A Noite de Hekate
Mais uma representação de Hekate, dessa vez alusiva ao dia 16 de novembro, no qual temos a celebração moderna da Noite de Hekate. Essa semana ainda teremos, no dia 30 de novembro, a celebração de Hekate das Encruzilhadas, também moderna. Eu sigo o calendário Hekatino disponibilizado pela Márcia C. Silva para me guiar nas datas.
Para essa ilustração, usei algumas fotos minhas como referência, pois queria poses muito específicas. As posições dos rostos são bem peculiares, cada figura olha para uma direção e com uma intenção diferentes. Aproveitei, também, para testar alguns pincéis para cabelo confesso que não curti muito) e também me arriscar em outras texturas, como a da lua cheia, por exemplo.
Também aproveitei para brincar mais com a paleta de cores, optando pelo tom verde no cabelo, em contraste com o vinho do fundo. Eu sinto que estou transitando entre um estilo próprio de pintura e outro totalmente genérico e plastificado; em alguns momentos consigo transportar um pouco do meu traço no lápis para a tela, em outros ainda me sinto muito perdida. Mas esse é o movimento do estudo, e a busca eterna pelo equilíbrio entre percepção e técnica (spoiler: nunca alcançamos hehehe).
Para o próximo mês, estou planejando um calendário do advento bastante diferente: não terá nada a ver com bruxaria, mas também não com o lado fofinho do Natal. Será um calendário de 9 ilustrações bastante sombrio e bizarro. Se o Papai Noel presenteia as crianças que se comportaram ao longo do ano, o que acontece com aquelas que não se comportam? Quem vem visitá-las? Esse será o tema explorado!
DTIYS e fanarts
Trago aqui dois exemplos de estudos que estão me ajudando muito a melhorar cada dia mais no digital - embora eu ainda tenha muito chão pela frente. O primeiro deles é um draw this in your style (DTIYS). Esses desafios de desenhe no seu estilo são maravilhosos para treinar, principalmente paletas e testar novos pincéis. Escolhi o da Hai Anh, que achei super fofo, e também estou seguindo um perfil diretório de desafios (Draw this challenge). Também aproveitei para testar novos brushes e descobri que gosto mais dos que imitam giz e lápis, além dos sprays de preenchimento.
As fanarts também são ótimas para treinar, pois as pessoas ou personagens já possuem uma construção visual sólida, então podemos focar em desenvolver nosso estilo e aprimorar paleta de cores e domínio da ferramenta. Essa Britney Spears vestida no clipe de Toxic veio de um rascunho que fiz em 2020 e deixei de molho, dia desses acabei o fotografando e comecei a trabalhar em cima dele. Aproveitei para aprimorar a organização das camadas e detalhes finos, como brilhos, subtons e degradês sutis.
O importante, tanto no digital quanto no tradicional é sempre desenhar com constância, mantendo um ritmo de produção que te possibilite crescer, e não somente fazer coisas aleatórias para postar nas redes sociais. Aliás, o postar nas redes deve ser a última preocupação... sempre!
Lidytober 2023: 15 dias de desenho
Depois de 4 anos, me senti à vontade para fazer novamente um desafio ao estilo Inktober. Da última vez, em 2019, fiz 31 desenhos num caderninho, de maneira bem simples, utilizando marcadores coloridos, separando as cores por semanas (veja aqui todos os trabalhos). Para este ano, segui minha tradição pessoal de não acompanhar nenhuma lista, e ir fazendo os desenhos de maneira quase intuitiva. Só que desta vez eu queria MUITO treinar digital. Desde agosto estou estudando quase diariamente, mas senti que se não me desafiasse a desenhar mais, com mais foco, jamais conseguiria chegar aos resultados pretendidos. Foi assim que dei o start para o Lidytober 2023.
Optei por fazer desenhos dia sim, dia não, totalizando 15 trabalhos. Achei melhor, pois me deu mais tempo caso perdesse algum dia (e perdi vários), podendo recuperar com calma. Mesmo assim, a grande maioria dos desenhos foi feita no mesmo dia que postei, o que me deu um orgulho imenso. Esses dois primeiros trabalhos ficaram bem ruinzinhos, confesso. Mas precisamos começar, não é mesmo?
Já a partir do terceiro, senti um estalo criativo, algo como: opa, é por esse caminho aqui que quero seguir. Um das minhas maiores dificuldades foi encontrar brushes dentro do app que correspondessem às minhas necessidades. Sei que o Photoshop e o Procreate possuem pacotes de brushes incríveis, mas o Infinite Painter não digo nem que é mais limitado, pois existe uma grande variedade, só acho um pouco desorganizado. Acabo utilizando mais os pincéis nativos, principalmente o Proko Pencil.
