Lidiane Dutra
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Hegemonen


Hécate é uma deusa das coisas que outros temem, entendem mal ou, até mesmo, expulsam do mundo convencional. Ela nos oferece conforto na escuridão. Ela ilumina os espaços que precisamos curar. Ela também pode nos mostra a profundidade de nossa maldade, destacando nossos próprios poderes para ferir ou destruir. Ela nos lembra dos espíritos que nos precederam, conectando-nos com as lições que eles nos deixaram. Ela nos faz recordar a magia que está em nosso sangue. E, assim como a lua ilumina as trevas, Hécate ilumina o que há em nós de poderoso e amoroso, indulgente e gracioso. Ao passarmos por essas nossas vidas, há momentos em que nossas próprias bênçãos, qualidades incríveis que poderiam abalar a terra e renová-la inteira, se perdem também em um período de escuridão. Elas se tornam nossos próprios fantasmas, assombrando-nos, e muitas vezes tememos e fugimos delas. Mas tudo isso é domínio de Hécate e, assim como os antigos gregos lhe pediam que liberasse os espíritos para auxiliá-los com seus próprios esforços mágicos, nós também podemos pedir-lhe que liberte os espíritos para nos ajudar. - Courtney Weber, p. 152.

Em 13 de agosto muitas pessoas ao redor do mundo celebram o Dia de Hekate, que é uma data moderna, sem ligação com o culto da antiguidade. Já falei dessa data anteriormente, neste post, e deixo aqui também o texto do Santuário de Hekate Hegemonen com algumas explicações.


Fiz questão de colocar logo de início a música Stand by Him, por falar de bruxaria e citar um trecho do Malleus maleficarum (All witchcraft comes from carnal lust, which is in women insatiable/ toda bruxaria surge da luxúria carnal, que é, nas mulheres, insaciável). Hekate, enquanto rainha das bruxas, acolhe aquelas mulheres que, por suas convicções, práticas e modos de vida, são jogadas às margens da sociedade. Bruxa foi a palavra utilizada para designar a mulher em pecado, de acordo com a ótica da igreja católica, mas bruxa é a mulher que escolheu seu próprio caminho, diante da encruzilhada da vida.



Essa ilustração não nasce necessariamente como uma representação de Hekate. A figura e seu simbolismo foram se constituindo à medida que fui desenvolvendo tanto o desenho, quando o texto para esse post. Essa figura de olhos com duas íris intriga e inquieta. Por trás da aparente "normalidade", uma "anomalia" se apresenta. E não é assim quando resolvemos nos levantar quanto a uma opressão e usar nosso poder de decisão?


Escolhi o epíteto Hegemonen, que significa guia, para associar à essa figura. Hekate Hegemonen guia os nossos caminhos e Hekate, enquanto alma cósmica do universo, que tudo vê e tudo sente, está atenta aos nossos passos, observando com cuidado o caminho que tomamos, com olhos atentos e que se multiplicam.



Observar a si mesma, se compreender e entender seu lugar no mundo é algo que a bruxa faz constantemente em sua prática e em sua vida. Ter olhos para si, para o mundo que a cerca, para a multiplicidade de experiências que podemos viver, tendo Hekate como guia e conselheira nesse caminho.


Aproveito a oportunidade para registrar que, após 14 anos de um longo caminho de entendimento, redescoberta, perdão e olhos voltados para dentro de mim, estou retornando à universidade para fazer meu doutorado.



Materiais utilizados

  • Papel Concept Hahnemuhle 220g;
  • Lápis grafite 3B Toison D'Or Koh-I-Noor;
  • Esfuminho;
  • Caneta dourada Pentel.

Feliz 13 de agosto a todas as bruxas!
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Aquarela Featured Portfólio

O Jarro de Pandora


ele chamou essa mulher de Pandora porque todos os deuses que vivem no monte Olimpo lhe deram um dom, uma calamidade para os homens."

Essa ilustração surgiu após a leitura do maravilhoso O Jarro de Pandora: uma visão revolucionária e igualitária sobre a representação das mulheres na mitologia grega, da Natalie Haynes. Gostaria que ela tivesse ficado pronta a tempo da minha última exposição, mas tudo sempre ocorre no tempo que deve ocorrer.

