Lidiane Dutra
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Portfólio

Dr. Frank-N-Furter (Rocky Horror Picture Show) 👄

Estou aqui pagando uma dívida que tenho há anos com um dos meus filmes favoritos (embora eu ainda tenha dívidas com Jovens Bruxas e Entrevista com o Vampiro, por exemplo). Rocky Horror Picture Show é um dos poucos musicais que gosto, e tudo nessa produção de baixo orçamento (mas muita alma!) me encanta. Da primeira vez que vi quase não entendi nada kkkkk, mas já me apaixonei por todas as personagens. Com o tempo, fui entrando naquela atmosfera e foi um caminho sem volta.

Além da Magenta e da Columbia, o Dr. Frank-N-Furter (interpretado pelo Tim Curry) sempre foi uma referência, com aquela maquiagem ousada e toda a expressividade, que o tornam reconhecível até mesmo por quem nunca assistiu ao filme.

Esse trabalho surgiu de forma bastante espontânea, eu estava passando pelo Pinterest, quando algumas imagens do filme apareceram no meu feed. Então, decidi que sairia do meu cronograma de catrinas e outros trabalhos, para me dedicar a uma fanart. Não fiz registros, além do que postei nos stories do Instagram, e fui acrescentando os elementos e decidindo os materiais na hora, de um jeito bem aleatório, bem Rocky Horror.


Usei lápis grafite, lápis de cor, Copic, caneta nanquim, caneta com glitter e até pinceis do Photoshop imitando batom, de última hora. Gostei muito do resultado, achei que fui feliz na minha homenagem. 👄

via GIPHY

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Aquarela Portfólio Processo criativo Projetos

La Catrina #1

Quem me acompanha há algum tempo deve se lembrar da época em que eu desenhava muitas catrinas, ou caveiras mexicanas, ou sugar skulls, como preferir. Cheguei a fazer uma exposição sobre o assunto e, por muitos anos, foram as minhas ilustrações mais vendidas em lojas virtuais. As pessoas viam qualquer coisa de caveira e já me mandavam, pois lembravam de mim na hora.

O tempo foi passando e eu, naturalmente, fui explorando outros temas, outras formas de me expressar no campo da figura feminina. As caveiras continuaram presentes, porém, em menor número. Só que, para muitas pessoas, eu havia abandonado as catrinas, havia renegado a minha história com elas, tanto é que cheguei a receber mensagens furiosas, perguntando quando eu ia voltar a desenhá-las. Só que elas sempre estiveram aqui, diluídas entre séries, desafios, trabalhos avulsos. Eu me questionei muito sobre não estar fazendo apropriação cultural também, e fui estudar sobre isso, sobre essa figura tão presente quando as datas de halloween, día de los muertos/finados vão se aproximando. E fui tocando a vida.

No início do ano, eu havia me proposto um pequeno desafio, antes da pandemia levar todos os planos por água abaixo: redesenhar um trabalho antigo, com os olhos e a técnica de agora. E pensei demais em fazer isso com a primeira catrina, lá de 2011. São quase 10 anos separando aquele trabalho divisor de águas, do que eu tenho hoje. E por vários momentos me perguntei como iria fazer isso acontecer.

Quando me mudei e coloquei os lindos quadros que ganhei da Thay Santiago na parede, bem ao lado de onde passo o dia trabalhando, comecei a pensar que, talvez, um só redesenho não comportaria toda a importância que essas mulheres belas e mórbidas têm para mim. Por isso, decidi que não me restringiria a refazer a Sugar Skull I, mas em dar um reboot em toda a série de catrinas, fazendo algo na linha das Botânicas, que são bastante recorrentes por aqui. Não sei quantas ilustras serão, mas já estou me preparando para que seja uma série fechadinha, com álbum próprio no Behance e tudo mais.



O processo de pintura não foge muito do que eu sempre faço, só que agora tenho escolhido as paletas de cores previamente, através do Coolors. Aprendi no curso da Isadora e levei pra vida, e isso facilita demais as coisas. Com a paleta definida, eu pinto o rascunho com lápis de cor, só para marcar os locais onde as cores vão e melhorar a composição. Ainda vou explicar esse processo melhor em outro post, pois foi uma adição valiosa ao meu trabalho. Também optei por cores bem fantasia, que fossem uma mistura de Hera Venenosa com Zumbi. O resultado:


Materiais utilizados

  • papel para aquarela linha Harmony Hahnemühle 300g, grana fina;
  • aquarelas Van Gogh;
  • pincéis Keramik;
  • Marcadores metálicos Sakura;
  • Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell.


