Lidiane Dutra
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Portfólio Projetos

Sketchbook Mochileiro 🌎


No início do mês recebi a visita do Sketchbook Mochileiro, projeto que vai viajar o Brasil de ponta à ponta e pousar na casa de 15 ilustradoras maravilhosas. E estou muito feliz e orgulhosa por fazer parte desse time, que vai representar a mulher brasileira. A primeira parada foi com a Kris Efe, que desenhou uma prenda we can do it maravilhosa. Já eu resolvi homenagear as mulheres da minha terra, do litoral sul.



A mulher cassineira (Praia do Cassino, sul do RS) tem a pele marcada pelo sol e pelo sal do mar, e se confunde com a imensidão da maior praia da América Latina. É livre e de uma beleza natural, não precisa de muita coisa para se sentir poderosa. Coloquei todas essas características numa figura que é metade humana, metade mar.


O meu navio
Nas águas do teu coração
Marés que vem, marés que vão
O meu amor canto por ti
Para te encontrar
Meu doce lar
Meu litoral


Luís Mauro Vianna
A próxima parada do Sketchbook Mochileiro é em Santa Catarina, com a Fefê Torquato. Você pode acompanhar as aventuras desse projeto através do Instagram, e participar na #sketchbookmochileiro, representando seu estado.

Veja todos os meus trabalhos profissionais na aba Portfólio e também no Behance.
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Reflexões

Vale a pena ter um blog artístico?


Essa é uma pergunta que tenho feito a mim mesma já faz algum tempo, principalmente depois de tantos casos de plágio, e de ver conteúdos cada vez mais massificados sobre arte e ilustração. Dos blogs que eu seguia em 2010, poucos sobreviveram. Outros, se transformaram em sites, canais, ou estão em hiato permanente. Apesar de abominar o discurso do "agora virou modinha", é difícil não concordar com ele: virou moda ilustrar, e tem gente se aproveitando disso das mais variadas maneiras, nem todas elas éticas com quem realmente vive disso.

Diante desse quadro da dor, bate aquela insegurança: vale a pena ter um blog artístico, ou divulgo meu trabalho nas redes sociais e parto direto para o portfólio? Eu vou contar como tem sido a minha experiência no assunto, mas já adianto que essa decisão só cabe a você.

Eu gosto muito de escrever, de colocar no papel ou na tela o que penso e sinto, é uma maneira de refletir sobre meu próprio fazer, tarefa que nem sempre é fácil ou confortável. Quando você escreve sobre seu processo criativo e se permite duvidar do próprio trabalho, está automaticamente saindo da zona de conforto e assumindo o risco da autocrítica. Por si só, já é algo corajoso, principalmente em tempos de corações e dedinhos pra cima em aprovação.  

Ter um registro em formato diário dessa trajetória ajuda a enxergar várias coisas, desde o nosso crescimento pessoal e profissional, até o quanto nossas opiniões mudam, como o meio nos influencia, o quanto nos sentíamos seguros de algo que não sabíamos direito ou, ainda, o quanto nossas parcerias de trabalho confiavam em nós, numa época em que nossa técnica ficava muito aquém do esperado. Tudo isso que falei veio à tona na última limpeza que fiz aqui no blog, descartando posts antigos de alguns anos atrás (faço isso frequentemente, até mesmo para liberar espaço na minha conta).

As redes sociais são ótimas para divulgar em tempo real e receber feedback imediato, mas também geram uma expectativa que não é saudável. Que atire a primeira pedra quem nunca deu refresh na foto recém postada, para ver quantas curtidas estava recebendo. Só que essa ansiedade atrapalha o andamento das coisas, pois o foco deixa de ser o trabalho em si para ser o comentário, a quantidade de likes, a repercussão. Já o blog proporciona um tempo de leitura e reflexão diferentes, dá uma visão mais madura (ou não) do artista. Existe também a questão do alcance, Facebook e Instagram estão cada vez piores em relação às atividades orgânicas, tudo precisa ser pago. 

