ilustraday março: personagem que marcou minha infância
O Ilustraday voltou este mês e, para abrir os trabalhos do ano, o tema escolhido foi personagens que marcaram a infância. Eu não poderia ter deixado de escolher ela, a princesa do poder, defensora de Ethéria e amiga dos cavalos falantes, She-Ra!
Voltei às origens e usei apenas lápis grafite Koh-I-Noor 5B, esfuminho e lápis de cor vermelho, porque tive uma crise criativa, que contarei num post especial. E o resultado final:
She-Ra marcou minha infância por uma série de motivos: eu achava o máximo aquela espécie de Barbie guerreira, que não tirava o batom vermelho, não saía do salto e tinha uma espada que se transformava em várias coisas legais. E o Ventania, como não amar?
Com o tempo, passei a ver vários aspectos feministas no desenho: talvez o mais importante de todos, ele passa no Teste Bechdel, e estamos nos anos 1980, amiguinhxs!!! A protagonista é forte, não depende dos homens para salvá-la e esses, muitas vezes, são aldeões, não guerreiros. O núcleo de personagens da Floresta do Sussurro é praticamente todo feminino, as mulheres possuem bastante relevância na construção da narrativa. Muitos conceitos super atuais já eram trabalhados na série, o que torna She-Ra muito mais do que a versão feminina do He-Man, mas uma heroína que serviu de exemplo para muitas geraçõesde gente balzaca, como eu.
Com o tempo, passei a ver vários aspectos feministas no desenho: talvez o mais importante de todos, ele passa no Teste Bechdel, e estamos nos anos 1980, amiguinhxs!!! A protagonista é forte, não depende dos homens para salvá-la e esses, muitas vezes, são aldeões, não guerreiros. O núcleo de personagens da Floresta do Sussurro é praticamente todo feminino, as mulheres possuem bastante relevância na construção da narrativa. Muitos conceitos super atuais já eram trabalhados na série, o que torna She-Ra muito mais do que a versão feminina do He-Man, mas uma heroína que serviu de exemplo para muitas gerações
Abraços,
Lidiane :-)
7 dicas sobre blogs para ilustradores(as) que estão começando #Rotaroots
Ao contrário da Susana Vieira, eu costumo ter bastante paciência com que está começando, talvez porque tiveram muita paciência comigo, quando eu comecei com essa coisa de blogar. O tema do meme deste mês é 7 dicas sobre blogs para quem está começando, e resolvi adaptá-lo para ilustradorxs que desejam mostrar seu trabalho na internet.
É importante ressaltar que ilustração é um nicho muito pequeno para blogs, comparado com outros seguimentos (maquiagem, moda, fitness, etc.), então tenha em mente que seus leitores virão até você porque realmente curtem esse assunto e buscam informações sobre o universo das artes, de uma maneira mais ampla. Também vale lembrar que o público é algo construído ao longo do tempo, não espere começar seu blog hoje e amanhã já ter mil fãs (a menos que você pague por isso).
1. Defina o seu conteúdo
Como eu falei acima, a especificidade do nicho ilustração, dentro da blogosfera, nos deixa um pouco limitados, por isso, é importante definir um conteúdo para o blog que abarque o máximo de assuntos possível referentes a este universo, por exemplo:
- mostrar o seu processo criativo, ou o passo-a-passo de suas ilustrações;
- montar tutoriais fáceis, para que o seu leitor aprenda o básico de alguns materiais;
- apresentar suas referências e indicar artistas pouco conhecidos;
- resenhar livros específicos da área de artes;
- fazer posts pessoais, mostrando sua rotina de artista.
Esses itens são apenas indicações, não regras a serem seguidas, mas como foi esse o caminho que trilhei, acho interessante que sirva de guia para quem não tem ideia do que escrever. Também me perguntam bastante sobre Blogger ou Wordpress, mas como minha experiência está limitada ao primeiro, não tenho como responder qual é o melhor.
