Lidiane Dutra
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Materiais Processo criativo

As postagens mais acessadas de 2015


2015 está terminando com um grande sentimento de gratidão dentro de mim. Embora tenha passado por períodos delicados, de questionamento do meu fazer criativo, vejo nesses momentos de balanço que há muito o que agradecer. 

Os posts mais acessados do ano mostram o quanto o conteúdo aqui do blog tem ajudado outras pessoas. E isso me deixa muito feliz, pois acredito que conhecimento deve ser sempre compartilhado entre todos, da melhor maneira possível. Procuro fazer os textos e imagens com carinho, e não apenas por fazer, pois sei que aí do outro lado existe alguém com as mesmas inquietações que eu.

De uma maneira geral, o público deste cantinho procurou por tutoriais, resenhas, dicas e informação sobre assuntos comentados na grande mídia, como os livros para colorir, por exemplo. A seguir, a lista das 10 postagens mais acessadas de 2015, para recordarmos o que foi discutido por aqui:

10º- Ateliê tour 2015: sou uma pessoa que curte saber como é o cantinho das minhas ilustradoras favoritas, por isso decidi compartilhar um pouco do meu próprio ateliê, algo que venho fazendo sistematicamente ao longo dos anos, mostrando a organização do ambiente e as coisas que me inspiram. De quebra, indiquei vários blogs que adoro acompanhar.

9º- Mesa de luz artesanal: o vídeo que fiz para reativar meu canal do YouTube entrou rapidamente na lista de posts mais acessados, por se tratar de um equipamento necessário para quem ilustra e facilmente customizável. Conto um pouco da minha experiência e onde podemos encontrar material para montar nossa própria mesa de luz, por um valor razoável.

8º- Perdendo o medo de fazer tudo errado: errar é humano, mas quando se trata de arte parece que é algo inconcebível. Pelo contrário: a maioria do nosso aprendizado vem através dos erros e, nesse texto, procurei motivar outras pessoas a se jogar sem medo em seu processo criativo.

7º- Maybe Tonight: uma das ilustrações que mais me emocionou em 2015 também tocou o público, e isso me deixa muito grata. Maybe Tonight nasceu do momento em que percebi que meu companheirinho Axl partiria, e demonstra que a arte feita com o coração consegue chegar até os demais sem esforço.

6º- Vamos falar sobre cópia: 2015 também foi o ano em que os artistas se revoltaram a respeito do plágio de seus trabalhos. Vários manifestos e desabafos com comparações feitas entre originais e cópias pipocaram no meu feed, o que me deixou entristecida por essa ainda ser uma realidade para o profissional criativo. Como acredito que meu trabalho também é educar, escrevi essa reflexão sobre cópia, imitação e como podemos tentar evitar que isso aconteça.


5º- Colab55: experiência de compra: reativei minha loja no Colab55 e, coincidentemente, esse post ficou entre os mais acessados. Vale a leitura das minhas impressões a respeito da qualidade dos produtos, ressalto que essas artes não estão mais disponíveis.

4º- 7 dicas sobre blogs para ilustradorxs que estão começando: esse post fez parte da blogagem coletiva do Rotaroots (1sdd) e procurei colocar nele minha experiência - que não é muita, mas ajuda - a respeito da criação de um blog voltado para a ilustração.

3º- Minha opinião sobre os livros de colorir para adultos: a grande "febre" do ano chamou a atenção de muita gente e resolvi analisar, de maneira despretensiosa, o impacto dos livros para colorir na formação de público consumidor de arte, e o quanto esse tipo de publicação ajudou quem tinha vários traumas com o desenho a superar as adversidades e criar de maneira livre.

2º- Como usar lápis pastel seco: um dos materiais mais gostosos de trabalhar ganhou resenha/tutorial logo no início do ano, e o segundo lugar na lista de mais acessados. Existe muita curiosidade a respeito do pastel seco, assim como o oleoso, pois as pessoas acreditam que é muito difícil usá-lo. Por isso foi tão gostoso ver a reação de quem comentou dizendo que achou fácil e bonito e que se arriscaria a tentar usar.

