Lidiane Dutra
  • Home
  • Sobre
  • _Sobre mim
  • _Currículo
  • Trabalhos
  • _Portfólio
  • _Encomendas
  • Blog
  • _Arquivo
  • _FAQ
  • Contato
Arte Digital Portfólio

A Noite de Hekate


Mais uma representação de Hekate, dessa vez alusiva ao dia 16 de novembro, no qual temos a celebração moderna da Noite de Hekate. Essa semana ainda teremos, no dia 30 de novembro, a celebração de Hekate das Encruzilhadas, também moderna. Eu sigo o calendário Hekatino disponibilizado pela Márcia C. Silva para me guiar nas datas. 


Para essa ilustração, usei algumas fotos minhas como referência, pois queria poses muito específicas. As posições dos rostos são bem peculiares, cada figura olha para uma direção e com uma intenção diferentes. Aproveitei, também, para testar alguns pincéis para cabelo confesso que não curti muito) e também me arriscar em outras texturas, como a da lua cheia, por exemplo.



Também aproveitei para brincar mais com a paleta de cores, optando pelo tom verde no cabelo, em contraste com o vinho do fundo. Eu sinto que estou transitando entre um estilo próprio de pintura e outro totalmente genérico e plastificado; em alguns momentos consigo transportar um pouco do meu traço no lápis para a tela, em outros ainda me sinto muito perdida. Mas esse é o movimento do estudo, e a busca eterna pelo equilíbrio entre percepção e técnica (spoiler: nunca alcançamos hehehe).


Para o próximo mês, estou planejando um calendário do advento bastante diferente: não terá nada a ver com bruxaria, mas também não com o lado fofinho do Natal. Será um calendário de 9 ilustrações bastante sombrio e bizarro. Se o Papai Noel presenteia as crianças que se comportaram ao longo do ano, o que acontece com aquelas que não se comportam? Quem vem visitá-las? Esse será o tema explorado!

Leia mais →
Arte Digital Portfólio

DTIYS e fanarts

 


Trago aqui dois exemplos de estudos que estão me ajudando muito a melhorar cada dia mais no digital - embora eu ainda tenha muito chão pela frente. O primeiro deles é um draw this in your style (DTIYS). Esses desafios de desenhe no seu estilo são maravilhosos para treinar, principalmente paletas e testar novos pincéis. Escolhi o da Hai Anh, que achei super fofo, e também estou seguindo um perfil diretório de desafios (Draw this challenge). Também aproveitei para testar novos brushes e descobri que gosto mais dos que imitam giz e lápis, além dos sprays de preenchimento.



As fanarts também são ótimas para treinar, pois as pessoas ou personagens já possuem uma construção visual sólida, então podemos focar em desenvolver nosso estilo e aprimorar paleta de cores e domínio da ferramenta. Essa Britney Spears vestida no clipe de Toxic veio de um rascunho que fiz em 2020 e deixei de molho, dia desses acabei o fotografando e comecei a trabalhar em cima dele. Aproveitei para aprimorar a organização das camadas e detalhes finos, como brilhos, subtons e degradês sutis.


O importante, tanto no digital quanto no tradicional é sempre desenhar com constância, mantendo um ritmo de produção que te possibilite crescer, e não somente fazer coisas aleatórias para postar nas redes sociais. Aliás, o postar nas redes deve ser a última preocupação... sempre!

Leia mais →
Arte Digital Portfólio Projetos

Lidytober 2023: 15 dias de desenho

 


Depois de 4 anos, me senti à vontade para fazer novamente um desafio ao estilo Inktober. Da última vez, em 2019, fiz 31 desenhos num caderninho, de maneira bem simples, utilizando marcadores coloridos, separando as cores por semanas (veja aqui todos os trabalhos). Para este ano, segui minha tradição pessoal de não acompanhar nenhuma lista, e ir fazendo os desenhos de maneira quase intuitiva. Só que desta vez eu queria MUITO treinar digital. Desde agosto estou estudando quase diariamente, mas senti que se não me desafiasse a desenhar mais, com mais foco, jamais conseguiria chegar aos resultados pretendidos. Foi assim que dei o start para o Lidytober 2023.