Então, para quem gosta de escrever sobre seu trabalho e compartilhar suas experiências, blog e redes se complementam de maneira muito interessante. E por compartilhar, entendo buscar algo significativo para mostrar, dentro de um contexto, e não sair postando qualquer coisa, só pra parecer produtivo.

Sobre o portfólio (ou site e blog integrados), esse é um sonho antigo meu, mas ainda não consegui realizar por falta de grana, já que não é só o layout, tem servidor, domínio, manutenção, programador... Já passei pela experiência de pagar hospedagem, mas não ter como arcar com o restante e ficar na mão. Então busco alternativas tão boas quanto. Uma delas é o Behance, excelente portfólio com rede social integrada que, além de organizar tudo em álbuns e coleções, permite conhecer outros artistas e visualizar o melhor de seus trabalhos profissionais. Tenho cuidado de sempre atualizar com boas ilustras e descartar as mais antigas e as que não possuem um apelo interessante para aquele espaço. 

Já aqui no blog, criei uma tag específica para portfólio, que filtra somente os posts com ilustrações, nos quais conto sobre o processo, os materiais e métodos, e esse "por trás das câmeras" chama a atenção de muitos clientes. Fica tudo no menu principal, sem complicações. Por isso, embora seja um sonho, não sinto falta de ter um site para portfólio agora, pois consigo me organizar bem.

Agora, uma coisa que não pode, de jeito nenhum, é plagiar o coleguinha. Fala-se muito da apropriação de trabalhos artísticos, mas também se copia texto alheio. Eu passo por isso desde 2015, essa semana descobri um post, de uma pessoa que já plagiou não só a mim, como outras ilustradoras, falando de suas experiências, no mesmo tom do relato sobre minha evolução na aquarela, algo extremamente pessoal. Não é errado você se sentir inspirado pelo texto de alguém e oferecer a sua versão, mas custa dizer de onde veio a ideia? Quantas vezes já publiquei postagens nas quais falo "vi isso aqui no blog de fulana" ou "por indicação de beltrana"... É o meio natural das coisas.

Esse texto mesmo só saiu porque fiquei muito incomodada por mais uma vez a mesma pessoa ter copiado, e depois de ter lido esse post aqui, da Maki do Desancorando. Curiosamente, no meio da escrita, a Laiany também deixou um comentário neste post sobre a questão do site/portfólio e compartilhamento de ideias.

Resumindo: se você quer ter um blog artístico, tenha! Passe pela experiência de saber se dará certo ou não. Eu já fiz tanta coisa boba, mas a única maneira de saber se serviria para mim era tentando. Crie seu portfólio na plataforma que julgar melhor, compartilhe nas redes sociais que achar mais relevante, pergunte a outros artistas e pesquise sobre suas experiências. Você vai gastar muitas horas e algum dinheiro no processo (quando criei o site, tomei um susto com a cobrança integral do valor da hospedagem e fiquei à míngua), mas faz parte do pacote. Se acontecer de você acertar de primeira, ótimo! E sempre se lembre de uma coisa: tenha responsabilidade naquilo que compartilha por que, de uma maneira ou de outra, você vai ser referência para alguém, que vai entrar no seu espaço e confiar na sua palavra. E isso é de uma responsabilidade gigante, como já falei aqui.

