Lidiane Dutra
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Projetos

Lançamento da Zine Marítimas IMPRESSA


No último dia 5 aconteceu o lançamento do Volume 11 da Zine Marítimas, com o tema De volta ao mar: guelras, membranas e outros mergulhos. O evento foi na Livraria Hippocampus, no Cassino (aguardem novidades), e contou com a presença de muitas autoras e também de um público acolhedor e que prestigia a Zine desde a sua criação, em 2021.


Esse volume é especial em todos os sentidos: é a primeira edição impressa em quatro anos, somente com autoras locais (assim como o primeiro), e financiado com recursos provenientes da Lei Paulo Gustavo, o que garantiu a distribuição gratuita para as autoras e também para as bibliotecas escolares da cidade.



Para o Volume 11, escolhi a ilustração Ceto, o monstro marinho, observa as suas filhas. Foi muito emocionante ver materializado no papel um projeto tão querido, que tomou uma proporção importante na cultura local, lançando autoras e artistas (muitas delas publicaram seus primeiros livros logo após participarem da Zine).



Abaixo, estou com a Ju Blasina, que juntamente com a Suellen Rubira e eu, idealizou a Zine em 2021, e que vem tocando esse projeto em muitas frentes, seja curadoria, diagramação, divulgação e busca por fomento.



E para quem quiser ler essa edição tão cheia de significados, é só clicar nesse link e fazer download do material gratuitamente. Sempre é importante lembrar que artistas locais precisam de apoio, então não deixe passar a oportunidade de seguir, compartilhar e prestigiar seus amigos e pessoas que você admira.


Aproveito, também, para divulgar minha newsletter quinzenal, Do meu ateliê, que também é um projeto que estou adorando fazer. E para quem sentiu falta do Lidytober esse ano, aguente mais um pouquinho, que já já trarei novidades.

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Portfólio Projetos

E-book PARA COLORIR

 


Está entre nós! Sempre me pedem páginas para colorir, e vi um aumento significativo na procura por posts antigos sobre o assunto. Esse aqui, de quase 10 anos atrás, teve vários acessos nas últimas semanas. Definitivamente, os livros para colorir voltaram para o jogo.



O mini e-book PARA COLORIR conta com 4 ilustrações mágicas em line art, para colorir com lápis de cor, aquarela, digitalmente, e como mais a sua imaginação desejar. Acompanha guia de cores para as ilustrações Actias Luna, Wild Spirit e Mulher-Árvore. Black Lady é uma fanart que fiz digitalmente e não conta com uma versão colorida.





O arquivo está em pdf, para ser impresso em papel de sua preferência (recomendo 180g ou conforme a impressora suportar. Para as fotos, utilizei a linha Nostalgie, da Hahnemuhle).


Investimento: R$ 20,00 via Pix. Quem quiser o seu, é só mandar um e-mail para lidiane@lidydutra.com ou me mandar mensagem no Instagram.

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Arte Digital Dicas

Testando pincéis

 


Recentemente comprei um pack de pincéis digitais com efeito de aquarela para Infinite Painter, o aplicativo de desenho que uso no meu Tab S6 Lite. Esse pack é vendido pelo ilustrador Adilson Farias, e as texturas são muito parecidas com as da aquarela tradicional. São 22 brushes com efeito de lápis, base, aguadas com bordas, transparências, detalhes, respingos de tinta e texturas; 5 ferramentas de borracha e 2 ferramentas de borrão, para criar acabamentos. Gostei muito do primeiro teste que fiz, e já penso em outras possibilidades (destaque para o lápis, que fica com efeito lindíssimo).



Os pincéis estão à venda pelo Gumroad, por US$ 18. O artista também disponibiliza o mesmo pack para Procreate e Photoshop e, apesar do dólar estar caro, vale o investimento, pois é algo que você vai aproveitar bastante, principalmente se deseja fazer esse tipo de ilustração digital, com um toque mais suave. Junto também vem algumas imagens de textura de papel para aquarela (grain fin, satin, torchon) para usar como background.

