Citrus
Sigo estudando desenho digital no Infinite Painter, e dessa vez quis fazer algo que fugisse um pouco da minha paleta de cores habitual. Durante os últimos anos, eu ouvi muito que deveríamos ter uma paleta de cores reduzida. Que isso imprimia personalidade ao nosso trabalho e auxiliava os clientes a nos distinguir dos demais artistas.
Ao longo do tempo, criei basicamente duas paletas: uma para trabalhar figura humana e elementos da natureza, e outra para tudo que envolvia galáxias. Praticamente aboli todas as cores "limão", que considero muito fora da curva, e fui neutralizando minhas cores, evitando algo muito discrepante.
Porém, estou lendo o ótimo livro O ato criativo, do produtor musical Rick Rubin, e num dos capítulos ele foi certeiro: se você tem trabalhado sempre com a mesma paleta de cores, desconsidere-a ao começar um novo trabalho. Pois, ao longo do processo criativo, seguir sempre com o mesmo manual pode nos levar à insatisfação, e é da ordem natural do artista experimentar coisas novas.
Aquilo foi um estalo e tanto na minha mente, e me dei conta que estava com a ferramenta perfeita em mãos para fazer esses experimentos de maneira livre e descompromissada. Por isso, tentei explorar nuances nessa figura que geralmente evito: cores mais blocadas, reduzi o esfumado às áreas de destaque, e escolhi cores mais vívidas, como o laranja em contraste com o verde, e o pêssego (cor do ano da Pantone). Também limpei outros elementos que gosto de exagerar, como cabelos, cílios, detalhes mínimos. O resultado:
Finalizando, coloquei a figura dentro de uma forma abstrata, achei que ficou um bom elemento de design para se aplicar a posters, bolsas, etc.
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Sobre frustração e se definir artista
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| Foto de Artiom Vallat na Unsplash |
Esse texto ressoa alguns sentimentos que estão latentes desde 2022 e que eu já havia começado a escrever no início do ano passado, mas que não publiquei. Aproveitando que hoje é um dia portal e Deipnon, vou jogar essas reflexões para o universo, para que encontrem vez e voz em outros corações e mentes.
You hold the key
You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be?
You're frozen
When your heart's not open
Dicionário Mor n. 01
Depois de muitas ilustrações digitais, retornei ao meu amado lápis de cor para o último trabalho de 2023 e primeira postagem de 2024. Para este ano, quero utilizar minhas técnicas favoritas, que são o lápis de cor, a aquarela e agora também o digital, para expressar diferentes tempos e espaços da minha vida e arte. Quero tirar mais projetos guardados do papel, e seguir com meus estudos, dentro do possível que posso estabelecer na minha rotina docente.
No início do ano passado, fizemos uma faxina na escola, e um dos materiais que seriam descartados era um antigo dicionário, acredito que da década de 1970, daqueles volumes que também são ilustrados e com verbetes mais extensos do que um dicionário comum, desses pequenos que costumamos usar. Só que vi uma possibilidade de criação naquelas páginas e peguei algumas, inspirada por artistas que ilustram sobre livros antigos e partituras musicais. Demorou, mas consegui dar o pontapé inicial, e pretendo dar sequência até completar as páginas que peguei.
Para este trabalho, usei somente lápis de cor (Staedtler e Faber-Castell). Fiz a figura da moça segurando costelas-de-adão sobre a página com o verbete "selva". Quero tomar esse cuidado, de sempre ilustrar algo que está relacionado a algum verbete da página em questão.
Na foto acima, a nova visão da minha área de trabalho, aproveitei a limpeza de final de ano para virar completamente minha mesa de frente para a janela. Agora, posso olhar para o pôr do sol, sinto meus pensamentos voando para fora da casa e tomando forma em outros lugares.
Calendário do Advento: Krampus
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| Dia 01 |
A cada ano que passa, a tradição alemã do calendário do advento cresce mais em terras brasileiras. Basicamente, é um calendário para contagem regressiva até o Natal. Os mais tradicionais são 24 dias, e a cada dia é "revelado" um presente (pode ser uma mensagem, uma foto, um produto de beleza, um doce, etc.). Algumas pessoas fazem calendários de 12 dias, 10 dias... o que vale é esse fator surpresa de ir revelando algo até a noite de Natal.
Eu conheci essa tradição através dos calendários de beleza, que as blogueiras gringas gostam de mostrar. Ao longo do ano, fui acompanhando alguns vídeos sobre o assunto e, assim que acabei o Inktober, fiquei com vontade de fazer o meu próprio calendário do advento. Essa ideia surgiu pelo meu interesse em desenvolver um projeto de final de ano que gerasse engajamento nas redes sociais, através do compartilhamento diário de ilustrações, e também como uma forma de aprimorar minha técnica em desenho digital, criando uma rotina de trabalho que me permitiu explorar vários recursos do Infinite Painter, programa que estou usando para desenhar digitalmente. Estudar digital tem sido meu foco desde agosto, e após outubro senti que poderia melhorar ainda mais, para finalmente me sentir segura para abraçar trabalhos comissionados.
Escolhi um calendário de nove dias pois era o que eu tinha condições de fazer, visto que era final de ano letivo e eu estava sobrecarregada de trabalho escolar. A princípio, eu começaria no dia 8/12 e postaria dia sim, dia não. Porém, achei melhor começar direto no dia 16/12, sem parar até a véspera de Natal. Foi uma pequena loucura, pois somente os três primeiros consegui fazer com, em média, dois dias de antecedência, os demais foram feitos e postados no mesmo dia.
