Delphine 🧜 #mermay 01
Finalmente chegou o momento de começar minha expedição pelo Mermay 2018! Para quem não sabe do que estou falando, vá até o post do ano passado, no qual explico sobre a origem desse projeto, que consiste em desenhar uma sereia por dia, durante o mês de maio. Como não conseguirei seguir à risca o desafio, me propus a ilustrar uma sereia por semana, assim como também fiz ano passado.
Decidi aquarelar todas as sereias dessa vez, para unir treino de anatomia com o de pintura. Acredito que todos esses projetos mensais são excelentes oportunidades para exercitar nossos conhecimentos. Também aproveitei para testar as aquarelas da Maimeri, que comprei há pouco tempo.
Tenho uma pasta no Pinterest só com referências de sereias, e preferi utilizar aquelas nas quais as modelos estão submersas. Também tenho pesquisado formatos de barbatanas de peixes, para sair daquele formato de cauda "Ariel". Vou tentar deixar as figuras mais fluidas, evitando a dobra do joelho (como diria o Hiro, sereia não tem joelho).
Marquei todos os valores com um lápis de cor da Stabilo 3B (esse lápis começou a ser vendido recentemente aqui no Brasil, o meu comprei há 8 anos atrás, no Uruguai) e depois segui os passos de sempre com a aquarela. Só que, dessa vez, estava testando as da linha Venezia, da marca italiana Maimeri. Comprei um estojo lindo de 12 cores para afogar as mágoas (sabe quando a gente se joga numa compra meio às cegas? Então...) e fiquei com muito medo de ter desperdiçado uma quantia considerável de dinheiro, mas felizmente fui surpreendida positivamente.
A consistência das aquarelas Venezia (linha estudante da Maimeri) é bem parecida com as da Sennelier, um pouco menos espessa, mas mais encorpada do que a Van Gogh. As cores são muito vibrantes, e o estojo alterna bem entre as opacas e as translúcidas. Os azuis e verdes misturaram muito bem entre si para criar o tom do mar, bem como os marrons e ocres para a pele. O único porém é o tubo de aquarela preta, totalmente dispensável, mas que acabei utilizando nos cabelos, mesmo assim, já que estava testando.
As aquarelas da linha Venezia que comprei vêm num estojo plástico super resistente, com 12 tubos de 15ml cada, ou seja, é aquarela que não acaba mais. A cartela de cores é bem versátil, eu só trocaria o preto pelo payne's grey e o laranja por um dioxazine, aí sim ficaria perfeita. O resultado:
Materiais utilizados
- papel para aquarela Moulin DuRoy grana fina, 300g;
- aquarelas Maimeri;
- lápis grafite Stabilo Othelo 3B;
- Lápis de cor Polycolor;
- Canetas Copic, Sakura e Pentel para os detalhes.
Na próxima segunda-feira tem mais Mermay por aqui e, ao longo da semana, vou postando os processos da segunda ilustra pelo Instagram (se possível).
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Retratinho
A ilustra de hoje é especial porque finalmente fiz as pazes com meu scanner novo, entendi sua sistemática e como melhorar a imagem (graças à dicona do Mateus Cena, obrigada!) e também por ter conseguido um resultado satisfatório com os lápis SuperSoft da Faber-Castell. Minhas primeiras experiências com eles foram mais ou menos, mas agora, no papel Bristol, eu vi que dá pra fazer algo bem bacana.
Estou tentando desenhar tanto quanto posso, na maioria das vezes são estudos e rascunhos semanais, mas a finalização tem demorado um pouco mais, pois preciso do famigerado tempo, que anda escasso. São aulas para planejar, ministrar, e meu emprego antigo, que retomarei pós-feriadão. Enfim, a vida está se ajustando beeeem aos poucos, e estou tentando lidar com a ansiedade junto.
Uma notícia boa é que vai ter Mermay, assim como ano passado! Vou fazer uma ilustra por semana, totalizando quatro trabalhos, que serão postados às segundas-feiras. Para esse ano, pretendo utilizar aquarela, e já aproveitar para testar as bisnagas da marca italiana Maimeri, que adquiri após ver boas reviews. Reveja minha participação no projeto aqui.