Optei por fazer desenhos dia sim, dia não, totalizando 15 trabalhos. Achei melhor, pois me deu mais tempo caso perdesse algum dia (e perdi vários), podendo recuperar com calma. Mesmo assim, a grande maioria dos desenhos foi feita no mesmo dia que postei, o que me deu um orgulho imenso. Esses dois primeiros trabalhos ficaram bem ruinzinhos, confesso. Mas precisamos começar, não é mesmo?




Já a partir do terceiro, senti um estalo criativo, algo como: opa, é por esse caminho aqui que quero seguir. Um das minhas maiores dificuldades foi encontrar brushes dentro do app que correspondessem às minhas necessidades. Sei que o Photoshop e o Procreate possuem pacotes de brushes incríveis, mas o Infinite Painter não digo nem que é mais limitado, pois existe uma grande variedade, só acho um pouco desorganizado. Acabo utilizando mais os pincéis nativos, principalmente o Proko Pencil.







Outro estalo criativo foi o uso de texturas nativas do programa como plano de fundo. As texturas dão uma cara de papel para o desenho e ficam muito bonitas, adicionam vida e tridimensionalidade ao trabalho. Outra coisa que procurei trabalhar foi a questão da luminosidade e valores. Nessa figura azul, procurei explorar subtons dentro da cartela até chegar num degradê interessante.



Esse trabalho foi um Draw this in your style, da Tania Soler. Adorei fazer, pois é o primeiro DTIYS que faço no digital. Esse também foi o desenho mais curtido de todo o desafio.




Depois de adicionar texturas, comecei também a dar atenção aos detalhes finos, principalmente aos fios de cabelo. Para a vampira acima, dediquei bastante tempo à joalheria, adicionando detalhes, sombras e volumes ao colar e aos brincos.




Cada desenho carrega um elemento de horror, em alusão ao mês de outubro. Queria que pelo menos algum detalhe, por menor que fosse, remetesse ao Halloween, como é o caso do brinco com dentes de vampiro, ou a máscara branca de O Fantasma da Ópera. Este é meu trabalho favorito do desafio, fiquei orgulhosa do resultado obtido no sombreamento e volumes da máscara.



Fechando o desafio, uma Catrina. Depois de 31 dias, com o saldo de 15 trabalhos concluídos, é a primeira vez que termino um Inktober com vontade de seguir desenhando. Geralmente, acabo o desafio grata pela quantidade de desenhos que consegui fazer, mas exausta. Dessa vez não, eu queria continuar... mesmo estando afastada do desenho tradicional há dois meses, o trabalho digital me fez recuperar uma vontade criativa que eu havia estranhamente perdido lá pela metade do ano. Agora, mal vejo a hora de pegar meu tablet e desenhar por algumas horas.


Por que vale a pena fazer um desafio de desenho?

  • Constância: ter uma frequência programada de desenhos para fazer, seja de 15, 20 ou 30 trabalhos, possibilita um ritmo de produção que nos faz adquirir constância no ato de desenhar.
  • Prática: a prática pode até não levar à perfeição, mas ajuda muito no estudo e compreensão de uma ferramenta, seja ela digital ou tradicional. Quanto mais praticamos, melhor ficamos.
  • Sair (ou permanecer) na zona de conforto: um desafio pode te levar a explorar coisas novas, ou a intensificar a prática de coisas que já curtimos, mas que deixamos de lado no dia-a-dia.
  • Bom pontapé para novos projetos: quer começar um projeto e não sabe por onde? Um desafio de desenho pode dar aquele empurrão que faltava, nos auxiliando a definir uma temática, materiais e técnicas para utilizar.

Para novembro e dezembro, estou preparando algumas coisas para seguir nessa pegada de desafio. Me senti motivada a ter um foco e trabalhar nisso o mês todo.

