6 aninhos de blog
Hoje o blog completa seis aninhos de vida e todo ano falo a mesma coisa: não esperava manter este espaço, nem mostrar meu trabalho para o mundo, como faço hoje. Entrei bem noob nessa coisa toda de blogosfera e posso dizer que fico bastante feliz ao ver minha trajetória, ainda que pequena.
Nos últimos tempos tenho tentado outra relação com o ato de blogar. Menos esquizofrenia, mais calmaria. Fazer as coisas bem pensadas, com cuidado e carinho. Não que antes não o fizesse, mas eu sofria muito para entregar conteúdo em prazos imaginados dentro da minha cabeça. Estou me cobrando menos e, em contrapartida, fazendo coisas melhores. E o feedback de vocês é muito importante para que isso dê certo.
O número de posts por mês deu uma reduzida, mas, olhando de perto, as fotos estão melhor produzidas, os vídeos ficarão mais frequentes, os textos estão revisados e com links interessantes, e as dicas mensais garimpados com muito amor. Vejo o blog como um jardim, que precisa ser cuidado com delicadeza (coisas que aprendo com dona Malena).
Do ano passado para cá esse cantinho cresceu absurdamente para os padrões que eu sequer esperava dele. Não ouso me comparar a nenhuma blogger famosa, essas percepções partem sempre da minha própria experiência. Então só tenho a dizer: obrigada por tudo!
A ilustrinha acima fiz hoje à tarde, num papel amarelo impossível de escanear. Que nossos sonhos voem alto, mas sem perder de vista nossa essência e lugar. Acho que é mais ou menos essa a mensagem que desejo passar.
A ilustrinha acima fiz hoje à tarde, num papel amarelo impossível de escanear. Que nossos sonhos voem alto, mas sem perder de vista nossa essência e lugar. Acho que é mais ou menos essa a mensagem que desejo passar.
Abraços,
Lidiane :-)
#ilustraday março: sereia
O projeto ilustraday voltou este mês, com o tema sereias. Para quem não sabe como funciona, todo dia 15 é proposta uma temática diferente. Os trabalhos são recebidos diretamente pelo Facebook e divulgados na página, até o próximo dia 15, e assim por diante.
Fiquei encantada com as ilustrações coloridas e cheias de vida das outras meninas, mas como sou a diferentona, resolvi me inspirar no conto original de Hans Christian Andersen, que é bem triste e um pouco distante da imagem de Ariel que temos da Disney.
Na história original, a sereiazinha (que, pelo menos na versão que eu li, deste livro, não tem nome) faz de tudo, inclusive abre mão de sua cauda e sua bela voz, para conseguir uma alma imortal. Sim, senhoras e senhores: o príncipe está ali, mas é o de menos. O conto é muito melancólico, por isso, quis passar essa tristeza e desesperança com a minha sereia.
Procurei não focar no elemento cauda, mas na expressão do rosto e no cabelo, que dão a ideia geral da figura. Nas imagens acima, o rascunho na mesa de luz e já no papel para aquarela.
Optei por trabalhar com grafite primeiro, por ser um material delicado para misturar com pintura. Temi que a caneta multiliner trouxesse uma carga pesada demais e tornasse as coisas um pouco confusas. Assim que terminei essa parte, aquarelei de maneira bastante econômica, em pontos que sugerissem fragilidade da pele e aquele aspecto azulado/roxo de quem entra em contato com água gelada. O resultado:
Nós somos como o junco verde. Uma vez cortado, cessa de crescer. Mas os seres humanos têm almas que vivem para sempre, mesmo depois que seus corpos se transformam em pó. Elas voam através do ar puro até chegarem às estrelas brilhantes. Assim como subimos à flor da água e contemplamos as terras dos seres humanos, assim eles atingem belos reinos desconhecidos - regiões que nunca conheceremos. (Contos de fadas em suas versões originais, p. 41)
Materiais utilizados:
- As aquarelas e pincéis que descrevo neste post;
- Papel para aquarela Canson, linha universitária;
- Lápis grafite 4B Royal & Langnickel;
- Marcadores para os pequenos detalhes;
- Spray fosco da Acrilex para proteger dos fungos e ação da luz.
Essa ilustração foi gestada com bastante cuidado, pois eu estava no meio de um turbilhão de coisas: os estudos para o curso da Sabrina, encomendas, bloqueio criativo e muita cobrança. Foi uma forma de colocar a cabeça no lugar e organizar meus pensamentos através da pesquisa histórica, de materiais e métodos.
Recomendo que quem estiver passando por qualquer coisa parecida com o que contei acima, se concentre em algo que te desligue dos problemas. Funciona muito para mim.
E quem gostou dessa ilustração, pode encontrá-la sob a forma dos mais variados produtos, na nova Coleção Sereia do Colab55. Deixe seu like para que minha arte apareça na home do site, é muito importante para a divulgação e vendas!