A foto que usei para referência é da linda @st.meow. Estou muito animada com esse reboot da série de catrinas, e espero inseri-las de maneira mais regular no meu portfólio, assim como fiz com outras ilustras.

Para comprar meus trabalhos: Colab55
Para encomendas: lidiane@lidydutra.com

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Processo criativo Reflexões

Um retrato através do tempo

Este mês eu completo 36 voltas em torno do sol e, falo com tranquilidade, fiz as pazes com muitas coisas em mim. Entre elas, a minha aparência, de maneira geral. Embora ainda tenha uma queixa ou outra, hoje sou muito mais tolerante com o espelho do que há 10 anos atrás, mesmo que o colágeno já não seja o mesmo.

Depois de fazer dois autorretratos praticamente na sequência (um em junho e outro em setembro) eu me peguei perguntando: quantas vezes já me retratei? E como me retratei? Fui buscar alguns desses autorretratos para tentar responder a essas duas perguntas e ver tanto o que mudou na minha autoimagem quanto no meu traço. Gostaria que vocês me acompanhassem nessa tour que é metade tbt e metade terapia kkkkkk:


Definitivamente, não acho algo fácil para alguém se autorretratar. Acredito que, mesmo as pessoas mais experientes no assunto, precisam sempre colocar a própria imagem em perspectiva, e escolher quais aspectos desejam salientar ou ocultar em si mesmos. E isso, por si só, já é um grande exercício de autoconhecimento. Talvez, também, seja por essa razão que sempre passo o autorretrato como atividade para as minhas turmas.

Quando comecei a ilustrar, muitas pessoas me diziam que as mulheres eram muito parecidas comigo, o que geralmente eu respondia com um sorriso amarelo e uma revirada interna de olhos, pois realmente tinha pouco a ver. A primeira vez que realmente sentei para fazer um autorretrato com essa intencionalidade, foi em 2014 (acima). Usei como banner do blog por um bom tempo e, embora tenha curtido na época, não posso deixar de notar a cara de c* e de tristeza da pessoa... Parece que estou morrendo, ou que recebi uma notícia triste, só pela minha expressão. Acho que tive tanto medo de falhar em capturar a minha própria fisionomia, que fiquei muito engessada em parecer real.


Ainda em 2014, para o inkt*ber daquele ano, peguei a mesma foto de referência do retrato anterior e criei... um monstro? Sinceramente não sei o que quis fazer aqui, além da tentativa falha em reproduzir o efeito galáxia nas órbitas (eu ainda estava tentando). A cara de c* ainda é a mesma, e acho que nem é culpa da foto, mas do medo de errar (já falei bastante sobre meus fantasmas com o desenho nessa época neste post aqui).


Em 2015 me transformei em personagem, e foi uma das minhas primeiras tentativas de estilização na vida, por conta de uma oficina com a Andréia Pires. Como a temática era toda infantil, e eu recém tinha cortado o cabelo, o visual ficou bem menos dark que os retratos anteriores, e abriu caminho para que eu tentasse me arriscar mais. Mesmo assim, levei dois anos para fazer outro retrato, dessa vez bem diferente.


Foi só em 2017 que fiz um retrato que realmente olhei, gostei e senti que alcancei meu objetivo. Tudo aqui funciona super bem, eu estava num momento feliz com a minha arte e isso transpareceu na ilustração. Agora sim, tinha galáxia, tinha expressão mais relaxada e feliz, tinha um conjunto de elementos que fazem parte do meu trabalho e estavam todos ali, presentes. Durante muito tempo esse retrato me representou e, de certo modo, ele ainda me representa, pois consigo me enxergar muito nele. Tanto que demorei mais três anos para me retratar novamente.


