Full Moon 🌕
2022 vai ser, para mim, o ano do rascunho. A quantidade de trabalhos que tenho no sketchbook, ou no caderno de anotações de ideias, ou em alguma folha solta dentro de uma pasta é a maior dos últimos anos. Criatividade e facilidade de colocar as coisas no papel nunca faltaram, o que faltou mesmo foi organizar meu tempo para finalizar. Geralmente, demoro muito para finalizar um trabalho, gosto de passar a tarde toda em imersão naquela proposta, faço muitas thumbnails para selecionar as cores, então isso toma um tempo que realmente não encontrei ao longo do ano.
E esse trabalho é um dos que eu não conseguia finalizar, embora a ideia estivesse toda na minha cabeça desde a primeira volta do compasso para criar essa lua. Lá em setembro eu já tinha mostrado como ela era, e aproveitei agora a finalização do ano letivo para lançar à vida essa lua cheia tão imponente. Pintar luas requer muito mais do que colocar manchas no papel, é um trabalho que envolve observar fotos de satélite e de astrofotografia para saber o lugar dar coisas; é entender o quanto de água e o quanto de tinta são ideais para criar a mancha perfeita, e o resultado é exatamente o que imaginei desde o início:
Materiais utilizados
- Papel Moulin DuRoy 300g satinado;
- Aquarelas White Nights;
- Guache TGA.
Como não podia deixar de ser, criei uma série de produtos com essa ilustração para minha loja na Colab55, que também está com um Calendário 2023 (em arquivo digital para impressão) criado com muito amor e carinho, com vários trabalhos que gosto muito e um preço especial (apenas R$ 19,99).
Enquanto isso, as redes sociais continuam explodindo, mas sigo aqui, firme e forte, para quem quiser acompanhar hehehe.
Uma casa virtual AINDA é importante 🏡
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| Photo by Vidar Nordli-Mathisen on Unsplash |
Catrina Lila 💜
Outubro passou, eu tentei fazer um pequeno projeto de desenhos rápidos, não consegui e também falhei em tentar construir uma proposta temática para o Halloween, que tanto amo. Na verdade, a data passou meio sem sabor esse ano, sem a empolgação para desenhar que me impregnou em outras épocas. Ainda sonho com o equilíbrio entre docência e arte, que nunca chega, mas que me possibilitaria ter energia suficiente para essas datas novamente.
Mas tenho rascunhado bastante, então algumas ideias muito boas estão guardadas para um momento futuro. E foi justamente um rascunho de dois anos atrás que ressuscitei para fazer essa Catrina. Quem me acompanha pelo Instagram já viu o esboço dessa ilustração em idos de 2020. Ideia que ficou guardadinha no meu sketchbook, até ser tirada de lá.
Eu tinha "grandes planos" para esse rascunho, na verdade. Queria o melhor papel, uma paleta de cores sensacional, todos os meus chacras equilibrados na hora da pintura, mas estou falando de mim mesma, ou seja... coloquei muitas expectativas na pobre catrina, que nada tinha a ver com isso, e precisei salvá-la.
Escolhi sim um dos melhores papeis, o Strathmore, que é um desbunde de qualidade. Testei várias thumbnails com sugestões de paletas, e nenhuma me agradou verdadeiramente. Resolvi, então, tentar a dupla de complementares amarelo/roxo, com alguns toques de azul marinho e um vermelho mais frio. Na thumb funcionou plenamente, mas quando comecei a pintar, senti que não ia rolar, pois ao invés de trabalhar em úmido sobre úmido, fiz úmido sobre seco, e a tinta engrossou demais. 🤡
Se fosse em outras épocas, eu teria rasgado tudo e começado do zero e com ódio, mas resolvi guardar e esperar uma semana. E foi a melhor decisão que poderia tomar, pois resolvi lançar mão dos lápis de cor que colorem sobre fundo escuro para abrir os pontos de cor e luz que estavam faltando.
E ao fazer essa construção de camadas com lápis de cor e também com o marcador dourado, consegui dar profundidade e tornar a peça bastante elegante e sóbria, como a imagem de um antigo camafeu. As rosas douradas são uma homenagem as já conhecidas caveiras da Sylvia Ji, minha maior inspiração nesse tema. o resultado final:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Strathmore 300g;
- Aquarelas White Nights;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Rijks Museum Bruynzeel;
- Canetas nanquim e metálicas Pentel;
- Marcador dourado Pilot.