Me contem qual foi o desenho favorito de vocês. Se quiserem acompanhar em tempo real, é só me seguir no Instagram. Para vídeos aleatórios de gatos e memes, estou também no TikTok.
Leia mais →
Arte Digital Portfólio

Banho-maria


Até agora, tenho feito desenhos com uma textura bastante chapada, com uma massa de cor sem nada além do degradé que alguns pincéis proporcionam, mas estou começando a me aventurar por outros pincéis com texturas de lápis, grafite, giz, carvão, spray de tinta... e o primeiro trabalho que curti bastante foi essa bruxinha, uma releitura (de outra releitura) desse trabalho aqui.


E dessa vez o que mais gostei foi esse efeito do fogo, que além de transmitir a sensação da chama, também ficou com essa textura de lápis, como se eu realmente tivesse pego um lápis aquarelável e esfumado uma cor à outra.



Mais alguns detalhes, no final me arrependi de não ter feito isso em todo o desenho, teria ficado muito mais rico.



E aqui um outro estudo, essa Gaia/Mandrágora que fiz anteriormente à bruxa, para explorar algumas texturas. 


Esse mês estou fazendo novamente o Lidytober, meu desafio de desenho no mês de outubro, com estudos digitais postados dia sim, dia não. Serão 16 trabalhos até o dia 31, acompanhem pelo meu Instagram.

Leia mais →
Arte Digital Portfólio

Redesenhando: do tradicional para o digital


Uma das coisas que tem me ajudado a estudar digital é refazer ilustras antigas que gosto muito, com um olhar de "o que eu melhoraria nessa peça?". Mas esse olhar não tem sido inquisidor, no sentido de que vejo vários erros, não: é no sentido de melhorar, qualificar um trabalho que considero bom, mas que passei algum tipo de perrengue fazendo, e que poderia se facilitado pela ferramenta.

E um dos estudos que mais gostei (na realidade AMEI) foi o redraw da ilustra que fiz no dia 14 (dia do meu aniversário) para o Inktober 2017. Esse Inktober tem um lugar especial no meu coração, pois foi um momento que me doei e aproveitei 100%. E é muito louco pensar que já se passaram 6 anos desse trabalho.


A ilustração original foi feita com tinta acrílica e marcadores Copic. Tudo me agrada nesse trabalho, mas o que eu sempre quis melhorar foi a simetria dos olhos. E com a ferramenta simetria do Infinite Painter, finalmente consegui resolver esse problema. Utilizei o conta-gotas para pegar o tom certinho das cores das unhas e boca, pois amo esse tom de Copic. Também fiz uma terminação para a mão retirei o 33 (minha idade na época, socorro). O resultado:



A diferença que mais notei é na expressão do olhar: se na original a Catrina parece surpresa e até mesmo inocente, na versão digital ela só está cansada mesmo hahahaha. Brincadeiras à parte, ainda gosto muito do olhar dessa figura.


Continuarei usando imagens antigas para estudar, seja aproveitando a pose, seja remodelando alguma coisa. Já começo a me sentir mais preparada para criar totalmente do zero, e espero que me  próximo grande projeto já seja todo no digital.

Leia mais →
Arte Digital Portfólio Processo criativo

Meus primeiros passos no digital


Eu sempre fui uma artista "da tradição", que teve uma experiência inicial muito focada nas belas artes, no desenho bastante figurativo e, é claro, feito com materiais também tradicionais (e analógicos): lápis, papel, esfuminho, tinta... mas desde que comecei a compartilhar e vender meu trabalho, sempre lancei mão de ferramentas digitais para complementar a qualidade da arte final que eu desejava apresentar, seja utilizando uma mesa de luz para transferência do desenho, seja aprimorando a imagem no Photoshop.


E uma das minhas maiores frustrações era não avançar no desenho digital. Tive uma mesa simples da Wacom, daquelas que precisa olhar para o monitor, e eu simplesmente não conseguia fazer isso, numa demonstração de total falta de coordenação motora. Também tive um aplicativo de celular, mas como a tela não é sensível à caneta, desenhar com o dedo também era horrível. E todo esse conjunto ia alimentando a minha frustração, e o sentimento de me sentir menos: menos capaz, menos artista, menos competitiva num mercado que é muito aberto ao digital.


