Lidiane Dutra
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Reflexões

Sobre frustração e se definir artista

 

Foto de Artiom Vallat na Unsplash


Esse texto ressoa alguns sentimentos que estão latentes desde 2022 e que eu já havia começado a escrever no início do ano passado, mas que não publiquei. Aproveitando que hoje é um dia portal e Deipnon, vou jogar essas reflexões para o universo, para que encontrem vez e voz em outros corações e mentes.

Geralmente as férias são o período que eu mais me dedico à arte, por motivos óbvios: não preciso planejar aulas e nem encontrar um espaço no meio da rotina de trabalho. Posso sentar com calma e passar a tarde toda me dedicando à aquarela, ao desenho, à criação. Costumo dizer que durante as férias eu deixo de ser professora, sequer faço menção ao trabalho docente, só retomo essa parte da minha vida quando preciso retornar à escola.

Só que esse ano resolvi fazer diferente. Estou de férias. E isso quer dizer que estou criando no meu tempo, lendo no meu tempo, fazendo vários nada, passeando no shopping, tirando o sono atrasado, vendo programas que não preciso usar muito meu cérebro. Enfim, estou descansando e organizando a minha cabeça e minha vida. 

Os últimos três anos foram muito complicados e me vi em alguns dilemas que achei que já haviam sido superados. 2022 foi um ano extremamente difícil em sala de aula. Depois de dois anos de ensino remoto, perdi a conta de quantas vezes fui testada por estudantes que não queriam estar ali, e deixavam isso bem claro. Minha aula passou a ser chata, eu virei uma carrasca, tudo porque eu queria… dar aula. Já em 2023 assumi mais uma coordenação e não tive turmas. Mas em compensação, tive que lidar com toda a carga mental que é planejar formações pedagógicas, cobrar planejamento, projetos, auxiliar no dia-a-dia e no burocrático de uma escola.

Me vi num lugar de insatisfação pessoal impensável a essa altura do campeonato: eu tinha emprego, casa, realização. Mas passei a me sentir frustrada demais: enquanto professora, por não conseguir dar aula do jeito que queria, enquanto coordenadora, por não avançar no trabalho pedagógico, e enquanto artista por não encontrar motivação para criar, não por causa de bloqueio criativo, mas porque fui engolida pela rotina e precisei deixar a arte de lado em muitos momentos.

Passei a ver amigos e outros artistas se realizando em suas carreiras, participando de feiras, pegando comissões, expondo, e me peguei estagnada na vida. A mesma sensação que me consumia lá atrás e eu via todos passando em concursos, com estabilidade, enquanto eu esperava a minha vez. E ela apareceu. Só que todo aquele planejamento que eu havia feito de passar num concurso, ter uma renda para me manter e poder escolher o que eu queria com minha arte deixou de fazer sentido, pois na minha cabeça eu não estava fazendo “nada”. A arte se transformou numa vírgula da minha vida, e a docência era toda a pedreira que dizem que é. Vi toda uma trajetória de mais de uma década passar batido diante dos meus olhos, me recolhi numa concha muito amarga, muito negativa. Eu não era mais artista, era só uma professora que desenhava nas horas vagas, e às vezes nem isso.

E foi daí que a insatisfação só aumentou, se transformou em tristeza e até mesmo em dor física. Eu dei errado, não consegui ser boa o suficiente pra me sustentar com arte, e nem estava sendo uma boa professora. Todo mundo se realizou, menos eu. Fracassei, enquanto todos pensavam que eu seria aquela que despontaria. Uma amiga me aconselhou a ser mais otimista, que as coisas boas vinham. Outra me disse que estava tentando passar em concurso para equilibrar arte e docência, assim como eu. Outra, queria abandonar a docência pra se dedicar à arte. Outra, ainda, ia abandonar a arte para se reposicionar no mercado.