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Portfólio

Kleidouchos

 

Hekate Kleidouchos (ou Kleidoukhos) é a Portadora das Chaves. As chaves têm grande importância na bruxaria hekatina e na magia em geral, por serem objetos de proteção e símbolos de transição, de abertura (ou fechamento) de caminhos. O próximo 13 de agosto, considerado Dia de Hekate (uma data moderna) é dedicado também a este epíteto. Já falei mais sobre a data aqui.


Para essa ilustra, resolvi me usar como modelo (com a cozinha ao fundo), pois queria uma pose bastante específica. Vários artistas se usam como modelo para seus trabalhos, o importante aqui não é sair bonito, mas sim conseguir captar o movimento desejado. Também fiz o esboço no digital, para "limpar" ao máximo as linhas e ajustar todos os detalhes, imprimi e finalizei os ajustes na folha.

Complementando, escolhi trabalhar a figura como se fosse um vitral, com contornos pretos rígidos, porém delicados, utilizando cores que lembrassem o pôr-do-sol, esse momento liminal do dia, que encerra um ciclo para começar outro.

Materiais utilizados

  • Papel Concept da Hahnemühle;
  • Lápis Tris Vibes;
  • Marcadores Pentel.

via GIPHY

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Arte Digital Portfólio

Lenço Verde

 


Faz pouco mais de um ano que comecei a desenhar digitalmente, de forma autodidata, olhando tutoriais pela internet. Não acho que evoluí tanto quanto gostaria, me vejo hoje num platô de aprendizado que me incomoda um pouco, mas mesmo assim já é um percurso que me orgulha demais. Eu não sabia nada! Por isso, nunca pare de estudar. Fiz um speed painting desse desenho, que compartilhei nas redes:


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Uma publicação compartilhada por Lidiane Dutra ✨ (@lidydutra)

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Reflexões

Arte e IA, público e lifestyle


Desde o final de maio estou acompanhando alguns conteúdos gringos sobre as últimas atualizações na política de privacidade da Meta (que gerencia Facebook, Instagram e Whatsapp), mais precisamente as informações sobre o uso de conteúdos das plataformas para treinamento de IA generativa. Basicamente, a partir de 26 de junho, a Meta passará a usar as fotos, vídeos e textos dos usuários para treinar inteligência artificial. 

Isso impactou drasticamente em muitos artistas, que começaram a apagar fotos de seus feeds e se posicionarem contra essa política totalmente invasiva da Meta, e de tantas outras empresas. Muitos estão migrando massivamente para o app Cara, que ainda está em sua versão beta e travando muito (a promessa é de não tolerar conteúdos gerados por IA, mas teve gente que já deu uma espiada nos termos de uso deles e parece que esses conteúdos serão aceitos caso tenha uma legislação específica).

Já outros artistas começaram a fazer vídeos e tutoriais ensinando o tortuoso caminho até formulários da Meta que permitem que os usuários protejam seus conteúdos (em tese), limitando o acesso da empresa e coibindo o uso para treinamento de IA. Vi muitos conteúdos em inglês e, por conta disso, consegui eu mesma preencher, com resposta positiva para meu pedido de oposição ao uso do meu conteúdo. Nisso, várias pessoas começaram a me perguntar o caminho das pedras até o tal formulário, até que resolvi gravar o vídeo abaixo:


Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por Lidiane Dutra ✨ (@lidydutra)


Esse se tornou o vídeo mais assistido e compartilhado do meu perfil, uma movimentação nunca antes vista, pois várias pessoas não sabiam que o direito de se opor existia e que era possível preencher essa solicitação e receber uma resposta da Meta. A falta de conteúdos em português dentro do próprio Instagram talvez tenha sido uma barreira, pois não vejo os artistas brasileiros batendo tanto nessa tecla quanto o pessoal dos EUA e Europa. 

Também publiquei alguns stories relatando que desde o momento que preenchi o bendito formulário, comecei a perder seguidores, e se uma coisa tinha a ver com a outra, não era possível saber. O que posso afirmar é que há anos meu perfil no Instagram não cresce, e nos últimos tempos passei a compreender melhor o comportamento das pessoas lá, em relação ao que esperar de um artista que se divulga nas redes, e essa é a segunda parte desse post.