Esse ano, bem no meio de uma pandemia e da construção da minha casa, senti vontade de produzir um autorretrato para aquele momento. Na realidade, tive a ideia e consegui colocá-la de uma maneira (de certa forma) rápida no papel. Eu já estava matriculada no curso da Isadora Zeferino e sabia que acabaria fazendo outro retrato em breve, e acabei considerando este como o trabalho que fechou o ciclo na casa dos meus pais e no quarto que por tantos anos foi meu ateliê. E não deixa de ter uma melancoliazinha ali no meu olhar, dada a conjuntura.


Por fim, meu retrato mais recente. Saindo completamente de uma paleta de cores naturalista e apostando na estilização que o curso exigia, consegui colocar tanta coisa nessa representação... já tem sorrisinho, tem olhar tranquilo, tem flor... e misteriosamente não tem o crescente na testa. Será um sinal, ou só esqueci? Esclarecendo, foi a segunda opção, pois a composição estava perfeitinha desse jeito, e se eu adicionasse mais um elemento no rosto, iria acabar poluindo (mistério resolvido).

Não sei quanto tempo mais demorarei para fazer um novo autorretrato, mas cada vez que o faço é como se me abraçasse e me entendesse cada vez mais. Como disse lá no começo, não é uma tarefa fácil, mas recomendo que você tente, mesmo que não seja profissional. É um jeito de se olhar com carinho, de ver o quanto mudamos interna e externamente.

Vou deixar dois vídeos abaixo, para pensar a questão do retrato, da representação e da selfie. Um é do canal Curta! e outro do canal Educação para a cultura visual em media social. Assista:

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Aquarela Dicas Portfólio

Minha experiência: curso da Isadora Zeferino para o Domestika


Assim que a Isadora Zeferino, uma artista que sigo há bastante tempo, divulgou seu curso para o Domestika, corri para fazer a minha inscrição. Comecei o curso final de maio, mas só entreguei o projeto final agora, pois tive minha mudança no meio, e não gosto de fazer curso de qualquer jeito, só pra constar.



Sei que muitas pessoas ficam com o pé atrás em relação a esses cursos rápidos, mas a minha experiência foi muito positiva. Além do Domestika ser muito intuitivo e fácil de navegar, o preço do curso foi bastante acessível, e a experiência da Isadora me ajudou muito a reciclar conceitos e revitalizar meu trabalho. A seguir, mostro um pouquinho do meu projeto final e conto como foi o curso.


O tema do curso é bem específico: retrato ilustrado com elementos botânicos, e é uma jornada pelo trabalho e pela experiência da própria Isadora. E isso foi uma das coisas que eu mais gostei: ela não inventou nada mirabolante, e buscou na história dela todos os elementos para as aulas. Desde as referências florais, até como montar a paleta de cores e editar a imagem para as redes sociais, é tudo muito particular e bonito de ver. Ela foi muito carismática em todas as aulas e de uma humildade que, convenhamos, anda em falta.



O curso é dividido em módulos, e vamos caminhando desde a busca por referências, a estilização do traço, composição, peso e hierarquia, montagem da paleta e desenvolvimento do projeto. Mesmo com a Isadora trabalhando no digital, consegui acompanhar tudo no papel sem dificuldades. Como falei lá em cima, eu consegui me reciclar ao rever esses conceitos, que vou deixando pelo caminho com o tempo.




Um dos meus maiores medos foi, na hora de fazer o projeto final - o meu retrato, com as minhas referências - que tudo ficasse muito parecido com o que a Isadora faz, e que eu não conseguisse me colocar, visto que não costumo estilizar muito meu traço. Mas fui fazendo tudo no meu tempo, montei a biblioteca visual, consegui enxergar quais plantas são recorrentes nos meus trabalhos, depois quebrei a cabeça montando paletas no Coolors, e talvez essa tenha sido a maior dificuldade, pois vou muito na intuição, não costumo pensar nas cores com tanta antecedência. Quando chegou a hora de fazer o retrato estilizado, já tinha passado um tempo, eu já havia digerido o que queria ou não, então foi muito fácil e agradável finalizar. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela  Hahnemühle 300g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Caneta Stabilo azul;
  • Caneta Sakura branca.