Depois de várias crises e uma bateria de exames que constataram vários problemas hormonais, resolvi colocar a cabeça pra fora dessa água turva em que estava metida, e comecei um processo interno de me auto-analisar para perceber o que realmente me fazia artista e o que significava realização pessoal para mim. Após mais uma rodada de conversas com outras artistas (obrigada, Rami, por ter me lembrado de que nos piores momentos com meu pai no hospital, eu estava produzindo arte), comecei a ponderar muitas coisas.

A primeira delas é que bom ter um emprego estável. Um emprego com responsabilidade social, que me permite pagar as contas, sustentar a casa, comprar materiais e investir na minha arte, me proporcionando escolher em quais projetos desejo trabalhar, ou se desejo desenhar somente pra mim. Não é o emprego com a melhor remuneração do mundo, mas foi o que escolhi como profissão, e também quando decidi que era melhor assim, para justamente tirar das minhas costas essa necessidade de viver de freelancer e sem a menor estabilidade financeira, sem saber o dia de amanhã. E dificuldades todos os empregos têm. O pulo do gato é saber o que fazer com essas dificuldades. Se o desaforo de um estudante ou até mesmo de um colega vai me afetar ou, se como a adulta que sou, vou dar de ombros e seguir minha vida. Se vou dizer não quando algo ultrapassar o que está descrito na minha função, ou se vou aceitar ser explorada só para parecer legal. Se vou tentar colocar pitadas do que acredito no dia-a-dia, ou se vou me deixar levar pela situação de terra arrasada que outras pessoas tão frustradas quanto eu tentam colocar em cada momento.

A segunda delas é, afinal, de quem eu preciso de validação pra me considerar artista? Eu tenho um diploma em Artes Visuais, trabalho há mais de dez anos com isso, tenho obras em acervos, estou esperando por acaso alguém vir com uma vara de condão e me abençoar ou me nomear? Tudo que eu faço já não é suficiente? A validação precisa vir de dentro ou de fora? Eu que sou uma defensora do tempo real que temos, e não daquele tempo idealizado; eu que corri atrás de uma ferramenta digital para incluir arte na minha rotina, estava fazendo justamente uma das coisas que mais condeno, que é achar que preciso me sustentar totalmente de arte, trabalhar com arte 12 horas por dia, receber biscoito e aplausos de pessoas que eu acho desprezíveis, ou fazer parte de círculos de gente alienada da realidade.

E foi a partir desses movimentos de análise, de conversa e de tratamento mesmo, que percebi que as minhas definições de ser artista, de ser professora e de ter sucesso, estavam passando por ruídos externos e, principalmente, sendo filtradas pela ótica de frustrações que não eram minhas, mas que eu projetava em mim. Quantas vezes nós estamos relativamente de boas com nosso trabalho e somos atravessados por uma opinião não solicitada, que fica dias martelando na nossa cabeça? Ou nos sentimos orgulhosos de alguma conquista, mas outra pessoa conquistou mais ou menos e isso reverberou em nós de alguma forma e nos afetou?

É difícil não se deixar afetar por todo nosso contexto de vida, mas um dos meus principais mantras para 2024 é me submeter somente à minha verdade. E a minha definição de artista, dentro do que considero como verdadeiro, é ter esse privilégio de poder criar. O ato criativo passou por muitas redefinições ao longo dos últimos anos. Temos autores que defendem que todos podem criar, outros que questionam justamente essa necessidade. Hoje em dia, todos são criadores de conteúdo... Mas, para mim, a criação é um ato inerentemente humano, é o divino dentro de nós, e o que dá sentido à nossa existência. E se eu acreditar que é isso que me define, este é o caminho que devo seguir.

Se você é artista ou está passando por momentos de insatisfação na vida, sinta-se abraçado.

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Aquarela Portfólio Processo criativo Técnica Mista

You hold the key

 


You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be?
You're frozen
When your heart's not open

Eu comecei 2023 com a figura azul de Kali e sua fúria e, para 2024, resgatei um estudo antigo da minha pasta de projetos (ainda quero falar mais sobre essa pasta por aqui) para dar forma à uma figura híbrida, misto de várias referências, numa tentativa de juntar fragmentos e dar sentido a eles. A referência principal é a cantora Madonna no clipe da música Frozen, uma das que mais gosto dela. Peguei um frame do videoclipe e printei para poder desenhar.