Y ella es flama que se eleva
Y es un pájaro a volar
En la noche que se incendia
Estrella de oscuridadQue busca entre la tiniebla
La dulce hoguera de el beso
Que mal amor en sus labios
El infierno es este cielo
Ondas tombando ininterruptamente 🌊
Em março deste ano me inscrevi no Edital Galeria Otroporto - 1º andar, promovido pela Otroporto Indústria Criativa, da vizinha cidade de Pelotas. Foi um dos raríssimos editais pagos em dinheiro para os artistas, além de subsidiar custeio de materiais e envio das obras, se necessário. Confesso que me inscrevi um pouco descrente, na base do incentivo de amigos, principalmente da Ramile (@rami_aquarelas), que participou do edital 2021 e tem trabalhos expostos lá. Descrente, porque vivo uma eterna luta entre a consistência do meu trabalho, o tempo de dedicação diminuído pela docência, e a síndrome de impostora que me acompanha em todas as ocasiões.
Mas resolvi arriscar, elaborei um portfólio e esboço de proposta, tentando olhar com carinho para minha trajetória, que é digna de orgulho sim, afinal são muitos anos dedicados à arte e a mostrar que artistas mulheres estão aí na atividade e merecem reconhecimento também. O tema do edital era águas e pessoas, e aproveitei para mergulhar em meu próprio acervo, resgatando um material muito querido, mas que adormeceu ao longo dos anos: a série produzida para a exposição Mulheres, de 2015. Das 15 ilustrações em tamanho A3 (formato raríssimo nas minhas atuais produções), selecionei três que se encaixavam no esboço que queria mostrar à Otroporto: as galáxias poderiam virar mares, e vice-versa.
E em abril recebi a notícia de que estava na lista de 18 artistas selecionados no edital, entre os 104 inscritos. Fiquei extremamente feliz, e isso renovou demais minhas energias para continuar criando, apesar de tudo. E para a minha surpresa maior, a proposta foi aceita na íntegra, com as ilustrações originais da exposição Mulheres, sem necessidade de fazer novos trabalhos. E novamente isso me fez olhar com muito carinho para a Lidiane do passado, e ver que tudo é processo, que coisas feitas há 7 anos atrás ainda podem ser extraordinárias.
Essa semana, a Otroporto divulgou as imagens dos meus trabalhos já em exposição, que receberam o nome de Ondas tombando ininterruptamente, em homenagem ao poema Liberdade, da Sophia de Mello Breyner Andresen.
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Sophia de Mello Breyner Andresen
E como acredito que toda boa experiência deve ser compartilhada para ajudar mais artistas, principalmente mulheres, a ocupar os espaços, vou deixar linkados aqui nesse post os arquivos do currículo e portfólio e da proposta de projeto enviados, para auxiliar quem deseja participar de editais e não sabe por onde começar. Também é possível ver algumas aplicações de mockup no meu perfil do Behance.
Para ver os meus trabalhos e também os de outros artistas incríveis, é só visitar o site, Instagram ou ir até a Otroporto, caso tenha a oportunidade.
Mulher Jovem 🌼
Em fevereiro desse ano comecei a esboçar uma série sobre a ciclicidade da mulher, partindo pela representação da mulher jovem e passando pela adulta/mãe, pela mãe e pela filha, pela anciã e, finalmente, pela representação de todas elas, numa composição harmônica. E tem sido tão gostoso pesquisar sobre cada uma dessas fases da vida, principalmente porque estou me detendo na anciã. E agora estou entregando o primeiro trabalho dessa série, que gostaria muito de ver em formato de exposição, assim que concluir.
Foi o meu retorno para a aquarela, depois de alguns meses trabalhando somente com grafite e lápis de cor. E foi como se eu nunca tivesse parado de pintar, porque a tinta fluiu tranquilamente pelo papel. Talvez o fato de ter definido uma paleta pessoal para utilizar nas minhas ilustras tenha ajudado bastante, pois não gasto tempo e energia pensando no esquema de cores. Além disso, trabalho com um círculo cromático em mãos, e também com thumbnails ou marcações na folha de rascunho, que ajudam a visualizar o que combina mais com a proposta inicial que tenho em mente.
As folhagens lembram o boldo, mas não foi intencional (talvez por ter um pé gigante de boldo, essa imagem fique no meu subconsciente), o intuito era mostrar uma natureza frondosa e em plena floração, e uma mulher que está recém florindo também. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
- Minhas tintas e pincéis de sempre;
- Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
- Marcadores Pentel e Derwent.
Certo dia, Perséfone folgava nas campinas de Nisa com as filhas de Oceano. Estava na companhia de Atena e de Ártemis, mas sua mãe, Deméter, não estava com elas. Perséfone foi atraída por um magnífico narciso. Enquanto o contemplava, o solo se abriu e Hades, o deus do Mundo Inferior, apareceu em sua carruagem, tomou-a nos braços e a levou para ser sua noiva. De muito longe, Deméter ouviu os queixosos gritos da donzela. Uma profunda melancolia tomou conta de seu coração e ela, jogando sobre os ombros um véu sombrio, voou como ave sobre mares e terras procurando a sua Kore, a sua filha. - A deusa tríplice: em busca do feminino arquetípico, Adam Mclean.
