Sinceramente, acho que esse foi meu melhor autorretrato até agora (isso que recentemente já havia feito um). Fiquei até pensando em fazer um post revendo todas as vezes que me retratei e o que mudou em cada uma delas. A minha dica para quem quer fazer o curso, não só da Isadora, mas qualquer um disponível em plataformas online é: faça no seu tempo, focando no seu resultado. Esqueça as comparações com os outros, pense em você.
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Dicas Reflexões Sala de aula

Notas sobre podcasts

Embora eu tenha trabalhado na área de EaD e tecnologias por anos a fio, sempre me considerei uma pessoa analógica para muitas coisas, até mesmo para o mundo virtual. Uma prova disso é eu não abandonar o hábito de blogar, de sentar e escrever, de editar HTML, de manter esse espaço mesmo quando todas as pessoas insistem em dizer que blogs morreram (spoiler: não morreram, nem vão morrer tão cedo). Minha relação com livros, com a arte tradicional (lápis, pincel, tinta), tudo numa confluência para inserir o analógico dentro do digital. Então eu demorei um pouco para entrar na cultura do podcast.

Comecei no final do ano passado, acompanhando alguns podcasts de true crime e terror, até que, durante a pandemia, fui convidada pela Suellen Rubira para fazer a arte e participar de alguns episódios do We can be readers. Vou deixar todas as minhas participações embedadas aqui:

E na função de participar do Readers, acabei tomando contato com o Anchor, software que a maioria dos podcasters usa para editar e distribuir seus programas. Então, quando chegou a hora de retomar o ensino através de atividades remotas (e, embora eu tenha todas as ressalvas do planeta, e ache que MUITA coisa nisso está errada), logo pensei em gravar pequenos áudios com o conteúdo das aulas. Assim, eu conseguia ao mesmo tempo me aproximar das turmas, e facilitar a entrega dessas aulas, através de um rápido áudio compartilhado via Whatsapp.

E foi aí que nasceu o Lidycast... são só as minhas aulas de artes, super específicas para o momento e para as turmas que atendo. Mas que podem servir como inspiração para outros professores, já que gravar um áudio é relativamente mais fácil do que gravar um vídeo, e demanda menos tempo de preparo.

Com o plano de aula em mãos, eu crio um roteiro com absolutamente tudo o que vou falar, tomando o cuidado de não ultrapassar 5 ou 10 minutos de áudio. Os primeiros foram mais espontâneos, mas agora roteirizo tudo para não me perder e evitar interrupções e vícios de linguagem. Gravo diretamente do celular, pelo próprio Anchor e, depois de finalizar o áudio, acrescento uma das músicas de fundo da biblioteca do aplicativo. Tudo muito simples e intuitivo. Claro que é possível incrementar o áudio, fazer recortes e edições elaboradas, mas como recurso didático em tempos de pandemia, é desse jeito simplão que tenho conseguido dar conta do que preciso fazer. 

E, assim como em outras áreas, a gente só pega o jeito de fazer podcast ouvindo bastante podcast. Só assim para entender a linguagem, como manter o ritmo, e como desenvolver uma relação com o ouvinte. 

Hoje já consigo enxergar o podcast como recurso extra, quando as aulas presenciais retornarem. E quem sabe, no futuro, poder criar um programa para falar de outras coisas também. Tudo o que não consegui fazer com o vídeo (meu canal morto no YouTube é a prova disso), está se mostrando bastante possível através do áudio. Claro que não vou abandonar o blog por conta disso, só acredito que são coisas que vão se encontrar em algum momento.

Se você é docente e está se desdobrando com atividades remotas, pense na possibilidade de gravar um podcast (caso tenha condições para isso). É um recurso que cativa especialmente os adolescentes. E me conquistou pela maneira como eu poderia me colocar mais humanamente para a turma, sem precisar de um aparato de câmera, iluminação, cenário, pós-produção. Participar do Readers também foi fundamental para entender o feedback desse meio.

Independentemente da proposta, o importante é curtir o que se faz, e eu amo ser professora, apesar de todas as dificuldades que são impostas a nós. Aproveito para indicar o canal da Patrícia Pirota, com dicas de organização e planejamento para professores.

Nota: embora o objetivo do post seja contar a minha experiência com o podcast e compartilhar isso com outros colegas professores, e também como mencionei num parênteses, nada disso tira meu sentimento de indignação sobre como tem se tocado o barco da educação no Brasil, desconsiderando o fosso de desigualdade que só aumenta com a adoção do "ensino remoto". 

Photo by Elice Moore on Unsplash

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