E embora Madonna tenha sido a referência principal, essa ilustração também mescla um pouco o arcano regente do ano, A Justiça, e um pouco dois epítetos de Hekate: Kalliste (a justa) e Einalian (do mar). Esse mix de significados vêm num momento em que sempre desejo coisas boas para o meu trabalho artístico, e que eu possa vê-lo também como algo que me fortalece e que é bom e bonito. Depois de um ano inteiro jorrando fogo pelas ventas, tal qual Kali, quero paz e justiça. "Só".




Estou adorando todas as fotos da nova organização do ateliê, fico me perguntando por quê não virei a mesa para a janela antes, pois a sensação é muito gostosa na hora de criar. Embora eu tenha me programado para fazer todo o trabalho somente com aquarela, senti necessidade de usar também o lápis de cor, por isso, optei por técnica mista (uma camada de aquarela e o restante no lápis).


É uma figura que representa a concentração das energias que quero para esse ano: profundas, justas, corretas, pacificadoras, que atraiam o bom, a harmonia e o entendimento através do mergulho profundo em tudo o que já aconteceu, a fim de colher bons frutos ao longo do ano. Se do caos de Kali nasceu a compreensão das nossas sombras, que da sabedoria daquela que é Justa, possa emergir a maturidade para seguir adiante e escolher quais batalhas valem a pena nosso esforço. Que nada nos tire a paz de sermos nós mesmas. O resultado:


Os materiais utilizados foram os meus favoritos aqui deste post. A edição fiz no Photoshop.

Tem uma estrofe de Frozen que utilizei como título do post e que acho muito significativa: You hold the key (você tem a chave), como 2024 é ano de Bará, o senhor dos portões, chaves e caminhos (tal qual Hekate), não deixa de ser um lembrete de que tudo está na nossa mão, e o que é para ser nosso, será.


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Portfólio Processo criativo

Dicionário Mor n. 01

 



Depois de muitas ilustrações digitais, retornei ao meu amado lápis de cor para o último trabalho de 2023 e primeira postagem de 2024. Para este ano, quero utilizar minhas técnicas favoritas, que são o lápis de cor, a aquarela e agora também o digital, para expressar diferentes tempos e espaços da minha vida e arte. Quero tirar mais projetos guardados do papel, e seguir com meus estudos, dentro do possível que posso estabelecer na minha rotina docente.


No início do ano passado, fizemos uma faxina na escola, e um dos materiais que seriam descartados era um antigo dicionário, acredito que da década de 1970, daqueles volumes que também são ilustrados e com verbetes mais extensos do que um dicionário comum, desses pequenos que costumamos usar. Só que vi uma possibilidade de criação naquelas páginas e peguei algumas, inspirada por artistas que ilustram sobre livros antigos e partituras musicais. Demorou, mas consegui dar o pontapé inicial, e pretendo dar sequência até completar as páginas que peguei.





Para este trabalho, usei somente lápis de cor (Staedtler e Faber-Castell). Fiz a figura da moça segurando costelas-de-adão sobre a página com o verbete "selva". Quero tomar esse cuidado, de sempre ilustrar algo que está relacionado a algum verbete da página em questão.


Na foto acima, a nova visão da minha área de trabalho, aproveitei a limpeza de final de ano para virar completamente minha mesa de frente para a janela. Agora, posso olhar para o pôr do sol, sinto meus pensamentos voando para fora da casa e tomando forma em outros lugares.




Que 2024 seja cheio de bons momentos. Que eles sejam regra no dia-a-dia e não um pequeno respiro em meio à uma rotina que tratora os nossos sonhos. Que seja um ano de arte, dignidade e respeito ao sensível, ao que nos torna humanos. ✨
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Arte Digital Portfólio Projetos

Calendário do Advento: Krampus

 

Dia 01

A cada ano que passa, a tradição alemã do calendário do advento cresce mais em terras brasileiras. Basicamente, é um calendário para contagem regressiva até o Natal. Os mais tradicionais são 24 dias, e a cada dia é "revelado" um presente (pode ser uma mensagem, uma foto, um produto de beleza, um doce, etc.). Algumas pessoas fazem calendários de 12 dias, 10 dias... o que vale é esse fator surpresa de ir revelando algo até a noite de Natal.


