Lidiane Dutra
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Aquarela Portfólio Projetos

Os Enamorados 👫


Todo ano, desde 2017, faço uma interpretação artística do arcano de tarô que rege o período e, por interpretação artística, quero dizer que eu tomo liberdade para não fazer referência a todas as simbologias da carta; é uma visão um pouco mais livre, inspirada naquilo que eu artisticamente quero representar com aquele arcano. Faço questão de explicar isso, pois algumas pessoas não entendem e querem me dar palestra sobre tarô, algo que não é o intuito da ilustração. É mais um rito de passagem que faço a cada começo de ano, uma forma de colocar as intenções no papel em forma de arte.

A carta regente de 2022 é Os Enamorados, geralmente representado por um casal (em algumas variações, um homem e duas mulheres) e a figura de um anjo. Pesquisando mais sobre a carta e sobre o fato de ser um casal formado por homem e mulher, me deparei muito com a questão de energia masculina e feminina/ consciente e inconsciente, e não está ligada efetivamente ao amor romântico, mas à parceria e tomada de decisões.

Imagens: Tarô de Marselha, O Beijo e foto de referência. Via.

A minha ideia era fundir duas figuras, para que quem olhasse de relance visse uma só figura, algo que lembrasse a escultura O Beijo, do Brancusi. Mas como fazer, e como fugir da representação mais clássica, principalmente a do Tarô de Marselha? Pesquisei algumas imagens no Pinterest para servir como base, até encontrar uma que fosse mais próxima do que eu estava pensando.


Gostei muito da foto do casal, mas não queria que a mulher parecesse menor ou mais atrás do homem, por isso, juntei mais as duas figuras, fundindo-as numa meia lua e fazendo a linha dos cabelos e do rosto sugerir o formato de um coração. Como estou trabalhando com um papel que não é necessariamente para aquarela, a pintura tem ficado bastante manchada, mas é um efeito que tem me agradado, principalmente quando incorporado à textura da pele, pois a pele real é carregada de marcas, e não uma massa disforme de efeito blur.

Quem me acompanha há bastante tempo já sabe o passo-a-passo da minha pintura, com a marcação dos valores primeiro, e retoques com lápis de cor por último. Me dei conta de como tenho feito galáxias novamente, acho que ando com a cabeça na lua kkkkkkk! Para o fundo, ao invés do guache, ressuscitei minha tinta acrílica preta, cujo efeito é igualmente bonito. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel Concept Sketch & Draw Hahnemuhle 220g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis pelo sintético Giotto;
  • Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Marcadores Pentel;
  • Tinta acrílica Reeves.

Quando eu estava trabalhando nessa ilustra (e como já disse anteriormente), fiquei pensando nas galáxias que tanto curto, e na ideia de sermos todos poeira de estrelas; de carregarmos um pouquinho do universo em nós, e de que cada um de nós é em si um universo particular, com suas próprias peculiaridades. E ao pesquisar o significado da carta no deck do Tarô Iluminatti, me deparo com a descrição a seguir, que me deixou extremamente feliz com a sintonia. Acho que estou finalmente colocando o projeto aprender tarô em dia. Segue:

Todo homem e toda mulher são uma estrela: nós, e o universo, somos todos feitos da mesma coisa. Quando somos criados, contemos uma centelha do Divino, uma estrela em nossos corpos, que é um reflexo direto de cada outra estrela presente dentro de cada outra pessoa ou ser sobre a Terra. Nós nos juntamos a grupos para criar modelos no céu. Giramos pelo céu e temos órbitas, e alguns de nós colidem e outros se unem em lindas constelações. Mas somos todos crianças-estrelas, irmãos sob a mesma proteção do céu, e todos tentamos nos reunir com nossa origem. As estrelas dentro de nós conversam com a sua fonte, e ansiamos retornar a ela. A jornada é longa, mas encontramos em outra pessoa uma estrela que está mais próxima daquela pela qual ansiamos, e vemos nela a fonte de luz e ela a vê em nós. Nós nos juntamos a ela, em anseio, desejo e paixão, e por meio dela estamos completos. Isto é o amor: a união de duas estrelas presentes nos corpos dos seres humanos, expressa na construção de uma ponte entre eles. No entanto, não amaldiçoe a distância, Amante; não lamente o espaço que você deve atravessar para conseguir se reunir, pois é somente por causa dessa distância que você pode sentir algum anseio e amor.