Fiquei muito orgulhosa dos saltos que dei em relação ao desenho e ao domínio do programa. A luminosidade da primeira ilustra, o efeito da madeira na segunda, os contornos faciais a partir da terceira, o efeito de algodão na máscara de Mamãe Noel da quinta, a sétima, tão linda quanto demoníaca, os pelinhos do capuz da oitava e o cabelo etéreo da última foram conquistas não só no que diz respeito à descoberta de novos pincéis (até mesmo porque trabalho quase sempre com os mesmos), mas de uma segurança em ousar, em me permitir experimentar coisas novas, em ser confiante para explorar meu trabalho em outros níveis. Agora já sei que posso personalizar os pincéis que mais curto, e assim que montar minha paleta básica, vou compartilhar por aqui, assim como gosto de compartilhar meus materiais tradicionais favoritos. O layout final do meu calendário do advento ficou assim:
Referências trabalhadas
Busquei referências não só em imagens clássicas do Krampus, principalmente de cartões vintage, ou em cosplayers e artes específicas da figura. Claro que essas imagens me auxiliaram muito, principalmente na elaboração da paleta de cores, mas o que me motivou a trabalhar o tema foi a cultura pop, os tutoriais de maquiagem, os personagens como Ele, do desenho Meninas Super Poderosas, a moda e toda uma cultura a estética sombria que eu já vinha trazendo desde o Inktober, e que permeia demais meu trabalho.
Algumas pessoas me perguntam porque eu opto por esses temas "demoníacos" (tudo o que não entendemos ou não está em nosso sistema de crenças automaticamente vira demônio rsrsrsrs) ao invés de algo fofo, que vai deixar as pessoas felizes, e que as estimule a comprar meu trabalho, e a resposta pessoal que tenho elaborado para isso é que eu gosto de tudo que está à margem; gosto de ir na contramão do que agrada, do que seria facilmente colocado na sala de estar ao lado do sofá e combinando com o tapete; gosto de estudar culturas diferentes; gosto de fazer com que o processo de encontro da minha espiritualidade faça parte da minha arte, mostrando que há beleza no caos, no que muitos consideram sujo, mórbido ou bestial. Há beleza em encarar nossos desafios - e nossos demônios - de frente; abraçá-los e entendê-los como parte de nós, e não varrê-los para debaixo do tapete.
GRUSS VOM KRAMPUS!
Blogar é envelhecer?
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| Foto de Marissa Lewis na Unsplash |
Blogs que leio e amo
- Momentum Saga
- Melina Souza
- Mulher Vitrola
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- Delirium Nerd (colaborei lá por um tempo)
- Aline Valek
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A Noite de Hekate
Mais uma representação de Hekate, dessa vez alusiva ao dia 16 de novembro, no qual temos a celebração moderna da Noite de Hekate. Essa semana ainda teremos, no dia 30 de novembro, a celebração de Hekate das Encruzilhadas, também moderna. Eu sigo o calendário Hekatino disponibilizado pela Márcia C. Silva para me guiar nas datas.
Para essa ilustração, usei algumas fotos minhas como referência, pois queria poses muito específicas. As posições dos rostos são bem peculiares, cada figura olha para uma direção e com uma intenção diferentes. Aproveitei, também, para testar alguns pincéis para cabelo confesso que não curti muito) e também me arriscar em outras texturas, como a da lua cheia, por exemplo.
Também aproveitei para brincar mais com a paleta de cores, optando pelo tom verde no cabelo, em contraste com o vinho do fundo. Eu sinto que estou transitando entre um estilo próprio de pintura e outro totalmente genérico e plastificado; em alguns momentos consigo transportar um pouco do meu traço no lápis para a tela, em outros ainda me sinto muito perdida. Mas esse é o movimento do estudo, e a busca eterna pelo equilíbrio entre percepção e técnica (spoiler: nunca alcançamos hehehe).
Para o próximo mês, estou planejando um calendário do advento bastante diferente: não terá nada a ver com bruxaria, mas também não com o lado fofinho do Natal. Será um calendário de 9 ilustrações bastante sombrio e bizarro. Se o Papai Noel presenteia as crianças que se comportaram ao longo do ano, o que acontece com aquelas que não se comportam? Quem vem visitá-las? Esse será o tema explorado!
DTIYS e fanarts
Trago aqui dois exemplos de estudos que estão me ajudando muito a melhorar cada dia mais no digital - embora eu ainda tenha muito chão pela frente. O primeiro deles é um draw this in your style (DTIYS). Esses desafios de desenhe no seu estilo são maravilhosos para treinar, principalmente paletas e testar novos pincéis. Escolhi o da Hai Anh, que achei super fofo, e também estou seguindo um perfil diretório de desafios (Draw this challenge). Também aproveitei para testar novos brushes e descobri que gosto mais dos que imitam giz e lápis, além dos sprays de preenchimento.
As fanarts também são ótimas para treinar, pois as pessoas ou personagens já possuem uma construção visual sólida, então podemos focar em desenvolver nosso estilo e aprimorar paleta de cores e domínio da ferramenta. Essa Britney Spears vestida no clipe de Toxic veio de um rascunho que fiz em 2020 e deixei de molho, dia desses acabei o fotografando e comecei a trabalhar em cima dele. Aproveitei para aprimorar a organização das camadas e detalhes finos, como brilhos, subtons e degradês sutis.
O importante, tanto no digital quanto no tradicional é sempre desenhar com constância, mantendo um ritmo de produção que te possibilite crescer, e não somente fazer coisas aleatórias para postar nas redes sociais. Aliás, o postar nas redes deve ser a última preocupação... sempre!













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