Eu conheci essa tradição através dos calendários de beleza, que as blogueiras gringas gostam de mostrar. Ao longo do ano, fui acompanhando alguns vídeos sobre o assunto e, assim que acabei o Inktober, fiquei com vontade de fazer o meu próprio calendário do advento. Essa ideia surgiu pelo meu interesse em desenvolver um projeto de final de ano que gerasse engajamento nas redes sociais, através do compartilhamento diário de ilustrações, e também como uma forma de aprimorar minha técnica em desenho digital, criando uma rotina de trabalho que me permitiu explorar vários recursos do Infinite Painter, programa que estou usando para desenhar digitalmente. Estudar digital tem sido meu foco desde agosto, e após outubro senti que poderia melhorar ainda mais, para finalmente me sentir segura para abraçar trabalhos comissionados.


Sobre a escolha do tema, também foi algo que surgiu lá em outubro. No folclore de vários países, Krampus é um ser mitológico que acompanha São Nicolau durante as festividades de Yule/Natal. Ele pune as crianças que não se comportaram e as leva consigo em seu cesto. Como muitas outras figuras pagãs, Krampus tem sido revivido, ressignificado e abraçado por adeptos de religiões neo-pagãs, que celebram as datas que deram origem e/ou foram absorvidas às festividades cristãs. Abrindo este post, está a ilustração do 1° dia. Abaixo, seguem as ilustrações dos dias 2 a 9, na sequência:










Escolhi um calendário de nove dias pois era o que eu tinha condições de fazer, visto que era final de ano letivo e eu estava sobrecarregada de trabalho escolar. A princípio, eu começaria no dia 8/12 e postaria dia sim, dia não. Porém, achei melhor começar direto no dia 16/12, sem parar até a véspera de Natal. Foi uma pequena loucura, pois somente os três primeiros consegui fazer com, em média, dois dias de antecedência, os demais foram feitos e postados no mesmo dia.


Fiquei muito orgulhosa dos saltos que dei em relação ao desenho e ao domínio do programa. A luminosidade da primeira ilustra, o efeito da madeira na segunda, os contornos faciais a partir da terceira, o efeito de algodão na máscara de Mamãe Noel da quinta, a sétima, tão linda quanto demoníaca, os pelinhos do capuz da oitava e o cabelo etéreo da última foram conquistas não só no que diz respeito à descoberta de novos pincéis (até mesmo porque trabalho quase sempre com os mesmos), mas de uma segurança em ousar, em me permitir experimentar coisas novas, em ser confiante para explorar meu trabalho em outros níveis. Agora já sei que posso personalizar os pincéis que mais curto, e assim que montar minha paleta básica, vou compartilhar por aqui, assim como gosto de compartilhar meus materiais tradicionais favoritos. O layout final do meu calendário do advento ficou assim:




Referências trabalhadas

Busquei referências não só em imagens clássicas do Krampus, principalmente de cartões vintage, ou em cosplayers e artes específicas da figura. Claro que essas imagens me auxiliaram muito, principalmente na elaboração da paleta de cores, mas o que me motivou a trabalhar o tema foi a cultura pop, os tutoriais de maquiagem, os personagens como Ele, do desenho Meninas Super Poderosas, a moda e toda uma cultura a estética sombria que eu já vinha trazendo desde o Inktober, e que permeia demais meu trabalho.