Por muito tempo, essa vontade de aprender e essa frustração ficaram adormecidas, e a vida tomou outro curso. Só que, cada vez mais, eu vinha atrelando o ato de desenhar a um ritual: eu precisava criar o ambiente ideal para desenhar, contava os dias para os finais de semana ou feriados prolongados, tudo para estar mais próxima ao desenho e ao meu universo particular artístico. E sendo eu mesma contra essa construção do tempo ideal (o tempo é o real que temos), é claro que esse incômodo e descompasso só aumentavam dentro de mim e criavam mais ansiedade.



Nesse meio tempo, comecei a consumir alguns conteúdos sobre estudo e rotina, e vi resenhas muito positivas sobre o tablet Galaxy Tab S6 Lite, da Samsung. Pensei, primeiramente, que ele poderia ser uma ótima alternativa ao notebook, e também à quantidade de papel que consumo por ano no trabalho, tornando-se um item mais leve de levar na mochila e com muitas funcionalidades de estudo como, por exemplo, o leitor de .pdf, dentre outros. Eu estava com essa ideia fixa de comprar o tablet e utilizá-lo para me auxiliar na escola, mas tinha uma vozinha interna gritando "pesquisa sobre a possibilidade de usar esse tablet para desenho", e corri atrás disso. E a partir dessas pesquisas, um mundo inteiro de possibilidades se abriu, e bati o martelo: vou fazer esse investimento.



Assim, estou desde agosto fazendo experimentos quase que diários no digital. Estudos que começaram no mais completo despreparo, como a segunda imagem desse post, feita apenas 3 dia após a compra do aparelho, além de outros estudos (de bolinhas e tracejados ao tracing por cima de algumas imagens). O programa que escolhi para desenhar é o Infinite Painter, na versão paga. Ele é o mais parecido com o Procreate que temos para Android, mas não é uma cópia do app para IOS. Depois de assistir muitos tutoriais e patinar bastante no uso das ferramentas (pero sin perder la ternura), cheguei a resultados mais refinados, como a bruxinha acima, e a Iemanjá abaixo.


Acabei descobrindo um mundo totalmente diferente e cheio de possibilidades, facilitadores no meu processo criativo. Ao contrário das experiências anteriores, consigo me relacionar bem tanto com o tablet quanto com o app, e a quantidade de material disponível na web para consulta também é bastante satisfatória.



Ainda preciso caminhar muuuuito, aprender muitas coisas novas, a maioria do zero. Mas tem sido uma jornada gratificante, que tirou um peso das minhas costas, esse sentimento ruim que me puxava pra baixo de não só não saber digital, como de me sentir estagnada. Claro que não vou abandonar o tradicional, mas sei que, de agora em diante, também sou capaz de elevar meu trabalho a outros patamares. O céu é o limite! 

Leia mais →
Portfólio Processo criativo

Hi, Barbie!

 


Sem dar spoilers do filme da Barbie, fiz essa fanart para dizer o quanto amei a obra e o quanto ela falou ao meu coração. Esse ano tive duas experiências nostálgicas sensacionais no cinema: uma foi rever, depois de 25 anos, Titanic. E agora, Barbie vem para terminar (por enquanto) de abraçar a Lidiane criança e adolescente (e a adulta também). Os humanos só têm um final. Ideias vivem para sempre...




Acima, as fotos da Margot Robbie caracterizada, que usei como referência. Amei a roupa da cowgirl, foi o figurino que mais gostei de ver em tela. E, seguida, eu na caixa montada pelo cinema e o primeiro rascunho, logo no dia seguinte. Não fui de rosa pois estava um frio do cão e não tenho roupa de inverno nessa cor, mas se tivesse teria ido.



Fiz alguns ajustes antes do traço final, e colori toda a peça com lápis de cor, pois não existe material mais nostálgico e que remeta à infância. Os contornos com canetinhas reforçam a ludicidade (um adendo: ludicidade intencional, não aquela que muitos Kens atribuem ao trabalho de artistas mulheres só e unicamente por serem feitos por mulheres) que o filme passa. O resultado:



Materiais utilizados

  • Papel Canson Bristol;
  • Lápis de cor Tris Vibes;
  • Canetas marcadores sortidas.