2. Padronize as suas imagens
2. Padronize as suas imagens
Se tivessem me dado esta dica há cinco anos atrás, pela deusa, como seria útil! É muito importante, para um blog cujo cerne são as imagens, que todas elas estejam padronizadas. Por exemplo: se a sua área de postagem tem 620 pixel de largura (meu caso), é interessante que todas as suas imagens também tenham o mesmo tamanho. Assim, elas acabam preenchendo todo o espaço, e a estética da página fica bastante agradável. Também padronize as imagens das páginas internas e da barra lateral, de acordo com a largura do blog, para que alguns itens não fiquem maiores que os outros.
Dicas de editores de imagem que uso:
- PicMonkey: é possível fazer ajustes de cor, tamanho e colagens, além de possuir filtros.
- Canva: descobri há pouco tempo e me apaixonei. É através dele que tenho feito essas imagens de abertura dos posts, aliás, essa é uma boa dica: faça uma chamada e coloque uma quebra de página, assim, você instiga seu leitor a continuar lendo o post. Também é possível fazer capa para o Facebook, posts para Instagram, cartões de visita, tudo usando os templates lindos que o site disponibiliza. Tem aplicativo para iOS.
- Pixlr: de todos é o mais similar ao Photoshop, é uma boa alternativa para quem quer fazer uma edição mais caprichada.
Lembrando que para as minhas ilustrações, utilizo os softwares de edição da Adobe, que agora podem ser adquiridos com licenças mais baratas, saiba mais aqui.
3. Personalize seu layout
3. Personalize seu layout
Eu sempre personalizei todos os templates do blog, desde o início. Há três anos, comprei um tema base do Difluir e não me arrependo. Na época, paguei R$ 50,00, tive suporte, e posso alterar todos os elementos, a hora que eu quiser. Se você tem algum conhecimento em HTML e edição, vale a pena se dedicar a personalizar seu próprio cantinho. Dá trabalho? Sim, mas compensa financeiramente. Mas se você tiver dinheiro para investir num template pago, vá em frente. Informe-se sobre esse tipo de serviço com blogueiros de sua confiança e que têm layouts que você admira.
Alguns links preciosos para quem deseja colocar a mão na massa:
- Design Seeds: um site com paletas e combinações de cores super útil.
- Paletton: paleta online para combinação de cores na web.
- Difluir: temas free e pagos para Blogger e Wordpress.
- Blog da Elaine Gaspareto: muitos tutoriais de widgets.
- Make a Gif: para fazer os melhores gifs animados.
- Gerador de links: para gerar imagens com links e códigos.
- Freepik: banco de vetores totalmente gratuito. Nele, é possível encontrar vários backgrounds, cabeçalhos, freebies, ícones de redes sociais, tudo de graça e com excelente qualidade.
4. Interaja com os seus leitores

De nada adianta esperar que seu blog tenha 50 comentários numa postagem, se você não deseja responder a nenhum deles. Sua página não deve ser um grande monólogo, mas um diálogo aberto a todos aqueles que queiram participar. E não só para trocar visitas: interagir com seus leitores é uma forma de demostrar carinho, respeito e gratidão, pelo tempo dedicado à leitura do seu conteúdo. Leitores bem tratados são leitores fieis. Também é interessante manter as redes sociais ligadas ao blog atualizadas, bem como portfólios e outras ramificações que porventura você escolha ter.
5. Crie um blogroll
5. Crie um blogroll

A melhor maneira de criar uma rede de contatos é conhecendo e divulgando o trabalho de pessoas que você curte. Esse benefício é uma via de mão dupla, pois todos os envolvidos saem ganhando. Desde que comecei a blogar, fiz uma lista de ilustradoras que achava legais. Começou pequenina, na barra lateral, e agora ganhou um espaço só dela, aqui. Tento atualizar constantemente, pois é uma fonte de pesquisa para mim e para muita gente que procura trabalhos interessantes.
6. Aprenda sobre vendas na internet
6. Aprenda sobre vendas na internet
Se você é artista e chegou até aqui, óbvio que deve estar se perguntando: como eu vendo minha arte/quanto cobro pelo meu trabalho, etc. Vou dar duas dicas: a primeira é aprenda sobre vendas virtuais, desde formas de pagamento (PayPal, PagSeguro...) até o tipo de loja (venda direta, Iluria, Elo7, Society6...). Eu tenho a experiência de venda através de lojas que bancam tudo - da produção à entrega. Me decepcionei com algumas, mas acertei com outras, tudo é uma questão de tempo e de teste mesmo. É errando que se aprende! E para quem não sabe o quanto cobrar pela sua arte, deixo aqui um vídeo da Mary Cagnin, que todo mundo deveria ver:
Perfeito, não?