1º- Tutorial de como faço o efeito galáxia em aquarela: para se ter uma ideia do quanto essa postagem é especial, em menos de um ano ela teve a mesma quantidade de cliques que a postagem mais acessada do blog, até então, teve em dois anos. Muita gente quer saber como aquarelar uma galáxia, e existem vários tutoriais super bacanas pela internet. Minha ideia é transformar o post em vídeo, com algumas informações complementares a respeito de materiais que ajudam a deixar o efeito ainda mais bonito.

♥ ♥ ♥ ♥ ♥

O blog cresceu muito esse ano, praticamente duplicou o número de acessos mensais e chegou ao pico de 1000 acessos diários (!), principalmente após a exposição Mulheres. Não tenho como agradecer tanto carinho, amor e interesse a respeito do meu trabalho. 

Gostaria de dar um abraço virtual nas pessoas que comentam em praticamente todos os posts e sempre deixam uma opinião sincera, querida e respeitosa. É muito bom ter leitores assim por aqui. Espero que em 2016, ano em que o blog completará seis aninhos de vida, eu possa continuar produzindo conteúdos legais, além de muitas ilustrações!
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Dicas Livros

[Resenha] Grande Magia, Elizabeth Gilbert


A criatividade foi um dos temas que esteve em alta durante 2015. Cursos de empreendedorismo criativo, oficinas sobre processos de criação e muitas publicações a respeito, ajudaram a popularizar um tema antes restrito à arte e áreas afins. Eu, particularmente, não acredito que exista uma fórmula pronta a seguir para ser criativo. E também não acho que é necessário trabalhar num determinado nicho como, por exemplo, o design. Você pode usar a criatividade ao inovar na receita de bolo, ou ao fazer um projeto DIY para sua casa.

Dentre os livros lançados, um deles chamou minha atenção por ter sido recomendado por várias artistas que sigo. Geralmente não acompanho essas "ondas" (demorei muito para ler Roube como um artista, e confesso que não achei lá grandes coisas), mas era tanta gente legal falando bem, que resolvi arriscar: comecei a ler Grande magia: vida criativa sem medo, da Elizabeth Gilbert (autora de Comer, Rezar, Amar) sem muitas expectativas, mas fui surpreendida. 

Foi meu primeiro contato com a autora, e gostei muito da maneira simples e direta como ela aborda o assunto, sem ficar restrita ao meio artístico. Todos podem (e devem) ter uma existência criativa e se permitir pensar e agir de um modo diferente. Usando a própria experiência, Liz vai nos mostrando, no decorrer da leitura, que pessoas criativas não são iluminadas, geniais ou mártires. Elas apenas se permitiram ser assim.


Essa leitura veio num momento de grande questionamento do meu próprio trabalho. Foi um período no qual fechei lojas, parei de aceitar encomendas, desapareci das redes sociais e suspendi projetos e parcerias. Eu me perguntava diariamente se era capaz e se realmente queria seguir adiante. O por quê de algumas coisas funcionarem para os outros e não para mim. O que eu estava fazendo de errado. E a cada página lida, foi como se eu descortinasse o mundo novamente. A autora não passa a mão na cabeça do leitor em nenhum momento, e chega a ser cruel algumas vezes. Talvez esse seja o grande trunfo de Grande Magia: criativos precisam ler umas verdades para cair na real.

Muitos temas chamaram minha atenção, mas vou tentar resumir em alguns pontos-chave, para a resenha não ficar muito grande (mesmo porque o número de marcações no livro superou as expectativas, obrigada Post-Its!):

Não dependa do seu trabalho criativo para sobreviver: talvez essa tenha sido a coisa mais honesta que já li sobre viver "de arte". Ainda mais nos dias de hoje, onde muita gente propaga o discurso de largar tudo para fazer o que se ama. Liz diz exatamente o contrário: tenha um emprego que pague as suas contas, para ter tranquilidade e estabilidade para criar. Seja a escrita, o desenho ou a jardinagem, o trabalho criativo não pode arcar com as consequências de ser seu mantenedor, pelo menos no início. Ler isso foi como levar um tapa, pois já me amaldiçoei demais por não conseguir viver totalmente de ilustração. Me sentia roubando das minhas amigas que são 100% freelas, me sentia uma fraude. E isso leva a outro ponto debatido pela autora:


