!
O tema de dezembro do ilustraday não podia ser outro, afinal já é Natal, o ano está acabando e chegou a hora de escrever a cartinha para o bom velhinho, pedindo uma Caloi. Como eu ando hiperbólica ultimamente, fiz a versão feminina do Rudolf, a famosa rena do nariz vermelho. Aproveitei para testar as Copics e o kit de giz de cera tons de pele (que falarei mais adiante).
Realmente as canetas Copic são tudo de bom que falam, comprei o kit Ex-1 (sketch) e achei a textura e mistura de cores excelente, usei nos cabelos da figura. O ideal é trabalhar com um papel bem liso, sugiro os da Canson Marker e Layout 180g, que são apropriados para canetinhas e não são tão caros. O resultado final ficou assim:
Alguns detalhes:
Materiais utilizados:
- canetas Copic nos cabelos e flores;
- caneta nanquim Staedtler 0.6;
- giz de cera Pintkor tons de pele;
- Posca dourada;
- papel Canson Layout 180g.
O Ilustraday é um projeto aberto a quem quiser participar, basta pedir para ser adicionado ao grupo no Facebook, todo dia15 um tema diferente é liberado.
Abraços,
Lidiane ;-)
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