7. Seja gentil. Sempre

Tem uma frase do livro Extraordinário, da qual gosto muito: se você tiver que escolher entre ter razão e ser gentil, escolha ser gentil. A internet já é um mar de chorume, se você vai levar essa maré de coisas ruins para seu espaço pessoal, fica difícil pegar amor pelo blog. Modere os comentários, assim você pode filtrar possíveis ofensas. Não alimente os trolls e saiba receber as críticas educadamente. Ninguém é obrigado a curtir nosso trabalho, mas nem por isso vamos sair matando meio mundo, não é mesmo? O que seria do azul, se todos gostassem do amarelo... não se estresse e passe sempre positividade, mesmo num post de desabafo!
Deve ter ficado bem claro que sou fã de RuPaul's Drag Race ♥, então não poderia terminar este post sem a performance mais maravilhosa de todas, da Jinkx Monsoon toda trabalhada na Catrina! ♥
***
Pra finalizar, recomendo que sempre que uma dúvida pintar, recorra ao Google, faça perguntas mesmo, como se fosse um oráculo pós-moderno, funciona! Também guarde como favoritos no seu navegador aqueles links com dicas preciosas, que você sabe que sempre vai acabar recorrendo em caso de necessidade. Ah, e não é feio perguntar quando não se sabe de alguma coisa, viu?! Mas sempre é importante agradecer à pessoa que se dispôs a responder a sua dúvida, ok?!Deve ter ficado bem claro que sou fã de RuPaul's Drag Race ♥, então não poderia terminar este post sem a performance mais maravilhosa de todas, da Jinkx Monsoon toda trabalhada na Catrina! ♥
Abraços,
Lidiane :-)
Lidiane :-)
Na prancheta #1
Para mostrar os trabalhos que estão em andamento e alguns rabiscos feitos entre uma ilustra e outra, criei a seção na prancheta, que estreia hoje!
Nos últimos dias tenho trabalhado nos esboços de 14 peças inéditas para minha próxima exposição, que acontecerá mês que vem, no Praça Rio Grande Shopping. Não está sendo fácil, pois tenho pouco mais de um mês para transformar todas essas ideias em ilustrações finalizadas, com unidade de conjunto, prontas para serem expostas e vendidas. Ai!
Apesar de ter um ponto de partida e saber exatamente aonde quero chegar, dá um certo pânico. Procuro lembrar que ano passado participei de um desafio de desenho, no qual me propus a trabalhar todo o dia e, no final, deu certo. Então, oremos.
Uso o sketchbook para anotar alguns devaneios e pequenos estudos de poses. Quero ir além do retrato e mostrar um pouco mais de corpo (e diferentes corpos) nas figuras. Enfim, minha mente está um caos.
Esse aqui foi o de ontem, e o que mais gostei até agora.
Abraços,
Lidiane :-)
5 anos em 6 ilustras
Primeiramente eu não morri, só estava na Record organizando a minha vida para o mês de março, que será puxadíssimo em termos de trabalho. Aproveitei o final de fevereiro para descansar um pouco, ler e voltar com vontade para comemorar os 5 anos do blog! Vai ter muita ilustra (espero), posts com dicas legais (espero II) e, pra começar, uma retrospectiva.
Se tem uma coisa que o blog me ajudou (e ainda ajuda muito!) é no acompanhamento da evolução do meu desenho. Embora já tivesse experiência e um traço definido quando terminei a graduação, passei por tantos perrengues que simplesmente desaprendi a desenhar, esqueci o caminho do meu próprio processo criativo. Isso foi uma das coisas que me levaram a criar este espaço: achei que, compartilhando o pouco que fazia, poderia sentir vontade de ir além e redescobrir aquela Lidiane que ficou em algum lugar do passado, com medo de tudo e de todos.
