A Deusa Tríplice
Há algum tempo atrás, encontrei uma linda foto que mostrava a comunhão entre as três idades da mulher - a jovem, a mãe e a anciã - e guardei a referência para depois. Passado algum tempo, fiz um esboço e deixei na minha já famosa pasta dos projetos, aqueles trabalhos que um dia verão a luz, mas que eu deixo marinando para pegá-los no tempo correto. Acredito que todas as ideias nascem e demoram certo tempo para se desenvolverem, é como a semente germinando na terra até se tornar árvore.
E chegou o momento dessa semente germinar. Hoje é um dia muito especial para uma libriana como eu, pois encerra-se um ciclo cármico de 14 anos! E nada melhor do que comemorar com uma aquarela com um forte simbolismo: o da Deusa Tríplice. É muito comum confundir a Deusa Tríplice com Hekate. Mas elas são diferentes.
Hekate tem um aspecto triplo por ter parte nos três domínios (celeste/ terreno/ ctônico). Além disso, ela rege espaços liminares, como a encruzilhada tripla (em formato de Y). Na mitologia romana, Hekate é chamada de Trivia. Já a Deusa Tríplice, geralmente cultuada na Wicca, está associada à lua e suas fases: donzela (nova/crescente), mãe (cheia) e anciã (minguante). Então essa representação que trago hoje é a da Deusa Tríplice, não de Hekate. Eu também já cometi esse engano quando comecei a trabalhar com a Deusa, por isso gosto de explicar.
Essa ilustração foi feita bem do meu jeito mais tradicional, começando marcando as áreas de sombra com lápis e depois com tinta cinza, indo para o colorido da pele, e cada uma das deusas tem uma tonalidade de pele diferente. Depois fui para os cabelos, mantos e retornei para detalhes finos com tinta. Só aí passei para o lápis de cor e as finalizações com marcadores que gosto de fazer.
Esse trabalho me apresentou o desafio da anciã. E estou cheia de projetos envolvendo anciãs. Mas elas exigem um cuidado que ainda é muito novo para mim. Cada linha, cada ruga, a expressão dos olhos, dos lábios, é bem diferente e não pode ficar caricato. Então ainda quero me aperfeiçoar bastante na representação de mulheres mais velhas, para que elas se enxerguem nos meus trabalhos. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Arches grana fina 300g;
- Aquarelas White Nights;
- Pincéis para aquarela sortidos;
- Lápis de cor Polycolor;
- Marcadores Pentel para os detalhes.
Citrus
Sigo estudando desenho digital no Infinite Painter, e dessa vez quis fazer algo que fugisse um pouco da minha paleta de cores habitual. Durante os últimos anos, eu ouvi muito que deveríamos ter uma paleta de cores reduzida. Que isso imprimia personalidade ao nosso trabalho e auxiliava os clientes a nos distinguir dos demais artistas.
Ao longo do tempo, criei basicamente duas paletas: uma para trabalhar figura humana e elementos da natureza, e outra para tudo que envolvia galáxias. Praticamente aboli todas as cores "limão", que considero muito fora da curva, e fui neutralizando minhas cores, evitando algo muito discrepante.
Porém, estou lendo o ótimo livro O ato criativo, do produtor musical Rick Rubin, e num dos capítulos ele foi certeiro: se você tem trabalhado sempre com a mesma paleta de cores, desconsidere-a ao começar um novo trabalho. Pois, ao longo do processo criativo, seguir sempre com o mesmo manual pode nos levar à insatisfação, e é da ordem natural do artista experimentar coisas novas.
Aquilo foi um estalo e tanto na minha mente, e me dei conta que estava com a ferramenta perfeita em mãos para fazer esses experimentos de maneira livre e descompromissada. Por isso, tentei explorar nuances nessa figura que geralmente evito: cores mais blocadas, reduzi o esfumado às áreas de destaque, e escolhi cores mais vívidas, como o laranja em contraste com o verde, e o pêssego (cor do ano da Pantone). Também limpei outros elementos que gosto de exagerar, como cabelos, cílios, detalhes mínimos. O resultado:
Finalizando, coloquei a figura dentro de uma forma abstrata, achei que ficou um bom elemento de design para se aplicar a posters, bolsas, etc.
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Sobre frustração e se definir artista
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| Foto de Artiom Vallat na Unsplash |
Esse texto ressoa alguns sentimentos que estão latentes desde 2022 e que eu já havia começado a escrever no início do ano passado, mas que não publiquei. Aproveitando que hoje é um dia portal e Deipnon, vou jogar essas reflexões para o universo, para que encontrem vez e voz em outros corações e mentes.
You hold the key
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be?
You're frozen
When your heart's not open
Dicionário Mor n. 01
Depois de muitas ilustrações digitais, retornei ao meu amado lápis de cor para o último trabalho de 2023 e primeira postagem de 2024. Para este ano, quero utilizar minhas técnicas favoritas, que são o lápis de cor, a aquarela e agora também o digital, para expressar diferentes tempos e espaços da minha vida e arte. Quero tirar mais projetos guardados do papel, e seguir com meus estudos, dentro do possível que posso estabelecer na minha rotina docente.
No início do ano passado, fizemos uma faxina na escola, e um dos materiais que seriam descartados era um antigo dicionário, acredito que da década de 1970, daqueles volumes que também são ilustrados e com verbetes mais extensos do que um dicionário comum, desses pequenos que costumamos usar. Só que vi uma possibilidade de criação naquelas páginas e peguei algumas, inspirada por artistas que ilustram sobre livros antigos e partituras musicais. Demorou, mas consegui dar o pontapé inicial, e pretendo dar sequência até completar as páginas que peguei.
Para este trabalho, usei somente lápis de cor (Staedtler e Faber-Castell). Fiz a figura da moça segurando costelas-de-adão sobre a página com o verbete "selva". Quero tomar esse cuidado, de sempre ilustrar algo que está relacionado a algum verbete da página em questão.
Na foto acima, a nova visão da minha área de trabalho, aproveitei a limpeza de final de ano para virar completamente minha mesa de frente para a janela. Agora, posso olhar para o pôr do sol, sinto meus pensamentos voando para fora da casa e tomando forma em outros lugares.

















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