Pandora é comumente descrita como a mulher que carrega uma caixa, na qual estão todos os males do mundo e, por descuido ou curiosidade ao abri-la, deixa-os escaparem, sobrando unicamente a esperança lá dentro. Esse mito sempre pareceu confuso para mim, pois eu não conseguia entender por que a esperança estaria dentro de uma caixa cheia de males...

Natalie Haynes vai a fundo no mito e traz alguns pontos que elucidam a história: Pandora foi criada pelos olimpianos em represália a Prometeu, que roubou o fogo dos deuses e os deu aos humanos. Ela é o kalon kakon, um belo mal, e é dada em presente a Epimeteu, irmão de Prometeu. Pandora carrega consigo um jarro (provavelmente um lebes nupcial) que, ao aberto, espalha as calamidades sobre os mortais.

A autora aponta também um provável erro de tradução: o termo elpis não significa exatamente esperança mas, talvez, expectativa. Já a representação da caixa no lugar do jarro aparece a partir do século XIX em fábulas e pinturas.


Munida de todas essas informações, comecei a pesquisar imagens de jarros antigos, vestimentas e detalhes de frisos gregos. Eu queria que Pandora fosse ela própria o jarro, o receptáculo de seus próprios quereres - e não dos males que afligem os "pobres homens". Por isso, os frisos se converteram em tatuagens. A roupa da cor do açafrão evoca às vestimentas gregas, mas não é fiel à elas.

O jarro não é no formato do lebes nupcial, mas sim algo que passa certa dificuldade em segurar e manejar, que precisa de um esforço para ser carregado. Mesmo assim, a expressão de Pandora é serena: ela olha para além da tela e coloca sua mão delicadamente dentro do jarro, quase como uma ameaça velada: se eu colocar minha mão aqui, você está ferrado! Pois aqui dentro está a minha essência...


Utilizei meus métodos de desenho e pintura, e foi muito difícil fazer com que tudo convesasse e convergisse para o que eu queria desde o começo. Foi também um processo arrastado, tive que lidar com muitas coisas acontecendo em paralelo, mas Pandora me convidava para abrir o jarro e assim concluí a ilustração.


Materiais utilizados

  • Papel Arches grana fina 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis para aquarela sortidos;
  • Lápis de cor Pentel;
  • Marcadores Pentel para os detalhes.


O resultado final:


Livros com releituras de mitos gregos que estão na minha lista

  • Galateia, Madeline Miller; (lido 5★)
  • Circe, Madeline Miller; (lido 5★)
  • A Canção de Aquiles, Madeline Miller; (lido 5★)
  • O Jarro de Pandora, Natalie Haynes; (lido 5★)
  • Ariadne, Jennifer Saint; (LENDO)
  • Clitemnestra, Constanza Casati;
  • O Olhar Petrificante, Natalie Haynes;
  • Mil Navios para Tróia, Natalie Haynes;
  • Os Filhos de Jocasta, Natalie Haynes;
  • Medeia, Rosie Hewlett.
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Arte Digital Featured Portfólio

Patrimônio Papareia


Assim como as Mulheres Rio-grandinas Notáveis, esse foi mais um trabalho que fiz dentro das atividades para a Secretaria de Município da Educação, onde estou atuando no momento. A ideia era criar uma capa para os cadernos disponibilizados dentro do kit escolar, e após um grande brainstorming (com auxílio do Felipe e da Karine), a ilustração Patrimônio Papareia tomou forma.

Ela segue o padrão das Mulheres Notáveis, reproduzindo o estilo de um azulejo português. A ilustração é composta por vários elementos do patrimônio material, imaterial e natural da cidade. O objetivo era produzir uma capa que fosse artística e que também trouxesse o sentimento de pertencimento aos estudantes, reconhecendo lugares, pessoas e situações de seu contidiano. 

Muitas pessoas relataram se reconhecer, reconhecer um parente ou amigo, ou recordar lugares da infância ao ver essa ilustração. E isso me deixou muito feliz e com a sensação de dever cumprido, por proporcionar algo que realmente tocou o coração de quem recebeu.