Não fiz muitas imagens do processo desse retratinho, só o que coloquei no Instagram, mesmo. Tentei focar em finalizar no menor tempo possível. Como já disse acima, trabalhei com papel Bristol, que é ultra acetinado e branco, muito bom para marcadores e para lápis de cor. Fiz todo o processo da pele com os lápis da Faber, do mesmo jeito que uso aquarela, e o cabelo e a roupa foram finalizados com marcadores. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol;
- Lápis grafite Lyra 2B;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Multilinner e marcadores Copic;
- Spray fixador para segurar o trabalho e ajustes no Photoshop.
Achei o lápis bastante confortável para trabalhar com este tipo de papel, e como já havia reforçado anteriormente, a paleta de cores é neutra e muito bonita, nunca tinha visto algo assim se tratando de material escolar. Vi que a Faber lançou o estojo com 36 (ou 48) cores, mas não faço questão de comprar pois, apesar de ser um bom lápis, ainda assim não é profissional, e a relação custo/benefício acaba não compensando.
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Há oito anos aqui, e contando... 🎂
A correria tem sido tanta que esqueci o aniversário do blog (e até publiquei após isso). Pode parecer bobo, mas sempre faço questão de registrar que mais um ano passou e continuo aqui. Mas assim que lembrei, vim correndo escrever algo. Pensei em fazer uma grande retrospectiva, tirando velharias do fundo do baú dos meus álbuns do Picasa, mas ponderei um pouco. Acho melhor escrever sobre (im)permanência, tempo e o que esperar de um espaço como este. É uma reflexão interessante em tempos imediatistas, onde tudo é pra ontem e a resposta precisa ser positiva sempre.
Esses dias acompanhei algumas discussões no Twitter sobre blogueiros das antigas que estão retomando seus espaços e tirando o mofo do feed. Ano passado deixei meu Feedburner todo atualizado e sempre procuro dar atenção para o Bloglovin, o leitor de feed que uso atualmente. E fiquei cheia de esperanças com esse revival, com essa vontade de nadar contra a maré. Porque é isso que faço aqui desde o começo: sou um peixe muito pequeno, nadando contra uma maré imensa, e gosto disso.
Lá em 2010, quando comecei, os blogs já tinham atingido seu apogeu e começavam a declinar. Muita gente estava migrando para plataformas mais "atraentes", como o YouTube. Falando em blogs artísticos, acompanhava os da Fernanda Guedes, da Nanda Corrêa, da Ila Fox, da Esther Duraes, e somente um canal, da Leilani Joy. A Esther é uma moça portuguesa que, na época, postava seus desenhos e foi a primeira pessoa que vi resenhar um material artístico como as blogueiras de maquiagem faziam. Foi através dela que entrei em contato com a Derwent, anos antes da marca vir para o Brasil, e ganhei um kit de produtos maravilhosos, que tenho até hoje.
Os anos foram passando, comecei a participar de blogagens coletivas (saudades Rotaroots) e conheci muita, mas muita gente legal. Pessoas que eu admirava a distância e hoje são minhas amigas, que compartilham seus projetos comigo. Acho engraçado o tanto de vida que esse espaço já tem, pois dou aulas para crianças de 4 a 8 anos, exatamente o tempo que estou aqui na internet, abrindo o mesmo painel do Blogger (nunca troquei para Wordpress) e buscando template free para instalar.
O que todo esse relato quer dizer sobre as três coisas que elenquei no primeiro parágrafo (impermanência, tempo e o que esperar de um blog)? É simples: vão ter dias que a vontade é de excluir tudo e nunca mais postar, em lugar algum (o que já aconteceu comigo, pois excluí o blog por um breve período depois de criá-lo, e reativei antes do Google deletá-lo completamente). Às vezes você vai achar que todo o tempo que "gasta" com o blog e seus esforços não são devidamente recompensados. Eu passei anos na total invisibilidade, até que um dia postei como faço o efeito galáxia em aquarela e passei de 50 a 1000 acessos por dia. Você também vai se questionar do por quê aquela pessoa que recém começou já estar visitando fábrica de marca famosa e você está exatamente no mesmo lugar, mas a minha resposta para tudo isso é: o que importa é o caminho, e não a linha de chegada.