Participe do #projetoilustra
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| Foto by Mike Petrucci, via. |
A novidade para o Projeto Ilustra (veja as edições de janeiro e fevereiro) é que agora os(as) leitores(as) também poderão participar! Quem quiser entrar na tag deve seguir essas regrinhas:
- Ilustrar o tema escolhido pelo grupo (você tem liberdade total de criação);
- É permitido utilizar várias técnicas (ou uma só);
- O limite é cinco desenhos (opcional);
- Postar durante o mês vigente com #ProjetoIlustra nas suas redes sociais. Se você tiver blog, pode fazer um post bem bacana mostrando o processo;
- Prazo de postagem: até o último dia do mês.
O mais legal de tudo é que poderemos acompanhar, através das redes sociais, todos os trabalhos que estão sendo feitos e selecionar alguns para entrar no nosso post. Quem quiser que a sua ilustração apareça aqui, pode me marcar também através do Instagram ou do Facebook. Selecionarei 3 leitores(as) por mês.
Tema de Março: Cenas de Série, sugerido pela Carla Nascimento.
Bora colocar a mão na massa e ilustrar bastante!
Rosto em grafite
Esse foi o primeiro desenho que fiz no meu sketchbook Canson One. Ele é tamanho A4 e as folhas possuem uma gramatura boa para técnicas secas (algumas pessoas usam aquarela com pouca água e guache, mas o papel fica bastante enrugado).
Eu estava passando por um bloqueio criativo muito grande em relação à aquarela. Não conseguia fazer os exercícios propostos pela Sabrina, me incomodava com trabalhos antigos, que antes considerava bons, enfim, foi bem cansativo.
Decidi começar o novo sketchbook para me animar, voltando ao meu material de origem. Trabalhei somente com o lápis Mars Lumograph 4B da Staedtler e esfuminho com moderação. Não recorri a outros materiais, como caneta multiliner, por exemplo, nem para os detalhes dos olhos, coisa que sempre faço. Gosto muito de apontar meus lápis com o apontador da Derwent, mas tem quem prefira estilete (não consigo, não me obrigue).
Eu adorei esse rosto e a profundidade do olhar. Utilizei uma foto como referência e procurei prestar atenção em detalhes da anatomia da modelo, e não na semelhança do desenho com a imagem original. Curti tanto que decidi até trocar a header do blog, aquelas luas estavam me incomodando.
Gosto de pensar nos olhos como a janela da alma, porque muitas das nossas emoções são facilmente transmitidas através do olhar. Apesar de achar vários tipos de representações da figura humana muito bonitas, é naquelas em que a figura olha diretamente pra mim que fico mais encantada. É como se a pessoa retratada soubesse o que está se passando entre nós, como se fosse cúmplice daquele momento.
Encontrei uma pesquisa no site Hypescience que endossa essa tese da janela, feita por alguns pesquisadores norte-americanos (e criticada por outros tantos). Dá para ler aqui. Recomendo também este texto da Marilena Chauí, presente no livro O Olhar, coletânea organizada por Adauto Novaes.
No sketchbook #4
Durante o mês de fevereiro consegui finalizar dois sketchbooks, recheados de desenhos da primeira até a última página. Um feito inédito para mim, até então. Nunca me dediquei com tanto afinco ao estudo (quase) diário, e senti a diferença no meu traço, na auto-crítica e na forma de encarar meus processos.
No sketchbook Cícero, onde fiz praticamente todo o Inktober, dediquei as últimas vinte páginas aos estudos de aquecimento e também charts de todas as minhas canetas e marcadores, algo que não tinha para consulta. Por esse motivo, não vou me deter nele aqui. Se quiser ver os exercícios que fiz, eles estão reunidos neste post.
Já o sketchbook para aquarela da Miolito contém meus melhores estudos com tinta, até então (e alguns que considero horríveis). Comecei a usá-lo no dia do meu aniversário, com uma galáxia, e encerrei no mesmo estilo. Dá pra ver muitas mudanças e experimentos, além dos primeiros estudos com as aquarelas para a oficina da Sabrina que eu vou falar até a exaustão.
Por conter muitas coisas legais, decidi gravar um vídeo mostrando cada uma das páginas. Fiquei bem surpresa ao saber que o canal já tem 100 inscritos hahaha. Aperte o play!
Alguns trabalhos feitos nesse sketchbook conquistaram o meu coração, por isso, resolvi destacá-los fora do vídeo. Outros desenhos feitos no final de 2015 já apareceram por aqui.
Com a finalização desses sketchbooks, já comecei a trabalhar em três novos cadernos: um da linha Canson One, tamanho A4; um da minha loja no Colab55 e outro para aquarela em papel Montval, da Miolito. Para o post não ficar gigante, mostrarei o que tenho feito neles numa próxima ocasião. Mas quem quiser acompanhar meus rabiscos em tempo real, é só me seguir no Instagram, Facebook e Snapchat (lidydutra).
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