Aqui tem um documento, também disponibilizado para as escolas da rede, contando cada detalhe da ilustração, o que auxilia os professores a desenvolverem uma proposta pedagógica a partir da capa dos cadernos. 


E aqui a minha mãozinha congelada pelo frio de 2° do mês de junho, fotografada pela Lisi, segurando o caderno em frente ao prédio da SMEd, o Sobrado dos Azulejos, que tanto tem nos inspirado desde o início do ano letivo. 
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Projetos

Estelar, minha exposição na EBAHL


“Aprenda com tudo, veja tudo e, acima de tudo, sinta tudo. Encontre olhos no seu interior, olhe para a porta do desconhecido.” - Pamela Colman Smith


É com imensa alegria que divulgo minha próxima exposição: Estelar. Será a primeira vez que exponho na Galeria Breche da Escola de Belas Artes Heitor de Lemos.  Eu não tive a oportunidade de estudar na EBAHL, apesar de querer muito. Então, depois de tantos anos, receber esse convite teve um significado muito especial.


Além da exposição de 21 trabalhos, reunidos ao longo da última década, haverá uma apresentação de teatro inspirada nas obras, no dia da abertura.


Estelar é um adjetivo relativo a ou próprio de estrelas. Com esse conceito em mente, Lidiane Dutra explora o universo particular que temos dentro de cada um de nós, e que se manifesta de diferentes formas: seja uma galáxia explodindo em cores e sensações; uma figura selvagem e livre; um ser demoníaco e incompreendido ou uma figura divina, celestial e radiante.


As ilustrações presentes nesse recorte temporal de dez anos compreendem as técnicas do grafite, do lápis de cor e da aquarela, retratando figuras femininas em diferentes corpos e expressões. Cada obra estará acompanhada por um QR Code, que direciona para um texto contendo o conceito da obra e fotos do processo criativo, num movimento de registro do próprio trabalho, feito pela artista desde 2010. Ainda, as que estarão indicadas pelo (*) possuem reproduções para venda, em tamanhos A4, A5 ou A6.

Serviço

O QUE: Exposição Estelar, curadoria de Fabiana Stone.
ONDE: Galeria Breche, Escola de Belas Artes Heitor de Lemos (Rua Jockey Club, 195).
QUANDO: Abertura dia 26/06, às 18h30min. Visitação de 27/06 a 17/07, das 8h30min às 11h30min e das 13h30min às 19h30min.
ENTRADA GRATUITA

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Dicas Livros Reflexões

Minha opinião sobre os livros para colorir, 10 anos depois


Há dez anos atrás Jardim Secreto virava uma frebre mundial, com milhares de exemplares vendidos. Na época, diversas pessoas tomaram conta do YouTube e do Instagram, as principais redes sociais naquele momento, ensinando como colorir os livros para colorir, mostrando canetinhas diversas (as mais famosas eram as Copic e as Chameleon, que mudavam de cor conforme eram pressionadas) e ensinando as técnicas "corretas" para cobrir peles, paisagens, flores, dentre outros.


Os livros para colorir causaram um alvoroço e, depois de Jardim Secreto, a autora Johanna Basford lançou uma leva de outros títulos explorando mundos mágicos (exceto sobre Halloween pois, segundo ela, não se sentiria confortável em desenhar coisas assustadoras para compor um livro). Também vieram na esteira desse sucesso muitos títulos semelhantes, de mandalas a gatos psicodélicos, passando por obras de arte para colorir e oceanos cheios de tesouros.


Naquela época, fui indagada sobre o que eu achava desses livros, e a minha resposta foi: acho o máximo. Tomando como exemplo Jardim Secreto, era um livro com ilustrações extremamente elaboradas, e requeria da pessoa o desenvolvimento de um senso estético para preencher as composições. Fiz algumas páginas para colorir com ilustrações minhas e, recentemente, montei outro mini e-book com mais alguns trabalhos, e com a mesma proposta.

O que me chateava já lá atrás era a quantidade de gente que brotou do rejunte querendo ensinar técnicas para as pessoas, que só desejavam dar uma pausa e, talvez, recordar a infância, quando também coloriam livros da Barbie e de personagens de filmes e desenhos. Também começou um consumismo desenfreado por lápis e canetinhas profissionais, materiais caros e que servem a outras propostas. Tudo virou uma corrida para mostrar a quantidade de coisas que as pessoas compravam, e teve gente que se endividou em nome desse hobby.