Pare de sofrer e de reclamar: como ser criativo se isso é encarado como um fardo ou um karma? Ainda temos aquela ideia romântica do artista sofredor, que coloca uma boa dose de dor misturada ao seu talento, como se fosse impossível criar dentro de uma atmosfera de felicidade. Pelo contrário: é preciso libertar a criatividade da ~sofrência~ e da ideia de que, ao terminar um trabalho, estamos entregando um filho ao mundo. Encarar uma obra como se fosse um bebê nos impede de receber críticas, de aceitar nãos, de fazer ajustes, cortes, ou até mesmo lidar com o fracasso.

Trabalhe duro: Em várias passagens, Liz conta como era ter dois empregos em bares e, ainda assim, arrumar tempo para escrever e encaminhar seus textos para várias revistas. Depois de muitas negativas, finalmente teve um conto publicado e pode contratar uma agente literária. Mas isso levou anos, não aconteceu da noite para o dia, e sequer fez a autora relaxar. Procrastinar e reclamar que nada acontece vai levar a... nada, mesmo.

Sobre críticas e recepção do público a uma obra, a autora ressalta que não temos controle sobre a opinião alheia e, sinceramente, isso não deve nos incomodar. Nossa parte foi feita, cada um vai receber a mensagem da maneira que quiser e estiver disposta. Em tempos de internet e de opiniões extremistas, ter essa visão sobre o próprio trabalho deve ser libertador. Ainda não cheguei lá, confesso. Me preocupo com a mensagem que estou passando e me esforço para ser compreendida. Porém, já fiz questão de gravar no meu mural a seguinte passagem: 

"Deixe que as pessoas tenham suas opiniões. Mais do que isso, deixe que as pessoas sejam apaixonadas por suas opiniões, assim como eu e você somos apaixonados pelas nossas. Mas nunca se iluda a ponto de acreditar que precisa de bênção (ou mesmo da compreensão) de alguém para fazer o próprio trabalho criativo. E lembre-se sempre de que os julgamentos que as pessoas fazem de você não são da sua conta."


O vídeo acima é uma palestra que a Liz Gilbert fez no TED e que serve como ótimo complemento para o livro. Além de falar sobre como a criatividade muitas vezes é encarada como um fardo pelos artistas, ela defende a ideia de que, ao invés de ser um gênio, que cada pessoa tenha um gênio. Assista para entender, é excelente!

Espero ter contribuído com mais uma leitura que adorei fazer. Lembrando que títulos como este são destinado ao público leigo, para que várias pessoas tenham acesso a ideias antes restritas a pequenos grupos. Não se compara a, por exemplo, Criatividade e Processos de Criação, da Fayga Ostrower, mas esse nem é o objetivo. O importante é tomar gosto pelo assunto e, aos poucos, aprofundar os estudos. Posso fazer uma resenha deste e de outros livros mais acadêmicos que tenho no meu acervo, se for de interesse geral da nação. ;)
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Dicas

Links bacanas #5 + novidade


A edição de dezembro dos links bacanas está especial, com indicações de cursos online (gratuitos e pagos), para você fazer no conforto da sua casa e se atualizar, entrar em rede com outros profissionais e continuar aprendendo, o que é fundamental. Além disso, tem meu novo studio no Colab55, com vários produtos legais (e o motivo de eu ter reaberto a loja):

- Oficina de ilustração Amanda Mol: a Amanda é uma das ilustradoras mais fofas da internet, com um trabalho super bonito e feminino. O objetivo da oficina não é ensinar técnicas de ilustração, mas proporcionar um momento de pausa e inspiração, mostrando que desenhar é fácil e para todos.
- Curso sobre a carreira de ilustrador: ministrado pela ilustradora Clau Souza, do Estúdio Borogodó, esse curso é essencial para quem está dando os primeiros passos na ilustração, bem como para quem já tem experiência e deseja se atualizar. Cheio de dicas e macetes sobre como montar portfólio, fazer orçamento, contrato, dentre outras coisas.
- Curso de História da Arte: videoaulas disponibilizadas gratuitamente pela UNESP, abordam desde a Arte Etrusca até o Renascimento. Ideal para quem quer ir além da técnica e se aprofundar na teoria e, principalmente, na arte produzida pela humanidade ao longo dos séculos.
- Fundamentos da pintura em aquarela: este curso é oferecido através da plataforma Eduk e ministrado pelo artista plástico Luis Castañón. Aborda os conceitos básicos da aquarela, com exercícios práticos e dicas, além de fornecer certificado ao final da atividade.
- Ilustração de moda: outro curso da Eduk, ministrado pela Luisa Simão. Para quem curte ilustração de moda e deseja aperfeiçoar o traço do seu croqui. Também oferece certificação ao final.