Através do blog eu aprendi programação, melhorei minhas habilidades como designer, consegui me firmar como ilustradora, montei loja, fiz colaborações, exposições, dei entrevista, fiz muita coisa que nunca aconteceria se eu não me dispusesse a clicar no botão laranja de publicar. Aqui é minha válvula de escape quando estou frustrada, gosto de manter tudo arrumadinho para que possa dizer para mim mesma o quanto sou capaz de fazer algo com minhas próprias mãos e sentir orgulho por isso. Como diz o Austin Kleon, é minha casa na internet e sempre, sempre procuro mostrar aqui o meu melhor lado.
Durante muito tempo meu Currículo Lattes foi impecável, modelo para os outros copiarem. Cheguei a ministrar oficina sobre como preenchê-lo. Mas aquelas informações eram só um amontoado de dados, eu não sentia que estava ajudando os outros com minha experiência acadêmica. E toda vez que me disponho a resenhar um livro, ou mostrar meu processo criativo, dar uma opinião sincera aqui, cada comentário e compartilhamento valem muito. E mesmo que ninguém leia, o sentimento é de dever cumprido. Eu sinto que estou retroalimentando um sistema do bem.
Agradeço por estar aqui há oito anos e ter colhido frutos tão bonitos com meu trabalho. Um espaço que começou para que eu pudesse sistematizar minhas ideias, e hoje é uma das coisas que mais tenho orgulho em manter. Podem vir os próximos anos, pois a porta está aberta.
Esmeralda 💚
Resolvi aproveitar o feriadão de Páscoa para voltar à ativa e dar andamento aos rascunhos que postei aqui anteriormente. Um deles serviu para que eu pudesse treinar algo que deixo bastante de lado nas minhas ilustrações: estampas. Tenho medo de pecar pelo excesso e produzir algo que não fique agradável ao olhar do espectador. Uma artista que tem me ajudado bastante a quebrar essa barreira é a Brunna Mancuso. Os trabalhos dela trazem muita informação, mas o resultado final é leve e com uma composição muito equilibrada. Por isso decidi reunir aquarela, estudo de estampas e também o teste definitivo do meu novo scanner na mesma ilustra, sem medo de ser feliz.
Quem me acompanha já conhece o processo: após passar o risco a limpo no papel para aquarela (utilizei o Arches grana fina), começo a marcar os valores com lápis 4B.
Geralmente começo pelo rosto, mas como o foco desse trabalho é a estampa, decidi resolver tudo o que envolvia a roupa, cabelo e fundo, primeiramente, para depois pensar na pele e acabamentos. Embora na foto usada como referência a modelo estivesse com um casaco, só aproveitei mesmo o formato da gola. Os ornamentos e estampa saíram de imaginação, a partir de algumas fotos de papoulas e da já famigerada lua crescente. Também optei por payne's grey e magenta por serem cores fáceis de se harmonizar com as outras.
A inclusão da joia no pescoço e brincos também foi outro desafio, pois a cada momento eu pensava que estava fazendo um grande carnaval incompreensível. Mas respirei fundo e tratei de pensar nisso tudo como o estudo que realmente é, e na aprendizagem que fica pelo processo de criação. E a melhor parte, claro, é retirar a fita crepe das bordas. Já falei sobre essa fita azul aqui. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches grana fina, 100% algodão, 300g;
- Aquarelas Cotman e Sennelier;
- Pinceis pelo sintético Keramik;
- Lápis de cor metálico e supersoft Faber-Castell;
- Multiliner Sakura e caneta gel dourada e prata.
Sobre meu estudo de estampa: achei o resultado ok, para quem está mais acostumada com fundos minimalistas e personagens "nuas" foi um progresso. Mas reconheço que ainda tenho que melhorar muito a composição e as escalas. Curti voltar a me dedicar um dia todo ao estudo de uma pintura, sem me preocupar com planos de aula ou boletos vencendo, então só por isso já valeu demais. E não pretendo parar por aí :)
Sobre o scanner: durante toda minha vida utilizei os scanners da HP e talvez estivesse acostumada demais com a multifuncional antiga (já sabia todos os estouros e zonas em que o vidro estava arranhado e precisava de correção), por isso estranhei muito o equipamento novo (Canon Pixma G3100). A impressão que tenho é que a imagem fica com uma película de transparência que tira a nitidez e as cores vão do desmaio total ao BERRO. Para se ter uma ideia, sempre digitalizei em 300 dpi, e essa ilustra precisei colocar 600 dpi para que ficasse com o nível de qualidade que gosto (e mesmo assim não senti que ficou como trabalhos anteriores, digitalizados na multifuncional velhinha). Aparentemente não há nenhum problema técnico com o equipamento, pode ser BIOS, pode ser costume, pode ser alguma configuração entre ele e o PS, então quem tiver alguma dica, por favor deixe nos comentários!