Algumas pessoas me perguntam porque eu opto por esses temas "demoníacos" (tudo o que não entendemos ou não está em nosso sistema de crenças automaticamente vira demônio rsrsrsrs) ao invés de algo fofo, que vai deixar as pessoas felizes, e que as estimule a comprar meu trabalho, e a resposta pessoal que tenho elaborado para isso é que eu gosto de tudo que está à margem;  gosto de ir na contramão do que agrada, do que seria facilmente colocado na sala de estar ao lado do sofá e combinando com o tapete; gosto de estudar culturas diferentes; gosto de fazer com que o processo de encontro da minha espiritualidade faça parte da minha arte, mostrando que há beleza no caos, no que muitos consideram sujo, mórbido ou bestial. Há beleza em encarar nossos desafios - e nossos demônios - de frente; abraçá-los e entendê-los como parte de nós, e não varrê-los para debaixo do tapete.


GRUSS VOM KRAMPUS!

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Reflexões

Blogar é envelhecer?


Foto de Marissa Lewis na Unsplash


Esses dias vi o vídeo de uma psicóloga no TikTok, falando que as mulheres millennials na casa dos 35-40 anos estão desaparecendo das redes sociais. Elas já não postam mais selfies, ou suas comidas favoritas, os lugares que frequentam, sua rotina. Parece ser um impulso low profile, um cansaço das redes, mas um olhar mais atendo mostra outro dado: essas mulheres podem simplesmente não querer mostrar seu envelhecimento para a audiência. Para uma geração que cresceu acompanhando o surgimento de todas as redes sociais, admitir que está se tornando velha, principalmente em relação à gen z, é assustador. Então essas mulheres estão simplesmente sumindo, evitando que perguntas sobre a aparência ou "deslizes geracionais" (uso de gírias, gostos, moda...) sejam analisados pela opinião pública. 

Não existe nada de errado em postar uma selfie, um prato bonito ou um lugar legal, e se mulheres mais velhas ficam constrangidas em postar suas rotinas em suas próprias redes sociais, só reforça o fato de que a pressão estética e a mercantilização em cima dos corpos femininos está a todo vapor, disfarçada de autocuidado ou outro nome mais adequado ao mercado. Em contrapartida, as gerações mais novas também parecem estar abandonando determinadas redes sociais "formatadas" por algo mais livre e personalizável. E é aí que a roda do tempo gira novamente, com muitas adolescentes voltando para o Tumblr e para a estética dos blogs, espaços que você pode customizar, explorar a quantidade de imagens, textos e vídeos que convém e manter uma conversa mais intimista.

A realidade é que os blogs nunca acabaram. O fato de não serem usados mais como até um tempo atrás não quer dizer que o formato morreu ou se esgotou, apenas voltou a ser mais nichado, como no começo. Ainda acompanho muitos blogs, como o Momentum Saga, o Hello Lolla e o da Melina Souza. Aliás, ela postou um desabafo esses dias em seu blog, falando sobre como o ambiente das redes está cada vez mais hostil (e eu complemento falando que essa hostilidade não vem só das pessoas, mas de políticas e de algoritmos cada vez mais agressivos, que empurram todos para a vala comum dos criadores de conteúdo, sendo que muitas das pessoas só quer postar pra se sentir bem!).

Me pergunto se ainda blogar em 2023 é um sinal de envelhecimento, amadurecimento, nostalgia ou um grande e sonoro dane-se para tudo o que especialistas em marketing digital e tendências ditam, seguindo apenas o fluxo afetivo de estar num lugar fazendo algo que me deixa feliz, ou apenas em paz comigo mesma.

Não canso de dizer o quanto o blog é um espaço seguro (retomei a caixa de comentários após um tempo fechada), onde sistematizo o meu trabalho, meu processo criativo e posso compreender minha arte e minha profissão. Mesmo que eu não poste com frequência ou fale sobre todo o tipo de assunto como há 7 anos atrás, ainda é aqui que está minha essência: uma artista e professora que gosta de coisas místicas, como boa cria dos anos 80 e 90. 

Esperar que os blogs voltem a ter seu auge é um pouco demais, acredito que esse tipo de espaço ficará cada vez mais nichado, cada vez mais intimista e cada vez mais voltado à resistência para quem curte slow content e quer ir contra à agressividade que os algoritmos impõe à vida digital.