Aproveito para dizer que troquei novamente o layout do blog, como uma forma de deixar tudo mais limpo e dar destaque para o conteúdo. As categorias foram reduzidas e agora está mais fácil achar um post de acordo com o assunto (deixei somente os mais relevantes). Esse template é do Beauty Templates, totalmente gratuito. A customização para português ficou por minha conta, tenho vários macetes legais para repassar, a quem interessar. ☺

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Imagem: Lia Leslie, via Unsplash.
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Portfólio

Gaia 🌿


Já fazia bastante tempo desde minha última participação num projeto coletivo e, por isso, resolvi criar a arte Gaia 🌿 para o tema de abril do Girls Artist Gang, que é natureza. O grupo foi criado pela Dessamore e tem como objetivo reunir mulheres distantes geograficamente, mas unidas pela  arte, numa ação mensal. Os temas são escolhidos lá no Facebook, e qualquer mina artista pode participar. Só amor! 💚

Gaia, o ser primordial, Criadora grega da vida, a própria Terra, mãe dos Titãs, das Moiras e Musas. Seu dia é celebrado em 22 de abril (Dia da Terra), data indicada para orar pela paz e pela pureza do meio ambiente.*


Não tenho muito para falar sobre o processo, apenas que foi rápido e, numa manhã, consegui colorir toda a ilustração. Eu sempre demoro, no mínimo, 2 dias para fazer um trabalho pessoal, para poder avaliar com cuidado as decisões que estou tomando e diminuir aquela pressa em ver tudo pronto de uma só vez. Trabalhei com uma paleta neutra e reduzida (obrigada, Sabrina!), todas as cores estão um pouco sujinhas de payne's gray e sombra queimada. O resultado ficou assim:

Materiais utilizados
- Papel Canson Montval;
- Aquarelas Van Gogh e W&N;
- Pincéis Keramik pelo sintético;
- Multiliner Copic;
- Lápis de cor Koh-I-Noor.
Obs.: Farei um post com a lista atualizada de materiais que uso com frequência nas ilustrações.


Você que é mina artista também pode participar do projeto, basta usar #girlsartistgang, e descobrir várias outras mulheres fantásticas, que estão produzindo muita arte. Algumas ilustras são repostadas no perfil do grupo no Instagram.

Gaia já está disponível no meu Studio e, juntamente com Monstera, inaugura uma nova fase de mocinhas envoltas em plantas, flores e muita natureza. Já passei pelas Catrinas, pelas Galáxias, pelos Faunos... acho que já posso partir para outra empreitada. 😊 Também criei uma tag específica para Portfólio aqui no blog, assim facilita a busca de quem quer contratar meus serviços. Lembrando que todos os meus trabalhos profissionais também estão no Behance.

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*Fonte: Anuário da Grande Mãe, Mirella Faur.
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Processo criativo

No meu feed - fev/mar ❤ @lidydutra


No meu feed é aquela tentativa marota que faço bimestralmente de reunir imagens publicadas nas redes sociais e que, de alguma forma, acabam não aparecendo em forma de post regular no blog, e merecem atenção e registro. Durante fevereiro e março rolaram bonitezas em aquarela, flores, lojinha e recordações.


Mais dois trabalhos feitos para o Curso de Aquarela da vocês sabem de quem Sabrina Eras; o primeiro é um estudo de textura da ferrugem e o segundo é uma das pinturas mais difíceis que já fiz na vida, a pele negra em aquarela. O uso de roxos, azuis e subtons que fogem do marrom puro é realmente um desafio e requer muita prática.


Produtinhos do meu Studio no Colab55. As almofadas foram compradas pela minha mãe (compradora nº 1). Não levei fé que Rainha do Mar ficasse tão bonita assim, em close, no tecido. Mas o resultado me surpreendeu, acho que muito se deve à qualidade da impressão. Já os adesivos fui eu que comprei para testar, e também me surpreendi com o tamanho e a fidelidade das cores. 


Rolou essa tag nas redes sociais, tanto com foto, como com desenho, e resolvi aderir também. Acredito que visualizar a nossa evolução através do tempo é extremamente válida, não só para quem trabalha com arte. Fico feliz em manter a essência do meu traço, que já estava praticamente formado quando entrei na faculdade, aliada ao conhecimento que os estudos do último ano me proporcionaram. O que me chamou atenção nos três trabalhos foi a estrutura da cabeça, e o quanto ter voltado a praticar anatomia me fez melhorar em algo que gosto muito de fazer, que são os retratos. Já na segunda foto estão as tintas que comprei para participar do MerMay, aquele desafio de desenho que rola em maio, e que ano passado não consegui acompanhar. Mais adiante conto detalhes.