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Efeito Borboleta 🦋


Em muitas tradições, o ciclo da vida aparentemente milagroso de uma larva, crisálida ou borboleta, representa a jornada da alma pela vida, morte e renascimento. A Linguagem dos Símbolos, David Fontana.


2021 foi um ano pesadíssimo, e me dá um alívio saber que ele está acabando. Sei que é muito mais uma superstição achar que, ao findar um ano, um novo ciclo começa, e as coisas ruins são deixadas para trás, mas eu realmente preciso deixar tudo isso passar. 


Por mais que tenha havido uma alegria aqui e outra ali, de setembro em diante precisei aprender na marra a lidar com a perda, e isso tirou um bocado da minha vontade em compartilhar as coisas que tenho feito. Venho encarando a arte como um exercício bastante solitário, um momento para colocar a cabeça no lugar.


Me conforta saber que os últimos trabalhos do ano estão publicados no volume 04 da Zine Marítimas, que nasceu lá no início do ano da vontade da Ju Blasina, Suellen Rubira e minha em publicar mais mulheres. Precisei me afastar da editoria por não conseguir conciliar o tanto de trabalho que esse ano demandou, mas encerro o ciclo artístico sendo abraçada pelas gurias e pela revista. 

Essas duas ilustrações carregam um sentido de transformação do nosso olhar, que possamos enxergar a quantidade de chorume que os últimos anos têm despejado sobre o país, e encarar a mudança como uma responsabilidade cidadã, para sairmos do buraco institucional no qual nos enfiamos em 2018.

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Strathmore 300g grana fina;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pinceis Giotto;
  • Ilustrações (borboletas e larvas) para colagem extraídas do livro Extraordinary Things To Cut Out And Collage.


Para ler a zine completa, clique aqui, e para baixar um calendário 2022 exclusivo (e gratuito!), clique aqui.


Até 2022!

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A Deusa Mãe 🌓🌕🌗

 

A leitura que estou fazendo de Mistérios da Lua Negra, da Demetra George, me inspirou a fazer uma representação da Deusa Mãe. É a primeira vez que ilustro a Deusa dessa forma, que é bem utilizada em altares e amuletos. 


Este livro trata da lua negra, aquele período da nossa vida que pode ser sazonal, pontual ou durar um tempinho, no qual precisamos nos recolher para nos curarmos. Seja o período menstrual, o luto por uma perda, o fim de um ciclo de trabalho ou relacionamento, a lua negra é um movimento natural do ciclo da vida. Estou gostando bastante da leitura até o momento.


E para fazer esse trabalho, que foi bem rapidinho, utilizei um dos blocos de papel Arches em formato carnê que tenho. Eu não sei se esses blocos ainda são comercializados, na época que comprei eles vinham acompanhados de um kit de pincéis ótimos, numa caixa linda. Tenho o grana fina, satinado e torchon, que foi o utilizado aqui. Geralmente não curto esse tipo de textura, mas a do Arches é muito delicada, só um pouco mais evidente que o grana fina.



Esse papel é uma manteiga e uma das coisas mais deliciosas para pintar que existem. Se não fosse tão caro, usaria somente o Arches para as minhas aquarelas. Apliquei a técnica do úmido sobre úmido para fazer a nebulosa na Deusa, e também nos cantos do papel. A figura dela foi feita por espelhamento, para ficar igual dos dois lados, e com tampas nas partes redondas. Puristas dirão que isso é roubo, que as formas precisam sair exatas na mão (risos). O resultado:



Materiais utilizados

  • Papel Arches torchon 300g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Marcadores Pentel.

Aproveitando a ocasião, já fiz meu Summary of Art de 2021:



Olhando para os trabalhos finalizados ao longo do ano, parece que fiz pouca coisa, mas meus sketchbooks e pastas com rascunhos estão cheias. Esbocei e estudei mais do que finalizei e, de setembro em diante, usei a arte como refúgio. 

Uma coisa que coloquei bastante em prática durante 2021 foi que nem tudo precisa ser mostrado, tem coisas que faço e ficam só pra mim. E isso tem me ajudado muito a manter a constância na produção, toda semana um pouquinho, de pouco em pouco até achar o ponto. É assim que estou trabalhando na construção da minha paleta de cores. Foi o grande aprendizado do ano.
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Aquarela Portfólio Técnica Mista

Nadja of Antipaxos 🌹🦇


Estou completamente obcecada pela série What We Do In The Shadows (Star+). Tudo nela funciona perfeitamente bem, os diálogos são hilários, a produção impecável e, cá entre nós, quem nunca trabalhou com um Colin Robinson? Amo vampiros, e se dá pra misturar humor ao tema, melhor ainda.

