Who says they don't cry? 🕸️
Eu preciso gostar muito de algo para decidir fazer uma fan art, pois sei que se o hype for grande, vai ter muita gente fazendo a mesma coisa, e isso pode atrair até mesmo pessoas que não vão se identificar com meus trabalhos regulares. Mas assim que vi as fotos promocionais e o clipe da nova música da Anitta, Boys Don't Cry, achei tudo tão perfeito, que foi quase impossível não querer ilustrar um dos looks inspirados na Lydia de Os Fantasmas Se Divertem. E lá fui eu, bem gotiquinha.
Gostei tanto das fotos que foi difícil escolher uma, mas acabei pegando como referência a que tinha uma iluminação muito bonita, misturando tons de azul e vermelho numa atmosfera bem surreal. E também coloquei meus melhores materiais para jogo, pois queria trabalhar bem a questão das nuances dos tons, a luz, a ilusão do tule no vestido. Para isso, usei papel 100% algodão e as maravilhosas aquarelas da White Nights, que fazem praticamente metade do serviço sozinhas.
E aqui o trabalho foi com manchas, usando o úmido sobre úmido, para criar essas camadas e contrastes usando somente dois tons de azul e dois de vermelho. O pouco de finalização extra que fiz foi no rosto, usando pastel seco para reforçar os valores, pois fica mais suave que o lápis de cor, e também marcadores nanquim nos olhos. 90% do trabalho foi resolvido só na aquarela, e fiquei bastante feliz com o resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches fino 300g;
- Aquarelas White Nights;
- Pincéis Keramik;
- Pastel seco Derwent;
- Marcadores Pentel.
Green Man 🌿
Materiais utilizados:
- Papel para aquarela Canson XL 300g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Faber-Castell;
- Marcadores Pentel.
Oxum ✨
De acordo com a tradição da Umbanda aqui do RS, 2022 será regido pela mãe Oxum, e resolvi prestar minha homenagem à orixá com uma aquarela em muitos tons de amarelo e dourado, chamando a riqueza que ela merece.
Embora o amarelo vivo não seja mais uma cor presente na minha paleta (vou escrever mais adiante como tenho definido minha paleta de cores pessoal) consegui utilizar o tom mais quente (amarelo cádmio) misturado a outras cores, que conferiram uma tonalidade geral mais próxima ao que uso, sem tirar a vibração que eu queria passar na pintura. Também aproveitei para colocar em prática ensinamentos que fazem toda a diferença no meu trabalho.
Fiz a marcação dos valores de forma diferente, colocando um fundo azul ultramar em toda a figura. Depois, fui construindo as camadas com uma mistura de azul ultramar e alizarin crimson, com alguns toques de sépia. Esse tipo de coloração para pele negra aprendi com a Sabrina Eras, que é construir a base em tons azulados e não com o marrom quente logo de cara. Fica muito mais natural.
A finalização também foi feita com o pastel seco, que fica mais sutil que o lápis de cor. Para as rosas, usei amarelo cádmio, ocre e laranja, para dar profundidade. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Canson XL;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pastel Seco Derwent;
- Marcadores Pentel.
"Oxum é uma deusa das águas doces, e seu domínio é o amor, a beleza e a criação. Ela é um dos sete principais orixás e é homônima a um rio na África Ocidental. A lenda diz que Oxum é a fonte de poder de todos os outros orixás. Ela faz todas as coisas fluírem no universo, tanto pelo amor quanto pela força, e foi enviada pelos outros orixás para intervir diante de Ogum, o orixá das ferramentas e pai da civilização, que se cansou de criar e cessou a evolução do mundo. Oxum foi a única capaz de levantar o ânimo dele e de incentivá-lo a voltar a criar. Oxum também é a única deusa capaz de transmitir mensagens entre o mundo mortal e o Criador Supremo no paraíso." - Divinas Mulheres, de Ann Shen.
Os Enamorados 👫
| Imagens: Tarô de Marselha, O Beijo e foto de referência. Via. |
Materiais utilizados
- Papel Concept Sketch & Draw Hahnemuhle 220g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis pelo sintético Giotto;
- Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
- Marcadores Pentel;
- Tinta acrílica Reeves.
Todo homem e toda mulher são uma estrela: nós, e o universo, somos todos feitos da mesma coisa. Quando somos criados, contemos uma centelha do Divino, uma estrela em nossos corpos, que é um reflexo direto de cada outra estrela presente dentro de cada outra pessoa ou ser sobre a Terra. Nós nos juntamos a grupos para criar modelos no céu. Giramos pelo céu e temos órbitas, e alguns de nós colidem e outros se unem em lindas constelações. Mas somos todos crianças-estrelas, irmãos sob a mesma proteção do céu, e todos tentamos nos reunir com nossa origem. As estrelas dentro de nós conversam com a sua fonte, e ansiamos retornar a ela. A jornada é longa, mas encontramos em outra pessoa uma estrela que está mais próxima daquela pela qual ansiamos, e vemos nela a fonte de luz e ela a vê em nós. Nós nos juntamos a ela, em anseio, desejo e paixão, e por meio dela estamos completos. Isto é o amor: a união de duas estrelas presentes nos corpos dos seres humanos, expressa na construção de uma ponte entre eles. No entanto, não amaldiçoe a distância, Amante; não lamente o espaço que você deve atravessar para conseguir se reunir, pois é somente por causa dessa distância que você pode sentir algum anseio e amor.
Efeito Borboleta 🦋
Em muitas tradições, o ciclo da vida aparentemente milagroso de uma larva, crisálida ou borboleta, representa a jornada da alma pela vida, morte e renascimento. A Linguagem dos Símbolos, David Fontana.
2021 foi um ano pesadíssimo, e me dá um alívio saber que ele está acabando. Sei que é muito mais uma superstição achar que, ao findar um ano, um novo ciclo começa, e as coisas ruins são deixadas para trás, mas eu realmente preciso deixar tudo isso passar.
Por mais que tenha havido uma alegria aqui e outra ali, de setembro em diante precisei aprender na marra a lidar com a perda, e isso tirou um bocado da minha vontade em compartilhar as coisas que tenho feito. Venho encarando a arte como um exercício bastante solitário, um momento para colocar a cabeça no lugar.
Me conforta saber que os últimos trabalhos do ano estão publicados no volume 04 da Zine Marítimas, que nasceu lá no início do ano da vontade da Ju Blasina, Suellen Rubira e minha em publicar mais mulheres. Precisei me afastar da editoria por não conseguir conciliar o tanto de trabalho que esse ano demandou, mas encerro o ciclo artístico sendo abraçada pelas gurias e pela revista.
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Strathmore 300g grana fina;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pinceis Giotto;
- Ilustrações (borboletas e larvas) para colagem extraídas do livro Extraordinary Things To Cut Out And Collage.
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Até 2022!