As pessoas não querem ver arte. Em sua grande maioria, elas não abrem o feed para acompanhar o processo criativo de um artista; para saber a diferença entre o azul cerúleo da Sennelier e o da Talens; para discutir a qualidade da cera dos lápis Polychromos; para entender o que é um papel acid-free ou para ver alguém com a roupa surrada refazendo um desenho pela milésima vez. Quem faz isso são outros artistas, na busca por compartilhar conhecimento. O público quer ver lifestyle. Ele quer um vídeo ou fotos legais, com a roupa da moda, num ateliê ou num lugar aesthetic. Ele quer dicas de decoração, de como tornar acessível aquela realidade tão bem editada para ele também. E nisso, a obra de arte se torna a moeda de troca do artista: tenha o meu trabalho e, com ele, você terá acesso a um status social que lhe permitirá ser tão aesthetic e descolado como eu.

E eu não estou criticando quem sacou essa dinâmica e aplica ao seu trabalho, sigo muitas pessoas que vendem essa narrativa e admiro quem a faz com autenticidade. Só que não é algo que todos vão ter condições ou vão se sujeitar a fazer. E nisso, o terreno das redes, que antes era um lugar mais horizontal para distribuir o conteúdo de quem não tinha tantos contatos ou tanto dinheiro para se promover, torna-se um ambiente hostil e impulsionado por algoritmos. E novamente quem tem tempo, dinheiro e conhecimento necessários para acessar essa engrenagem é quem vai se beneficiar. E isso vale para todos os momentos da nossa vida, aqui faço um recorte do que acontece entre artistas e plataformas de divulgação.

Quantas vezes as fotos do meu ateliê ou até mesmo as minhas selfies tiveram mais acesso do que meu próprio trabalho? E quantas vezes me culpei por não fazer um vídeo extremamente elaborado (mas que passasse uma vibe descompromissada, que é mais cool) apresentando o que faço como um grande projeto, mostrando como sou uma pessoa realizada por trabalhar em tantas frentes com o que amo? É uma conta muito abusiva e que não fecha, pois não é real para mim.

Qual a solução para todos esses problemas? Não sei. Vamos conseguir legalizar as questões referentes ao uso de IA e direitos autorais ou seremos engolidos pelas grandes corporações que só visam lucro? Também não sei. Tudo é muito nebuloso e às vezes é bom dar alguns passos para trás, a fim de ter mais clareza para o que se está observando. Minha dica é: siga tendo consciência do próprio trabalho, dos seus caminhos, de sua marca no mundo e da sua voz artística, a ponto de não se preocupar em buscar validação externa através de redes, embora elas sirvam não só para mostrar trabalhos ao mundo, mas também vendê-los. Não entre em narrativas impossíveis de sustentar, seguir as trends pode ser um caminho curto até os números, mas pode cobrar um alto preço pela sua autenticidade. 
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Processo criativo Técnica Mista

Carmilla


Recentemente li o clássico do horror Carmilla: a vampira de Karnstein, de Sheridan Le Fanu. A sensação foi a mesma de quando li Drácula, um texto que demora muito para ir até "os finalmentes" e, quando vai, acaba muito rápido. Mas ali está a base para o próprio Drácula e toda a sorte de vampiros que vieram posteriormente, com a sensualidade e o apetite por sangue já tão conhecidos pela cultura pop. A minha edição traz também O Vampiro, de John Polidori, tão xoxo quanto, ainda na minha modesta opinião.

A história é narrada por Laura, uma jovem que vive na Estíria, na companhia do pai e de duas amas. Numa noite cheia de eventos estranhos, Carmilla é deixada na porta da residência de Laura, aos cuidados daquela família. E é aí que coisas sinistras começam a acontecer, não sem antes um flashback de Laura pequenina, sendo atacada por uma criatura, ainda no berço.