Blogs que leio e amo

  • Momentum Saga
  • Melina Souza
  • Mulher Vitrola
  • Hello Lolla
  • Valkirias
  • Delirium Nerd (colaborei lá por um tempo)
  • Aline Valek
  • Zine Marítimas
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Arte Digital Portfólio

A Noite de Hekate


Mais uma representação de Hekate, dessa vez alusiva ao dia 16 de novembro, no qual temos a celebração moderna da Noite de Hekate. Essa semana ainda teremos, no dia 30 de novembro, a celebração de Hekate das Encruzilhadas, também moderna. Eu sigo o calendário Hekatino disponibilizado pela Márcia C. Silva para me guiar nas datas. 


Para essa ilustração, usei algumas fotos minhas como referência, pois queria poses muito específicas. As posições dos rostos são bem peculiares, cada figura olha para uma direção e com uma intenção diferentes. Aproveitei, também, para testar alguns pincéis para cabelo confesso que não curti muito) e também me arriscar em outras texturas, como a da lua cheia, por exemplo.



Também aproveitei para brincar mais com a paleta de cores, optando pelo tom verde no cabelo, em contraste com o vinho do fundo. Eu sinto que estou transitando entre um estilo próprio de pintura e outro totalmente genérico e plastificado; em alguns momentos consigo transportar um pouco do meu traço no lápis para a tela, em outros ainda me sinto muito perdida. Mas esse é o movimento do estudo, e a busca eterna pelo equilíbrio entre percepção e técnica (spoiler: nunca alcançamos hehehe).


Para o próximo mês, estou planejando um calendário do advento bastante diferente: não terá nada a ver com bruxaria, mas também não com o lado fofinho do Natal. Será um calendário de 9 ilustrações bastante sombrio e bizarro. Se o Papai Noel presenteia as crianças que se comportaram ao longo do ano, o que acontece com aquelas que não se comportam? Quem vem visitá-las? Esse será o tema explorado!

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DTIYS e fanarts

 


Trago aqui dois exemplos de estudos que estão me ajudando muito a melhorar cada dia mais no digital - embora eu ainda tenha muito chão pela frente. O primeiro deles é um draw this in your style (DTIYS). Esses desafios de desenhe no seu estilo são maravilhosos para treinar, principalmente paletas e testar novos pincéis. Escolhi o da Hai Anh, que achei super fofo, e também estou seguindo um perfil diretório de desafios (Draw this challenge). Também aproveitei para testar novos brushes e descobri que gosto mais dos que imitam giz e lápis, além dos sprays de preenchimento.



As fanarts também são ótimas para treinar, pois as pessoas ou personagens já possuem uma construção visual sólida, então podemos focar em desenvolver nosso estilo e aprimorar paleta de cores e domínio da ferramenta. Essa Britney Spears vestida no clipe de Toxic veio de um rascunho que fiz em 2020 e deixei de molho, dia desses acabei o fotografando e comecei a trabalhar em cima dele. Aproveitei para aprimorar a organização das camadas e detalhes finos, como brilhos, subtons e degradês sutis.


O importante, tanto no digital quanto no tradicional é sempre desenhar com constância, mantendo um ritmo de produção que te possibilite crescer, e não somente fazer coisas aleatórias para postar nas redes sociais. Aliás, o postar nas redes deve ser a última preocupação... sempre!

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Lidytober 2023: 15 dias de desenho

 


Depois de 4 anos, me senti à vontade para fazer novamente um desafio ao estilo Inktober. Da última vez, em 2019, fiz 31 desenhos num caderninho, de maneira bem simples, utilizando marcadores coloridos, separando as cores por semanas (veja aqui todos os trabalhos). Para este ano, segui minha tradição pessoal de não acompanhar nenhuma lista, e ir fazendo os desenhos de maneira quase intuitiva. Só que desta vez eu queria MUITO treinar digital. Desde agosto estou estudando quase diariamente, mas senti que se não me desafiasse a desenhar mais, com mais foco, jamais conseguiria chegar aos resultados pretendidos. Foi assim que dei o start para o Lidytober 2023.