PAUSA PARA UM LEMBRETE: quero falar principalmente para você, mulher, que vive sendo criticada por seus coleguinhas homens pelas escolhas que faz na hora de desenhar: seja o modelo, o tipo, o material. Mande todos eles irem catar coquinho, porque você, e somente você é DONA da sua arte. Empodere-se, mostre a que veio. Não tenha vergonha de receber uma crítica, analise-a: ela é construtiva? vai te ajudar? foi de boas? ou foi uma cutucada? te atingiu? beijinho no ombro e continue o seu caminho.
Em meados de 2010, depois de postar muitos trabalhos engavetados, comprei um sketchbook e passei a mostrar, quase que diariamente, o que estava produzindo. E um dos desenhos mais marcantes dessa época é este, que chamei de Mulher Elegante. Lembro que fiquei tão orgulhosa dele, das linhas do cabelo, da expressão. Foi aqui que senti estar "voltando", embora ainda tivesse muito trabalho pela frente. O que sempre me atrapalhou foi a pressa, a vontade de ver terminado de uma vez, para depois concluir que ficou ó: uma boxta. Então, 2010 ainda foi marcado por essa precocidade que só fui abandonar, hummm... ano passado?!
2011 foi o verdadeiro divisor de águas da minha vida, pois em outubro nasceu a Sugar Skull, um dos trabalhos mais importantes da vida. Lembro de ter ficado horas olhando obras da Sylvia Ji e ter achado lindas todas aquelas caveiras mexicanas, sensuais e expressivas. Peguei uma foto de referência e resolvi fazer uma catrina também. Foi tudo muito natural, sem rascunhos ou estudos elaborados. Até hoje é a mais vendida no Society6 e o primeiro trabalho que eu realmente considero uma ilustração. Muito orgulho.
Já 2012 foi um ano cheio de parcerias e aprendizado. Comecei a focar em retratos, que predominam até hoje. Pode parecer que é a minha zona de conforto e que tenho medo de sair disso, mas não. Eu tenho uma visão muito particular sobre a representação da mulher na História da Arte: ela parece estar quase sempre a serviço do espectador, doando seu corpo, suas emoções, passiva na cena. Minha intenção com os retratos é tornar a mulher protagonista, fazer com que ela encare o espectador e devolva seu olhar curioso. Que instigue perguntas como: o que será que ela está pensando? Sem sombra de dúvidas, um dos trabalhos favoritos desse ano foi Velejadora.
2013 manteve o mesmo fluxo do ano anterior, não me arrisquei no uso de nenhum material diferente e procurei firmar os conhecimentos adquiridos naquilo que já trabalhava: lápis de cor, marcadores, grafite... foi difícil escolher uma ilustração para representar o ano, mas acho que Karou é uma boa representante porque, pela primeira vez depois de muito tempo, não utilizei quaisquer referências fotográficas. A figura saiu assim, inteirinha da minha cabeça e pulou para o papel. Também foi o ano em que abandonei o trabalho unicamente em grafite e comecei a focar no colorido de toda a figura.
Ano passado foi cheio de emoções e desafios. 2014 começou bem, com experimentações em caneta esferográfica, e daí não parei mais de tentar outros materiais: teve muita tinta, perdi o medo da aquarela e me apaixonei por ela, desenhei todo dia para o Inktober e ressignifiquei a importância que os rascunhos e os trabalhos finalizados têm na minha arte. Apesar de ter ilustrado bastante, não me deixei abater pela pressa, pois descobri que o tempo deve ser nosso aliado, ele nos dá dicas preciosas sobre a evolução de uma ilustra, e também sobre nossos desejos com aquele trabalho. Infinite sintetiza um pouco de tudo isso e do que venho buscando.
Ainda é cedo para falar de 2015, que começou cheio de animais fantásticos, muito colorido e uma mistura de vários materiais. Me sinto cada vez mais solta para buscar outras coisas, experimentar diferentes traços, talvez me arriscar na ilustração infantil. Mas ainda não sei de nada e quero deixar o barco navegar sem rumo. A única certeza que tenho é que, em todas as ilustrações apresentadas, sem exceção, o olhar é o ponto central, o condutor da cena. Se tivesse que escolher uma característica marcante, seria esta.