Para finalizar, essas flores aquareladas, parte dos estudos que fiz para um trabalho comissionado. Estou muito interessada em ilustração botânica e tenho buscado todo tipo de referência possível. E além da curiosidade em sair da minha zona de conforto, tem sido uma excelente maneira de estudar cor e composição, para que o resultado final não fique um carnaval completamente sem nexo.

☆☆☆

🎂 E hoje o blog completa sete aninhos!!!!! Nem consigo verbalizar quanta coisa já aconteceu na minha vida durante esse tempo. Imagine só, uma criança nascida em março de 2010 já está na escola, tocando terror por tudo hahaha!!! É uma vida, literalmente. E, no que se refere ao meu trabalho, foram sucessões de mudanças que me levaram a estar aqui. Para quem chegou agora, resumidamente, a história da criação do blog foi essa: eu precisava qualificar meu projeto de dissertação do mestrado e passava por um bloqueio criativo. Pensei que, se eu criasse um espaço sem pretensões, como uma forma de publicar textos aleatórios e os desenhos feitos entre um artigo e outro, minha motivação voltaria. Eu não só consegui escrever o projeto e a dissertação (e ser aprovada com louvor), como também abandonei a academia para me dedicar à ilustração. Hoje, trabalho com design e diagramação, além de ilustrar, e já prestei dois concursos públicos, um na área de ensino de arte, outro na área gráfica.

Conheci inúmeras pessoas sensacionais, gente que nunca vi pessoalmente, mas que carrego no coração e considero parte importante da minha vida, coisa cósmica mesmo. Fiz três exposições individuais, dei entrevistas na mídia local (me senti chique haha), montei várias lojas, quebrei a cara tantas vezes que não cabem nos dedos das mãos e dos pés, briguei pelo meu espaço enquanto artista e mulher e participei de projetos que jamais imaginaria que cairiam nas minhas mãos algum dia. Aprendi a lidar com a frustração e com a síndrome de impostora, e a reconhecer todo o esforço que sempre empreendi para conquistar meus objetivos. ✨

O ato de blogar já estava em declínio quando comecei e, hoje em dia, já não sinto aquela vontade enorme de sair compartilhando tudo o que penso ou faço, então acredito que o caminho natural do meu blog será se transformar em site, com destaque para meu portfólio, mas sem deixar de possuir esse espaço de troca. Quero fazer algo nos moldes que a Sabrina Eras e a Juliana Rabelo já fizeram, talvez ainda em 2017. Enfim, que venham os próximos anos!!! 🎉🎉🎉

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Reflexões

O lugar ideal é você quem faz


Toda vez que posto foto do meu espaço de trabalho alguém comenta que também gostaria de ter um lugar ideal para desenhar, um cantinho sossegado e cheio de inspirações, no qual é possível colocar toda a criatividade para fora. Mas vou contar uma coisa para você: quem faz esse lugar ideal e especial somos nós.

Durante muito tempo, praticamente toda a minha adolescência e graduação, me dividi entre desenhar na mesa da cozinha ou usando a cama e uma prancheta como suporte. Depois, ganhei uma mesa de desenho usada, e ela me acompanhou durante vários anos. Também usava a mesa do computador (nos tempos do monitor de tubo!). Só quatro anos atrás pude comprar minha atual escrivaninha. Estante, livros, prateleiras, materiais... tudo veio com o tempo, e isso não é papo motivacional. Demorei ANOS para ter, literalmente, um canto para trabalhar.

