Dr. Frank-N-Furter (Rocky Horror Picture Show) 👄
La Catrina #1
Quem me acompanha há algum tempo deve se lembrar da época em que eu desenhava muitas catrinas, ou caveiras mexicanas, ou sugar skulls, como preferir. Cheguei a fazer uma exposição sobre o assunto e, por muitos anos, foram as minhas ilustrações mais vendidas em lojas virtuais. As pessoas viam qualquer coisa de caveira e já me mandavam, pois lembravam de mim na hora.
O tempo foi passando e eu, naturalmente, fui explorando outros temas, outras formas de me expressar no campo da figura feminina. As caveiras continuaram presentes, porém, em menor número. Só que, para muitas pessoas, eu havia abandonado as catrinas, havia renegado a minha história com elas, tanto é que cheguei a receber mensagens furiosas, perguntando quando eu ia voltar a desenhá-las. Só que elas sempre estiveram aqui, diluídas entre séries, desafios, trabalhos avulsos. Eu me questionei muito sobre não estar fazendo apropriação cultural também, e fui estudar sobre isso, sobre essa figura tão presente quando as datas de halloween, día de los muertos/finados vão se aproximando. E fui tocando a vida.
No início do ano, eu havia me proposto um pequeno desafio, antes da pandemia levar todos os planos por água abaixo: redesenhar um trabalho antigo, com os olhos e a técnica de agora. E pensei demais em fazer isso com a primeira catrina, lá de 2011. São quase 10 anos separando aquele trabalho divisor de águas, do que eu tenho hoje. E por vários momentos me perguntei como iria fazer isso acontecer.
Quando me mudei e coloquei os lindos quadros que ganhei da Thay Santiago na parede, bem ao lado de onde passo o dia trabalhando, comecei a pensar que, talvez, um só redesenho não comportaria toda a importância que essas mulheres belas e mórbidas têm para mim. Por isso, decidi que não me restringiria a refazer a Sugar Skull I, mas em dar um reboot em toda a série de catrinas, fazendo algo na linha das Botânicas, que são bastante recorrentes por aqui. Não sei quantas ilustras serão, mas já estou me preparando para que seja uma série fechadinha, com álbum próprio no Behance e tudo mais.
Materiais utilizados
- papel para aquarela linha Harmony Hahnemühle 300g, grana fina;
- aquarelas Van Gogh;
- pincéis Keramik;
- Marcadores metálicos Sakura;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell.
Um retrato através do tempo
Este mês eu completo 36 voltas em torno do sol e, falo com tranquilidade, fiz as pazes com muitas coisas em mim. Entre elas, a minha aparência, de maneira geral. Embora ainda tenha uma queixa ou outra, hoje sou muito mais tolerante com o espelho do que há 10 anos atrás, mesmo que o colágeno já não seja o mesmo.
Depois de fazer dois autorretratos praticamente na sequência (um em junho e outro em setembro) eu me peguei perguntando: quantas vezes já me retratei? E como me retratei? Fui buscar alguns desses autorretratos para tentar responder a essas duas perguntas e ver tanto o que mudou na minha autoimagem quanto no meu traço. Gostaria que vocês me acompanhassem nessa tour que é metade tbt e metade terapia kkkkkk:
Minha experiência: curso da Isadora Zeferino para o Domestika
Assim que a Isadora Zeferino, uma artista que sigo há bastante tempo, divulgou seu curso para o Domestika, corri para fazer a minha inscrição. Comecei o curso final de maio, mas só entreguei o projeto final agora, pois tive minha mudança no meio, e não gosto de fazer curso de qualquer jeito, só pra constar.
Sei que muitas pessoas ficam com o pé atrás em relação a esses cursos rápidos, mas a minha experiência foi muito positiva. Além do Domestika ser muito intuitivo e fácil de navegar, o preço do curso foi bastante acessível, e a experiência da Isadora me ajudou muito a reciclar conceitos e revitalizar meu trabalho. A seguir, mostro um pouquinho do meu projeto final e conto como foi o curso.
O tema do curso é bem específico: retrato ilustrado com elementos botânicos, e é uma jornada pelo trabalho e pela experiência da própria Isadora. E isso foi uma das coisas que eu mais gostei: ela não inventou nada mirabolante, e buscou na história dela todos os elementos para as aulas. Desde as referências florais, até como montar a paleta de cores e editar a imagem para as redes sociais, é tudo muito particular e bonito de ver. Ela foi muito carismática em todas as aulas e de uma humildade que, convenhamos, anda em falta.
O curso é dividido em módulos, e vamos caminhando desde a busca por referências, a estilização do traço, composição, peso e hierarquia, montagem da paleta e desenvolvimento do projeto. Mesmo com a Isadora trabalhando no digital, consegui acompanhar tudo no papel sem dificuldades. Como falei lá em cima, eu consegui me reciclar ao rever esses conceitos, que vou deixando pelo caminho com o tempo.