Outro estalo criativo foi o uso de texturas nativas do programa como plano de fundo. As texturas dão uma cara de papel para o desenho e ficam muito bonitas, adicionam vida e tridimensionalidade ao trabalho. Outra coisa que procurei trabalhar foi a questão da luminosidade e valores. Nessa figura azul, procurei explorar subtons dentro da cartela até chegar num degradê interessante.
Esse trabalho foi um Draw this in your style, da Tania Soler. Adorei fazer, pois é o primeiro DTIYS que faço no digital. Esse também foi o desenho mais curtido de todo o desafio.
Depois de adicionar texturas, comecei também a dar atenção aos detalhes finos, principalmente aos fios de cabelo. Para a vampira acima, dediquei bastante tempo à joalheria, adicionando detalhes, sombras e volumes ao colar e aos brincos.
Cada desenho carrega um elemento de horror, em alusão ao mês de outubro. Queria que pelo menos algum detalhe, por menor que fosse, remetesse ao Halloween, como é o caso do brinco com dentes de vampiro, ou a máscara branca de O Fantasma da Ópera. Este é meu trabalho favorito do desafio, fiquei orgulhosa do resultado obtido no sombreamento e volumes da máscara.
Fechando o desafio, uma Catrina. Depois de 31 dias, com o saldo de 15 trabalhos concluídos, é a primeira vez que termino um Inktober com vontade de seguir desenhando. Geralmente, acabo o desafio grata pela quantidade de desenhos que consegui fazer, mas exausta. Dessa vez não, eu queria continuar... mesmo estando afastada do desenho tradicional há dois meses, o trabalho digital me fez recuperar uma vontade criativa que eu havia estranhamente perdido lá pela metade do ano. Agora, mal vejo a hora de pegar meu tablet e desenhar por algumas horas.
Por que vale a pena fazer um desafio de desenho?
- Constância: ter uma frequência programada de desenhos para fazer, seja de 15, 20 ou 30 trabalhos, possibilita um ritmo de produção que nos faz adquirir constância no ato de desenhar.
- Prática: a prática pode até não levar à perfeição, mas ajuda muito no estudo e compreensão de uma ferramenta, seja ela digital ou tradicional. Quanto mais praticamos, melhor ficamos.
- Sair (ou permanecer) na zona de conforto: um desafio pode te levar a explorar coisas novas, ou a intensificar a prática de coisas que já curtimos, mas que deixamos de lado no dia-a-dia.
- Bom pontapé para novos projetos: quer começar um projeto e não sabe por onde? Um desafio de desenho pode dar aquele empurrão que faltava, nos auxiliando a definir uma temática, materiais e técnicas para utilizar.
Banho-maria
E dessa vez o que mais gostei foi esse efeito do fogo, que além de transmitir a sensação da chama, também ficou com essa textura de lápis, como se eu realmente tivesse pego um lápis aquarelável e esfumado uma cor à outra.
Mais alguns detalhes, no final me arrependi de não ter feito isso em todo o desenho, teria ficado muito mais rico.
E aqui um outro estudo, essa Gaia/Mandrágora que fiz anteriormente à bruxa, para explorar algumas texturas.
Esse mês estou fazendo novamente o Lidytober, meu desafio de desenho no mês de outubro, com estudos digitais postados dia sim, dia não. Serão 16 trabalhos até o dia 31, acompanhem pelo meu Instagram.
Redesenhando: do tradicional para o digital
A ilustração original foi feita com tinta acrílica e marcadores Copic. Tudo me agrada nesse trabalho, mas o que eu sempre quis melhorar foi a simetria dos olhos. E com a ferramenta simetria do Infinite Painter, finalmente consegui resolver esse problema. Utilizei o conta-gotas para pegar o tom certinho das cores das unhas e boca, pois amo esse tom de Copic. Também fiz uma terminação para a mão retirei o 33 (minha idade na época, socorro). O resultado:
A diferença que mais notei é na expressão do olhar: se na original a Catrina parece surpresa e até mesmo inocente, na versão digital ela só está cansada mesmo hahahaha. Brincadeiras à parte, ainda gosto muito do olhar dessa figura.
Continuarei usando imagens antigas para estudar, seja aproveitando a pose, seja remodelando alguma coisa. Já começo a me sentir mais preparada para criar totalmente do zero, e espero que me próximo grande projeto já seja todo no digital.