As mães param no tempo para que as filhas olhem para trás e percebam o quanto evoluíram na vida.
Leia mais →
Aquarela Portfólio Processo criativo

Self Portrait (e uma reflexão sobre arte e IA)


A última vez que troquei meu avatar nas redes sociais foi em 2020, auge da pandemia, com o retrato que fiz para o projeto final do curso da Isadora Zeferino para a Domestika. Foi o autorretrato que mais gostei de fazer e que, desde então, permaneceu como foto de perfil em todos os lugares. 

Porém, desde o início do ano, sinto vontade de atualizá-lo, permanecendo na mesma linha, mesma paleta, só dando uma leve modificada na imagem, afinal, a gata aqui envelhece como todo mundo... e desde que me propus a isso, confesso que a tarefa se tornou um pouco ingrata, pois eu não conseguia ou chegar perto do resultado de três anos atrás, ou a figura simplesmente não ficava parecida comigo o suficiente para reconhecer que era meu avatar.

Então foram muitos estudos, muitas ideias e artes finais descartadas, muita tinta usada, até que consegui pegar algumas fotos de referência legais e transformar num rascunho que poderia ser, finalmente, a arte que eu queria.

Vale destacar que também foi um período de intensa insatisfação com meus resultados, muito por conta do excesso de imagens geradas por inteligência artificial e filtros que podem te transformar em absolutamente tudo: de Barbie a membro da casa Targaryen. Isso é muito frustrante, porque o trabalho criativo é solitário, requer muita pesquisa, muito estudo, muito descarte. E ter uma coleção de fotos ou ilustrações feitas em segundos por um app é algo que te faz questionar o por quê de seguir criando. Qual é o papel do artista, principalmente do artista que trabalha com técnicas tradicionais (como eu), numa sociedade que está caminhando para a massificação das imagens geradas por IA? O quanto eu e outros artistas se deixam influenciar por isso, ou estão questionando isso? Dos artistas que acompanho, o que percebo é uma discussão mais intensa na comunidade internacional e artistas daqui com grandes clientes no mercado internacional. Mas esse é um recorte de quem sigo e acompanho.

Percebam que aquela ideia inicial de trocar o avatar das redes se tornou um grande dilema existencial sobre o lugar da arte tradicional em meio à popularização da IA. E achei a oportunidade maravilhosa para sair um pouco da minha bolha escolar e voltar a divagar como fazia lá nos primórdios do blog, pois são essas questões que ventilam as nossas ideias e trazem desconfortos necessários.

Qual é o papel do artista, principalmente do artista que trabalha com técnicas tradicionais (como eu), numa sociedade que está caminhando para a massificação das imagens geradas por IA?


Acredito que esse debate abre muitas frentes: a primeira delas é questão da ética na autoria. A maioria dos aplicativos e sites que criam imagens através da IA utilizam a internet como banco de imagens para seus trabalhos. Isso quer dizer que muitos artistas estão tendo obras e estilos copiados sem autorização e sem ser pagos por isso. O caso do app Lensa já é bastante conhecido: algumas imagens produzidas por ele apareciam até mesmo com a assinatura dos artistas borrada. 


A segunda questão está relacionada ao uso dessas imagens para gerar poses, cenários, esquemas de cores, coisas que sites geradores de poses, por exemplo, já fazem. Mas aqui teríamos um maior domínio dos artistas sobre os comandos, gerando imagens realmente interessantes como ponto de partida para outros trabalhos. Esse é o viés que mais me agrada no uso da inteligência artificial, e que acredito ser um caminho muito interessante como ferramenta auxiliar.