Carmilla serviu muito mais como uma metáfora para mim, neste exato momento planetário, do que como um conto de terror. Ela é aquela presença constante, pegajosa, que faz você viver à mercê de seu humor e gostos, arrastando-o para o fundo do poço na menor das oportunidades. O vampirismo não precisa ser necessariamente um morto-vivo drenando o seu sangue, mas pode muito bem ser um colega de trabalho que não suporta seu sucesso, um familiar invejoso ou um amigo de Instagram que não curte o que você posta, não torce por você, mas está na primeira fila para ver o seu fracasso (a excelente série What We Do In The Shadows personifica o "vampiro energético" na figura hilária de Colin Robinson). 

Laura é uma moça que vive longe de tudo e todos, numa época em que nos bailes aristocráticos acontecia a vida social, e Carmilla, com seus belos e espessos cabelos, parece ser a única janela da jovem para o mundo exterior. Entre cartas, coincidências e mal-estar inexplicáveis, Carmilla (ironicamente escrito por um homem) é o retrato do quão cruel pode ser a vida de uma garota, esteja ela sujeita às convenções da sociedade, esteja ela perambulando pela noite em busca de uns pescoços para morder. De todo modo, elas devem ser punidas de maneira exemplar.
Hell is a teenage girl. - Jennifer's Body (2009)

Materiais utilizados

  • Papel Concept da Hahnemuhle;
  • Marcadores nanquim de todas as espessuras Sakura;
  • Marcadores Copic;
  • Algumas pitadas de lápis de cor e caneta com glitter.

Acho que aproveitei para produzir e publicar tudo o que pude durante o mês de maio, mas sabe-se lá quando vou voltar por aqui. De qualquer forma, foi um pagamento e tanto para a dívida de abandono que eu tenho eternamente com esse espaço.
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Arte Digital Portfólio

Mermay 2024: As Fórcidas

 


Para o Mermay desse ano, pensei em algo temático como o Calendário do Advento que fiz ano passado. Sereias podem ser um assunto bem batido, mas depois que li o maravilhoso livro A Deusa Tríplice: em busca do feminino arquetípico, do Adam Mclean, tive a ideia de representar as Fórcidas, que são grupos de deusas tríplices, nascidas das antigas divindades do mar, Fórcis e Ceto.


Além desses seres mitológicos, a inspiração também veio das cerâmicas gregas, mais precisamente dos vasos de figuras vermelhas sobre fundo preto. Acho bem difícil trabalhar com uma cartela tão reduzida assim, por isso acabei pegando algumas referências para me auxiliar, como esta:


Exekias Amphora, Achilles and Ajax Engaged in a Game. Fonte

Todas as ilustrações foram feitas digitalmente, utilizando o Infinite Painter. Ainda vou falar sobre como está sendo minha experiência no tablet (e confesso estar bastante enferrujada nessa empreitada).


Na semana 01 ilustrei as Górgonas, três irmãs que viviam na extremidade ocidental do mundo, na fronteira com o reino da Noite. Eram Medusa, Esteno e Euríale. Após ser punida por Atena, Medusa e as irmãs foram transformadas em monstros de pele escamosa, com cobras pelos cabelos e olhar petrificante.


Na semana 02 ilustrei as Greias, que são descritas algumas vezes como belos seres com corpo de cisne, em outras como “As três velhas”, com cabelo grisalho, um único olho e um único dente que compartilhavam entre si. Seus nomes eram Ênio, Penfredo e Dino.


Na semana 03 ilustrei as Harpias, palavra que significa “arrebatadora”. As harpias são seres com corpo de pássaro e cabeça de mulher. Estão relacionadas com o elemento ar e são a personificação dos ventos tempestuosos. As três harpias são Aelo, Celeno e Ocípete.



Por fim, na semana 04, cheguei nas Sereias, nomenclatura derivada de uma raiz grega que significa “prender ou vincular”. Seus nomes diferem, de acordo com a história de origem. Aqui adotei a versão italiana: Partênome, Leucósia e Lígia. As sereias são servas de Perséfone e levam as almas até o submundo, atraindo marinheiros para os rochedos com seu canto arrebatador.


Todas as definições e nomes foram retiradas do supracitado livro, e sei que existem outras fontes, com outros mitos de origem e outras interpretações. Estas foram as que adotei criativamente para a série de ilustrações. A partir de agora, pretendo me dedicar mais ao estudo da ferramenta digital, e não focar tanto em trabalhos acabados.

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