E uma das personagens que mais amo é a Nadja, interpretada pela atriz Natasia Demetriou. Adoro as expressões dela, é um daqueles casos que a personagem e a atriz parecem feitas uma para a outra.


E para fazer essa fanart, resolvi me desafiar a usar o papel Canson Graduate na cor cinza, que comprei há meses, mas não havia testado pois é impossível transferir um rascunho para ele através da mesa de luz, por ser muito denso. Tive que fazer um esquema similar ao papel carbono, passando um grafite no lado oposto do rascunho, e transferindo para o papel, com cuidado para não marcar demais. No geral, esse papel é ótimo para aquarela, e consegui efeitos muito bons, principalmente com as tintas peroladas e canetas metálicas. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel Canson Graduate na cor cinza;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Aquarelas shimmer Sakura;
  • Guache TGA;
  • Pastel seco Derwent;
  • Marcadores metálicos Pentel.

O Instagram continua tratorando a qualidade das minhas imagens, então sempre que você gostar de alguma ilustração que posto lá, saiba que ela está numa qualidade muito melhor (e em detalhes) aqui no blog. 

What We Do In The Shadows Wwdits GIFfrom What We Do In The Shadows GIFs
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Beltane 🌼 Samhain 🍂


Esse trabalho ficou parado por tanto tempo, era para ter sido uma celebração à Ostara, mas a roda girou tão rápido que já estamos comemorando outros sabás. Embora tenha uma estética bastante ligada à primavera, deixarei em aberto a interpretação, tanto para quem celebra Beltane, quanto para quem celebra Samhain, nessa época do ano.



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Harmony Hahnemühle;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Marcadores Derwent;
  • Lápis de cor super soft Staedtler.

Midsommar Smile GIFfrom Midsommar GIFs
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Coração das estrelas 🌠


No dia 24 de setembro passado, meu pai faleceu. Foi, sem dúvidas, o momento mais difícil da minha vida, até agora. Eu estava com ele no hospital, quando sua jornada encerrou, aos 86 anos de idade. Por mais que eu já tenha lido vários livros sobre morte, absolutamente nada me preparou para esse momento.

Descobri que a saudade é uma constante. E a tristeza vai e vem com o passar dos dias. E foi num desses dias que resolvi homenagear o pai com uma aquarela. Eu já tinha decidido que faria uma versão de Estelar II. Só que, dessa vez, a garota seguraria um coração em suas mãos (o órgão). Existem muitos detalhes para esse simbolismo, que prefiro guardar para mim. E foi tentando dar sentido ao luto, que nasceu a ilustração a seguir:



O resultado:


E então vem o luto. E luto não é sinônimo de dor. É justamente a expressão da dor. Desde sempre, é isso que nós, seres humanos, fazemos: damos sentido às coisas através da linguagem. Por isso é tão importante que o luto tenha espaço e tempo para acontecer. - Caitlin Doughty, Para Toda a Eternidade, p. 15.

Obrigada por tudo, pai. 

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Wild Spirit 🍃


Ano passado eu havia pensado numa proposta de refazer alguns trabalhos antigos, em comemoração aos 10 anos do bloguinho. Veio a pandemia, me desanimei, refiz a proposta no meio do caminho, mas fiquei com essa vontade de, de tempos em tempos, voltar a alguns desenhos do passado e pensar em novas formas de reinterpretá-lo. E um dos trabalhos que já estava na minha lista é um que acabei deletando o post original, mas ele ficou na minha pasta do Pinterest, que ainda guarda umas antiguidades: chama Ventania e mostra uma mulher de longos cabelos, segurando uma bússola e com uma coruja no ombro.


Esse trabalho originalmente é um A3, e eu realmente amei toda a proposta na época. Esse cabelo foi uma delícia fazer e a corujinha é um xodó. Com o passar dos anos, vi que poderia melhorar algumas coisas, afinar e amadurecer um conjunto de ideias que estavam ali, latentes. E foi isso que fiz agora.