A terceira questão tem a ver com o próprio processo criativo. IA cria? Ou a criação artística é algo inerentemente humano? Essa é uma discussão mais filosófica, que também acho extremamente válida. No seu livro Gesto Inacabado, Cecilia Almeida Salles fala que "muitos artistas descrevem a criação como um percurso do caos ao cosmos. Um acúmulo de ideias, planos e possibilidades que vão sendo selecionados e combinados. As combinações são, por sua vez, testadas e assim opções são feitas e um objeto com organização própria vai surgindo. O objeto artístico é construído deste anseio por uma forma de organização (grifo meu)". (p. 41) Sendo assim, o anseio criativo partiria de quem deu o comando para a imagem ser feita, assim como já acontece na fotografia, por exemplo, dentre outras formas de criação artística que utilizam tecnologias. Vale destacar aqui o caráter satírico de artistas como Cindy Sherman, por exemplo.


E uma quarta questão que também penso ser muito interessante, tem um cunho mais social: sabemos que quando alguma coisa massifica, a elite dominante sempre acaba rejeitando-a e criando novas formas de exclusividade. Aconteceu isso com a calça de shopping, que quando atingiu as massas passou a ser considerada cafona, e também com a democratização de acesso a celulares com uma boa câmera (imediatamente as celebridades começaram a postar fotos granuladas, com efeito "antigo", distorcidas, e até mesmo reviveram a câmera digital cybershot, para parecer cool). Se as imagens geradas por IA se democratizam, todos podem ter acesso a, por exemplo, um retrato com efeito aquarela, assim como o que eu mesma fiz, mas sem pagar para um artista fazê-lo, apenas baixando um app para isso (que vai coletar inúmeros dados...). Então a elite - e precisamos fazer aqui o recorte social de que arte, para a grande maioria da população, é um artigo de luxo - rejeitaria essas imagens e passaria a pagar pela exclusividade de uma obra feita à mão. Pode parecer vantajoso para os artistas, mas se nós nos dobramos ao que a elite quer e passamos a fazer somente arte para satisfazer o ego dessas pessoas, onde fica o papel crítico e político do nosso trabalho? Além disso, os nichos se estreitariam cada vez mais, e aqueles artistas com contatos no meio dominariam ainda mais os espaços, em detrimento de artistas periféricos e minorias.


Ainda acho que vamos presenciar muitos desdobramentos dessa discussão, trouxe aqui alguns pontos que são questionamentos meus, muito pessoais. Existem tantos outros que eu não conseguiria numerar, pois tudo ainda é muito incipiente, e é incrível acompanhar a escrita da história.




Vamos ver o resultado final desse retrato?



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches 300g;
  • Aquarelas Pestilento e White Nights;
  • Pincéis Keramik;
  • Marcadores Pentel.


Aqui uma foto minha com o retrato, orgulhosa do resultado:



E se você quiser um retrato feito pela inteligência dessa artista, é só entrar em contato para solicitar um orçamento. 💜

Leia mais →
Anterior Próximo
Assinar: Comentários (Atom)