Espero que esses posts gigantes não estejam cansando vocês, mas não vejo como fazer de outra forma. É muita história para contar e acho que para quem chegou agora, é uma boa maneira de traçar um panorama do que tenho produzido. Mas prometo intercalar com postagens menores, ok?! Agora me digam: qual a ilustração preferida de vocês, hein?
Abraços,
Lidiane :-)
2013 manteve o mesmo fluxo do ano anterior, não me arrisquei no uso de nenhum material diferente e procurei firmar os conhecimentos adquiridos naquilo que já trabalhava: lápis de cor, marcadores, grafite... foi difícil escolher uma ilustração para representar o ano, mas acho que Karou é uma boa representante porque, pela primeira vez depois de muito tempo, não utilizei quaisquer referências fotográficas. A figura saiu assim, inteirinha da minha cabeça e pulou para o papel. Também foi o ano em que abandonei o trabalho unicamente em grafite e comecei a focar no colorido de toda a figura.
Ano passado foi cheio de emoções e desafios. 2014 começou bem, com experimentações em caneta esferográfica, e daí não parei mais de tentar outros materiais: teve muita tinta, perdi o medo da aquarela e me apaixonei por ela, desenhei todo dia para o Inktober e ressignifiquei a importância que os rascunhos e os trabalhos finalizados têm na minha arte. Apesar de ter ilustrado bastante, não me deixei abater pela pressa, pois descobri que o tempo deve ser nosso aliado, ele nos dá dicas preciosas sobre a evolução de uma ilustra, e também sobre nossos desejos com aquele trabalho. Infinite sintetiza um pouco de tudo isso e do que venho buscando.
Ainda é cedo para falar de 2015, que começou cheio de animais fantásticos, muito colorido e uma mistura de vários materiais. Me sinto cada vez mais solta para buscar outras coisas, experimentar diferentes traços, talvez me arriscar na ilustração infantil. Mas ainda não sei de nada e quero deixar o barco navegar sem rumo. A única certeza que tenho é que, em todas as ilustrações apresentadas, sem exceção, o olhar é o ponto central, o condutor da cena. Se tivesse que escolher uma característica marcante, seria esta.
Espero que esses posts gigantes não estejam cansando vocês, mas não vejo como fazer de outra forma. É muita história para contar e acho que para quem chegou agora, é uma boa maneira de traçar um panorama do que tenho produzido. Mas prometo intercalar com postagens menores, ok?! Agora me digam: qual a ilustração preferida de vocês, hein?
Abraços,
Lidiane :-)
Como usar lápis pastel seco
Ontem eu postei aqui no blog minha última ilustra, que faz parte da série Into The Forest e, como prometi, vou mostrar como trabalho com lápis pastel seco, um dos materiais mais legais que já conheci. Quero deixar claro que a minha intenção não é 1. cagar regra; 2. dizer o que é certo ou errado; 3. mostrar que só existe um único jeito de colorir com pastel.
Sou marinheira de primeira viagem, tanto quanto quem chegar aqui via Google, procurando "como usar lápis pastel seco", portanto, o que desejo é uma troca de experiências e mostrar que comigo tem funcionado desse jeito, quem tiver outras dicas fique à vontade para contribuir com o post, certo?!
MATERIAL
Vamos começar com o básico, que é a escolha do material. Meus pasteis são da marca Derwent, e as cores do estojo são Skintones, pois acho mais fácil trabalhar novos materiais com tons que estamos familiarizados (quer uma opção nacional para trabalhar pele? Clica aqui). Os lápis dessa marca costumam ter o diâmetro um pouco maior do que a maioria que conhecemos, por isso, uso o apontador que ganhei deles lá em 2012.
Para espalhar o produto, uso um kit de esfuminhos também da Derwent, em três espessuras diferentes, e um pincel Condor de cerdas naturais. Aqui, o primeiro ponto importante sobre pastel: eu não consigo esfumar com o dedo, porque minhas mãos suam demais, além disso, tenho alergia a praticamente todo tipo de material artístico (coisas da vida...). Então funcionou muito bem a ajuda do esfuminho, e do pincel para dar acabamento e retirar o excesso de poeira. Mas tem quem trabalhe com os dedos, assim como tem pessoas que esfumam o próprio grafite desse jeito, então não é regra ter esses materiais. O importante é testar para ver o que se adapta melhor às nossas necessidades.