Uma das primeiras coisas que pensei foi que esse trabalho merecia ganhar cor. Adoro trabalhar só com grafite, mas também tenho me empenhado em construir uma paleta de cores pessoal, que represente meu amadurecimento enquanto pessoa e artista. Que fale sobre a minha jornada e o que gosto de retratar. Por isso, comecei pelo estudo da paleta. Em seguida, resolvi retirar alguns elementos e inserir outros: a tatuagem de filtro dos sonhos se tornou uma lua tríplice e a mão já não segura uma bússola, mas sim abraça o corpo, num gesto de encontro e entendimento pessoal: não preciso mais buscar externamente aquilo que encontrei no meu interior. Também acrescentei ramos de alecrim estilizados, que é uma planta que afasta os pensamentos negativos.



Outro ponto importante é em relação ao papel: usei uma gramatura inferior ao que costumo usar para aquarela e o resultado foi bastante satisfatório. Para quem não deseja construir muitas camadas e ainda deseja trabalhar com outros materiais por cima, 220g é uma boa gramatura. Depois de inserir o fundo em aquarela, fiz todos os detalhes com lápis de cor e marcadores, a mistura de materiais que mais amo. O resultado:



Materiais utilizados

  • Papel Concept Sketch & Draw Hahnemuhle 220g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis pelo sintético Giotto;
  • Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Marcadores Pentel.



2012 x 2021


Esse foi mais um trabalho que me deixou extremamente feliz por (re)fazer e me mostrou direções artísticas que desejo tomar daqui por diante. São as cores, os temas e as formas que quero explorar na minha arte, principalmente porque mês que vem estou de aniversário, então essa época sempre é significa um momento de fazer muitos estudos e ilustrações que falam diretamente ao meu coração.


Alguns acreditam que apenas um grande poder é capaz de manter o mal sob controle. Mas não é isso que tenho visto. Eu descobri que são as pequenas ações cotidianas de pessoas comuns que mantêm a escuridão distante. Pequenos gestos de gentileza e amor. — Gandalf
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Mandrágora 🌱


A mandrágora é uma planta medicinal, com efeitos alucinógenos, que está presente em diversas lendas e culturas. Do Egito Antigo aos tempos bíblicos, passando pelos usos mágicos na Idade Média, até os dias atuais e sua presença em franquias como Harry Potter. É a planta usada por Circe, a planta que grita ao ser arrancada da terra. 

Nessa representação, quis usar a forma feminina em harmonia com a natureza, ela própria a raiz fértil que faz as folhagens crescerem. A mandrágora/mulher como deusa da fertilidade, seu corpo como parte do todo natural, e não um fetiche ao olhar masculino.

Essa ilustração surgiu de forma bastante espontânea, mas a partir de um sentimento que eu já venho cultivando há um bom tempo: o de representar o nu feminino apenas como um corpo funcional, e não como fetiche. Vejo muitos ilustradores fazendo nus, mas as imagens carregam um desconforto, justamente por conta do male gaze, que é essa representação feminina feita por e para homens heterossexuais.

Lembro das imagens das vênus da fertilidade, deusas esculpidas com fartos seios e vulvas aparentes, e essas imagens não parecem desconfortáveis, justamente por serem corpos com um propósito que não é o da sexualização, pura e simples. Até mesmo imagens contemporâneas, como as da ilustradora Priscila Barbosa, que dá um sentido político aos corpos, principalmente aos diversos, não possuem esse aspecto de voyeurismo que muitos homens insistem em transmitir nas suas obras. 

Essas divagações me levaram à figura da mandrágora, com suas raízes que parecem um ser humano em miniatura. Resolvi juntar as vênus neolíticas com essa planta, criando a representação de uma mulher/raiz com seu corpo volumoso, estriado (a inspiração veio da textura das batatas!), e que sustenta uma grande cabeleira verdejante. A imagem do corpo como sustentáculo e nutriente para a vida, como lugar seguro, se apresentando para o mundo da maneira que é, e não como os outros esperam que seja.

Geralmente, nas representações da mandrágora, a expressão facial é de medo ou terror, mas aqui quis representar a plenitude e a felicidade pela abundância; a mente fértil de ideias, que precisa ter uma boa base para se desenvolver.


Materiais utilizados:

  • Papel para desenho 180g Spiral;
  • Lápis de cor Staedtler Design Journey;
  • Edição e aplicação de efeitos no Photoshop.

Após digitalizar, fiz algumas aplicações de manchas, como se a ilustração fizesse parte de um livro antigo, usado por feiticeiras. Para saber mais sobre os usos da mandrágora, recomendo a leitura do TCC Plantas mágicas no medievo: mulheres, magia e igreja, de Valentino Sterza (Universidade Federal da Paraíba, 2019).

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