Optei por fazer desenhos dia sim, dia não, totalizando 15 trabalhos. Achei melhor, pois me deu mais tempo caso perdesse algum dia (e perdi vários), podendo recuperar com calma. Mesmo assim, a grande maioria dos desenhos foi feita no mesmo dia que postei, o que me deu um orgulho imenso. Esses dois primeiros trabalhos ficaram bem ruinzinhos, confesso. Mas precisamos começar, não é mesmo?




Já a partir do terceiro, senti um estalo criativo, algo como: opa, é por esse caminho aqui que quero seguir. Um das minhas maiores dificuldades foi encontrar brushes dentro do app que correspondessem às minhas necessidades. Sei que o Photoshop e o Procreate possuem pacotes de brushes incríveis, mas o Infinite Painter não digo nem que é mais limitado, pois existe uma grande variedade, só acho um pouco desorganizado. Acabo utilizando mais os pincéis nativos, principalmente o Proko Pencil.







Outro estalo criativo foi o uso de texturas nativas do programa como plano de fundo. As texturas dão uma cara de papel para o desenho e ficam muito bonitas, adicionam vida e tridimensionalidade ao trabalho. Outra coisa que procurei trabalhar foi a questão da luminosidade e valores. Nessa figura azul, procurei explorar subtons dentro da cartela até chegar num degradê interessante.



Esse trabalho foi um Draw this in your style, da Tania Soler. Adorei fazer, pois é o primeiro DTIYS que faço no digital. Esse também foi o desenho mais curtido de todo o desafio.




Depois de adicionar texturas, comecei também a dar atenção aos detalhes finos, principalmente aos fios de cabelo. Para a vampira acima, dediquei bastante tempo à joalheria, adicionando detalhes, sombras e volumes ao colar e aos brincos.




Cada desenho carrega um elemento de horror, em alusão ao mês de outubro. Queria que pelo menos algum detalhe, por menor que fosse, remetesse ao Halloween, como é o caso do brinco com dentes de vampiro, ou a máscara branca de O Fantasma da Ópera. Este é meu trabalho favorito do desafio, fiquei orgulhosa do resultado obtido no sombreamento e volumes da máscara.



Fechando o desafio, uma Catrina. Depois de 31 dias, com o saldo de 15 trabalhos concluídos, é a primeira vez que termino um Inktober com vontade de seguir desenhando. Geralmente, acabo o desafio grata pela quantidade de desenhos que consegui fazer, mas exausta. Dessa vez não, eu queria continuar... mesmo estando afastada do desenho tradicional há dois meses, o trabalho digital me fez recuperar uma vontade criativa que eu havia estranhamente perdido lá pela metade do ano. Agora, mal vejo a hora de pegar meu tablet e desenhar por algumas horas.


Por que vale a pena fazer um desafio de desenho?

  • Constância: ter uma frequência programada de desenhos para fazer, seja de 15, 20 ou 30 trabalhos, possibilita um ritmo de produção que nos faz adquirir constância no ato de desenhar.
  • Prática: a prática pode até não levar à perfeição, mas ajuda muito no estudo e compreensão de uma ferramenta, seja ela digital ou tradicional. Quanto mais praticamos, melhor ficamos.
  • Sair (ou permanecer) na zona de conforto: um desafio pode te levar a explorar coisas novas, ou a intensificar a prática de coisas que já curtimos, mas que deixamos de lado no dia-a-dia.
  • Bom pontapé para novos projetos: quer começar um projeto e não sabe por onde? Um desafio de desenho pode dar aquele empurrão que faltava, nos auxiliando a definir uma temática, materiais e técnicas para utilizar.

Para novembro e dezembro, estou preparando algumas coisas para seguir nessa pegada de desafio. Me senti motivada a ter um foco e trabalhar nisso o mês todo.

Me contem qual foi o desenho favorito de vocês. Se quiserem acompanhar em tempo real, é só me seguir no Instagram. Para vídeos aleatórios de gatos e memes, estou também no TikTok.
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