TESTANDO O PASTEL ANTES DA ARTE-FINAL
Acho que não é uma dica que caiba só ao pastel, mas a qualquer tipo de material. Tem que ter uma área de testes antes de colorir pra valer, para que você não fique com aquele medo de estragar tudo. Teste não é perda de tempo, pelo contrário: quanto mais informações temos, melhor o nosso aprendizado. Um sketchbook reservado para testar materiais, por exemplo, é como um caderno de receitas, onde anotamos quantidades, misturas e segredos...
Na imagem acima, peguei uma das cores e mostrei como fica em seu estado normal, logo que riscamos no papel, e esfumada com o dedo, o esfuminho e o pincel. Notem que a cor sumiu quando espalhei com o dedo, talvez em consequência do meu suor. Já com o esfuminho, a cor não só espalhou, como ficou bastante uniforme e os riscos praticamente imperceptíveis. O pincel é usado mais para acabamento, para limpar a área ao redor, ou reforçar a mistura das cores, mas sozinho não funciona para espalhar.
Misturar cores de pastel é bem mais simples do que lápis de cor, por exemplo. Na imagem acima, dois tons de azul, e o amarelo e vermelho para formar o laranja. Utilizei o esfuminho. Notem que o acabamento é aveludado, por isso é importante a maneira como vamos riscar o lápis no papel: se for em movimentos circulares, suaves, misturar e espalhar será bem melhor e dará a sensação de volume.
PARTINDO PARA O PAPEL!
Escolhi aqueles dois tons de azul do teste para colorir a pele do meu fauno. Comecei pelos cantos da face da figura porque achei mais fácil partir das bordas para o centro, visto que o rosto tem áreas de luz e sombra bem acentuadas. Risquei o lápis em toda a borda...
... e esfumei em direção ao centro. Se você achar que colocou pouco produto, calma: esfuma tudo o que está na folha, e depois coloca mais. Percebi que o pastel não é um tipo de material que aguenta excessos, é preciso ir com calma e dosar as quantidades. Ah, importante: utilize sempre papeis acima de 200 ou 300g, não é uma técnica para papeis finos!
O resultado do primeiro cantinho. Adicionei um pouco mais de cor e fui puxando sempre no sentido borda-centro, em movimentos circulares. Passei o pincel para remover o excesso, e deixei um pequeno degradé para indicar volume. Agora, vamos adicionar o outro tom de azul:
Assim como faço com lápis de cor, adicionei a tonalidade mais escura por cima, e repeti os mesmos movimentos suaves e circulares, em direção ao centro. As mesmas dicas valem para essa segunda camada de preenchimento: vai com calma, dosa bem o produto antes de colocar no papel.
Vejam que o azul escuro produziu mais volume e ajudou a não deixar a figura chapada (com uma cor só!). Para os pontos de luz, utiliza-se o pastel branco, assim como o lápis de cor branco.
FINALIZAÇÃO
Para dar acabamento, utilizei lápis de cor Polycolor, também em dois tons de azul, para reforçar as áreas de volume. Vejam que na testa, bochecha e nariz, apliquei o pastel branco para criar essa luminosidade. Repeti todos esses passos no restante da figura.
Depois de pronto, é hora de fixar. Eu falo isso a respeito de todos os meus trabalhos: TEM QUE FIXAR!!! Ilustração que não levou verniz é ilustração que vai deixar de existir rapidinho. Eu uso o da Acrilex, ele é barato, com acabamento fosco, tem ação fungicida e filtro UV. Tenho ilustras feitas há 10 anos que estão com as cores impecáveis, tudo por causa dele. Outra dica importante: tenha sempre uma folha de apoio para a sua mão, pra evitar sujeira e marcas de digitais.
Sei que este post ficou enorme, mas se você teve paciência para chegar até aqui, muito obrigada! Deixe nos comentários o que conseguiu aprender e se tem outras dicas para compartilhar. E se vocês, que me leem e acompanham o meu trabalho, quiserem outras dicas, me digam quais materiais desejariam ver em posts similares a este. ;)
Abraços,
Lidiane :-)
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