Um dos meus maiores medos foi, na hora de fazer o projeto final - o meu retrato, com as minhas referências - que tudo ficasse muito parecido com o que a Isadora faz, e que eu não conseguisse me colocar, visto que não costumo estilizar muito meu traço. Mas fui fazendo tudo no meu tempo, montei a biblioteca visual, consegui enxergar quais plantas são recorrentes nos meus trabalhos, depois quebrei a cabeça montando paletas no Coolors, e talvez essa tenha sido a maior dificuldade, pois vou muito na intuição, não costumo pensar nas cores com tanta antecedência. Quando chegou a hora de fazer o retrato estilizado, já tinha passado um tempo, eu já havia digerido o que queria ou não, então foi muito fácil e agradável finalizar. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Hahnemühle 300g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Caneta Stabilo azul;
- Caneta Sakura branca.
Notas sobre podcasts
Embora eu tenha trabalhado na área de EaD e tecnologias por anos a fio, sempre me considerei uma pessoa analógica para muitas coisas, até mesmo para o mundo virtual. Uma prova disso é eu não abandonar o hábito de blogar, de sentar e escrever, de editar HTML, de manter esse espaço mesmo quando todas as pessoas insistem em dizer que blogs morreram (spoiler: não morreram, nem vão morrer tão cedo). Minha relação com livros, com a arte tradicional (lápis, pincel, tinta), tudo numa confluência para inserir o analógico dentro do digital. Então eu demorei um pouco para entrar na cultura do podcast.
Comecei no final do ano passado, acompanhando alguns podcasts de true crime e terror, até que, durante a pandemia, fui convidada pela Suellen Rubira para fazer a arte e participar de alguns episódios do We can be readers. Vou deixar todas as minhas participações embedadas aqui:
E na função de participar do Readers, acabei tomando contato com o Anchor, software que a maioria dos podcasters usa para editar e distribuir seus programas. Então, quando chegou a hora de retomar o ensino através de atividades remotas (e, embora eu tenha todas as ressalvas do planeta, e ache que MUITA coisa nisso está errada), logo pensei em gravar pequenos áudios com o conteúdo das aulas. Assim, eu conseguia ao mesmo tempo me aproximar das turmas, e facilitar a entrega dessas aulas, através de um rápido áudio compartilhado via Whatsapp.
E foi aí que nasceu o Lidycast... são só as minhas aulas de artes, super específicas para o momento e para as turmas que atendo. Mas que podem servir como inspiração para outros professores, já que gravar um áudio é relativamente mais fácil do que gravar um vídeo, e demanda menos tempo de preparo.
Com o plano de aula em mãos, eu crio um roteiro com absolutamente tudo o que vou falar, tomando o cuidado de não ultrapassar 5 ou 10 minutos de áudio. Os primeiros foram mais espontâneos, mas agora roteirizo tudo para não me perder e evitar interrupções e vícios de linguagem. Gravo diretamente do celular, pelo próprio Anchor e, depois de finalizar o áudio, acrescento uma das músicas de fundo da biblioteca do aplicativo. Tudo muito simples e intuitivo. Claro que é possível incrementar o áudio, fazer recortes e edições elaboradas, mas como recurso didático em tempos de pandemia, é desse jeito simplão que tenho conseguido dar conta do que preciso fazer.
E, assim como em outras áreas, a gente só pega o jeito de fazer podcast ouvindo bastante podcast. Só assim para entender a linguagem, como manter o ritmo, e como desenvolver uma relação com o ouvinte.
Hoje já consigo enxergar o podcast como recurso extra, quando as aulas presenciais retornarem. E quem sabe, no futuro, poder criar um programa para falar de outras coisas também. Tudo o que não consegui fazer com o vídeo (meu canal morto no YouTube é a prova disso), está se mostrando bastante possível através do áudio. Claro que não vou abandonar o blog por conta disso, só acredito que são coisas que vão se encontrar em algum momento.
Se você é docente e está se desdobrando com atividades remotas, pense na possibilidade de gravar um podcast (caso tenha condições para isso). É um recurso que cativa especialmente os adolescentes. E me conquistou pela maneira como eu poderia me colocar mais humanamente para a turma, sem precisar de um aparato de câmera, iluminação, cenário, pós-produção. Participar do Readers também foi fundamental para entender o feedback desse meio.
Independentemente da proposta, o importante é curtir o que se faz, e eu amo ser professora, apesar de todas as dificuldades que são impostas a nós. Aproveito para indicar o canal da Patrícia Pirota, com dicas de organização e planejamento para professores.
Nota: embora o objetivo do post seja contar a minha experiência com o podcast e compartilhar isso com outros colegas professores, e também como mencionei num parênteses, nada disso tira meu sentimento de indignação sobre como tem se tocado o barco da educação no Brasil, desconsiderando o fosso de desigualdade que só aumenta com a adoção do "ensino remoto".
Photo by Elice Moore on Unsplash




