Meus primeiros passos no digital
Eu sempre fui uma artista "da tradição", que teve uma experiência inicial muito focada nas belas artes, no desenho bastante figurativo e, é claro, feito com materiais também tradicionais (e analógicos): lápis, papel, esfuminho, tinta... mas desde que comecei a compartilhar e vender meu trabalho, sempre lancei mão de ferramentas digitais para complementar a qualidade da arte final que eu desejava apresentar, seja utilizando uma mesa de luz para transferência do desenho, seja aprimorando a imagem no Photoshop.
E uma das minhas maiores frustrações era não avançar no desenho digital. Tive uma mesa simples da Wacom, daquelas que precisa olhar para o monitor, e eu simplesmente não conseguia fazer isso, numa demonstração de total falta de coordenação motora. Também tive um aplicativo de celular, mas como a tela não é sensível à caneta, desenhar com o dedo também era horrível. E todo esse conjunto ia alimentando a minha frustração, e o sentimento de me sentir menos: menos capaz, menos artista, menos competitiva num mercado que é muito aberto ao digital.
Por muito tempo, essa vontade de aprender e essa frustração ficaram adormecidas, e a vida tomou outro curso. Só que, cada vez mais, eu vinha atrelando o ato de desenhar a um ritual: eu precisava criar o ambiente ideal para desenhar, contava os dias para os finais de semana ou feriados prolongados, tudo para estar mais próxima ao desenho e ao meu universo particular artístico. E sendo eu mesma contra essa construção do tempo ideal (o tempo é o real que temos), é claro que esse incômodo e descompasso só aumentavam dentro de mim e criavam mais ansiedade.
Nesse meio tempo, comecei a consumir alguns conteúdos sobre estudo e rotina, e vi resenhas muito positivas sobre o tablet Galaxy Tab S6 Lite, da Samsung. Pensei, primeiramente, que ele poderia ser uma ótima alternativa ao notebook, e também à quantidade de papel que consumo por ano no trabalho, tornando-se um item mais leve de levar na mochila e com muitas funcionalidades de estudo como, por exemplo, o leitor de .pdf, dentre outros. Eu estava com essa ideia fixa de comprar o tablet e utilizá-lo para me auxiliar na escola, mas tinha uma vozinha interna gritando "pesquisa sobre a possibilidade de usar esse tablet para desenho", e corri atrás disso. E a partir dessas pesquisas, um mundo inteiro de possibilidades se abriu, e bati o martelo: vou fazer esse investimento.
Assim, estou desde agosto fazendo experimentos quase que diários no digital. Estudos que começaram no mais completo despreparo, como a segunda imagem desse post, feita apenas 3 dia após a compra do aparelho, além de outros estudos (de bolinhas e tracejados ao tracing por cima de algumas imagens). O programa que escolhi para desenhar é o Infinite Painter, na versão paga. Ele é o mais parecido com o Procreate que temos para Android, mas não é uma cópia do app para IOS. Depois de assistir muitos tutoriais e patinar bastante no uso das ferramentas (pero sin perder la ternura), cheguei a resultados mais refinados, como a bruxinha acima, e a Iemanjá abaixo.
Acabei descobrindo um mundo totalmente diferente e cheio de possibilidades, facilitadores no meu processo criativo. Ao contrário das experiências anteriores, consigo me relacionar bem tanto com o tablet quanto com o app, e a quantidade de material disponível na web para consulta também é bastante satisfatória.
Ainda preciso caminhar muuuuito, aprender muitas coisas novas, a maioria do zero. Mas tem sido uma jornada gratificante, que tirou um peso das minhas costas, esse sentimento ruim que me puxava pra baixo de não só não saber digital, como de me sentir estagnada. Claro que não vou abandonar o tradicional, mas sei que, de agora em diante, também sou capaz de elevar meu trabalho a outros patamares. O céu é o limite!
Hi, Barbie!
Sem dar spoilers do filme da Barbie, fiz essa fanart para dizer o quanto amei a obra e o quanto ela falou ao meu coração. Esse ano tive duas experiências nostálgicas sensacionais no cinema: uma foi rever, depois de 25 anos, Titanic. E agora, Barbie vem para terminar (por enquanto) de abraçar a Lidiane criança e adolescente (e a adulta também). Os humanos só têm um final. Ideias vivem para sempre...
Acima, as fotos da Margot Robbie caracterizada, que usei como referência. Amei a roupa da cowgirl, foi o figurino que mais gostei de ver em tela. E, seguida, eu na caixa montada pelo cinema e o primeiro rascunho, logo no dia seguinte. Não fui de rosa pois estava um frio do cão e não tenho roupa de inverno nessa cor, mas se tivesse teria ido.