Arquivo

  • dezembro 2025 (2)
  • novembro 2025 (1)
  • outubro 2025 (1)
  • setembro 2025 (1)
  • agosto 2025 (1)
  • julho 2025 (2)
  • junho 2025 (2)
  • maio 2025 (1)
  • abril 2025 (2)
  • março 2025 (2)
  • fevereiro 2025 (1)
  • janeiro 2025 (8)
  • dezembro 2024 (1)
  • novembro 2024 (2)
  • outubro 2024 (2)
  • setembro 2024 (1)
  • agosto 2024 (1)
  • julho 2024 (2)
  • junho 2024 (1)
  • maio 2024 (6)
  • abril 2024 (1)
  • março 2024 (1)
  • fevereiro 2024 (2)
  • janeiro 2024 (5)
  • dezembro 2023 (2)
  • novembro 2023 (3)
  • outubro 2023 (1)
  • setembro 2023 (2)
  • julho 2023 (4)
  • junho 2023 (3)
  • abril 2023 (2)
  • março 2023 (1)
  • fevereiro 2023 (1)
  • janeiro 2023 (4)
  • dezembro 2022 (1)
  • novembro 2022 (2)
  • outubro 2022 (1)
  • setembro 2022 (1)
  • agosto 2022 (1)
  • julho 2022 (2)
  • junho 2022 (1)
  • maio 2022 (1)
  • abril 2022 (3)
  • março 2022 (2)
  • fevereiro 2022 (2)
  • janeiro 2022 (3)
  • dezembro 2021 (2)
  • novembro 2021 (1)
  • outubro 2021 (2)
  • setembro 2021 (1)
  • agosto 2021 (3)
  • junho 2021 (4)
  • maio 2021 (1)
  • abril 2021 (1)
  • março 2021 (2)
  • fevereiro 2021 (1)
  • janeiro 2021 (6)
  • dezembro 2020 (2)
  • novembro 2020 (1)
  • outubro 2020 (3)
  • setembro 2020 (2)
  • agosto 2020 (2)
  • julho 2020 (2)
  • maio 2020 (5)
  • abril 2020 (3)
  • março 2020 (3)
  • fevereiro 2020 (2)
  • janeiro 2020 (3)
  • dezembro 2019 (3)
  • novembro 2019 (1)
  • outubro 2019 (6)
  • setembro 2019 (2)
  • agosto 2019 (2)
  • julho 2019 (2)
  • junho 2019 (3)
  • maio 2019 (3)
  • abril 2019 (1)
  • março 2019 (2)
  • fevereiro 2019 (3)
  • janeiro 2019 (4)
  • dezembro 2018 (2)
  • novembro 2018 (1)
  • outubro 2018 (4)
  • setembro 2018 (2)
  • agosto 2018 (2)
  • julho 2018 (4)
  • junho 2018 (5)
  • maio 2018 (4)
  • abril 2018 (3)
  • março 2018 (2)
  • fevereiro 2018 (3)
  • janeiro 2018 (5)
  • dezembro 2017 (3)
  • novembro 2017 (4)
  • outubro 2017 (4)
  • setembro 2017 (3)
  • agosto 2017 (4)
  • julho 2017 (5)
  • junho 2017 (2)
  • maio 2017 (8)
  • abril 2017 (4)
  • março 2017 (5)
  • fevereiro 2017 (4)
  • janeiro 2017 (6)
  • dezembro 2016 (4)
  • novembro 2016 (5)
  • outubro 2016 (5)
  • setembro 2016 (6)
  • agosto 2016 (5)
  • julho 2016 (8)
  • junho 2016 (5)
  • maio 2016 (8)
  • abril 2016 (8)
  • março 2016 (10)
  • fevereiro 2016 (6)
  • janeiro 2016 (8)
  • dezembro 2015 (10)
  • novembro 2015 (6)
  • outubro 2015 (12)
  • setembro 2015 (8)
  • agosto 2015 (31)
  • julho 2015 (5)
  • junho 2015 (8)
  • maio 2015 (5)
  • abril 2015 (7)
  • março 2015 (8)
  • fevereiro 2015 (5)
  • janeiro 2015 (6)
  • dezembro 2014 (9)
  • novembro 2014 (13)
  • outubro 2014 (12)
  • setembro 2014 (6)
  • agosto 2014 (7)
  • julho 2014 (6)
  • junho 2014 (2)
  • maio 2014 (2)
  • abril 2014 (4)
  • março 2014 (3)
  • fevereiro 2014 (6)
  • janeiro 2014 (5)
  • dezembro 2013 (6)
  • outubro 2013 (4)
  • setembro 2013 (3)
  • agosto 2013 (3)
  • julho 2013 (4)
  • junho 2013 (5)
  • maio 2013 (6)
  • abril 2013 (7)
  • março 2013 (9)
  • fevereiro 2013 (2)
  • janeiro 2013 (7)
  • dezembro 2012 (2)
  • novembro 2012 (2)
  • outubro 2012 (4)
  • setembro 2012 (2)
  • agosto 2012 (4)
  • maio 2012 (1)
  • abril 2012 (1)
  • fevereiro 2012 (1)
  • dezembro 2011 (1)
  • novembro 2011 (1)
  • outubro 2011 (2)
  • junho 2011 (1)
  • Termos de uso
© Lidiane Dutra • Theme by MG Studio