Aí você vai dizer: que ótimo, deve ser sensacional ilustrar na santa paz do seu ateliê! Bom, eu divido a casa com mais três pessoas que, inevitavelmente, vão fazer barulho, até mesmo porque o mundo não para de girar para que eu desenhe. Além disso, soma-se o ruído da vizinhança, dos carros, das sirenes, do carrinho de picolé. Tem dias que acho que vou enlouquecer, sinto dores de cabeça, fico zonza. Mas eu não posso esperar eternamente o lugar ideal. Tenho um lugar real, e preciso extrair dele o melhor que consigo.


Vejo que muitas pessoas (e eu me enquadrei nessa durante um tempo) ficam esperando as condições ideais para começar o trabalho criativo e não avançam nos estudos. Primeiramente, esperam ter tempo; em seguida, desejam um ateliê de fazer inveja à Charmaine Olivia; depois, precisam de materiais caros, cursos em outra cidade/estado/país; por fim, aguardam pacientemente que a fada madrinha bata em sua cabeça com a vara de condão mágica da criatividade infinita. Só que isso não acontece nem nos contos de fada. É preciso começar e, para isso, usamos o que temos à mão.

Se você não der o pontapé inicial nos seus estudos e ficar só fantasiando no feed alheio ou no Pinterest, pouco vai mudar. Porque atrás de cada postagem que um artista faz mostrando seu estúdio, ou seus materiais, existem muitas horas de trabalho, esforço e dinheiro empregado. Já perdi a conta de quantas coisas deixei de comprar, ou de quantos lugares deixei de ir, para poder comprar material. Ano passado mesmo, cheguei a remendar algumas calças para poder pagar o curso da Sabrina (bendita fita termocolante!). E quantas outras vezes me amaldiçoei porque preferi comprar um batom, ou ir no restaurante oriental que curto, porque estaria desperdiçando dinheiro. Mas com o tempo percebi que faz parte do meu processo criativo me alimentar de outras coisas das quais gosto, para manter viva a vontade de criar.


Por que estou escrevendo isso? Para que você, que está aí do outro lado, esperando o momento certo, comece agora. Já. Não espere ter tudo o que acha ser necessário para criar, porque essa lista é infinita. Sempre que você pensar que comprou tudo, que deixou o lugar com a sua cara, aparece uma coisa totalmente inesperada. E não sinta um impulso consumista de ter o que o outro tem porque, como falei acima, por trás de cada post mostrando um ateliê ou uma mesa bagunçada, tem muito trabalho envolvido, nós só conseguimos ver uma pequena parcela, um frame disso (e que, muitas vezes, foi milimetricamente arrumado, em meio ao caos, só para aparecer bonitinho). Comece, essa é a dica de hoje!


Esse vídeo do Jake Parker vem bem a calhar nessa discussão. 😉

Das coisas que ninguém vê: meu edredom de oncinha, as naftalinas e anti-mofos espalhados pela estante com seu vidro trincado e as marcas de tinta que não saem mais da mesa...

Abraços! 💖
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Processo criativo

✨Minha evolução na aquarela em 1 ano✨


Eu queria ter feito esse post logo no início do ano, acabei deixando em rascunho e, quando me dei conta, já estava na metade de março. Mas acho que é um bom momento para compartilhar essa reflexão, visto que, nos últimos dias, houve um "surto" de conteúdos relacionados a aprender fácil, rápido e sem sair de casa. E eu tenho muita birra com essas coisas, porque não existe aprendizado vapt-vupt. Algumas pessoas possuem, sim, uma facilidade maior para compreender algo, mas isso não as exime de treinar, errar muito e acertar.