Recentemente, percebi uma movimentação estranha nas estatísticas da postagem na qual dou a minha opinião, de maio de 2015. Em algumas semanas, ela foi simplesmente a postagem mais acessada do blog. Novamente o interesse sobre o assunto cresceu, levantado agora pelos Bobbie Goods. Para a minha surpresa, me deparei com alguns vídeos no TikTok que usavam meu texto como roteiro, me fazendo lembrar aquele gosto amargo do plágio que tanto vivenciei nos 15 anos desse espaço. 

Por isso, resolvi refrescar minha opinião sobre os livros de colorir para adultos. Continuo achando a proposta excelente, mas alguns pontos chamaram minha atenção nessa nova leva de livrinhos:

Infantilização das narrativas: se antes tínhamos ilustrações intrincadas e complexas composições, os livros de colorir atuais apresentam uma infantilização de suas narrativas, substituindo os mundos mágicos elaborados por ursinhos em atividades aconchegantes em suas casinhas. É como se tivéssemos realmente retornado aos livros para colorir da infância, só que dessa vez em folhas de 180g próprias para marcadores a base de álcool.

Não tenho nada contra pintar Bobbie Goods, até comprei um similar. Só achei peculiar essa simplicação dos livros, efeito talvez da massificação e da rapidez trazidas com o TikTok (sempre ele) e com algoritmos contruídos para dar uma experiência cada vez mais individualizada para o usuário, o colocando dentro de uma bolha. Acho curioso como a complexidade das mandalas foi substituída por cenários extremamente simplificados, compostos por céu, casa, chão, urso... É como se até mesmo aquilo que foi feito para um momento de pausa não devesse nos tomar muito tempo, sendo colorido com a maior rapidez possível, o que nos leva ao próximo tópico.

Performance para consumo rápido: se há 10 anos atrás os cenários já eram montados para a performance, agora isso escalonou. É preciso mostrar quantas páginas foram coloridas e como elas foram criativamente preenchidas com cores e texturas; é preciso catalogar as texturas encontradas; é preciso ensinar a sobrepor luz e sombra nas cenas; é preciso ter uma placa muito específica para colocar embaixo da folha, evitando que a tinta passe para o outro desenho; é preciso acelerar o vídeo 2x para mostrar como somos produtivos em nossos hobbies. Fora isso, as canetas do momento são as Touch ou as Ohuhu, que são importadas e caras, junto aos lápis de cor com todo tipo de efeito possível. Toda a performance do colorir é voltada para a rede social, para o desejo e para o consumo. Há quem vai colorir porque realmente quer, e há quem vai vender o desejo não só pelo livro, como pelo material, pela mesa, pelo quarto milimetricamente pensado para aparecer no vídeo, pela luminária, pelo telefone. É doentio e sintomático de uma sociedade em recessão econômica, na qual as narrativas estão cada vez mais conservadoras.  

Uso de IA para baratear custos e surfar no hype: se antes as editoras tinham que recorrer aos bancos de imagem para elaborar um livro para colorir às pressas, hoje é só dar um comando para a inteligência artificial gerar uma infinidade de ilustrações, que podem ser impressas e publicadas em questão de dias. São imagens que emulam os Bobbie Goods e também qualquer outra coisa que seja relevante o suficiente para alguém obter lucro com ela. Os direitos autorais não importam, o que importa é o dinheiro que se pode ganhar com isso. De editoras grandes a pequenos criadores que enxergam nesses livros gerados por IA uma oportunidade de renda, vamos engrossando o caldo das imagens massificadas e não fazendo os debates que precisamos sobre as implicações éticas, ambientais e estéticas dessas novas tecnologias.

Livros para colorir de artistas que recomendo


Mini e-book para colorir: ano passado lancei um mini e-book com poucas ilustrações, pois já lancei várias páginas para colorir ao longo do tempo e as disponibilizei gratuitamente. Esse e-book foi feito com a exposição Trívia em mente, para quem gosta de figuras femininas poderosas.