Fiz alguns ajustes antes do traço final, e colori toda a peça com lápis de cor, pois não existe material mais nostálgico e que remeta à infância. Os contornos com canetinhas reforçam a ludicidade (um adendo: ludicidade intencional, não aquela que muitos Kens atribuem ao trabalho de artistas mulheres só e unicamente por serem feitos por mulheres) que o filme passa. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol;
- Lápis de cor Tris Vibes;
- Canetas marcadores sortidas.
As mães param no tempo para que as filhas olhem para trás e percebam o quanto evoluíram na vida.
Self Portrait (e uma reflexão sobre arte e IA)
Qual é o papel do artista, principalmente do artista que trabalha com técnicas tradicionais (como eu), numa sociedade que está caminhando para a massificação das imagens geradas por IA?
Acredito que esse debate abre muitas frentes: a primeira delas é questão da ética na autoria. A maioria dos aplicativos e sites que criam imagens através da IA utilizam a internet como banco de imagens para seus trabalhos. Isso quer dizer que muitos artistas estão tendo obras e estilos copiados sem autorização e sem ser pagos por isso. O caso do app Lensa já é bastante conhecido: algumas imagens produzidas por ele apareciam até mesmo com a assinatura dos artistas borrada.
A segunda questão está relacionada ao uso dessas imagens para gerar poses, cenários, esquemas de cores, coisas que sites geradores de poses, por exemplo, já fazem. Mas aqui teríamos um maior domínio dos artistas sobre os comandos, gerando imagens realmente interessantes como ponto de partida para outros trabalhos. Esse é o viés que mais me agrada no uso da inteligência artificial, e que acredito ser um caminho muito interessante como ferramenta auxiliar.
A terceira questão tem a ver com o próprio processo criativo. IA cria? Ou a criação artística é algo inerentemente humano? Essa é uma discussão mais filosófica, que também acho extremamente válida. No seu livro Gesto Inacabado, Cecilia Almeida Salles fala que "muitos artistas descrevem a criação como um percurso do caos ao cosmos. Um acúmulo de ideias, planos e possibilidades que vão sendo selecionados e combinados. As combinações são, por sua vez, testadas e assim opções são feitas e um objeto com organização própria vai surgindo. O objeto artístico é construído deste anseio por uma forma de organização (grifo meu)". (p. 41) Sendo assim, o anseio criativo partiria de quem deu o comando para a imagem ser feita, assim como já acontece na fotografia, por exemplo, dentre outras formas de criação artística que utilizam tecnologias. Vale destacar aqui o caráter satírico de artistas como Cindy Sherman, por exemplo.
E uma quarta questão que também penso ser muito interessante, tem um cunho mais social: sabemos que quando alguma coisa massifica, a elite dominante sempre acaba rejeitando-a e criando novas formas de exclusividade. Aconteceu isso com a calça de shopping, que quando atingiu as massas passou a ser considerada cafona, e também com a democratização de acesso a celulares com uma boa câmera (imediatamente as celebridades começaram a postar fotos granuladas, com efeito "antigo", distorcidas, e até mesmo reviveram a câmera digital cybershot, para parecer cool). Se as imagens geradas por IA se democratizam, todos podem ter acesso a, por exemplo, um retrato com efeito aquarela, assim como o que eu mesma fiz, mas sem pagar para um artista fazê-lo, apenas baixando um app para isso (que vai coletar inúmeros dados...). Então a elite - e precisamos fazer aqui o recorte social de que arte, para a grande maioria da população, é um artigo de luxo - rejeitaria essas imagens e passaria a pagar pela exclusividade de uma obra feita à mão. Pode parecer vantajoso para os artistas, mas se nós nos dobramos ao que a elite quer e passamos a fazer somente arte para satisfazer o ego dessas pessoas, onde fica o papel crítico e político do nosso trabalho? Além disso, os nichos se estreitariam cada vez mais, e aqueles artistas com contatos no meio dominariam ainda mais os espaços, em detrimento de artistas periféricos e minorias.
Ainda acho que vamos presenciar muitos desdobramentos dessa discussão, trouxe aqui alguns pontos que são questionamentos meus, muito pessoais. Existem tantos outros que eu não conseguiria numerar, pois tudo ainda é muito incipiente, e é incrível acompanhar a escrita da história.
Vamos ver o resultado final desse retrato?
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches 300g;
- Aquarelas Pestilento e White Nights;
- Pincéis Keramik;
- Marcadores Pentel.
Aqui uma foto minha com o retrato, orgulhosa do resultado:
E se você quiser um retrato feito pela inteligência dessa artista, é só entrar em contato para solicitar um orçamento. 💜























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