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Na prancheta #7
Até me espantei quando foi a última vez que publiquei algo da série Na prancheta: há dois anos atrás. É tempo demais, mas nunca tão tarde que não possa retomar, não é mesmo? Ainda mais agora, que estou passando por uma fase de mudanças e reajustando minha rotina para encaixar a docência e a ilustração em seus devidos lugares. Quero escrever sobre como tenho planejados as aulas, algo que já contei neste post. Mas hoje é dia de mostrar o que ando produzindo, e também aproveitar para testar meu scanner novo (é uma multifuncional Canon G3100). Vamos lá?
Todas as imagens desse post são os estudos "crus", portanto, se tiver alguma coisa torta ou fora de lugar, calma... ainda será arrumada na arte final. A imagem que abre é um estudo que fiz depois de algumas semanas sem treinar diariamente. Fiz alguns aquecimentos só com as formas geométricas e depois peguei uma foto para referência. Acima, um dos estudos que comecei a fazer em agosto do ano passado e estou trabalhando bem lentamente de verdade, pois quero fazer um cenário. Talvez vire uma série, pois os dois rascunhos abaixo têm o mesmo propósito:
Esse estudo também foi iniciado em agosto passado. Fiquei muito contente com as proporções e esse pézinho aí hehehe. Abaixo, foi feito semana passada, depois de alguns aquecimentos lá do CroquisCafe (mas peguei outra foto para referência). Ele está mais rascunhado porque ainda não resolvi o rosto nem a posição das mãos, mas fiquei feliz por não me sentir tão enferrujada quanto pensava estar:
Por fim, esse estudo é mais para que vocês vejam como vou me situando no rosto para construir os elementos da figura final. Esse já é o segundo (ou terceiro?) risco para a mesma ilustra, eu testo muito até chegar numa posição satisfatória/correta, então é comum que cada trabalho tenha, no mínimo, uns cinco riscos anteriores. É legal ver o quanto a figura vai se movimentando no próprio papel, até adquirir a forma final.
Sobre os materiais que uso para os rascunhos, nenhuma novidade: folha sulfite comum e também algumas folhas de um sketchbook da Canson antigo, cuja capa mofou, e lápis 2B ou lapiseira 0.7. Neste post tem uma lista com bancos de imagem para figura humana que eu sempre recorro quando preciso de referências. Espero que tenham curtido meu processo e esse retorno tímido ao blog e ao mundo da ilustração.
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Retrato de Rita Lobato
Ano passado fui convidada pelo Zé Roberto Graúna (que já havia cuidado da exposição Elas por Elas - as atletas brasileiras por nossas artistas, de 2016) para uma exposição em Campinas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. A ideia era retratar uma mulher de destaque na história do Brasil, e eu escolhi homenagear minha conterrânea, a médica Rita Lobato. E como o 8 de março está próximo e o tema de março do Girls Artist Gang é mulheres que mudaram o mundo, resolvi unir as três coisas. Abaixo, uma pequena biografia de Rita:
Rita Lobato Velho Lopes (Rio Grande, 7 de junho de 1866 — Rio Pardo, 6 de janeiro de 1954) foi a primeira mulher a exercer a Medicina no Brasil. Frequentou o curso secundário em Pelotas e demonstrou, desde cedo, vocação para a Medicina. Mas, apesar de um decreto imperial de 1879 autorizar às mulheres a frequentar os cursos das faculdades e obter um título acadêmico, os preconceitos da época, que relegavam às mulheres a uma função doméstica, falavam mais forte.
Rita matriculou-se inicialmente na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a Faculdade de Medicina de Salvador, na Bahia. Determinada em obter o título de médica, venceu a hostilidade inicial dos colegas e professores, conquistando aos poucos sua simpatia, até receber do corpo docente da tradicional faculdade baiana as maiores considerações. Em 1887, tornou-se a primeira mulher brasileira e a segunda latino-americana a obter diploma de médica, após defender tese sobre a operação cesariana.