Wildflower Folk, da Christine Karron: descobri esse livro nas minhas andanças pela Amazon e achei uma pérola. Talvez eu nunca tenha coragem para colorir essas páginas, pois elas já são por si só uma obra de arte. A Christine está lançando outro livro de colorir, então vale a pena acompanhar o trabalho dela.

Wildlings, da Clarissa Paiva: a Clarissa é uma artista brasileira com um traço lindo e mágico, e o seu livro de colorir foi lançado em 2021. As ilustrações, assim como as da Christine Karron, são maravilhosas mesmo sem colorir, a vontade é de emoldurar todas.

31 bruxas para colorir, da Carol Rempto: esse é para quem curte personagens de terror fofos, com 31 desenhos de bruxas. Dá pra colorir um desenho por dia, numa espécie de desafio ao estilo Inktober.

Floriography Coloring Book, da Jessica Roux: para quem gosta do livro Floriografia, ele possui uma versão para colorir (ainda não traduzida). O diferencial desse livro é que na página ao lado está a ilustração completa com cores, que serve como uma espécie de guia.

Não são de colorir, mas inspiram a criar




Painting Calm, da Inga Buividavice: outro livro que achei na Amazon ao acaso, Painting Calm tem uma proposta slow, com aquarelas inspiradas nas cores e formas da natureza. É um livro com atividades tanto para principiantes quanto pessoas experientes em aquarela, feito para desestressar e ampliar o repertório imagético.



Watercolor with me in the forest, da Dana Fox: esse livro é todo feito em papel para aquarela com excelente gramatura, suportando muitas camadas de tinta e água. Traz ilustrações mágicas, inspiradas na natureza, e também o risco do desenho, para que a pessoa foque em aquarelar, de acordo com as guias apresentadas.

Uma coisa é certa: temos a necessidade de criar algo e, seja através de livros para colorir, para desestressar ou para aquarelar, o importante é que cada um procure aquilo que o faz feliz e bem, não só porque está na moda, dá status ou visualizações. Se o desejo é movido pelo consumismo ou pela ideia de "não ficar para trás" numa modinha, pense duas vezes antes de gastar dinheiro com livros, canetas e lápis.

*Os links para os livros das artistas mencionadas não são patrocinados.

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Featured Portfólio

MermAlien

 


O MerMay do ano passado foi tão traumático pelo atravessamento de uma enchente que esqueci do desafio esse ano. Não ia fazer um registro, mas acabei comprando um kit de canetas para pintar Bobbie Goods, que nada mais são do que Copics sem a ponta pincel, e que me motivaram a experimentar algo com essa temática de fundo do mar e seres com guelras.


Mas, no meio do caminho, as coisas foram dando errado. Eu não consegui alcançar o resultado que queria com a ponta chanfrada do marcador, e parti para a aquarela. Mas também não cheguei em algo satisfatório. Então fiz meu movimento natural para quando as coisas estão dando errado: voltei para os lápis. Dessa vez, os de cor. E foi o melhor que eu poderia ter feito por mim e por esse rascunho.




Se hoje me perguntarem qual a melhor marca de lápis de cores escolares, daqueles que podemos encontrar em qualquer prateleira, eu diria que são os da Tris, principalmente a linha Vibes. Eles entregam uma maciez e cores vibrantes que, na minha opinião, os da Faber-Castell deixaram de entregar já tem algum tempo. Além disso, a linha conta com estojos temáticos, então é possível comprar algo bastante personalizado como, por exemplo, os tons oceânicos. O resultado:



Materiais utilizados

  • Papel Concept Hahnemuhle 220g;
  • Lápis Staedtler Mars Lumograph 4B;
  • Lápis de cor Tris Vibes;
  • Marcadores metálicos Pentel.


Meio sereia, meio alienígena... MermAlien. Afinal, conhecemos menos de 10% dos nossos oceanos. Vai saber que tipo de ser se esconde nas profundezas (ainda mais com esse face card incrível)...
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Circe


Deixe-me dizer o que a magia não é: não é poder divino, que vem com um pensamento e um piscar de olhos. Deve ser feita e trabalhada, planejada e procurada, desenterrada, secada, fatiada e moída, cozinhada, encantada e cantada. Mesmo depois de tudo isso, pode falhar, ao contrário dos deuses." -  Circe, Madeline Miller.