E acredito que é irresponsável demais você dizer para uma pessoa que ela pode se tornar profissional (em qualquer área) de maneira simples e indolor. Isso não existe! Não é uma receita de bolo ou uma fórmula manipulável. Para cada um, o caminho vai ser diferente, mas uma coisa todos têm em comum: é preciso estudar desde a base. Por isso, selecionei trabalhos feitos antes e depois do Curso de Aquarela da Sabrina Eras, que eu vou falar até a morte, principalmente porque agora ela está com curso novo e eu não tenho um tostão para fazer! *cries in watercolor language*

Eu não me intitulava aquarelista antes do curso por motivos óbvios: nunca havia estudado aquarela pra valer. Tudo o que eu vi foi na base do tutorial e da tentativa e erro. Tive pouca mentoria sobre o assunto na vida, então, imaginem o impacto de ter uma hora de aula com a Sabrina toda a semana, fazer vários exercícios (muito quadradinho) e me ligar que eu precisava correr demais atrás dessa máquina para pintar de maneira minimamente decente. Mas vamos ver na prática do que é que eu estou falando:


O mínimo de mentoria já faz diferença: gostaria de começar com dois trabalhos do início de 2016; um de janeiro e outro de março. É possível ver uma diferença gritante entre eles e isso foi resultado de - pasmem - um mês de aula com a Sabrina. Apesar de ainda estar muito tímida na aquarela, observe como já encontrei soluções melhores para a composição: as cores estão neutralizadas, o grafite é suave, os elementos não estão brigando pela atenção. Tanto é que, ainda hoje, tenho essa ilustra como header do blog e não consigo substituí-la, tamanho o carinho por ter conseguido aplicar o que aprendi. Outros detalhes finos, como: finalização com caneta, lápis de cor, reserva de brancos, também começaram a tomar forma.


Vários tons cabem numa pele: já falei em outras ocasiões sobre utilizar várias cores para chegar ao tom de pele desejado, até mesmo porque não existe um tom de pele padrão. Mas só fui colocar isso em prática pra valer depois do curso. No primeiro desenho, a pele da figura é coberta, basicamente, por marrom e bege (que é extremamente opaco e retira toda a translucidez da aquarela). Já no segundo, trabalhei com roxo, azul ultramar, sombra queimada, vermelho, ocre... Em vez de usar a caneta multiliner para marcar as sombras, optei pelo grafite 2B. O resultado é muito mais natural. Com o tempo, aprendi a montar minha paleta de acordo com as necessidades e, por incrível que pareça, ela não aumentou, e sim reduziu, já que aprendi a misturar as tintas e extrair o máximo delas.


O material faz diferença, mas não é tudo: dá pra acreditar que foi a mesma pessoa, utilizando o mesmo material, quem fez esses dois trabalhos? Acredite: foi, sim, e no intervalo de um ano. Isso serve pra gente perceber que de nada adianta trabalhar com tudo o que há de melhor, se não temos clareza do que estamos fazendo. A aquarela não é uma sucessão de manchas aleatórias, feitas de qualquer jeito. E olhe só como uma coisa vai melhorando a outra: a composição, o enquadramento, a escolha da paleta está muito mais madura. Não tenho vergonha do primeiro desenho em si, mas sim de achar que eu estava fazendo grande coisa quando, na verdade, sabia de nada, inocente...


Valores e neutralização: utilizar a tinta pura, retirada diretamente da bisnaga ou da pastilha, deixa a pintura saturada e as cores com aspecto estranho. Isso porque fica difícil acertar os contrastes, tanto por cor, quanto por valor. Quando os valores estão bem colocados, a probabilidade de pesar a mão nas cores é menor. Por outro lado, se neutralizamos os tons, principalmente com os cinzas óticos, a composição fica muito mais agradável. Uma coisa complementa a outra. Na primeira figura, a pele novamente está coberta por bege e marquei os valores posteriormente, com lápis. Já na segunda, coloquei todos os valores primeiro, e utilizei cinza e sépia para a pele, deixando a tinta bem diluída e grandes áreas de luz. Óbvio que, se eu voltar nessa segunda pintura daqui a um ano, vou encontrar vários erros, mas é assim que funciona: nossa percepção e nossa técnica se alternam constantemente.