Após a formatura, retornou ao Rio Grande do Sul, onde casou com Antônio Maria Amaro Freitas, com quem teve uma única filha, Isis. Clinicou em Porto Alegre durante algum tempo, mas acabou por se radicar em Rio Pardo, onde exerceu a profissão de 1910 a 1925. Foi eleita vereadora pelo Partido Libertador em 1935 e exerceu seu mandato até a implantação do Estado Novo em 1937, que fechou as câmaras municipais. Passou o restante de sua vida na Estância de Capivari, em Rio Pardo. Faleceu aos 87 anos de idade. (Fonte: Wikipedia)
Materiais utilizados: papel para aquarela Hahnemühle, e meus materiais de arte favoritos. A ilustração foi elaborada em tons de sépia pois não encontrei fotografias em cor para utilizar como referência.
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Harmonia
Há dois anos atrás gravei um vídeo (fora do ar) para responder à tag Meet The Artist e, lá pelos 2:30min, surge a pergunta: qual é meu maior sonho? A resposta é estabilidade financeira.
Desde o dia 9 de fevereiro posso dizer que, finalmente, consegui concretizar esse sonho, que veio acompanhado de uma mudança radical na minha vida. Fui nomeada para um concurso que fiz em 2014, para o magistério municipal. A partir de agora, sou oficialmente professora de Artes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Desde que o anúncio da nomeação saiu, no final de janeiro, cada dia é um plot twist diferente: muitos exames, documentos, autenticações, filas de espera, problemas de última hora, choro e alegria.
Desde o dia 9 de fevereiro posso dizer que, finalmente, consegui concretizar esse sonho, que veio acompanhado de uma mudança radical na minha vida. Fui nomeada para um concurso que fiz em 2014, para o magistério municipal. A partir de agora, sou oficialmente professora de Artes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Desde que o anúncio da nomeação saiu, no final de janeiro, cada dia é um plot twist diferente: muitos exames, documentos, autenticações, filas de espera, problemas de última hora, choro e alegria.
Se estou com medo? Claro. Mas resolvi me jogar de cabeça, com medo e tudo. Acredito que é muito melhor entrar nessa roleta russa de ansiedade e dúvidas e esgotar todas as minhas possibilidades, do que ficar eternamente arrependida de nunca ter tentado. Essa semana encerro meu ciclo no emprego que me acolheu nos últimos seis anos, e embarco nessa jornada inesperada, assim como aquela que Bilbo Bolseiro nem sonhava em participar um dia.
E para completar as reviravoltas de dar inveja a qualquer novela mexicana, na madrugada da quarta-feira de cinzas abandonaram uma linda gatinha preta na porta da minha casa. Claro que ela foi acolhida, alimentada, levada ao veterinário e agora faz parte da família, recebendo todo mimo, cuidado e amor do mundo. Seu nome é Luna (em homenagem à gatinha da Sailor Moon) e é meu xodó, dorme ao meu lado e é a grande responsável pelo aumento considerável das minhas olheiras hehe.
E o que muda na minha vida de ilustradora? Nadica de nada. A programação continua normal por aqui e as encomendas estão abertas, assim como meu studio na Colab55. Claro que, nas últimas semanas, em decorrência de tudo o que aconteceu, minha rotina sofreu uma super alteração, ando bastante cansada e resolvendo todas as pendências possíveis, por isso a produção e os estudos caíram. Talvez eu só volte ao ritmo 100% normal após o primeiro mês de aula, pois agora vêm os planejamentos, pesquisa e tudo o mais que envolve a docência.
Também pretendo criar uma categoria aqui no blog, chamada Sala de Aula, na qual quero contar sobre alguns projetos que eu venha a desenvolver com as crianças, no intuito de ajudar outros profissionais da área, já que achei bem difícil encontrar conteúdos para professores de arte que lidam com os pequenos. Por enquanto, é só um querer que estou acalentando, mas espero tirar do papel.