Entrei na minha era helênica e comecei a ler releituras de mitologia grega. Comecei com Circe, passei por A Canção de Aquiles, ambos da Madeline Miller e ambos ótimos, e agora entrei no ciclo de livros da Natalie Haynes, começando por O Jarro de Pandora. E o maravilhoso em ler releituras de mitos são as possibilidades que se abrem diante de personagens que durante séculos receberam a alcunha de ajudante: Ariadne ajuda Perseu a matar o Minotauro; Medeia ajuda Jasão a roubar o Velocino; Circe ajuda Odisseu a passar pelas sereias. A certa altura me pergunto o que tanto esses heróis precisam de ajuda, que não conseguem cumprir suas missões divinas sozinhos.

E ler Circe foi um caminho delicioso, uma personagem que não é nem mocinha, nem vilã, apenas ela mesma, uma deusa demasiada humana. E é a caminhada de Circe que me fez querer registrar uma impressão própria da imagem que ficou gravada em mim após a leitura.

Retratar Circe é algo que vem sendo feito há muitos anos, sempre como uma bruxa má, feiticeira cercada por feras, transformando homens em porcos. Circe contaminando a água, oferecendo veneno, subjugando homens (esses coitados...). A minha Circe é muito minha: de olhos dourados e uma longa cabeleira negra caindo dos ombros. Filha de Hélio, bruxa de Eana e totalmente consciente de si.


Sempre que me sinto estagnada ou insatisfeita com os rumos da minha arte, retorno ao grafite, já faz parte da minha lore artística. Falando em lore, sinto que preciso explicar cada vez mais para as pessoas algo que parecia estar internalizado, que é por que desenho o que desenho. Talvez por estar conhecendo muitas pessoas novas, elas sentem muita dificuldade em compreender meu trabalho, então vou sistematizar, para um futuro, um texto sobre esse assunto. Mas sobre o grafite: é meu chão, não tem como negar.


Materiais utilizados

  • Papel Concept Hahnemuhle 220g;
  • Lápis grafite 2B Stabilo Othelo;
  • Esfuminho;
  • Caneta dourada Faber-Castell.
Ainda aprendendo a tratar a imagem no Photopea.


Livros com releituras de mitos gregos que estão na minha lista

  • Galateia, Madeline Miller; (lido 5★)
  • Circe, Madeline Miller; (lido 5★)
  • A Canção de Aquiles, Madeline Miller; (lido 5★)
  • Ariadne, Jennifer Saint;
  • Clitemnestra, Constanza Casati;
  • O Jarro de Pandora, Natalie Haynes; (lido 5★)
  • O Olhar Petrificante, Natalie Haynes;
  • Mil Navios para Tróia, Natalie Haynes;
  • Os Filhos de Jocasta, Natalie Haynes;
  • Medeia, Rosie Hewlett.

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Aquarela Featured Portfólio

Dama com um Gatinho


Esse projeto está guardado há muito tempo, muitos anos. Levei meses para terminar, parei na metade do caminho várias vezes, passei semanas sem nem tocar na prancheta e refiz várias partes que achava pouco acabadas ou com um acabamento insatisfatório. 


Lição: ninguém morreu no processo, não fui engolida por nenhum algoritmo de rede social, não recebi intimação extra-judicial solicitando que mostrasse o processo criativo e a arte final em tempo real. Isso serve para lembrar que a arte precisa ser sempre nossa, da nossa vontade em primeiro lugar, o resto é resto.



O processo é aquele documentado desde sempre, também.


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis Giotto;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.


Dama com um Gatinho é, ao mesmo tempo, uma releitura da Dama com um Arminho, de Leonardo da Vinci, e uma homenagem aos meus felinos. Dá pra ver uma foto de cada aqui no meu Instagram.


*


Desde o início do ano troquei o Photoshop pelo Gimp e pelo Photopea (ambos gratuitos), e a única coisa que não consegui fazer ainda é o photomerge para imagens maiores, que precisam ser digitalizadas em duas etapas. De resto, não sinto falta do programa da Adobe, cuja assinatura está cada vez mais cara. Quem tiver uma dica de como fazer esse processo de automatização num desses dois programas, aceito.

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