Não deixar pela metade: Uma das coisas que aconteceu comigo, logo no início do curso, é que eu entrava em modo pavor e deixava tudo pela metade. Ver aquela tinta toda escorrendo pelo papel, uma sucessão de manchas sem sentido (uma verdadeira caca), me deixava nervosa e com tremelique no olho esquerdo. Aí eu simplesmente fugia e abandonava o estudo. Foi bem o que aconteceu com a primeira imagem. Está pela metade, agora eu vejo. Não há finalização, nem valores, parei no início da mancha. E, aos poucos, fui perdendo o medo da finalização (embora ainda cause leve tremor na pálpebra). E quando a gente supera o medo de ir até o final, descobrimos que não é necessário usar tantos recursos além da tinta. Minha última ilustração é a prova disso: eu só reforcei a pintura com lápis no entorno do olho e em algumas partes do cabelo. o contorno é finíssimo e dialoga com a paleta. Tenho aprendido a ser sutil, e é nessa sutileza que reside muito da beleza e da peculiaridade da aquarela.

Resumindo um ano de aprendizado em um parágrafo: não existe fórmula pronta para aprender a desenhar e pintar. Qualquer pessoa que ofereça para você um método revolucionário para se tornar profissional rapidamente está mentindo. O que existe é muito estudo, muitos erros, suor e lágrimas (porque é sofrido, sim, e isso não é um defeito, faz parte), muito bloqueio, muitas derrotas até conseguir a primeira vitória, atualização constante, questionamentos constantes sobre a nossa capacidade e, mais do que tudo: a certeza de que você nunca termina de estudar alguma coisa, porque o aprendizado é interminável e acompanhará você pela vida toda.

Espero ter inspirado quem aguentou ler até aqui, e dado um empurrãozinho para quem quer correr atrás de mentoria. Vale cada minuto, pode apostar.

Abraços! ❤
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Reflexões

Há muito o que lutar antes de comemorar

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher e, rosas e bombons à parte, se formos colocar na balança de um lado as vitórias e do outro os desafios que precisamos superar, o peso está bem desigual e favorável ao segundo quesito, infelizmente. Ainda somos invisibilizadas em nosso trabalho, nossa arte é taxada como lúdica, mesmo quando esta não é a intenção. Somos as musas, mas ainda lutamos para ter o protagonismo além de um nu na tela.

Há mais de 30 anos, o grupo Guerrilla Girls mostra ao público a disparidade entre homens e mulheres (e demais minorias) no mundo da arte e, passado tanto tempo, os números continuam desanimadores. Homens brancos ainda são maioria nos museus, nas coleções e em exposições individuais. Embora a crescente expansão de coletivos formados apenas por mulheres e iniciativas de visibilidade como, por exemplo, o financiamento coletivo de projetos, ainda é muito pequena a participação feminina no mercado de arte (tanto artistas quanto galeristas, curadoras, etc.). Essa matéria, sobre a última ação do GG, traz dados atualizados sobre o tema (está em português de Portugal).


A sensação que fica, pelo menos para mim, é que ser mulher e artista é ter que se provar várias vezes: sempre brota alguém do chão para questionar seus métodos, processo criativo, ou até mesmo para por em dúvida como você conseguiu levantar dinheiro para realizar um projeto. Acredite, o sucesso de algumas mulheres, mesmo que seja algo efêmero e menor que os 15 minutos de fama, incomoda muito homem, que é incapaz de ver na colega uma igual, uma profissional que merece respeito.

E aí dá-lhe comentário anônimo para desmerecer o que a pessoa faz, boicote nos grupos locais, até mesmo criação de clube do bolinha virtual para sacanear as minas. Acredite, isso acontece muito, e a todo momento. Mas também tem competição entre as mulheres... Óbvio, mas isso é resultado desse ambiente patriarcal em que vivemos, que estimula a rixa em vez da sororidade.

Felizmente, o cenário está mudando e cada vez mais artistas se unem para servir de suporte umas para as outras. Precisamos de contatos de trabalho mas, às vezes, o que queremos é alguém que entenda o que passamos e possa nos dar um ombro amigo para desabafar. Se eu vejo um futuro melhor? Sim, com certeza, e a internet tem sido um catalizador de ações e um excelente veículo de divulgação para artistas independentes, mesmo com todo o hate que possa vir junto.