Para marcar essa fase, criei a peça que abre essa postagem, e que batizei de Harmonia. Eu estava há alguns dias sem desenhar, e queria fazer uma ilustração para descansar, e que passasse uma ideia de fofura e tranquilidade, inspirada pelos trabalhos da Juliana Rabelo, Malena Flores, Sabrina Eras e Dessamore, que são mestras no estilo cute. E harmonia é tudo o que quero, assim como tranquilidade, contato com a arte, com a natureza (pretendo utilizar minha formação em Educação Ambiental para trabalhar esse tema com as crianças) e muita felicidade e inspiração.
Materiais utilizados na ilustração: papel kraft Canson XL; lápis grafite Derwent Graphic 2B, EcoLápis Super Soft Faber-Castell; brushes para aquarela do Photoshop.
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A Redoma de Vidro (The Bell Jar)
TRIGGER WARNING: esta postagem fala sobre o livro A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, e contém relatos sobre depressão, que podem desencadear gatilhos emocionais. Prossiga com cautela. ❤️
Na última semana terminei a leitura de A Redoma de Vidro (The Bell Jar), livro da autora norte-americana Sylvia Plath, uma obra que sempre tive muita vontade de ler e estava na minha estante há bastante tempo, mas que me deixava com um pouco de receio, por conta do teor da narrativa. O livro conta a história de Esther, uma jovem estudante universitária que, de repente, descobre-se com depressão.
É fácil devorar o livro em poucos dias, mas economizei a leitura para não acabar logo. A escrita de Sylvia é muito poética e de fácil compreensão. Demorei um pouco para simpatizar com a personagem principal, no início achei que ela era uma moça mimada, mas quando percebi estava envolvida no seu relato e em como a depressão mudou completamente sua vida.
Deve haver um bocado de coisas que um banho quente não cura, mas não conheço muitas delas. Sempre que fico triste pensando que um dia vou morrer, ou perco o sono de tão nervosa, ou estou apaixonada por alguém que não verei por uma semana, me deixo sofrer até certo ponto e então digo: "vou tomar um banho quente".
A ideia de ilustrar o livro surgiu das imagens que Sylvia cria para a história. A que mais me impactou foi a da própria redoma de vidro ("bell jar" significa campânula, uma espécie de cúpula de vidro muito usada por colecionadores para proteger e, ao mesmo tempo, colocar em exposição plantas, ossos e artigos de antiquário), seguida pelo banho quente do trecho acima; as "cabeças flutuantes", que é como a personagem vai se referir várias vezes a pessoas que estão ou surgem ao seu redor e também os figos e a figueira.
Resolvi representar a personagem Esther, com sua cabeça flutuante na água turva do banho quente, dentro da redoma de vidro. Além disso, aquarelei dois figos - um maduro e outro seco - para marcar outra passagem importante do livro. Confesso que a imagem final da ilustração me incomoda demais. Mas acredito que se ficasse algo muito fofo ou confortável de se olhar, não faria jus ao texto que a inspirou. O resultado final fico assim:
Utilizei um papel para aquarela antigo, que veio junto do livro Aquarela: o jeito fácil. Desenhei a campânula usando uma cuia para a parte de cima, e régua para as laterais. Fiz uma grande aguada para a parte do líquido se misturando ao cabelo, e o restante da figura trabalhei com aquarela e lápis de cor. O fundo foi inserido digitalmente no Photoshop.
Materiais utilizados
- Papel para aquarela 180g;- Aquarelas Cotman;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Polycolor;
- Bruhes de aquarela para Photoshop.
Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim.
Eu via minha vida se ramificando à minha frente como a figueira verde daquele conto.Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro, uma professora brilhante, outro era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar.Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.
A Redoma de Vidro é uma leitura densa, porém muito boa, e confesso que depois dela não sei o que ler a ponto de se igualar à experiência que tive. É também um livro que vai acionar muitos gatilhos emocionais para quem sofre de depressão ou ansiedade, até mesmo pela própria história de vida da autora, que cometeu suicídio aos 30 anos, logo após a publicação de sua obra-prima. Portanto, quem é sensível a esses temas, vá com calma.
Deixe nos comentários suas impressões a respeito dessa interpretação visual que fiz do livro, e se você também o leu, conte sua experiência. Da Sylvia Plath, também tenho um livro chamado Desenhos, com uma série de sketches feitos por ela ao longo da vida. Vou deixar aqui o link para a pesquisa de imagens do Google com alguns desses trabalhos.
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