No último final de semana, resolvi reabrir meu studio no Colab55, atendendo a pedidos, principalmente de quem deseja presentear com arte neste Natal. Depois de muito pensar se valeria a pena ou não, decidi arriscar novamente. Eu havia fechado o studio anterior não por problemas com a plataforma em si, mas pela baixa procura. Uma pena, pois os produtos são ótimos.

Então, antes de me jogar, fiz uma pesquisa entre os produtos mais procurados e com melhor relação custo/benefício para mim e para os clientes. Fica a dica para quem gosta de presentes exclusivos, a loja aceita vários cartões de crédito, além de parcelar suas compras. Neste post falo da qualidade dos produtos.
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Dicas Materiais

Pantone divulga as cores oficiais de 2016

Fonte
A Pantone divulgou as cores oficiais para 2016 e sim, pela primeira vez, teremos duas cores para representar o próximo ano. Depois do sucesso da Marsala em 2015, a empresa apostou em dois tons pastéis: Rose Quartz (rosa) e Serenity (azul). A justificativa do Pantone Color Institute para essa escolha é muito legal, e tem a ver com diversidade e igualdade de gênero. Dá para ler mais sobre isso aqui.

Apesar da causa e das cores bonitas eu, particularmente, não fiquei impressionada. Esperava mais, de verdade. Achei a paleta um tanto quanto morna. Mas quem me acompanha sabe que a primeira reação que tenho é sempre meio blé.


Desenho rápido que fiz com marcadores Copic, encontrados no kit de seis tons pastéis da linha Ciao. Aproveitei para fazer um levantamento de quais cores aproximadas eu tinha em outros estojos, dos mais diferentes materiais, e encontrei bastante coisa, que mostrarei em outra oportunidade.

Uma artista que já usava e abusava de Rose Quartz e Serenity em suas obras, lá no começo do Século XX era Tarsila do Amaral. Impossível não lembrar de quadros como Manacá e Religião Brasileira:

Clique para ampliar. Fonte das obras de Tarsila: aqui
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Dicas

Minhas inspirações - dezembro


Este mês voltei ao Behance, por isso, resolvi trazer três artistas que conheci por lá e que são referências fantásticas. Começando pela Amanda Mocci (acima, o trabalho Luna), ilustradora canadense especialista em retratos realistas. É muito legal acompanhar seus vídeos de processo, dá pra conhecer um pouquinho dos materiais que ela usa (lápis Mars Lumograph entre os preferidos) e babar bastante.


A Cristina Alonso é uma ilustradora espanhola, com um trabalho bastante focado no mundo fashion. Até hoje não consegui superar esse retrato da Candice Swanepoel, e a perfeição das asas douradas. A Cristina tem, sem dúvidas, um dos portfólios que mais admiro e me inspira. Ela costuma trabalhar com materiais tradicionais e, em seguida, finalizar digitalmente. É um bom exemplo de "casamento feliz" entre as duas técnicas.


Já as ilustras da Gaby Zermeño são totalmente digitais. Essa artista mexicana costuma abusar dos contrastes de cores fortes, principalmente o rosa e laranja, como na imagem acima. Temas tradicionais mexicanos são recorrentes, com as catrinas do Dia dos Mortos. Ela também cria personagens inspirados no universo geek e da cultura popular.

Estamos quase no final de 2015 e ainda tem muita gente que gosta de polemizar entre desenho tradicional e digital mas, ó: tem espaço pra todo mundo! E cada artista é livre para escolher como deseja trabalhar. Acho que esse é um bom pensamento para começar o mês.
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