Agradeço imensamente todas as minas que me acompanham, apoiam, dão dicas e puxões de orelha e estão sempre dispostas a crescer e levar consigo o maior número possível de companheiras de jornada. A vocês, meu feliz dia e suporte incondicional, sempre. 💜

Edit: achei que seria desnecessário dizer que a crítica não é ao nu como forma artística, tampouco à demonização do corpo da mulher, mas sim ao sistema que transforma esses corpos em objetos para consumo e deleite, enquanto as artistas são privadas de uma participação maior nos espaços expositivos e, principalmente, dando a sua versão do corpo feminino, livre de estereótipos e das amarras de gênero. Fica aí o reforço. 

Fonte das imagens: Guerrilla Girls
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Portfólio

Monstera 🌿


Que eu ando encantada com a ilustração botânica não é novidade. Mas tem uma planta que chama ainda mais minha atenção e virou objeto de estudo: a costela-de-adão (Monstera deliciosa). No prédio onde trabalho existe uma linda, enorme e cheia de folhas recortadas e sinuosas, e que fotografei exaustivamente para ter material de consulta. Ainda em janeiro, comecei a esboçar essa ilustração e deixei o tempo agir, como tenho feito constantemente, para limpar o conceito, ajustar elementos e escolher a paleta ideal (veja aqui). Porém, percebi que a composição não estava de acordo com a ideia de natureza e frescor que eu desejava transmitir. Havia muito cabelo, muita joia, mas pouca espontaneidade. Novamente, refiz meus estudos e cheguei a uma imagem mais clean, com os cabelos curtos e despojados (dá para ver aqui e aqui). Depois disso, parti para a finalização:


Tenho gostado muito dos papéis para aquarela grana fina. Para essa ilustra, usei novamente o Moulin DuRoy, porém, outro papel da Canson me arrebatou: o Héritage, linha nova com qualidade profissional. Há alguns dias, testei o grana fina 300g e postei minhas primeiras impressões no Insta, mas ainda pretendo testar as demais amostras que recebi da Koralle, e fazer uma postagem completa aqui.

O processo de pintura segue o que já fiz nas últimas ilustrações: reforço os valores com lápis grafite, faço o fundo com payne's gray (em substituição ao dioxazine), e trabalho com os tons de sépia, ocre e sombra queimada na pele. Os detalhes dos dedos e olhos foram feitos com vermelho e burnt sienna e a folhagem com índigo (um azul muito bonito), uma mistura de ultramar com sap green e sap green puro. Só usei lápis de cor nos olhos e em pequenos pontos, como reforço, assim como a multiliner em tom sépia. E guache dourado nos detalhes.

Materiais utilizados
- Papel para aquarela Canson Moulin DuRoy grana fina 300g;
- Aquarelas Cotman e Van Gogh;
- Pincéis Keramik cerdas sintéticas;
- Guache Talens branco e dourado;
- Multiliner Copic sépia;
- Lápis grafite e de cor Koh-I-Noor.


Eu criei uma pasta no Pinterest com várias referências para ilustração botânica, a maioria científica, pois ainda estou a procura de artistas diferentes que exploram essa temática. E para quem gostou dessa ilustração, já pode ir até meu Studio no Colab55 e ver os produtos maravilhosos com a estampa Costela-de-adão. Ajuda muito se você deixar um ❤ na sua arte favorita, pois é isso que vai me dar visibilidade dentro do site.

Tem uma hashtag muito legal que rola toda a segunda-feira nas redes sociais, principalmente no Instagram, que é #monsteramonday. Diversas pessoas mostram suas plantinhas, sejam elas verdadeiras ou artes cheias de inspiração. Fica a dica para você descobrir coisas novas e interessantes.

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Abraços! 💖
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